20/05/2017

O triste final de um bando de canalhas

 

Francis Bacon é autor de uma frase que costumo usar em momentos históricos como o de hoje, 17 de maio de 2017. Dizia ele que a verdade é filha do tempo e não da imposição.

Nada mais apropriado para o dia em que caiu por terra, definitivamente, a máscara de soberba e hipocrisia que encobria a decrepitude de um sistema político dominado por uma escória que foi capaz de arruinar uma democracia inteira em defesa dos mais inconfessáveis interesses.

Ironia das ironias, foi por medo do mais atual instrumento de tortura da idade moderna, a prisão preventiva indefinida, que os donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, proporcionaram a mais avassaladora delação premiada de toda a operação Lava Jato. Não deixa de haver nesse episódio uma espécie de justiça providencial.

Utilizados como ferramentas medievais na insana busca de argumentos minimamente aceitáveis para incriminar Lula, Dilma e o PT, prisão preventiva e delações foram exatamente os recursos que acabaram por provar a escandalosa conspiração que depôs uma presidenta honesta e perpetuou uma caçada jurídica e midiática de décadas ao maior líder popular desse país.

Iniciada desde os primeiros minutos em que Dilma Rousseff foi reeleita em outubro de 2014, o conluio capitaneado pelo projeto de poder derrotado nas urnas utilizou-se de todos os meios, instituições inclusive, para minar e inviabilizar o governo reconduzido pelo povo ao poder.

Munidos com o capital do alto empresariado, do jornalismo de guerra da mídia familiar e da justiça cooptada da primeira instância até a mais alta corte, a nata da corrupção política brasileira enganou descaradamente uma parcela significativa da população buscando a desestabilização do governo.

Nada representa melhor o que significou o golpe de Estado sofrido pelo país do que a aceitação do processo de impeachment ter sido feita por um criminoso como Eduardo Cunha. O mesmo que, agora está provado, confabulava com o vice decorativo e sua quadrilha, a tomada violenta do poder.

Poucos messes após uma das mais vergonhosas sessões já vistas na Câmara dos Deputados, o Senado dava cabo de um projeto vitorioso de inclusão social e redução da desigualdade que perdurou por mais de uma década.

Entrou em cena a mais pavorosa malta já reunida no Palácio do Planalto. A truculência, o machismo, a misoginia, a incompetência e a falta de diálogo foram postos em ação para ruir a soberania brasileira em pagamento dos relevantes serviços prestados pelos grandes interesses internacionais.

Em apenas um ano de governo, o Brasil retrocedeu décadas. Ficamos mais pobres, mais desiguais, mais desempregados. Fatiamos e doamos a Petrobrás a empresas internacionais. Condenamos a educação e a saúde a décadas sem investimentos. Perdemos todo o prestígio internacional que conseguimos a duras penas.

Em resumo, um escândalo num dia, um desastre no outro. Quando não os dois.

A delação dos donos da JBS vem pôr fim a um dos mais obscuros momentos políticos de nossa história. Restou desmoralizado todo o governo Temer, o Supremo Tribunal Federal que foi incapaz de impedir os atos de Eduardo Cunha e a operação Lava Jato que terá agora que lidar, fatalmente, com aqueles a quem tanto tentou proteger.

Escrevi em 7 de julho de 2016, pouco antes da votação do impeachment no Senado Federal, um artigo intitulado “O desfecho de Temer será ainda pior do que o de Cunha”.

Não resta dúvidas que esse medíocre que ora rasteja no lamaçal de imundície que ele próprio criou, entrará para a história do Brasil como o político mais odiado de todos os tempos.  Que a profecia seja cumprida e que este seja o triste fim de uma canalha.

Moro deve explicações ao país por colocar um pedalinho na frente das perguntas de Cunha a Temer. Por Donato

Uma coisa não se pode negar. O método do juiz Sérgio Moro para manter Cunha calado foi bem mais barato. Bastou vestir sua capa de paladino da justiça e desqualificar o detento.

Já para Michel Temer e donos da JBS obterem o mesmo resultado era necessário o pagamento de uma mesada ao ex-presidente da Camara e ao doleiro Lucio Funaro.

Com a bomba que caiu sobre o país, deixou de ser mera desconfiança ou discurso de esquerdista que Moro tenha atuado com viés político. Nunca foi imparcial. Agora, com a gravação de Joesley Batista que atinge Temer de forma letal, Sergio Moro poderia ser acusado de prevaricação? O juiz vetou 21 das 41 perguntas preparadas por Eduardo Cunha para a oitiva de Temer. Alegou que era chantagem, extorsão. Que eram perguntas ‘inapropriadas’.

E agora? Está provado que Cunha tem mesmo muita bala na agulha e Temer autorizou comprar seu silêncio. De onde Sergio Moro tirou que era chantagem pura e simples, sem fundamento?

Prevaricação consiste em ‘retardar, deixar de praticar ou praticar indevidamente ato de ofício para satisfazer interesse ou sentimento pessoal’. Sergio Moro ao barrar perguntas de Cunha retardou o processo? Estava obedecendo algum timing endêmico de Curitiba? Afinal, um delegado da Lava Jato, Igor Romário de Paula, já havia afirmado que a Operação obedece um outro fuso horário, estava aguardando o ‘timing’ para prender Lula.

Desde dezembro do ano passado, Sergio Moro sabia, via delação de Claudio Melo Filho, depois confirmada em depoimento por Marcelo Odebrecht, que Temer tinha pedido R$ 10 milhões para a construtora.

Por que Cunha foi desqualificado e outros delatores, quando entregam o que Moro quer, ganham liberdade e verniz de estarem arrependidos, dizendo a verdade, ‘colaborando com o Brasil’? Como tinha certeza de que Cunha nada tinha para mostrar? Por que mantém Cunha – uma verdadeira bomba-relógio – afastado dos holofotes a tanto tempo?

Pouco tempo depois de Moro calar Cunha, Márcio Faria, presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, confirmou os depoimentos anteriores. Disse que Michel Temer tratou de doação para sua campanha em troca de favorecimentos à Odebrecht.

À época, o presidente deu aquela escapada clássica entre políticos que apelam para a amnésia: “Pode ser que estive sim, pode ser o referido senhor Marcio Faria, mas não posso garantir.” O mesmo comportamento que adota agora ao confirmar ter estado com Joesley Batista mas nega ter tratado de mesada-mordaça. Enquanto consegue manter-se minimamente em pé, pelas próximas horas Michel Temer vai repetir o discurso ‘fumei, mas não traguei’.

Moro agiu para proteger Michel Temer? Poderia ser acusado de obstrução de justiça? Isso é complicado. Embora Delcídio do Amaral ou o bilionário André Esteves já tenham sido mandados para a prisão por ‘obstrução de Justiça’, este termo não existe no Código Penal nem no Código de Processo Penal.

“Jamais há crime sem tipificação. Obstruir a justiça é um fato, e tem que ver se ele se encaixa em algum crime previsto. Se não se encaixar, pode ser imoral, abjeto, mas crime não é”, afirmou André Kehdi, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM). Moro sabe disso.

Se o palácio de Temer caiu, o de Moro também. Está claro que não atuou com imparcialidade ou isenção. Não é uma questão de interpretar tendenciosamente suas fotografias ao lado de tucanos.

Fosse em outro lugar veríamos já na noite de ontem um helicóptero saindo do telhado do Palácio do Planalto com Temer em fuga e Sergio Moro sendo cercado por imprensa e populares pedindo explicações.

JBS reconhece pagamentos indevidos e pede desculpas ao País

O empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, holding que controla o frigorífico JBS, divulgou na quinta (18)  uma nota em que admite pagamentos indevidos a agentes públicos e pede "desculpas a todos os brasileiros" pelas relações de suas empresas com autoridades. O documento foi apresentado horas após a divulgação do áudio de conversa entre o empresário e o presidente da República, Michel Temer.

"Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso. Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos", diz o empresário.

Em áudio de cerca de 40 minutos divulgado pelo STF, Temer e Batista conversam sobre o cenário político, os avanços na economia e também citam a situação do ex-deputado Eduardo Cunha, preso na Operação Lava Jato.

Na carta, Batista ressalta que o país mudou e suas empresas também, segundo ele. "Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos intolerantes e intransigentes com a corrupção."

O empresário confirma no texto que foram assinados acordos de cooperação com Ministério Público. "Pedimos desculpas a todos os brasileiros e a todos que decepcionamos, que acreditam e torcem por nós. Enfrentaremos esse difícil momento com humildade e o superaremos acordando cedo e trabalhando muito", conclui o empresário.

Tentativa de fuga e deboches marcam prisão de irmã de Aécio

Um vídeo gravado por vizinhos de Andrea Neves mostra a chegada da Polícia Federal à sua casa em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Minutos mais tarde sairia dali, presa, a irmã do senador Aécio Neves, presidente do PSDB e candidato a presidente da República pelo partido em 2014.

As imagens mostram os agentes levando para a Superintendência da PF na capital a mulher que é considerada no meio político como a mentora intelectual da carreira política do tucano. Algumas risadas e uma afirmação são ouvidas: "Ela tem diploma, mas ela vai presa do mesmo jeito".

Segundo investigadores, no momento da prisão foram encontrados documentos e uma passagem para Londres. A viagem aconteceria na noite dessa quinta-feira (18). Ainda não foi informado quando o bilhete foi comprado, mas esse um dos motivos para a Operação Patmos ter sido deflagrada hoje.

Hostilidade em sua chegada ao IML

Andrea Neves foi encaminhada ao Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto depois de fazer exame de corpo delito no Instituto Médico Legal. Ela ficará presa em Minas Gerais durante o processo e sua defesa ainda não se manifestou.

Um vídeo publicado pelo jornal O Tempo , mostra ela sendo recebida com gritos de "ladrona" e também com deboches de algumas pessoas que acompanhavam o grupo de jornalistas. "Essa pauta é boa", diz um dos locutores. Andrea não conversou com jornalistas.

Prisão de todos os citados, menos Aécio

Para a investigação, Andréa Neves, a irmã, foi a responsável pela propina de R$ 2 milhões de Joesley Batista a Aécio; Frederico Pacheco de Medeiros, o primo, foi a pessoa  indicada por ele para pegar o dinheiro com um diretor da JBS em São Paulo; e Mendherson Souza Lima secretário parlamentar do senador Zezé Perrela, do PMDB, quem trouxe o dinheiro de SP para BH. O dinheiro foi rastreado e está numa conta de uma empresa de Gustavo Perrela, secretário nacional de Futebol do Ministério dos Esportes e do helicóptero apreendido com cocaína em 2013.

Mesmo com a prisão de todos ligados ao senador, o ministro Edson Fachin, negou o pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Aécio Neves. Fachin decidiu apenas afastar o senador mineiro de suas funções parlamentares.

 

 

Fonte: Por Carlos Fernandes, no DCM/Agencia Brasil/Terra/Municipios Baianos

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