18/06/2017

Acusado de operar propina Negromonte ocupa cargo no TCM-BA

 

Apontado pelo Ministério Público Federal como intermediário de propina para o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, Tiago José de Souza Cavalcanti ocupa cargo na gestão do governador da Bahia, Rui Costa (PT). Ele é diretor de finanças da Secretaria de Insfraestrutura Hídrica da Bahia, sendo responsável pelos pagamentos da pasta, que tem orçamento anual de R$ 670 milhões.

Tiago Cavalcanti é sobrinho da mulher do ex-ministro, hoje conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, e foi seu assessor parlamentar na Câmara dos Deputados, em Brasília.Também atuou como diretor da Agerba, agência reguladora de transportes da Bahia, na gestão do então governador Jaques Wagner (PT). Segundo a Força Tarefa da Lava Jato, entre 2006 e 2015, ao menos R$ 336,9 mil das vantagens ilícitas recebidas em espécie por Negromonte passaram por contas bancárias pessoais de Tiago, por meio de 169 depósitos não identificados.

Para os procuradores, o dinheiro era oriundo de propinas pagas pelo doleiro Alberto Yousseff no esquema de corrupção na Petrobras. O dinheiro depositado nas contas de Cavalcanti foi considerado pelos procuradores como incompatível com sua renda na época, segundo análise das informações do seu Imposto de Renda.

A Polícia Federal também identificou repasses de R$ 60,4 mil das contas de Cavalcanti para uma conta conjunta compartilhada entre Negromonte e seu filho, o deputado federal Mário Negromonte Júnior (PP-BA).

Cavalcanti também é apontado como intermediário de repasses em dinheiro vivo para Negromonte, segundo delação premiada de Rafael Angulo, que atuava na distribuição de dinheiro de Yousseff.

Além de Tiago Cavalcanti, Hugo Hareng Quirino, outro ex-assessor de Negromonte, também foi apontado como intermediário de propinas para o ex-ministro. Ele teria recebido R$ 535 mil por meio de 116 depósitos bancários não identificados. Hoje, Hareng é assessor parlamentar de Negromonte Júnior. Cavalcanti e Hareng foram alvo de condução coercitiva e busca e apreensão pela Polícia Federal em julho de 2015. Na casa de Cavalcanti, a polícia achou uma agenda com uma espécie de "contabilidade informal" de Negromonte e sua família.

Feudo do PP no governo baiano, a secretaria de Infraestrutura Hídrica é comandada por Cássio Peixoto, que foi secretário-executivo do Ministério das Cidades na gestão de Negromonte. Peixoto foi demitido do cargo dias após a Folha revelar sua participação em negociações com um empresário e um lobista interessados num projeto milionário do ministério. Na época, ele negou irregularidades.

Outro lado.

Procurado pela Folha, Tiago José de Souza Cavalcanti afirma que não é alvo de nenhuma acusação e que não está entre os indiciados pela Operação Lava Jato. Diz que, caso seja chamado a prestar contas pela Justiça, provará sua inocência. Cavalcanti afirma que os depósitos na sua conta bancária são empréstimos de dinheiro que recebeu de parentes. Ele diz que, em algumas ocasiões, usou dinheiro próprio para pagar contas pessoais de parentes, tendo sido ressarcido depois por meio dos depósitos."Não há nada de errado com os depósitos. São transações bancárias normais, que todo mundo faz", afirmou Cavalcanti. Ele afirma que, como não é alvo de acusação, não vê problemas em ocupar um cargo público que mexe com as finanças de uma das principais secretarias do Estado da Bahia.

O ex-ministro Mário Negromonte, por meio de sua defesa, tem negado a participação em qualquer irregularidade relacionada à corrupção na Petrobras.

Em nota, o governo da Bahia informou que "não existem fatos" que comprovem o envolvimento de Tiago Cavalcanti nos crimes investigados pela Lava Jato. "O governo do Estado está atento ao desenrolar do processo e adotará as medidas cabíveis, caso haja alguma prova da participação do gestor em qualquer tipo de irregularidade", diz a nota.

PF ouve delatores e investigados para descobrir papel de Geddel em esquema

A Polícia Federal está ouvindo depoimentos de delatores da JBS e de investigados no inquérito que envolve o presidente Michel Temer com o objetivo de descobrir se eles sabiam dos pagamentos para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Funaro.

Nesta sexta (16), a PF ouviu um dos donos da JBS, Joesley Batista. A reportagem apurou que os delegados já tinham ouvido os delatores Francisco de Assis, diretor jurídico do grupo, e Florisvaldo Caetano, ex-conselheiro fiscal da JBS que fez entregas de dinheiro, além dos investigados Roberta e Dante Funaro, irmãos do doleiro.

A PF cruza os depoimentos para encontrar eventuais brechas e confirmar informações sobre outros implicados, como o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Os investigadores suspeitam que Geddel repassava informações sobre a compra do silêncio de Funaro e Cunha ao presidente Temer. Querem saber, por exemplo, qual o papel de Geddel no esquema: se ele perguntava aos funcionários da JBS e aos familiares do doleiro sobre pagamentos; se ele foi apontado representante de Temer junto à JBS, conforme Joesley Batista disse à PGR (Procuradoria-Geral da República); e se o presidente indicou seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures para substituir Geddel no relacionamento com a empresa.

A PF apura a participação dos irmãos Funaro nos pagamentos. Quer saber como eles foram colocados em contato com a JBS e as razões para Roberta ter substituído Dante no recolhimento do dinheiro. Ela foi filmada recebendo mala com R$ 400 mil dentro de um carro e está em prisão domiciliar. O próprio Lúcio Funaro já prestou depoimento no inquérito.

Os delegados também querem detalhes sobre pagamentos que Florisvaldo Caetano disse ter feito a Altair Alves Pinto, emissário de Cunha, e ao coronel aposentado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho durante a campanha de 2014 como parte de um acordo entre Temer e Joesley. As informações vão ajudar a PF a identificar se há indícios de autoria e materialidade de crimes que podem ter sido cometidos pelo presidente e a preparar o relatório que será entregue à PGR e deve embasar a denúncia contra Temer no STF (Supremo Tribunal Federal).

A PF tem até segunda (19) para encerrar o inquérito, aberto em abril. Os delegados enviaram 82 perguntas ao presidente, que se recusou a responder.

Temer e o Palácio do Planalto já negaram quaisquer irregularidades na relação com Joesley Batista.

Eike pode fazer delação semelhante a Odebrecht e OAS

Ex-executivos do grupo X estão sendo contatados por Fernando Martins, advogado de Eike Batista, para participar da delação do empresário, de acordo com a coluna Radar Veja. A publicação detalha que a ideia é apresentar aos procuradores um pacotão de denúncias, a exemplo de Odebrecht e OAS.

Atualmente, o empresário está em prisão domiciliar em sua mansão no Jardim Botânico, no Rio, após cerca de três meses no Complexo Penitenciário de Bangu.

 

Fonte: BNews/Municipios Baianos

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