20/05/2017

Globo se envolve na ‘queda’ de mais um presidente

 

"Brasília assustada com as revelações do jornal O Globo". Essa foi uma das frases de efeito ditas por Willian Bonner durante a edição desta quarta-feira (17), dia em que as Organizações Globo detonaram uma bomba que vai derrubar mais um presidente da República no Brasil – golpista, mas presidente.

A denúncia de que Michel Temer foi gravado pelo executivo da JBS, Joesley Batista, dando aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha colocou um ponto final no mandato do golpista Michel Temer. Partidos da base do governo, parlamentares e muitos expoentes da direita, incluindo articulistas da Rede Globo, afirmam com convicção que não há mais condições de Temer permanecer na Presidência.

Tudo começou por volta das 19h, com a reportagem do jornalista Lauro Jardim publicada no site de O Globo. Praticamente na mesma hora, entra um Plantão na programação da Globo para dar o furo e chamar a audiência para o Jornal Nacional.

O misto de perplexidade, indignação e comemoração que tomou conta das redes sociais pode ser ilustrado pela frase "A Casa Caiu".

A gente tira o Temer e depois...

… Depois elege um novo presidente por eleição indireta. Pelo menos este é o desejo da Rede Globo, que já colocou seu exército de lobotomizadores para martelar no rádio, na internet, na TV aberta e fechada que, em caso de vacância da presidência nas condições de hoje, a diretriz constitucional prevista no artigo 81 é a eleição indireta. Falam abertamente que a eleição direta é inconstitucional.

Golpe Jurídico-Midiático

A caracterização de que o Brasil é alvo de um golpe jurídico-midiático se reforça. Temer passou a ser um obstáculo aos objetivos políticos e econômicos dos setores que financiaram o golpe. Passado um ano do impeachment, o país está mergulhado numa grave crise econômica, o desemprego é recorde e o presidente ostenta o índice de 61% de ruim e péssimo, segundo avaliação do Data Folha. Como dar continuidade à agenda das reformas neoliberais, de retirada de direitos neste cenário? Como manter o apoio ao golpe e à Lava Jato com um governo enlameado, citado diretamente nas delações, sem qualquer credibilidade?

A aliança mídia-judiciário se aprofunda e não vacila em fazer o que precisa ser feito, doa a quem doer. Nada disso é em nome da democracia, ou da ética, ou da luta contra a corrupção. É um passo no sentido de aprofundar o golpe.

Diretas Já!

A denúncia contra Temer abre mais um capítulo de imprevisibilidade na conjuntura política.

Apesar dos objetivos explícitos da Rede Globo, a sociedade brasileira não pode permitir que um parlamento desmoralizado por denúncias de corrupção eleja, em colégio eleitoral, um novo presidente da República. Este é o momento de sair às ruas para exigir que o povo tenha garantido o seu direito ao voto.

E como diz o ditado: as crises abrem janelas de oportunidade. Temos que construir um amplo arco de alianças para enfrentar o arbítrio.

Fora Globo

O papel político que a Globo, acompanhada pelo restante da mídia hegemônica, tem cumprido no país é totalmente incompatível com a democracia.

É urgente ampliar o debate sobre a democratização da comunicação no Brasil. Já passou da hora de este tema ocupar lugar prioritário na agenda do movimento social. Sem enfrentar o monopólio privado dos meios de comunicação não é possível garantir direitos sociais, trabalhistas, a soberania nacional e, principalmente, não é possível construir um país democrático.

Não podemos continuar a ser uma nação que é dominada por uma emissora de televisão. É hora de dizer um basta a este monopólio.

A palavra de ordem #ForaGlobo representa muito mais do que um grito contra a emissora dos Marinho, ela condensa a indignação de quem não suporta mais ser manipulado por um discurso único. Ela representa a luta de quem quer ter voz, ter rosto, ter visibilidade nos meios de comunicação do seu país.

Vamos todos às ruas e às redes disputar os rumos do nosso país e lutar pelas eleições diretas.

PARA SE SEGURAR NO CARGO, TEMER FAZ TERRORISMO SOBRE ECONOMIA

Rouco, tentando aparentar firmeza, isolado e com uma claque tímida e quase envergonhada, Michel Temer anunciou na quinta-feira (18) que não vai renunciar. Com a base de apoio no Congresso esfacelada, até aqui seu maior trunfo para emplacar as reformas Trabalhista e da Previdência, Temer disse que a revelação de conversas gravadas clandestinamente “trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada”.

Parece chantagem, e é. Até porque os fantasmas citados por ele jamais saíram de cena.

Quem ouve Temer falar sobre o risco de jogar no “lixo da história o trabalho feito em prol do país” para sair de “sua enorme recessão” poderia imaginar, talvez em outro Planeta, que sua gestão tem debaixo do braço índices chineses de crescimento. Não é bem assim. De fato, a variação anual do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, ficou em 4,08% em abril deste ano, ainda fora do centro da meta, mas bem inferior aos 9,2% registrado no mesmo mês do ano passado, quando a agenda no Congresso estava trancada pelas discussões do impeachment. Economistas do mercado financeiro haviam reduzido, há pouco tempo, as projeções para o índice oficial de inflação neste ano, de 4,01% para 3,93%. Seria a décima queda semanal consecutiva para essa previsão.

As taxas de juros também caíram, de 14,15 há um ano para os atuais 12,15% ao ano – ainda uma das maiores do mundo (em 2012, o índice chegou a 7,14). Além disso, a taxa de desocupação continua em alta: segundo o IBGE, o país registra 14,2 milhões de desempregados no trimestre encerrado em março, número 14,9% superior ao trimestre anterior (outubro, novembro e dezembro de 2016). No ano passado, o PIB registrou a pior recessão da história, com queda de 3,6% da atividade econômica.

A expectativa de melhora era exatamente isto: uma expectativa

Pesquisa recente do Datafolha mostrou que o número de brasileiros a esperar uma melhora nos índices econômicos subiu de 28% para 31%, e a expectativa de piora caiu de 41% para 31%. Parte do mercado apostava na aprovação das reformas como condição básica para a retomada da atividade econômica, embora a relação não seja unanimidade entre especialistas.

Em entrevista recente ao site BBC Brasil, o professor do departamento de Direito de Cambridge Simon Deakin, especialista no impacto de leis trabalhistas sobre emprego e renda, disse não haver evidências de que mudanças nas formas de contrato criem empregos. Em geral, afirmou, o afrouxamento dos controles sobre o trabalho temporário e em tempo parcial não só não leva necessariamente à criação de emprego como pode ter o efeito de reduzir o emprego na economia formal, já que estes postos de trabalhos ficam menos atraentes.

A aposta de Temer, além disso, parte de um pressuposto tão frágil quanto a estabilidade jamais alcançada por seu governo, apesar do esforço, este sim notável, de demonstrar que tudo corre bem. Com o facão da Lava Jato sobre a cabeça de alguns de seus principais auxiliares, e com indícios cada vez mais nítidos da participação de Temer em irregularidades, agora oficialmente sob investigação, era possível supor que o otimismo mambembe do mercado estivesse, de saída, vulnerável a qualquer espirro – quanto mais à suspeita de pagamento pelo silêncio de um ex-deputado encarcerado.

A queda na Bolsa e a disparada do dólar ao longo do dia são sintomáticas da fragilidade deste pacto. Segundo Nelson Marconi, coordenador do Fórum de Economia e professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP), a atividade econômica vai piorar ainda mais em razão da incerteza política, da crise de confiança e do cenário fiscal.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, ele ressaltou que o único setor que vinha demonstrando sinais de melhora até aqui era o agronegócio. “O emprego aumentou no interior do país, e como ele é exportador e depende das condições do mercado externo, vai ser pouco afetado pela crise”, avaliou. Para ele, no entanto, os demais setores serão impactados, pois os parcos investimentos serão paralisados em razão da crise de confiança.

A gravação de Joesley Batista que comprometem Temer e o agora senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), fiador da aliança com o PMDB, colocou uma pá de cal nesta confiança alicerçada em expectativas de recuperação, e não exatamente no deslanche da economia clamado agora por um presidente cada vez mais acuado.

Mesmo com FriboiGate, maioria dos partidos governistas continua com Temer

A maioria dos partidos que dão sustentação ao governo de Michel Temer no Congresso continuarão apoiando o atual presidente da República nos próximos dias. Mas já há defecções isoladas em várias siglas governistas 24h depois da divulgação da delação dos donos da JBS.

O presidente é acusado de concordar com a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha, segundo o jornal O Globo. Um dos donos da JBS, Joesley Batista, gravou o diálogo. Pressionado, Temer negou a possibilidade de renúncia.

Ao longo desta 5ª feira (18.mai) anunciaram a saída do governo o PPS (9 deputados) e o PTN (13 deputados). O PSB (35 deputados) cobrou a saída do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, que é filiado à sigla. Somadas, as 3 legendas têm 57 congressistas.

O Poder360 conversou com líderes e presidentes de algumas das maiores siglas na Câmara. Seguirão apoiando o governo o PP (47 deputados), o PR (39), o PSD (37), o DEM (29) e o PTB (17). Os 5 partidos somam 169 deputados.

Nas primeiras 24h pós-delação da JBS, só o ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS), deixou o governo.  O ex-colega de Esplanada Raul Jungmann (Defesa), também do PPS, disse que continuará no governo. Outros ministros relevantes disseram que continuarão, por hora: é o caso de Aloysio Nunes (Relações Exteriores, PSDB), Mendonça Filho (Educação, DEM) e  Antônio Imbassahy (Segov, PSDB), entre outros.

AINDA INDEFINIDOS

Bancadas importantes para o governo, incluindo a do próprio partido do presidente, ainda não tomaram uma posição:

PMDB (64 deputados): a bancada deve se reunir na 2ª feira (22.mai). Uma rebeldia generalizada não é impossível.

PSDB (47 deputados): o partido deve se reunir com Michel Temer antes de se posicionar. O ex-presidente FHC sugeriu que Temer deve renunciar. O presidente interino do partido, Tasso Jereissati, emitiu nota pedindo a permanência dos 4 ministros da legenda. Deputados tucanos entraram com 1 pedido de impeachment contra Temer.

PRB (23 deputados): bancada se reúne na noite e madrugada de desta 5ª (18.mai) para definir uma posição. O viés é pró-Temer.

MAIS DETALHES SOBRE OS DISSIDENTES

Eis uma síntese das reações de PSB, PTN e PPS:

PSB (35 deputados): o presidente da legenda, Carlos Siqueira, defendeu a entrega do cargo de chefe do Ministério de Minas e Energia, ocupado pelo deputado eleito Fernando Coelho Filho. Disse que o governo é “impopular” e que “perdeu sua legitimidade para governar o Brasil“. O PSB já se considerava independente antes da delação;

PTN/Podemos (13 deputados): a sigla afirmou, em nota (eis a íntegra), que opta por uma “posição de independência” do governo Temer. O partido não tem ministros na Esplanada, mas conquistou recentemente o comando da Funasa;

PPS (9 deputados): o ministro da Cultura, Roberto Freire, pediu demissão do cargo. O partido, em nota, decidiu deixar o governo Temer.

 

Fonte: RBA/Midia Ninja/The Intercept/Poder 360/Municipios Baianos

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