29/06/2017

Bilionário estádio Mané Garrincha volta ao olho do furacão

 

O Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha teve sua reforma para a Copa do Mundo de 2014 orçada em R$ 696 milhões. Entretanto, o custo final da obra foi de R$ 1,7 bilhão e o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) retoma nesta terça-feira (27) o julgamento de possíveis desvios na construção da arena.

A suspeita é de que houve irregularidades no aluguel de equipamentos como guindastes e caminhões. Alguns itens teriam sido pagos com um sobrepreço de até mil vezes, aponta o TCDF.

Além da ação que volta ao plenário do Tribunal de Contas hoje, existem outras auditorias que investigam outras partes da reforma. A pauta de hoje envolve gastos realizados entre 2010 e 2011 e um possível prejuízo de R$ 67,7 milhões.

O Mané Garrincha é o estádio mais caro construído para o campeonato da FIFA.

  • "A polêmica em torno do estádio começou em 2009, antes mesmo da licitação, quando o Governo definiu a forma como seria feita essa construção. Para não precisar usar recursos federais, o Governo fez um convênio entre a Terracap e a Novacap, que são empresas públicas", afirmou a repórter do jornal Correio Braziliense Helena Mader em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

Terracap e Novacap são empresas do Governo do Distrito Federal voltadas para a gerência do patrimônio imobiliário estatal e a construção de obras em Brasília e nas proximidades, respectivamente.

Mader aponta que existem suspeitas de que o convênio entre as duas companhias foi feito "para escapar da fiscalização do Tribunal de Contas da União".

A obra foi realizada por um consórcio formado pelas empresas Andrade Gutierrez e Via Engenharia.

As delações da Odebrecht mostraram que a licitação do estádio foi fraudada. Executivos da empreiteira baiana confessaram à justiça durante suas delações premiadas que a Odebrecht combinou apresentar uma proposta para a licitação apenas para simular a concorrência, já que havia combinado com a Andrade Gutierrez que não tinha interesse no projeto.

Operação Panatenaico

Além da investigação do TCDF, o Mané Garrincha também entrou no radar da Polícia Federal recentemente. No dia 23 de maio, a PF prendeu o então assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB) Tadeu Filippelli e os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT). Eles ficaram no cárcere por alguns dias antes de conseguirem a liberdade por meio de um habeas corpus.

  • "A gente está na expectativa de um desfecho das investigações da Polícia Federal, as informações que a gente tem é de que a investigação já está no fim e que o inquérito deve ser concluído em breve. E o Ministério Público Federal deve nos próximos dias da semana apresentar uma denúncia contra esses acusados [na Operação Panatenaico], não sabemos se contra parte deles ou todos", diz Helena.

Futebol

Depois de ter em seus gramados Neymar, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, o Mané Garrincha enfrenta hoje outra realidade.

Em maio, aconteceu a última partida no estádio mais caro da última Copa do Mundo: a final do Candangão, apelido do campeonato de futebol do Distrito Federal. O campeão foi o Brasiliense, time ligado ao ex-senador Luiz Estevão. O político está preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde 2016. Ele cumpre pena por desvios de verbas na obra do Fórum Trabalhista de São Paulo.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado do Esporte, Turismo e Lazer do Distrito Federal, o custo de manutenção do estádio é de R$ 8,4 milhões por ano e em 2016 a renda obtida por meio de 60 eventos e 14 jogos foi de R$ 1.709.270,54.

  • Escândalos de corrupção recentes

Delação da JBS:

Os executivos da JBS entregaram dados de possíveis crimes envolvendo figurões da república como o próprio presidente Temer e o senador Aécio Neves (PSDBB-MG).

Odebrecht:

A maior empreiteira do Brasil também fechou um acordo de delação premiada em que traz informações de casos de corrupção que lançam suspeitas contra 12 governadores e dezenas de deputados federais e senadores.

Lava Jato:

Considerado o maior caso de corrupção da história do Brasil, os desvios ocorridos na Petrobras são investigados pela operação Lava Jato há mais de três anos. Figuras como o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha foram presos pela operação sediada em Curitiba.

Fifa divulga relatório, e Ricardo Teixeira será investigado

A Fifa divulgou, nesta terça-feira, o relatório Garcia, nome dado ao texto que indica possíveis problemas e corrupções nas escolhas das sedes dos Mundiais de 2018 e 2022, que serão disputados na Rússia e no Catar, respectivamente.

O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, foi citado diversas vezes durante o relatório e, mesmo tendo deixado a entidade por conta dos escândalos de corrupção, será investigado e terá processo contra si aberto.

Em 2010, a Seleção Brasileira disputou amistoso contra a Argentina no Catar. Nesta ocasião, os organizadores da candidatura asiática para sediar o Mundial de 2022 teriam concedido regalias, como uma acomodação em um hotel melhor do que o dos atletas, ao mandatário da CBF, que fazia parte do comitê que decidiria o local da Copa.

Além disso, Teixeira também foi agraciado com presentes dados pelos candidatos a sede. Além dele, outros nomes importantes da Fifa, com o ex-presidente Joseph Blatter, além de Michel Platini, que comandou a Uefa, também estão na lista dos presenteados, assim como outros importantes políticos do futebol mundial.

Outros brasileiros envolvidos em casos de corrupção nos bastidores do futebol, como José Maria Marin e Marco Polo del Nero, não foram citados neste estudo, que conta com mais de 350 páginas.

O relatório Garcia havia sido vazado pelo jornal alemão Bild , no que a entidade que rege o futebol mundial chamou de "vazamento ilegal". Até por isso, a Fifa resolveu publicar o texto completo. Vários dos nomes citados, como Teixeira, Blatter e Platini, já estão implicados em outros processos de corrupção.

Ricardo Teixeira: “Lula não é nada. Diga o que você tem para mim”

O escândalo de corrupção da FIFA arrasta-se em tribunais europeus e norte-americanos desde a prisão de sete cartolas, incluindo o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, em março de 2015, na Suíça. Nesta terça-feira, a própria entidade máxima do futebol mundial incluiu um novo capítulo na trama ao divulgar a íntegra do “Relatório García”, documento elaborado pelo investigador independente norte-americano, Michael García, sobre suspeitas de corrupção envolvendo seus dirigentes. Com mais de 350 páginas, o relatório cita outro ex-mandatário da CBF, Ricardo Teixeira, que, de acordo com o documento, teria recebido propina em negociações como membro do Comitê Executivo da FIFA.

Um dos episódios detalhados no relatório remete a 14 de novembro de 2009, quando Lord David Triesman, executivo da Associação de Futebol da Inglaterra que conduzia a candidatura do país à sede da Copa do Mundo de 2018, encontrou Teixeira em um evento no Catar. Triesman revelou-se animado com o apoio público do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva à candidatura inglesa. Quatro dias depois do encontro, Inglaterra e Brasil anunciaram a assinatura de um memorando de cooperação, já que ambos receberiam edições dos Jogos Olímpicos de 2012 e 2016, respectivamente. Ao ouvir a declaração de otimismo do executivo inglês, Teixeira menosprezou a influência política de Lula no processo de escolha das sedes da Copa, que é conduzido pela FIFA, e deixou subentendido que poderia ceder seu voto à Inglaterra em troca de dinheiro. “Lula não é nada. Diga o que você tem para mim”, rebateu Teixeira, segundo o testemunho de Triesman.

Porém, o relatório aponta que, por causa do inglês “relativamente limitado” de Ricardo Teixeira, a frase “Diga o que você tem para mim” possui caráter ambíguo e pode ter sido mal interpretada por Triesman, que revelou desconforto com a abordagem indiscreta do então presidente da CBF. Todavia, o documento apresenta outras denúncias contra Teixeira, sobretudo em relação à suspeita de compra de votos para o Catar, que foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2022.

De acordo com o relatório de García, o Catar teria concedido uma série de benesses a Ricardo Teixeira para garantir o voto brasileiro no processo de escolha da sede, incluindo hospedagem de luxo no país, propina desviada de receitas de um amistoso da seleção brasileira com a Argentina – repassada por meio de empresas “laranja” e contas em paraísos fiscais – e o depósito de 2 milhões de libras (5,28 milhões de reais pela cotação da época) em uma conta em nome de sua filha de 10 anos. O responsável por enviar o dinheiro a Teixeira, ainda segundo o documento, teria sido Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona que foi preso na Espanha, em maio, sob diversas acusações de corrupção.

Padrinho do segundo casamento de Teixeira, a quem conhece desde meados dos anos 90, quando era diretor da Nike no Brasil, Rosell fechou patrocínio para o Barça com uma empresa do governo catariano em 2011. O acordo era gerido por Andreas Bleicher, alemão radicado no Catar e um dos assessores da candidatura do país pela Copa de 2022. Em depoimento a Michael García, Bleicher afirmou que o pagamento de Rosell a Teixeira não tinha relação com o Mundial, mas sim com um negócio entre ambos envolvendo a venda de um imóvel no Brasil.

Em 2011, a revista Piauí já havia revelado a proximidade entre Ricardo Teixeira e o catariano Mohamed Bin Hammam, que era presidente da Confederação Asiática de Futebol e candidato à presidência da FIFA. Em uma passagem descrita pela revista, a filha de Teixeira – apontada como beneficiária da suposta propina repassada por Rosell – revelava o apoio do pai a Bin Hamman, enquanto o dirigente brasileiro dizia publicamente que votaria em Joseph Blatter. Acusado de corrupção, o catariano desistiu da candidatura naquele mesmo ano e acabou banido do futebol pelo Comitê de Ética da FIFA, que, até a manhã desta terça-feira, vinha se recusando a divulgar o relatório de García. No entanto, diante da publicação de trechos do documento pelo jornal alemão Bild, a entidade se viu forçada a revelar a íntegra de seu conteúdo. A defesa de Teixeira afirma que o relatório é inconclusivo e nega as acusações contra ele, que evita viajar ao exterior para não correr o risco de ser extraditado para os Estados Unidos, onde foi indiciado por corrupção pelo FBI.

 

Fonte: Sputinik News/Gazeta Esportiva/El País/Municipios Baianos

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