18/06/2017

Velho Chico deverá ter uso restrito e limitado

 

A resolução da Agência Nacional de Água (ANA) é um prelúdio do que estar para vir, caso continuem as condições adversas de chuvas ao longo da Bacia do Rio São Francisco. Com apenas 12,8% do seu volume útil de água, o lago da Barragem de Sobradinho, que regula todo o sistema hidrelétrico das barragens que formam o complexo de Paulo Afonso e Xingó, de onde são gerados 60% da energia que abastece a região Nordeste, caminha para o volume morto.

Em decorrência disso, a ANA proibiu que todas as captações de água ao longo do rio, desde a sua nascente em Minas Gerais até a sua foz, entre os estados de Alagoas e Sergipe, sejam suspensas em um dia da semana, começando já na próxima terça-feira. Somente a água destinada ao abastecimento da população e de animais poderá ser retirada neste dia. Com isso, todos os projetos de irrigação e, sejam de pivôs ou de bombeamento direto da calha do rio ficam proibidos, o que, segundo a  ANA,  permitirá uma economia de 40 metros cúbicos por segundo de água.

Segundo informou a ANA, através de nota da Assessoria de Comunicação, a medida denominada ” Dia do Rio” vai ser aplicada para todos os usos, menos para consumo humano e dessedentação animal.  Objetivo é preservar o estoque de água armazenado nos reservatórios e evitar que Sobradinho alcance o Volume Morto antes do início do período chuvoso, em dezembro.

Conforme nota emitida anteriormente, a própria agência trabalha com um possível cenário de que Sobradinho chegue ao Volume Morto, quando não é possível a geração de energia a partir do uso da barragem, ainda em agosto deste ano. A medida inclui retiradas para todos os usos, dos perímetros de irrigação, mesmo que sejam oriundas de volumes de água reservados previamente.

Alerta vermelho

As restrições ao uso das águas do Rio São Francisco vão vigorar a partir da próxima quarta-feira e até 30 de novembro, quando se espera a chegada das chuvas ao longo da bacia. A regra vale para aquelas captações que ainda não estejam submetidas a regras mais restritivas de uso e caso não haja uma melhoria significativa nos níveis de aguados reservatórios do São Francisco, as restrições serão prorrogadas.

Essa situação acendeu o alerta vermelho para os empresários que lidam com projetos de irrigação na Bahia. Na região Oeste, onde  60% da produção  de grãos está concentrada, os 1.200 pivôs, que irrigam  130 mil hectares de área plantada, poderão sofrer impactos ainda mais severos, com a prolongada seca na região. Isso porque é da região os únicos afluentes perenes do Rio São Francisco na Bahia: Corrente, Carinhanha e Grande.

Conforme explicou o diretor de Águas da Associação dos Irrigantes da Bahia (AIBA), José Isino, existe o risco de que as captações nesses três rios também sejam suspensas, como forma de garantir o fornecimento de água para a calha do Velho Chico. “Por enquanto é uma decisão que cabe apenas ao rio de Domínio da União, o São Francisco, mas pode valer para toda a bacia, o que afetaria os rios baianos que são seus afluentes”, disse.

José Isino explica ainda que há o temor de um agravamento da seca ao longo da Bacia do Rio São Francisco, já que as próximas chuvas só são aguardadas ao final de novembro. “Nós fomos alertados pela ANA, em uma reunião ocorrida em  Recife, de que esse volume zero pode ser antecipado para agosto, já que a vazão (saída de água) da Barragem de Sobradinho tem sido maior que a afluência (chegada) do lago”, adverte.

No próximo dia 06, em Barreiras, empresários irrigantes vão se reunir para discutir a gravidade da situação. No Oeste, os irrigantes contam com a captação de água para irrigação com as águas dos rios Grande e Preto, nos municípios de Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, São Desidério, Formosa do Rio Preto, Barra e Santa Rita de Cássia. E nas cidades de Correntina, Santa Maria da Vitória e São Felix do Coribe, com os rios Correntina e Carinhanha, que fazem parte da Bacia Hidrográfica do São Francisco, além de projetos que captam água diretamente do São Francisco, em Bom Jesus da Lapa, Sítio do Mato e Paratinga.

Vazão já foi reduzida em mais de 50%

Para tentar evitar que o Lago de Sobradinho chegue ao volume morto antes da chegada do período das chuvas, a Agência Nacional de Água já reduziu a sua vazão de água em mais de 50% do final do ano passado até agora. O lago funciona como uma grande caixa d‘água, onde são armazenadas toda a água que segue em direção aos complexos hidrelétricos de Itaparica, Paulo Afonso e Xingó, de onde saem mais der 60% de toda a energia que abastece a Região Nordeste.

Atualmente chega ao lago um volume médio de 500 metros cúbicos de água por segundo, e sai pelos vertedouros 600 m³/s, gerando um déficit de 100 metros cúbicos de água à cada segundo. No último dia 11 o lago estava com 12,92% do seu volume útil de água e na terça-feira esse volume tinha caído para 12,86%. No mesmo período do ano passado o Lago de Sobradinho estava com  22,70% do seu volume útil de água.

Desde o início do mês, a vazão média diária de defluência, autorizada pela ANA, nos reservatórios de Sobradinho e Xingó é da ordem de 600 m³/s, o menor patamar já praticado. Em 11 de junho, o volume equivalente dos reservatórios (Três Marias, Sobradinho e Itaparica) era 18,6%. Na mesma época do ano passado, o volume útil equivalente armazenado era 29,21%.

Novas variedades de uva aumenta ganhos de irrigantes do Vale do São Francisco

Aumento de produção, redução de custos de manejo, ampliação da renda e melhor qualidade dos frutos. Esses são alguns dos resultados preliminares do projeto de introdução de novas variedades de uvas no vale do São Francisco que está sendo realizado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) por meio de convênio com a Secretaria de Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Sectec/PE), no valor de aproximadamente R$ 2,7 milhões. O projeto conta com participação da Embrapa Semiárido, Universidade do Estado da Bahia e empresas parceiras.

"O objetivo com esse projeto é introduzir novas variedades de uva que garantam e aumentem a competitividade da fruta no mercado, tanto pela qualidade quanto pela redução de custos e pela plasticidade na adaptação as condições da região. A Codevasf orgulha-se em poder contribuir para que o vale do São Francisco continue apostando nesse produto que hoje responde como importante item de exportação", avalia a presidente da Codevasf, Kênia Marcelino.

Segundo Osnan Soares Ferreira, engenheiro da Codevasf em Petrolina e responsável por acompanhar os estudos, o projeto será concluído em dezembro deste ano quando termina o convênio com a Sectec/PE. Ele acrescenta que a pesquisa leva em consideração o mercado consumidor e atende às tendências e exigências do mercado. "Estão sendo avaliadas 73 novas cultivares de uva sem semente e duas novas cultivares de uva com semente. Também serão feitas análises laboratoriais e avaliação mercadológica", complementa Ferreira.

Do total de novas cultivares de uva, onze variedades foram selecionadas para plantio em escala comercial, sendo que deste montante apenas uma tem semente. As variedades selecionadas foram Cotton Candy, Jacks Salute, Sugar Crisp, Sweet Celebration, Sweet Globe, Sweet Jubillee, Sweet Mayabelle, Sweet Sapphire, Sweet Sunshine, Sweet Surprise e Timco. Todas são patenteadas por empresas agrícolas estrangeiras.

Resultados promissores

"Os resultados apontam para um aumento de produção de 10 a 15%, dependendo de fatores como boas práticas de produção, adubação etc. A redução nos custos de manejo é estimada em torno de 10%. Os frutos apresentam melhor firmeza, crocância e aparência, além de um maior brix (grau de açúcar). Quanto ao valor agregado, os produtores podem obter uma lucratividade média de 20 a 25% no plantio das novas variedades", conclui Ferreira.

Os resultados finais do projeto devem ser divulgados em dezembro. Até lá, ainda serão realizadas pesquisas no Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP)para verificar o brix, a resistência e o resíduo de agrotóxicos nas frutas. Consultores nacionais e internacionais de produção e mercado também farão análises a fim de saber qual a aceitação dessas cultivares no mercado internacional.

Antes mesmo de concluir o projeto, produtores de uva já experimentam os resultados. É o caso de Jackson Souza Lopes, que desde 2011 cultiva novas variedades em sua propriedade em Petrolina. "Das testadas na região, estamos com plantio comercial de pelo menos 15 variedades, algumas com potencial produtivo maior, mais tolerantes à chuva e às doenças. São mais competitivas", conta Lopes. Entre as novas variedades, ele planta Arra 15, Sugar Crisp, dentre outras.

Na avaliação do produtor, atualmente o consumidor está preferindo as novas variedades. "Quando começamos a colocá-las no mercado houve uma certa dificuldade na aceitação, mas hoje isso mudou", afirma.

Os recursos para o desenvolvimento do projeto são oriundos de destaque orçamentário da Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional (SDR/MI) e do Governo do Estado de Pernambuco.

O vale do São Francisco é o principal responsável pelas exportações de uva no Brasil, contribuindo com aproximadamente 99,87% do volume (34,3 mil toneladas) e 99,78% do valor bruto de produção total (U$ 72,1 milhões). Anualmente, cerca de 250 mil toneladas de uva são produzidas nos projetos públicos de irrigação geridos pela Codevasf em Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, sendo que os dois primeiros são os principais exportadores, com uma média anual de 26,6 mil toneladas e 7,6 mil toneladas.  

 

 

Fonte: Tribuna/Ascom Codevasf//Municipios Baianos

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