20/06/2017

Cidades do Recôncavo são as mais atingidas com Doença de Chagas

 

A Doença de Chagas é causada por protozoário transmitido pelo mosquito barbeiro e se não tratada a tempo pode até levar à morte. Dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) revelam que até o dia 31 de maio de 2017 foram notificados oito casos de Chagas Agudo, destes cinco foram descartados e três confirmados e tratados. Apenas os casos agudos (até 60 dias da contaminação) da Doença de Chagas são notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

Segundo o cardiologista da Bahia Imagem/Sabin, Luiz Pinho, as cidades do Recôncavo Baiano estão entre as mais atingidas com a enfermidade, que pode ocorrer em qualquer período do ano já que é transmitida ao homem pelo “barbeiro”. “Um inseto que se alimenta de sangue e que já se adaptou ao meio urbano”, observou, explicando que, o parasita Trypanosoma Cruzi, aloja-se no músculo cardíaco causando a sua inflamação, ou seja, uma miocardite. “Com o passar dos anos este processo evolui com destruição das células do coração e a consequente perda da sua capacidade de bombear adequadamente o sangue”, enfatizou.

De acordo com o especialista quando a Doença de Chagas afeta o coração, causa um processo inflamatório, geralmente irreversível, do músculo chamado miocárdio, que pode ser causado também por vírus ou bactérias.  “Em algumas situações, a miocardite pode regredir naturalmente na fase aguda, mas há a possibilidade de ocorrer complicações, como insuficiência cardíaca aguda, bloqueio de condução do impulso elétrico cardíaco ou arritmia maligna”, elucidou.

O cardiologista esclareceu que, a Doença de Chagas apresenta algumas fases com características distintas. “A fase aguda, onde os sintomas podem ser desde apenas dores musculares, febre, mal-estar geral, até a miocardite (inflamação do músculo cardíaco) com dilatação do coração e a perda da sua função de bomba, podendo levar à morte e a fase crônica, que se inicia algumas semanas após a picada do inseto barbeiro e pode ser subdividida em Intermediária, onde praticamente não existem sintomas, mas o diagnóstico já pode ser feito com exames de sangue, podendo durar alguns anos; e a fase crônica propriamente dita onde os principais sintomas são: cansaço aos esforços, edema (inchaço) dos membros inferiores, arritmias severas, bloqueios na condução elétrica do coração”, explicou.

A Doença de Chagas também pode acometer o sistema digestivo, levando a importante dilatação do esôfago – o chamado Megaesôfago chagásico – e redução significativa da capacidade de deglutição do paciente. “O diagnóstico de certeza é feito com exames sorológicos (sangue) ou biópsia do coração. Outros exames também importantes no diagnóstico da Donça de Chagas são Rx de tórax, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, cintilografia miocárdica e ressonância magnética”, explicou o médico.

Luiz Pinho alerta para os cuidados para evitar a enfermidade. “É necessário manter a casa limpa e com muita iluminação, pois o “barbeiro” possui hábitos noturnos e costuma esconder-se em pequenos espaços escuros, como as frestas das casas de taipa”, pontuou.

Bahia sedia 1ª Feira de Soluções para a Saúde e Seminário Internacional da Unicef

Salvador sedia, entre os dias 8 e 10 de agosto, a 1ª edição da Feira de Soluções para a Saúde, onde serão apresentados produtos e serviços voltados para o combate, prevenção, diagnóstico e tratamento da Zika, Dengue e Chikungunya. A Bahia foi escolhida por concentrar experiências exitosas, a exemplo dos testes rápidos para diagnóstico das três doenças, que são produzidos e distribuídos pela Bahiafarma para todo o Brasil, permitindo o diagnóstico em até 20 minutos. Nos dois primeiros dias do evento, a programação contempla também o Seminário Internacional da resposta brasileira ao Zika vírus, organizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros.

A Feira de Soluções para a Saúde é o primeiro evento do País desse gênero e será realizado no Senai-Cimatec, no bairro de Piatã, com a expectativa de reunir um público de 800 participantes por dia, com destaque para pesquisadores nacionais e internacionais, laboratórios, representantes de organizações sociais, além de gestores governamentais e sociedade civil. A iniciativa é resultado da parceria entre a Fiocruz Brasília, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia (Cidacs), a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), por meio do Senai-Cimatec. Para os interessados em compartilhar seus projetos ou simplesmente participar dos debates e conhecer as experiências exitosas, basta se cadastrar gratuitamente no site do evento.

Também estarão presentes no evento representantes de diferentes instituições, como a Universidade de Brasília (UnB), o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Primeira Região (Crefito1), o Conselho Nacional das Secretarias Municipais da Saúde (Conasems), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Fundo das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (Onu Mulheres), o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), , a Rede Nacional de Especialistas em Zika e Doenças Correlatas (Renezika), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/Cimatec) e Sistema Fieb o e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), este último, realizando um seminário internacional sobre a Zika.

O médico, professor e pesquisador chefe do Instituto da Tecnologia da Saúde (ITS) do Senai-Cimatec, Roberto Badaró, explica que “o evento apresentará diversos projetos para o controle do vetor, formas de prevenção individual e coletiva, sistemas de informação e monitoramento da vigilância, e também testes diagnósticos, medicamentos e práticas integrativas. Além disso, será um espaço de debate e cooperação entre os institutos de pesquisa, governos, organizações sociais e a iniciativa privada”.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, serão centenas de projetos e dezenas de expositores. “Entre as experiências baianas, o aplicativo Caça Mosquito, que foi idealizado pela Sesab e desenvolvido pela Companhia de Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb), em parceria com a empresa Oracle, possibilita aos usuários de smartphones fotografar e denunciar possíveis criadouros do mosquito em qualquer lugar e a qualquer momento, além de alertar as autoridades para a tomada de providências. E o melhor: a localização é feita a partir de georreferenciamento (GPS)”.

A Bahia também apresentará, no evento, ações de comunicação que utilizam influenciadores digitais e o humor como elementos de engajamento do público nas redes sociais, estimulando desse modo o compartilhamento de mensagens sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti. Além disso, a interatividade de vídeos 360°, a demonstração do ciclo de vida do mosquito com o auxílio de microscópios e a estrutura de um mini cinema para exibir vídeos educativos também estão entre os destaques.

Durante os três dias do evento, uma rica programação apresentará soluções de caráter social, industrial e de serviços que podem, em muitos casos, ser replicadas por diversas pessoas e instituições em todo o Brasil e até no exterior. E a criatividade é o traço comum entre essas iniciativas. Esse é o caso dos chamados “adequadores posturais de baixo custo”. Feitos em papelão, esses adequadores são cadeirinhas para crianças com síndromes ligadas às arboviroses e que têm dificuldades em se posicionar para se alimentar ou para receber estimulação motora apropriada.

Para a produção dessas cadeirinhas, as crianças são medidas e recebem uma cadeirinha feita especificamente para cada uma delas. Pais, profissionais e voluntários participarão de uma oficina, durante a Feira, em que aprenderão a fazer os adequadores com a responsável por esta iniciativa, a fisioterapeuta e pesquisadora Dafne Herrero. Essa e outras soluções serão cadastradas em um site que, além de permitir a inscrição no evento, se transformará num grande banco de dados de soluções para a saúde. Outra atração da Feira será o Hackathon, maratona tecnológica em que os participantes serão desafiados a propor o desenvolvimento de softwares ou aplicativos que facilitem a prevenção e o combate às arboviroses como Zika, Dengue e Chikungunya.

Seminário Internacional

O Seminário Internacional da resposta brasileira ao Zika vírus é uma oportunidade de aprendizado sobre as melhores práticas de prevenção ao mosquito Aedes aegypti e as estratégias de apoio às mulheres gestantes, famílias e cuidadores de crianças com a Síndrome Congênita do Zika vírus (SCZv) e outras deficiências em âmbito nacional e internacional.

Durante o seminário, experts nacionais e internacionais, gestores, pesquisadores, conselheiros de direitos, profissionais de saúde, educação e assistência social e mulheres mães e cuidadores de crianças compartilharão as lições aprendidas em relação à estimulação de crianças com alterações no desenvolvimento no ambiente domiciliar e escolar, ao apoio psicossocial e na garantia de direitos. As vagas neste seminário são limitadas e haverá inscrição prévia.

 

Fonte: Tribuna/Ascom Sesab/Municipios Baianos

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