20/06/2017

Existe solução para os estádios “elefantes-brancos”?

 

Antes do início da Copa do Mundo de 2014 um dos assuntos mais comentados era o “Legado” que a competição deixaria, mudanças no país, arenas reformadas, infraestrutura avançada, o que sobrou? Nenhuma mudança no país, arenas abandonadas e a mesma infraestrutura precária do período anterior ao Mundial. O principal problema que realmente se mantem é a pouca utilização de estádios que custaram centenas de milhões (por vezes até bilhões), porém, existe uma real solução ou o planejamento errado pré-Copa é irreversível?

Estádios como o Mané Garrincha em Brasília que custou cerca de U$ 830 milhões, segundo dados oficiais, vive apenas de jogos periódicos envolvendo clubes do Rio de Janeiro e São Paulo e dificilmente irá gerar um grande lucro nos próximos anos. Para esse caso tenho uma tese interessante, precisa utilizar o estádio, correto? Está localizado na capital do país, correto? Então, coloque as finais de copas e possíveis supercopas no estádio, com público dividido 50/50, mais ou menos como acontece com o Estádio Wembley na Inglaterra.

Outro exemplo que talvez seja ainda mais complicado é a Arena Amazônia em Manaus que custou por volta de U$ 350 milhões e recebe apenas jogos de clubes de pouca expressão com públicos baixíssimos e por vezes um grande do centro do país resolve levar o mando para a Arena em decorrência de problemas envolvendo seu estádio sede. Isso é extremamente complicado, por que aqui não tem uma grande solução e isso ocorre em decorrência da falta de planejamento antes da construção do estádio, temos um caso onde claramente tornou-se um “elefante-branco”, pois, não existe uma solução emergencial para o assunto.

Na atual conjectura do futebol brasileiro esses estádios estão completamente abandonados, sofrendo com problemas para manter a sua estrutura, sem equipes que jogam frequentemente nas localidades, sem manutenção, isso sem contar no prejuízo enorme que tais arenas geram.

Assim como os dois exemplos apresentados, temos mais alguns estádios construídos para a Copa do Mundo que vivem a mesma situação, como a Arena Pantanal em Cuiabá, sobra para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) buscar soluções para um problema que ela ajudou a criar, grupos de investidores que injetam dinheiro nas Arenas e as utilizam para outros eventos que não seja o da bola redonda é a solução mais provável no atual momento, infelizmente, o principal legado da Copa são estádios abandonados e que atualmente são simplesmente um problema. Jogos de clubes do centro do país a cada dois meses ou jogos da seleção brasileira a cada 2 anos não é a solução, nem perto de resolver todos os problemas.

"Elefantes brancos" se multiplicam no mundo, como legados das Copas

Mané Garrincha, Arena Pantanal e Arena da Amazônia. Três anos após a Copa do Mundo do Brasil, estes estádios continuam como três grandes elefantes brancos deixados como legado. Juntos, somam prejuízos de R$ 10 milhões desde a final da Copa.

O caso do campo de Brasília é emblemático: utilizado como estacionamento de ônibus, abrigo de secretarias e de órgãos públicos, o Mané Garrincha continua subutilizado.

Infelizmente, a história é irrefutável em demonstrar que elefantes brancos - como os que afligem o Brasil, e que a Fifa disse que era um problema do país e não da entidade -, são o espólio de todo megaevento. Em Circus Maximus, Andrew Zimbalist aborda o tema, relacionando exemplos de estádios e complexos esportivos que, depois dos jogos, ficaram como abacaxis para suas sedes.

Acerca da declaração do comitê executivo da Fifa, o pesquisador comentou, estupefato: “É de se ressaltar a falta de sensibilidade da Fifa em dizer a um país que os elefantes brancos que eles ajudaram, e até mesmo exigiram, a construir são um problema do país”, disse.

Em seu livro, Zimbalist lembra o caso do Ninho do Elefante, em Pequim. Um colosso com capacidade para 90 mil pessoas durante a Olimpíada de 2008, que custou 460 milhões de dólares ao governo chinês e que, atualmente, é subutilizado. Servindo apenas para eventos ocasionais, o estádio gera um custo anual de 10 milhões de dólares em manutenção.

Outro caso impressionante é o da Grécia. Sede dos Jogos Olímpicos de 2004, Atenas tem 21 de 22 estádios, arenas, praças esportivas e piscinas construídos para o evento em estado de abandono, precisando de reparos estruturais ou subutilizados.

Elefantes africanos

A África do Sul, que recebeu a Copa do Mundo de 2010, foi do sonho da invasão estrangeira à realidade dos elefantes brancos. Quando anunciado, o evento foi vendido aos sul-africanos como a salvação nacional. Criou-se a imagem de que o evento da Fifa, com os “esperados” 500 mil turistas estrangeiros, traria para o país o desenvolvimento. Passados sete anos do evento, que recebeu não mais de 220 mil estrangeiros, cinco dos dez estádios construídos para a competição são mantidos exclusivamente com dinheiro público.

Estádios como Moses Mabhida (Durban), Green Point (Cidade do Cabo), Nelson Mandela Bay (Port Elizabeth), Mokaba (Polokwane) e Mbombela (Nelspruit) não conseguem cobrir seus custos. Em alguns casos, estudos apontam que seria mais barato, para os cofres públicos, a demolição dos estádios do que pagar pela manutenção ao longo dos próximos anos.

A Fifa, que não gastou um centavo sequer em construção de estádio ou demais obras e muito menos teve que pagar impostos, lucrou R$ 4,7 bilhões com a Copa do Mundo da África do Sul. Enquanto o povo paga a conta. O lucro fica com a iniciativa privada.

O "legado" da Euro-2004

A Euro 2004 foi um exemplo da estratégia para o desenvolvimento para o abismo que Portugal seguiu.” A frase impactante é do ex-presidente da Câmara Municipal do Porto (o equivalente a prefeito, no Brasil), Rui Rio. A sua autarquia, que teve dois estádios naquela competição – Dragão (Porto) e Bessa (Boavista) – tem uma dívida de 28 milhões de euros contraída a partir de empréstimos bancários para que pudesse realizar as obras de infraestrutura da cidade, a fim de receber os jogos do torneio europeu de seleções.

A soma do rombo nos cofres públicos será sentida, pelo menos, nos próximos 20 anos. O povo português, que há alguns sofre com a enorme crise financeira e com a austeridade da Troika, vai sentir no bolso o preço da ilusão do “se você construir, ele virá”. Estádios de cidades como Algarve, Coimbra, Aveiro e Leiria vivem às moscas. Os municípios pagam cerca de 55 mil euros por dia para manterem os estádios (entre manutenção e pagamento de empréstimos). Em Braga, onde atua o Sporting Braga e com naming right – Estádio Axa – a prefeitura paga, anualmente, 6 milhões de euros aos bancos, por empréstimos relacionados ao estádio.

Arena Pantanal continua um ‘elefante branco’

No último dia 13 fez exatos três anos que Cuiabá estava em festa. A Arena Pantanal, um dos mais bonitos estádios da Copa do Mundo de 2014, receberia seu primeiro jogo do mundial, com a estreia das seleções de Chile e Austrália dando o pontapé no estádio de R$ 628 milhões. A partida reuniu 40.275 pagantes e foi uma das únicas ocasiões que a casa esteve cheia. Atualmente o local recebe cerca de 10% deste total.

Considerado um elefante branco, uma das saídas foi tornar o local em uma escola estadual. Com custo mensal de R$ 700 mil hoje a Arena recebe cerca de 300 estudantes em horário integral, tornando-se o primeiro Estádio-escola de Mato Grosso.

O estádio chegou a receber alguns jogos de times de maior torcida como Flamengo, Corinthians e Santos. Mas, as inúmeras irregularidades da obra, entregue ainda inacabada, “espantou” partidas que deveriam ocorrer. Outro problema é que durante congresso técnico entre times ficou proibida a venda de campo. Ou seja, os jogos não podem ser levados para outros Estados.

Falando dos problemas, a continuidade das obras da Arena ainda seguem incertas, a questão segue judicializada. A Justiça confirmou para o dia 27 de julho uma audiência de conciliação que pode dar fim ao litígio que emperra a continuidade das obras da Arena Pantanal. A decisão é da juíza Célia Regina Vidotti. Na Ação Civil Pública o Estado de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual, querem que a Mendes Junior seja compelida a corrigir todos os vícios/defeitos e pendências construtivas encontrados na Arena. Os erros foram apontados pela Concremat, responsável pelas vistorias no local. A obra que não foi entregue oficialmente e não está completamente concluída apresenta problemas na parte elétrica, hidráulica, forros, pisos e muitos outros.

A Secretaria de Estado de Cidades confirmou que o contrato para construção da Arena Pantanal, idealizada para Copa, envolveu quatro empresas: Mendes Junior Trading e Engenharia, Consórcio CLE e Kango Brasil, além da Concremat (supervisora da obra).

Três desses contratos estão judicializados e isso impacta diretamente na certificação LEED. Pois, o certificado depende de serviços realizados por essas empresas. Sem o certificado, o Estado pode ficar condicionado a pagar juros mais altos do empréstimo feito junto ao BNDES para construir o estádio. “Enquanto não houver uma definição jurídica, não será possível definir a retomada das obras, bem como a resolução de inconformidades ainda existentes na Arena Pantanal”, confirma a Secid.

O secretário adjunto de Esporte e Lazer de Mato Grosso, Leonardo Campos, diz que tornar parte do estádio uma escola significou dar vida social ao complexo, composto por diversos equipamentos, como o Ginásio Aecim Tocantins, a piscina olímpica, o Palácio das Artes Marciais, a quadra de areia, usada para o vôlei, além de incorporar outras instalações, aproveitando o tamanho da área. “Todos estes equipamentos tinham vida própria, um calendário de eventos, que comportou a inclusão de centenas de alunos. Com a Arena da Educação, na Escola Estadual Governador José Fragelli, plantamos uma importante semente para o futuro do nosso Esporte”.

NOVA CARA

A quase vazia Arena Pantanal dos jogos estaduais deve ganhar uma nova destinação. O local, que é mais freqüentado na parte externa, está sendo projetado para ser um ponto marcante para Cuiabá. De museu, projeto de atividade física, até concessões públicas tornando uma praça de alimentação, a Arena deve ganhar uma “nova cara”.

O secretário adjunto de Esporte e Lazer Leonardo Campos confirma que uma das iniciativas está sendo implantada é o chamado Tour da Arena, uma espécie de museu do futebol mato-grossense. “Será possível aos visitantes conhecer o palco de quatro partidas da Copa do Mundo 2014, os principais acontecimentos do estádio desde sua inauguração, além de relembrar alguns dos principais expoentes do nosso futebol”. Outro projeto em fase final de elaboração é o MT Mais Saudável, que irá ampliar o acesso ao complexo com o desenvolvimento de diversas atividades ligadas à área da educação física. “Em outra frente, estamos trabalhando na realização de concessões públicas de espaços do entorno, como o da Choperia”.

Atualmente o secretário diz que o custo mensal da Arena Pantanal é de aproximadamente R$ 400 mil mensais e a principal fonte de renda da Arena Pantanal é oriunda dos eventos realizados. Os custos são pagos parte pelo que a Arena arrecada e parte do aporte feito pelo Governo de Mato Grosso. “O estádio, neste ano, já ultrapassou a casa das 30 partidas realizadas, sendo um dos mais usados no país”.

 

Fonte: htesportes/Diário de Cuiabá/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!