18/06/2017

Médico no Brasil pede mais exames do que em país rico

 

Eliane Ferreira Santiago, de 37 anos, convive desde criança com dores fortes em todo o corpo e uma fadiga crônica. Foi em diversos médicos e conta que fez, em diferentes faixas etárias, vários exames.

Os médicos de planos de saúde brasileiros já pedem mais exames de tomografia e ressonância do que profissionais de países desenvolvidos, segundo dados inéditos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O número desses procedimentos por pacientes de convênios médicos no País cresceu 22% em apenas dois anos, o que, segundo a ANS e especialistas, indica que muitas solicitações podem estar sendo feitas indevidamente.

Entre as principais razões para a realização excessiva dos procedimentos estão falhas na formação médica, interesses financeiros de hospitais e laboratórios e má remuneração por parte das operadoras aos prestadores de serviço.

O fenômeno, além de aumentar o desperdício de recursos no sistema privado, ainda traz riscos aos pacientes, como a exposição frequente a radiações comuns em exames de imagem.

A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são usadas como referência pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para avaliar o acesso aos recursos de saúde na área de tecnologia médica.

Enquanto nessas 35 nações - incluindo algumas das mais desenvolvidas do mundo, como Alemanha, França e Estados Unidos -, a média anual de ressonâncias é de 52 por 1 mil habitantes, no sistema suplementar brasileiro o índice foi de 149 por 1 mil beneficiários em 2016, segundo o mais recente Mapa Assistencial da Saúde Suplementar da ANS, que será publicado nesta semana.

A média de tomografias realizadas também é superior nos planos de saúde do Brasil em 2016 em comparação com países ricos: 120 exames por 1 mil habitantes nas nações da OCDE ante 149 por 1 mil beneficiários dos convênios médicos brasileiros.

Considerando os números absolutos, o número de ressonâncias feitas por pacientes de convênios passou de 5,7 milhões em 2014 para 7 milhões em 2016, alta de 22%. Já o de tomografias passou de 5,9 milhões para 7 milhões no mesmo período, crescimento de 18%. Mesmo se avaliados todos os tipos de exames feitos por beneficiários de planos, houve aumento de 12% no número de procedimentos entre 2014 e 2016.

Desperdício

Para Karla Coelho, diretora de normas e habilitação de produtos da ANS, a diferença entre os índices do Brasil e de outros países traz um alerta. "É um desperdício de recursos. Enquanto os prestadores de serviço, como hospitais e laboratórios, forem pagos por procedimento e não por qualidade, o número de exames será infinito", diz ela.

Já o professor da Faculdade de Medicina da USP Mario Scheffer destaca que "os convênios não trabalham tanto com prevenção e promoção de saúde, ficam focados na atenção especializada e, muitas vezes, ainda pressionam os médicos a fazerem atendimentos rápidos para que seja possível atender mais pacientes no mesmo dia".

"Assim, o tempo que deveria ser gasto com anamnese e conversa com o paciente é substituído pela indicação de exame."

Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Mauro Aranha ressalta que, além da questão da baixa remuneração pelos planos de saúde, as falhas na formação médica podem estar contribuindo para esse cenário de dependência do uso de tecnologia nos diagnósticos. "O médico que não tem competência suficiente para uma avaliação clínica vai tentar compensar com pedidos de exames."

Exemplo

Eliane foi diagnosticada com reumatismo, mas as dores nunca passavam. "Há uns dez anos, comecei a pesquisar por conta própria e vi que tinha todos os sintomas de fibromialgia. Procurei um médico e depois disso é que ele conseguiu me diagnosticar", diz. Hoje, criou até um grupo sobre a doença nas redes sociais. "Quase todo mundo com a síndrome demorou anos para descobrir porque os médicos não prestam atenção aos sintomas que o paciente descreve. É uma negligência que traz sofrimento."

Anvisa determina suspensão de uso e distribuição de vacina contra rotavírus

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da distribuição e do uso de 16 lotes da vacina Rotarix, imunizante oral utilizado para a proteção contra diarreia e vômito causados pela infecção por rotavírus humano. A decisão foi publicada hoje (16) no Diário Oficial da União (DOU). De acordo com a agência foi identificada desvio de qualidade na vacina em decorrência da “perda de integridade das bisnagas, durante o processo de fabricação, que resultou no vazamento das bisnagas contendo a vacina”.

As vacinas, fabricadas pela empresa GlaxoSmithkline, na Bélgica, são distribuídas no país pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos. Além da suspensão, a Anvisa também determinou o recolhimento dos lotes com data de validade vigente que ainda estiverem disponíveis no mercado.

Perivasc

A Anvisa também determinou a suspensão da importação, distribuição, comercialização e uso do medicamento Perivasc (diosmina + hesperidina), utilizado no tratamento das manifestações da insuficiência venosa crônica, como varizes, sequelas de tromboflebites e úlceras varicosas.

O medicamento é fabricado pela empresa espanhola Kern Pharma e importado para o Brasil pela Eurofarma Laboratórios S.A. Segundo a Anvisa, a inspeção realizada no período de 6 a 20 de janeiro deste ano considerou insatisfatórios os procedimentos para a elaboração do produto. O laudo para a suspensão da importação, distribuição e comercialização do produto se baseou nas “não conformidades detectadas durante inspeção para verificação de Boas Práticas de Fabricação na empresa”. Com a decisão, a empresa importadora deverá recolher os medicamentos que ainda estiverem em circulação no mercado.

Álcool Flop's

Outro produto que teve suspensa sua distribuição, comercialização e uso foi o Álcool Flop’s 46, fabricado por Indústria e Comércio de Produtos Químicos Tangará Ltda. Laudo da Fundação Ezequiel Dias (Funed-MG) verificou que o lote 003 apresentou resultado insatisfatório em ensaio de teor alcoólico, aspecto e rotulagem. O estoque do lote do produto deverá ser recolhido pelo fabricante.

Acordo do Mercosul permitirá redução de gastos com compra de medicamentos

O Brasil e os demais membros fundadores do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) assinaram nesta sexta-feira (16) um acordo para reduzir de forma significativa os gastos com a compra de medicamentos para a saúde publica.

De acordo com o ministro da Saúde do Brasil, Ricardo Barros, ao negociarem como bloco com a indústria farmacêutica os quatro paises podem conseguir descontos maiores, de ate 83%.

O Brasil já participou, em 2015, de uma experiência de negociar com a indústria farmacêutica em forma conjunta, com a compra do medicamento Darunavir, usado no tratamento do HIV.

Com esse acordo, do qual participaram Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela, o governo brasileiro conseguiu uma redução de US$ 14,2 milhoes na aquisição do remédio.

O novo acordo permitirá a compra conjunta, este ano, de outros medicamentos para tratamento de artrite reumatoide, câncer e Hepatite C.

Segundo Ricardo Barros, alem de reduzir gastos, o Brasil está investindo em pesquisa e na transferência tecnológica para ampliar a produção farmacêutica no país.

Mais de 7 mil baianos já foram beneficiados pelo Mutirão de Cirurgias

Iniciado em setembro de 2016, o Mutirão de Cirurgias, iniciativa do Governo do Estado, viabilizada pela Secretaria da Saúde do Estado, já proporcionou a mais de 7 mil baianos de 213 municípios a realização de cirurgias que alguns aguardavam há anos. São procedimentos cirúrgicos de hérnias umbilical, inguinal e epigástrica; histerectomia e colecistectomia (vesícula). O objetivo é auxiliar na redução da fila de espera, atendendo aos pacientes com agilidade e cuidado.

No Extremo-Sul da Bahia, uma das beneficiadas foi a moradora de Santa Cruz de Cabrália, Dinah Santos Souto. Ela passou por uma cirurgia de hérnia na etapa de Porto Seguro. Segundo Dinah, o problema foi diagnosticado em 2010. "Já tinha procurado atendimento outras vezes, mas não dava encaminhamento. Com o mutirão consegui fazer a cirurgia rapidamente. Desde o pré-operatório até depois do procedimento fui muito bem tratada e orientada pelos profissionais", afirma Dinah, que ainda fala que o problema de saúde, antes da cirurgia, incomodava muito.

Eliana Xavier de Souza, de Várzea da Roça, foi uma das atendidas na etapa realizada em Jacobina do dia 12 a 14 de junho. Ela conta que descobriu a necessidade de fazer uma cirurgia para retirada de vesícula em um exame de rotina. "Já tenho histórico na família, então me preocupo bastante com a prevenção. Já estava com o diagnóstico e fiquei sabendo por uma rede social que teria o Mutirão. Na mesma hora decidi que viria para Jacobina para agendar a minha cirurgia, que será no dia 24 de julho", conta ela, que ainda descobriu nos exames pré-operatórios ter uma hérnia, que será operada no mesmo dia.

O secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, destaca que o atendimento oferecido no Mutirão de Cirurgias é integral, com a realização de exames e consultas pré-operatórias até o pós-operatório, com a garantia de dispensação dos medicamentos necessários para a recuperação completa do paciente. "Mais importante que os números, é a possibilidade de devolução da qualidade de vida a cada um que é atendido no Mutirão. Alguns deixam até mesmo de fazer coisas simples no dia a dia por conta dos problemas de saúde. Essa ação tem conseguido trazer de volta a alegria não só dos pacientes, mas também dos familiares", afirma o Secretário.

 

 

Fonte: Folha/Agencia Brasil/Ascom Sesab/Municipios Baianos

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