27/05/2017

Jequié: Festa Literária do Sertão tem três dias de programação

 

A Felisquié apresenta a terceira edição da Festa Literária Internacional do Sertão entre os dias 02 e 04 de junho de 2017, com abertura pela manhã no Auditório Waly Salomão (UESB - Campus de Jequié) e no período da tarde e da noite no Centro de Cultura ACM. Conhecida como Cidade Sol, Jequié vai ferver com palestras, debates, mesas redondas, exibição de filme, lançamento e exposição de livros, sarau de poesia e música e, especialmente, a primeira edição da Felisquiesinha, que reunirá autores, oficineiros e público infanto juvenil para desfrutar de oficinas artísticas e literárias. Confira toda a programação gratuita (exceto show de Danilo Caymmi) e se inscreva no link informado abaixo.

A terceira edição da Felisquié será aberta às 8h da manhã da sexta-feira (2), com a conferência “A contribuição de Afrânio Coutinho para os estudos literários no Brasil”, que terá como conferencista o crítico literário Eduardo Coutinho, que vai desvendar o relevante trabalho para os estudos literários no Brasil do seu pai, Afrânio Coutinho, um dos homenageados da Felisquié.

Outro nome celebrado é do poeta, compositor e cantor Tom Jobim (pelos seus 90 anos de nascimento) com a palestra “Caymmi visita Tom” (título de um LP), que será proferida pelo cantor e compositor Danilo Caymmi e o músico Davi Costa Mello na manhã do dia 3 de junho no Auditório Waly Salomão (UESB - Campus de Jequié).

No mesmo dia à noite, no Centro de Cultura ACM, Danilo Caymmi fará um show com músicas autorais, do seu pai Dorival Caymmi e de Tom Jobim, que foi seu parceiro musical na Banda Nova. O espetáculo musical, que está sendo produzido pela Revista Cotoxó. Os ingressos estão a preços populares, custando R$ 60,00 a inteira e R$ 30,00 a meia entrada. O cantor Nuno Menezes abrirá o show de Danilo Caymmi.

Shows gratuitos com artistas de Jequié e Salvador também serão oferecidos ao público da Felisquié. Na manhã do primeiro dia do evento se apresentarão os cantores Jonas Carvalho e Kátia Morbeck, os cordelistas José Walter Pires, José Carlos Vaz (Rocart Versal) e Tonho da Viola (que é também repentista), e os poetas Domingos Ailton, Milane Santos, Julia Barbosa Fernandes e Raíne Pereira Gomes; na noite o ator e apresentador Jackson Costa comanda o “Sarau do Poeta”, um espetáculo que conjuga música e poesia.

Na tarde do sábado (3), se apresentarão as cantoras Tânia Valverde e Brena Lima, o cantor Neubera Kudera e a atriz Tina Tude. Já no domingo (4), o cantor Nuno Menezes entoa canções do Tropicalismo e vozes do povo de santo do Terreiro de Candomblé Ilê Axé Horomila cantam zuelas de orixás femininas. No período da tarde é a vez da poetisa Mariana Lima, da cantora Sueli Morbeck e dos sanfoneiros Antônio de Assis e Tribuna se apresentarem. O show Canto da Natureza, em comemoração à Semana do Meio Ambiente, encerra a Felisquié com apresentação da cantora Iana Rocha e dos cantores Fábio Haendel, Pablo Moraes e do sanfoneiro Deraldino Medeiros Neto.

Além da homenagem a Tom Jobim, “outras homenagens serão feitas a nomes que contribuíram para o desenvolvimento literário e cultural da região de Jequié, da Bahia e do Brasil, a exemplo de Maria Lúcia Martins, Stela Câmara Dubois, Lindolfo Rocha, Carolina Maria de Jesus e Rodolfo Coelho Cavalcanti e aos 50 anos do Tropicalismo”, destaca Domingos Ailton, acrescentando que o tema da terceira edição é “O cangaço na Literatura de Cordel: do sertão para o mundo”.

Musa da teledramaturgia brasileira nos anos de 1990, a atriz Ingra Lyberato faz na noite do dia 2 de junho no Centro de Cultura ACM a palestra “O MEDO DO SUCESSO: Revelações da vida pessoal e profissional da atriz Ingra Lyberato”, que escreveu livro confessional sobre os desafios que passou, diante do estrondoso sucesso das novelas Pantanal, Ana Raio, Indomada, O Clone e outros momentos de grande exposição nacional, e lança livro sobre sua trajetória artística.

Companheiro de exílio em Londres dos cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil e parceiro do poeta tropicalista jequieense Waly Salomão, o também poeta, compositor e filosofo Antônio Cícero vai falar sobre “O Tropicalismo e a cultura brasileira” na manhã de domingo, 4 de junho, no Auditório Waly Salomão da UESB - Campus de Jequié.

Na tarde do dia 2 vai ser lançado no Centro de Cultura ACM o filme “Suspiro de um Trovador”, um documentário que conta a trajetória do cordelista alagoano Rodolfo Coelho Cavalcante, e presta homenagem ao centenário desse imortal trovador brasileiro, que viveu um período de sua vida em Jequié. Após a exibição do filme será realizada uma mesa redonda com o diretor e roteirista do filme, o cineasta Marcelo Rabelo e o filho do poeta popular, o também cordelista Isaias Cavalcante.

A III edição da Felisquié vai reunir, ainda, palestras dos professores Emerson Pinto de Araújo, Sonilda Sampaio, Maribel Barreto, Raquel Alves dos Santos, Dayse Sacramento e Luciano Santos; dos escritores Domingos Ailton, Mouzar Benedito e Aleilton Fonseca; dos cineastas Robinson Roberto e Marilusa Barreto, do cordelista José Walter Pires e dos editores Luiz Gonzaga, Manuella Cajaíba, Agenor Gaspareto, Roberto Leal e Valdeck Almeida de Jesus.

A Felisquié terá cenário com projeções mapeadas do artista visual Eldelsio Lima com ilustrações de Fefa Yanevisk. Inscrição e a programação pode ser conferida no www.felisquie.com.br ou enviando email para felisquieuesb@gmail.com

A Felisquié conta com o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura, via do Edital de Literatura da Funceb. São parceiros, as Secretarias Municipais de Cultura e Turismo e de Educação da Prefeitura Municipal de Jequié de Jequié, do Núcleo 22 de Educação, da Revista Cotoxó, da Benigno Produção, da Innovate Comunicação Digital e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Terno de Reis do Alto Sertão da Bahia é retratado em websérie

Alegorias de uma tradição religiosa e cultural com ares folclóricos dão espaço para um ritual envolto por uma simplicidade material, enaltecido por uma riqueza subjetiva e sonoridade peculiar. A identidade da Folia de Reis do Alto Sertão da Bahia é o enredo retratado na websérie Reiseiros, vida de sorte e saúde. Produzida pela Olho de Peixe Filmes, a série tem a proposta de valorizar a memória e a preservação da tradição da Folia de Reis do sertão do estado, através das vivências e visões de mundo dos seus foliões mais antigos e apaixonados. O lançamento da websérie será no dia 2 de junho nas redes sociais e no hotsite www.reiseiros.com. O projeto enquadrado com o título Trilha de Reis tem patrocínio da Coelba e Governo do Estado, através do Fazcultura, da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do estado da Bahia e irá contemplar também a produção de um filme e um livro.

Na websérie, o projeto Reiseiros abordará o Terno de Reis do Alto Sertão Baiano em episódios curtos, cuja linguagem subjetiva será apresentada pelos reiseiros que se destacaram pela relação apaixonada com a qual vivenciam o Terno de Reis nas diversas localidades visitadas pela equipe realizadora.

Foram registrados Ternos da zona rural de quatro municípios do Alto Sertão Baiano: Caetité, Guanambi, Igaporã e Pindaí, durante o período do Reisado que acontece tradicionalmente na primeira semana de janeiro. A série será exibida em 10 episódios com postagens semanais de novos episódios, sempre às sextas-feiras. Em cada edição, outros conteúdos relacionados ao tema serão disponibilizados ao público, como textos, fotos e vídeos adicionais.

Durante o processo de realização, a equipe do projeto se dividiu em três unidades de captação, uma unidade audiovisual que acompanhou diversos ternos em atividade, outra que esteve concentrada em acompanhar com exclusividade um terno durante as etapas de preparação, do "giro" e da ladainha - ritual festivo realizado após o período do reisado - e outra unidade para o registro fotográfico e documental, com a finalidade de reunir conteúdo para o livro. "A partir desse desenho de captação do conteúdo, o público que acompanhar o projeto terá a oportunidade de mergulhar de forma mais profunda nos Reisados do Alto Sertão da Bahia e, dessa maneira, ter a possibilidade de captar toda a subjetividade e encanto contidos nesse ritual", explica Sabrina Alves, sócia da produtora Olho de Peixe e um dos idealizadores do projeto. O lançamento do livro e do filme está programado para setembro deste ano.

A paixão reiseira

A festa dos três Reis Magos do Oriente que, conforme o credo católico, visitaram o recém-nascido Jesus Cristo com presentes e honras é comumente representada pelos personagens bíblicos com figurinos coloridos, alegóricos, guiados com som harmônico. No alto sertão baiano, os sócios Cristiano Britto e Sabrina Alves foram apresentados a uma nova representação da Folia de Reis. “Em 2010, convidados pelo músico e parceiro Anderson Cunha, partimos para uma longa viagem do litoral ao interior e desembarcamos cheios de curiosidade diretamente na zona rural do município de Caetité. Encontramos o primeiro Terno de Reis tocando dentro de uma casa e a cena que foi revelada para nós era diferente de tudo que havíamos construído previamente através das referências mais recorrentes a respeito de uma Folia de Reis. Não havia figurinos, alegorias e instrumentos harmônicos”, comenta Cristiano Britto.

Uma música percussiva, orgânica, quase tribal guia a incursão nesta Festa que se repete em cada casa, mantendo uma simplicidade material, mas que revela uma grande subjetividade e diferentes formas de envolvimento dos personagens. “A breve vivência com eles nos arrebatou de uma forma muito intensa. Era precioso o que se apresentava naquele território tão distante, no meio do nada, no interior do interior. Naquele lugar esquecido, um ritual religioso traduzido de forma tão autêntica, única, particular se apresentou para nós como uma representação encantadora de conceitos tão universais como a existência, a fé, o amor e a empatia”, relata Sabrina Alves.

Esta experiência culminou na efetiva realização do projeto que cumpre o papel de apresentar e preservar a identidade dos Ternos de Reis da zona rural do Alto Sertão da Bahia. “Decidimos ressaltar as histórias e características dos reiseiros mais apaixonados, sem restringir a denominação de reiseiro aos integrantes. Reiseiro é aquele que ama o reis, seja aquele que vai, seja aquele que recebe”, conclui Cristiano Britto. Além do material captado na festa de 2017, os registros realizados ao longo dos sete anos de desenvolvimento do trabalho estarão à disposição do público interessado em conhecer os bastidores desta iniciativa.

 

Fonte: SecultBa/Municipios Baianos

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