20/05/2017

É hora de apurar os crimes de Aécio e Andrea Neves

 

Depois que a máscara do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, caiu, é hora de investigar os crimes dele e da irmã em Minas Gerais. Desde 2013, o Diário do Centro do Mundo tem publicado reportagens minhas que mostram como os irmãos Neves utilizaram a estrutura do Estado para enriquecer, perseguir adversários políticos e jornalistas, e garantir a impunidade através do aparelhamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, com a nomeação de desembargadores amigos, e da Procuradoria de Justiça, com a nomeação de chefes para cargos no governo.

Eu vi a face desta máquina monstruosa, que manteve inocentes na cadeia e impôs terror na vida de quem ousou discordar ou denunciar abusos no projeto de poder de Aécio Neves, conduzido com mãos de ferro pela irmã Andrea Neves.

O ex-dono do Diário de Minas, Marco Aurélio Carone, filho de um ex-prefeito de Belo Horizonte, era um homem destroçado, andando de muletas, abatido por um enfarte que teve nos nove meses que passou na prisão, três deles em solitária, sem que houvesse condenação alguma sobre ele.

“O crime que eu cometi? Foi divulgar no site Novo Jornal informações que eu recebia sobre corrupção, ligações com o consumo e o tráfico de drogas do então governador, abuso da polícia, tudo que os jornais tradicionais não davam, porque estavam comprados por Andrea Neves”, disse Marco Aurélio Carone, numa entrevista gravada de mais de duas horas.

Na solitária, para não enlouquecer, Carone conversava com um rato.

Seu editor chefe no Novo Jornal, o premiado jornalista Geraldo Elísio, o Pica-Pau, me recebeu de bermuda e chinelo em seu apartamento modesto de Belo Horizonte e se surpreendeu quando soube que um veículo de São Paulo, o Diário do Centro do Mundo, tinha se interessado por sua história.

“A máquina de difamação aqui é muito poderosa. Eu não fui preso, mas os policiais reviraram a minha casa, e como não encontraram nada que me incriminasse levaram o computador onde eu tinha o original de três livros que pretendia publicar, um deles com minhas memórias de repórter”, afirmou ele, que já ganhou Prêmio Esso durante a ditadura, por denunciar tortura na Polícia Militar do Estado.

Pica-Pau foi também secretário adjunto da Cultura no governo de Newton Cardoso, do PMDB. Não era um outsider da política mineira, mas também foi esmagado pela máquina de Aécio e Andrea, e o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais na época chegou a sondar a Embaixada do Uruguai no Brasil, para pedir asilo para ele.

Geraldo Elísio recusou, com um propósito: continuar publicando informações sobre os crimes nos governos de Aécio e de Antônio Anastasia, seu sucessor. E ele faz isso até hoje, em sua página no Facebook, chamada Estação Liberdade.

O advogado Dino Miraglia, profissional de excelente reputação no Estado, perdeu o casamento quando a mulher o mandou embora de casa, depois que a polícia aecista, utilizando até helicóptero, fez uma operação de busca e apreensão em sua casa, onde havia um dos seus escritórios.

Tudo com cobertura da imprensa local. O crime de Dino? Defender Nílton Monteiro, o ex-operador de Sérgio Naya e do PSDB que denunciou o mensalão mineiro, a engenharia que desvio de recursos de publicidade para campanhas eleitorais que o PT, ao chegar ao poder em Brasília, herdou, inclusive com os mesmos personagens, Marcos Valério entre eles. Os petistas foram presos e execrados. Já os peessedebistas continuam sem punição.

Nílton também denunciou a lista de Furnas e, por isso, foi acusado de ser mega estelionatário, o inimigo número 1 de Minas e do Brasil. Falsas perícias, realizadas pela Polícia Civil alinhada ao poder de Aécio, atestavam que a lista era armação, mas depois, com uma perícia realizada pela Polícia Federal, se constatou que não, era autêntica, e nela estão Aécio e os aliados do governo de Fernando Henrique Cardoso, inclusive Jair Bolsonaro. É nitroglicerina pura, mas durante muito tempo foi ignorada por órgãos de investigação e pela imprensa.

Sempre recebi com ceticismo as denúncias que ligavam o esquema de Aécio ao crime mais pesado, como roubo de bancos e tráfico de drogas, mas os fatos insistem em aproximá-lo desse terreno pantanoso. Existe uma história em Minas, muito mal explicada, da morte da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, que era operadora do esquema do mensalão, amante de um dos figurões da política local. Ela foi assassinada, mas o rapaz que assumiu o crime, dizendo-se seu ex-namorado, nunca foi preso.

O primo de Aécio e Andrea, o Kedo, teve participação direta na negociação de um habeas corpus que tirou dois traficantes da cadeia. Quem concedeu o habeas corpus? Um desembargador nomeado por Aécio, como segundo de uma lista tríplice do Ministério Público do Estado.

Não ouvi a fita que, segundo o jornal O Globo, foi gravada por Joesley Batista com Aécio. Nela, o presidente nacional do PSDB apareceria dizendo que precisavam de um portador de mala de dinheiro que pudessem matar antes de se tornarem delatores.

Não sei o contexto em que foi dito, se de maneira irônica ou não, mas o fato em que as mãos de Aécio, que ele prometia usar para a remover o mar de lama da política brasileira, deixaram suas digitais impregnadas na cena de vários crimes.

É hora de apurar para valer.

Aécio revela faceta criminosa em conversa com dono da JBS. Por Fábio Lau

Não sou moralista e nem creio numa política feita por homens puros, a beira de entrar no céu, mas não deixo de me surpreender com a expressão usada por Aécio para se referir ao primo e a disposição que demonstrou em matar aquele que eventualmente o delatasse. A frase proferida é coisa de pistoleiro, coronel matador típico dos rincões mais remotos ou de um bárbaro cangaceiro melhor traduzido pela literatura de cordel. Sem rodeios, é esta a imagem que Aécio se revela longe das câmeras e do sorriso de bom moço: - Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação -

Além desse flagrante de modos criminosos, uma outra coisa chama a atenção. A PF cumpre mandado de busca e apreensão na fazenda de Aécio no município de..... Cláudio (MG). O mesmo onde mandou construir um aeroporto e que negou pertencer à família. Curiosamente, o dinheiro arrecadado por Aécio, via primo Fred, foi parar nas mãos de Zezé Perrella. Logo ele que se envolveu em uma mal contada história de helicóptero que transportava cocaína. O caso não avançou e o piloto do helicóptero, que levava meia tonelada do pó, desapareceu. Para quem seria o dinheiro?

Um dos principais delatores do escândalo, o ex-policial civil Lucas Gomes Arcanjo, apareceu morto por enforcamento em sua própria casa. A notícia foi escondida pela velha mídia. Por que? Conexão Jornalismo deu ampla cobertura do caso.

Aécio já foi acusado de agredir uma namorada em festa em hotel de bacanas no Rio. Nada provado. Pesou também uma história em que estava bêbado na direção de um carro quando foi parado em blitz da Lei Seca.

Histórias controversas envolvendo o senador são muitas, mas o fato é que, amparado no prestígio e na importância histórica do avô, Tancredo, ele foi avançando. Recursos públicos foram destinados as emissoras de rádio de sua propriedade em Minas Gerais. Nenhuma investigação, se houve, chegou a confirmar ou condenar.

Pior: mesmo delatado na Lava-Jato, foi fotografado ao lado do juiz modelo do país, Sérgio Moro, trocando sorrisos e cochichos - o que não deixa de surpreender. Talvez fosse necessário uma gravação e vídeo para que a máscara finalmente caísse. A sociedade espera a divulgação do conteúdo de tais gravações. O Brasil merece conhecer seus homens públicos. De todos os partidos.

Aécio: o Brasil escapou das mãos de um jagunço de terno. Por Kiko Nogueira

Um jagunço. O Brasil escapou de ser governado por um jagunço em 2014. O mesmo jagunço que arquitetou um golpe, se aliou a uma corja e que agora conta os dias para ir para a cadeia.

A cena descrita na gravação de meia hora, feita no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo, quando Aécio Neves pediu 2 milhões de reais ao dono da JBS, é a seguinte, segundo o Globo: O empresário quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. Deu-se, então, o seguinte diálogo, chocante pela desfaçatez com que Aécio trata o tema:

— Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança — propôs Joesley.

— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho — respondeu Aécio.

Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014, na área de “logística”.

Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Isso em março. Aécio Neves já estava enrolado até o pescoço em delações. E mesmo assim, mesmo assim, ele delinquiu — com a cumplicidade da eterna primeira irmã Andrea Neves.

Por quê?

Porque é assim que ele opera, sempre operou e sempre vai operar. É de sua natureza.

É esse o homem que não aceitou o resultado das urnas, atirou o Brasil no caos e foi engolido por ele.

É esse o homem que insuflou os fascistas de uma extrema direita indigente, cujos dejetos ainda vão nos assombrar por muito tempo.

É esse o homem que, blindado por uma mídia tão corrupta quanto ele, chegou tão longe. A mesma mídia que, agora, o entrega aos cães porque a fila anda.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em sua casa no Rio e no Senado. O comparsa Zezé Perrella, do Helicoca, também foi alvo da operação. Andrea Neves foi presa em sua casa em Belo Horizonte.

Um jagunço. Que tenha o fim reservado aos jagunços. Antes que fuja.

Depois de anos escondendo sujeiras debaixo do tapete, mídia abandona Aécio ferido na estrada. Por João Filho

Já não é mais possível segurar a blindagem de Aécio Neves (PSDB-MG) e sua família. Depois de passar anos ignorando gravíssimas denúncias de jornalistas mineiros contra ele e sua irmã, a grande imprensa passou a publicar as várias vezes em que o presidente do PSDB foi citado em delações premiadas. Ontem, em furo de Lauro Jardim de O Globo, o país conheceu o conteúdo de uma conversa gravada por um parceiro de crime do tucano, Joesley, o dono da Friboi, que assim agiu para tentar diminuir sua pena.

Aécio aparece no áudio pedindo R$2 milhões para bancar sua defesa na Operação Lava Jato. Em um dos diálogos, o empresário pergunta para o senador como será a entrega do dinheiro:

“Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.”

Com a maior tranquilidade do mundo, o presidente do PSDB deu as coordenadas para a execução do crime:

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho.”

Fred é Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio e ex-diretor da Cemig nomeado pelo tucano. Foi também coordenador de sua campanha para presidente em 2014. Ele acaba de ser preso pela Polícia Federal.

Sempre muito próximo de seu amigo Aécio, Zezé Perrella (PMDB-MG) — dono do helicóptero flagrado transportando meia tonelada de pasta base de cocaína —  também aparece nas investigações como receptor dos R$2 milhões que Aécio pediu para a Friboi. O dinheiro não foi para advogados, mas para Perrella. Em uma das viagens para São Paulo para pegar as malas de grana da Friboi, o primo foi filmado pela Polícia Federal repassando-as para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar de Perrella, também preso hoje.

O uso do verbo “matar” pode ser força de expressão, mas diante das circunstâncias estranhas em que um denunciante de Aécio morreu, fica difícil não dar asas à imaginação. Depois de acusar Aécio de corrupção, ligação com tráfico de drogas e até assassinato de opositores, o policial civil Luca Arcanjo foi encontrado morto em sua casa enforcado por uma gravata — um caso que teve pouquíssima repercussão na imprensa, para não dizer nenhuma. A versão oficial é de suicídio e, como no caso do helicoca, nunca mais se falou no assunto.

Nas redes sociais, muitos se apressaram em apontar a imparcialidade da Globo por ter publicado o vazamento da delação da Friboi em primeira mão. Bom, já faz um tempo que Aécio foi largado ferido na estrada e não faria sentido agora perder um furo que, inevitavelmente, seria divulgado por algum concorrente. Precisamos lembrar, então, que são antigas e inúmeras as denúncias de jornalistas mineiros que nunca tiveram repercussão na Globo ou em qualquer outro veículo da grande mídia. Aécio foi por muito tempo o principal nome da oposição e, com toda essa blindagem, se sentia à vontade para discursar contra a corrupção do PT. Enquanto as denúncias eram omitidas, um ambiente tranquilo e favorável era construído para o mineiro.

Teve jornalista que ousou furar o bloqueio jornalístico e foi parar na cadeia sem que isso merecesse uma cobertura aprofundada. Depois de denunciar Aécio e seu grupo político no Diário de Minas, Marco Aurélio Carone ficou 9 meses preso, mas foi absolvido e solto 5 dias após o fim das eleições em que o tucano concorreu à presidência. Sem nenhuma manchete nos jornalões ou cobertura do Jornal Nacional, o jornalista foi à Comissão de Direitos Humanos da Câmara no fim do ano passado para confirmar as acusações pelas quais foi preso: financiamento de campanha via caixa dois com envolvimento de Andreia Neves (presa hoje pela Polícia Federal), esquema na mineração e exportação de nióbio, uso político da estatal Cemig, dentre outras.

Por que esse jornalista foi silenciado na imprensa? Por que sua prisão não revoltou colegas que hoje publicam basicamente as mesmas denúncias feitas por delatores? Essas sucessivas omissões contribuíram para a construção da candidatura de Aécio em 2014, oferecendo a ele o discurso do combate à corrupção.  Tanto é verdade que, mesmo após a derrota nas urnas, eleitores do tucano saíram às ruas para protestar contra os corruptos vestindo a camisa que estampava aquele famoso bordão da pós-verdade: “Não tenho culpa. Votei no Aécio.”

Não nos esqueçamos também de outro caso gravíssimo ocultado pela grande mídia: o outro primo de Aécio Neves que vendia habeas corpus para traficantes de drogas em conluio com um desembargador nomeado pelo próprio Aécio. O primo e o desembargador foram presos, Aécio não foi incomodado com o assunto, e a imprensa nunca questionou as digitais do tucano no caso. Quer dizer, o Fantástico fez uma longa reportagem, sim, mas sem citar o nome de Aécio.

Depois de anos escondendo a sujeirada da família Neves debaixo do tapete, não dá para a Globo e outras empresas de comunicação fazerem a egípcia e posarem de imparciais. Não estamos diante de um rascunho de e-mail ou um recibinho de pedágio, mas de um áudio que revela em detalhes a prática de um crime. Está tudo muito claro, não precisa nem de power point explicando. Se levarmos em conta o que aconteceu com Delcídio do Amaral (PT-MS), Aécio deve ser preso nos próximos dias. E se resolverem começar a ouvir os jornalistas mineiros, talvez nunca mais saia da cadeia.

 

Fonte: Por Joaquim de Carvalho, no DCM/Conexão Jornalismo/The Intercept//Municipios Baianos

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