06/06/2017

Elba Ramalho crítica invasão dos sertanejos no São João

 

A cantora Elba Ramalho criticou publicamente o São João que está sendo realizado em Campina Grande, na Paraíba. A artista, que disse não ter nada contra o sertanejo, falou sobre a invasão do ritmo nas festas juninas e disse que o contrário não ocorre nas festas de peão, pois os eventos são blindados para que não haja a entrada de outras nuances musicais.

“Reivindiquei da Paraíba que o São João de lá que está muito comprometido. Não tenho nada contra nenhum artista, nada contra o sertanejo. No céu cabe todas as estrelas, porém eu não canto na festa de Barretos; Dominguinhos não cantava… A festa é deles, é do sertanejo. Eles têm bem essa coisa: a área é nossa… Quando chega o São João, se você não tiver forró, eu não quero ir para uma festa que não tem forró”, bradou Elba.

Na Bahia, o vocalista da banda Estakezero tem sido uma voz recorrente em defesa do forró. Léo Macedo tem se posicionado sobre o tema e também diz não ter nada contra outros ritmos, porém defende a manutenção da tradição dos festejos.

Outro artista que tem usado as redes sociais e encabeçado a campanha #DevolvaMeuSãoJoão é Chambinho do Acordeon. Intérprete de Luiz Gonzaga no cinema, ele tem obtido o apoio de outros artistas para tentar estancar a sangria sofrida pelos forrozeiros neste período de festas juninas.

Com 66 anos de carreira, Genival Lacerda critica invasão dos sertanejos no São João 

Aos 86 anos e com a vitalidade de um cinquentão de hábitos saudáveis, o cantor e compositor paraibano Genival Lacerda celebra os 66 de carreira com shows por todo o Brasil. Autor e intérprete de sucessos como Severina Xique-Xique, Radinho de Pilha, Galeguinho dos “Zóio Azul” e outras dezenas de hits, Genival criticou a invasão da música sertaneja nas festas de São João. “Eles têm julho, agosto, setembro … até dezembro para tocar”.

O artista, que durante seu show canta fazendo o tradicional gesto de segurar a sua saliente barriga, disse ainda que tais bandas e intérpretes descaracterizam a festa que, segundo ele, deve conservar elementos como a fogueira, o milho, pamonha, dentre outros. Genival Lacerda também acredita que o forró tem perdido a identidade. “Muitos dizem que estão cantando xote e baião. Eles estão é enganando o povo”, resumiu.

Apesar da carreira longa, onde cantou ao lado de ícones como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, Lacerda continua emplacando sucessos. Sua nova música de trabalho “Me dê o wi-fi” é um retrato do momento em que a sociedade vive conectada à internet. Com a letra na ponta da língua, o artista aposta na composição para agradar o público jovem. “Eu fico muito feliz em ver que eles curtem o meu show. Fui convidado para a Virada Cultural em São Paulo e, graças a Deus, estou com a agenda lotada”, disse o artista que também se apresentará em Campina Grande, na Paraíba.

Ritmo Sertanejo invade São João de Campina e evento perde tradição do forró

A programação lançada deixou claro que o fenômeno da música sertaneja vai invadir o Maior São João do Mundo, em Campina Grande, na edição 2017. O número de artistas sertanejos de 2017 é o mesmo da soma dos anos de 2012 a 2016. Em relação ao ano passado, o aumento na quantidade de atrações foi de 900%.

A dupla Simone e Simaria, também conhecidas como As Coleguinhas, já esteve na programação em 2013, 2014 e 2015, porém, na época, cantavam apenas forró. A partir de 2016, aderiram também ao sertanejo e, naquele ano, tiveram a participação no Maior São João do Mundo cancelada. O ano de 2017 vai marcar a primeira apresentação da dupla no São João de Campina Grande após o sucesso nacional conquistado com a repaginação da dupla. Além delas, o São João de Campina Grande vai contar este ano com outro grande nome da nova geração do sertanejo feminino, Maiara e Maraisa.

Outra diferença deste ano é a projeção nacional das atrações. Enquanto que de 2012 a 2016 as atrações sertanejas eram principalmente locais - com exceção apenas dos shows de Léo Magalhães (2012), Cristiano Araújo (2014) e Thiago Farra (2014) -, todas as apresentações do gênero em 2017 são de artistas com expressão nacional.

Além das duas atrações do sertanejo feminino, o Parque do Povo recebe, este ano, Luan Santana, Henrique e Juliano, Fernando e Sorocaba, César Menotti e Fabiano, Thaeme e Thiago, Léo Magalhães, Bruno e Marrone e Thiago Farra.

Apesar do aumento, as atrações sertanejas ainda não são maioria na programação do São João de Campina Grande. Ao longo dos 31 dias de festa, já foram anunciadas pelo menos 68 atrações, sendo que apenas 10 são de artistas da música sertaneja. A maioria do shows ainda são de grupos de forró.

A novidade coincide com a explosão do sertanejo feminino no país, mas também com a terceirização da organização do Maior São João do Mundo. Pela primeira vez, uma empresa privada vai realizar o evento, e a Prefeitura de Campina Grande vai patrocinar a festa, pagando R$ 2,9 milhões.

Em nota, a empresa Aliança, que coordena o evento, avaliou que não há uma "invasão sertaneja" na programação do São João de Campina Grande. Segundo a coordenação, mais de 60% da grade principal da festa é composta por grupos de forró.

"Vale lembrar que, no total, O Maior São João do Mundo terá mais de 500 shows em 10 polos. Só os trios de forró pé-de-serra farão cerca de 270 apresentações. Além disso, haverá outros 100 shows de bandas locais de forró. A produção acredita que a programação geral está fortemente comprometida com a tradição dos festejos juninos", diz a nota.

Sobre as atrações de expressão nacional, a empresa afirmou que a intenção é agradar o público. "A coordenação entende que os grandes nomes da música popular brasileira, que integram a grade, atendem aos anseios da população, pois poderá ver seus maiores ídolos de perto e sem ter que desembolsar nada por isso. O São João de Campina Grande é, antes de tudo, uma grande festa democrática e multicultural, na qual se busca contemplar o desejo do grande público", conclui.

Esse ano, a festa não está sendo realizada pela Prefeitura de Campina Grande, que passou a ser uma patrocinadora do evento. O município vai pagar quase R$ 3 milhões para que a empresa realize a festa junina. Com a terceirização, a prefeitura informou que vai economizar cerca de R$ 5 milhões.

Apesar da terceirização, já no edital do processo licitatório, a Prefeitura de Campina Grande especificou uma lista de atrações de interesse, obrigando prioridade aos artistas citados. O prefeito Romero Rodrigues destacou que, caso a empresa não consiga fechar contrato com o artista indicado, ela pode procurar outra atração que tenha o mesmo valor e atenda ao mesmo estilo de música e ritmo.

Crítica sobre cultura

Jairo Madruga não é o único que reclama por estar fora da programação do São João de Campina Grande. O cantor Alcymar Monteiro também fez uma crítica à programação do evento. Em um vídeo postado em sua página oficial no Facebook e com mais de 9 mil compartilhamentos, o músico fala sobre a mudança no estilo das atrações.

“Música estereotipada, pessoas que não têm nada a ver com a nossa cultura, enriquecendo às custas daquilo que não lhes pertence. O São João é uma festa do povo, da sanfona, do triângulo, da zabumba, dos artistas identificados com a nossa cultura. [Agora] É o maior festival de breganejo do mundo. Não é mais o maior São João”, diz.

Em outra postagem, dirigida à Coordenação de Comunicação da Prefeitura de Campina Grande, o músico fala sobre a escolha dos artistas da grade do evento. “Há espaço para todos os ritmos em todos os locais. Não sou ingênuo para achar que grandes eventos de massa não são regidos também por interesses comerciais. Mas não podem ser regidos só por interesses comerciais”, diz.

Alcymar ainda fala sobre a preocupação com a cultura. “O que me preocupa é aquela criança de 5 anos, em formação de personalidade, que vai pela primeira vez com os pais ao Parque do Povo. Ela se verá no palco? Estará no palco uma representação de uma cultura dela que ela possa se identificar, gostar, preservar e levar para seu futuro? Não. Estará no palco a representação momentânea e efêmera desses tempos loucos, de poucos valores e muitas desvirtuações que vivemos. Estará no palco a escolha de um gestor público pela moda, e não pela cultura. Estará no palco, ao vivo e a cores, a morte da cultura nordestina-brasileira. Aplaudida e cantada, uníssono.”

 

 

Fonte: Correio/Portal TV Cariri/Portal PE10/Municipios Baianos

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