01/07/2017

Agrotóxico afeta reprodução e diminui população de abelhas

 

Dois novos estudos publicados nesta quinta-feira (29) na revista "Science" mostram que os agrotóxicos neonicotinóides prejudicam a reprodução e a vida de abelhas. Nos Estados Unidos, uma espécie do inseto já está ameaçada de extinção. Na Europa e em toda a América do Norte, as operárias estão desaparecendo abruptamente das colmeias.

Uma das pesquisas conseguiu resultados em grande escala e reuniu dados de experimentos feitos no Reino Unido, na Alemanha e na Hungria. Os cientistas expuseram três espécies de abelha aos agrotóxicos neonicotinóides.

Na Hungria, o número de colônias do inseto caiu 24% na primavera seguinte. No Reino Unido, a sobrevivência das abelhas foi muito baixa. Curiosamente, o agrotóxico não apresentou efeitos nocivos na Alemanha -- no entanto, um menor sucesso reprodutivo, avaliado pelo número de rainhas e na produção de ovos, foi associado a níveis altos de neonicotinóides nos ninhos das abelhas (Bombus terrestris e Osmia Bicornis) nos três países.

"Os neonicotinóides investigados causaram uma redução na capacidade de as três espécies de abelhas estabeleceram novas populações no ano seguinte, principalmente no Reino Unido e na Hungria", disse o autor principal do estudo, Ben Woodcock.

O segundo artigo publicado pela revista "Science" trabalhou na área de cultivo de milho no Canadá. Eles isolaram os impactos dos neonicotinóides de outras práticas agrícolas de alta intensidade.

A pesquisadora Nadejda Tsvetkov, junto com a sua equipe, descobriu que as abelhas expostas ao agrotóxico tinham uma menor expectativa de vida e suas colônias eram mais propensas a perder as rainhas. Eles também observaram que os neonicotinóides podem ser ainda mais potentes quando misturados a um inseticida comum.

Pesticidas à base de nicotina são nocivos a abelhas, diz estudo

sados na agricultura, agrotóxicos neonicotinoides podem ser responsáveis pelo declínio da população de abelhas na natureza. Sugestão vem de abrangente pesquisa de campo realizada em três países e publicada na "Science".À base de nicotina, os pesticidas neonicotinoides são prejudiciais à reprodução e à vida das abelhas, afirmou um abrangente estudo publicado nesta quinta-feira (29/06) na revista científica Science. A população desses insetos polinizadores vem diminuindo de forma preocupante nos últimos anos.

A pesquisa de campo, anunciada como a mais extensiva sobre o tema, foi realizada em uma área total de 2 mil hectares, englobando três países europeus: Reino Unido, Hungria e Alemanha. A intenção era estabelecer os impactos dos pesticidas no "mundo real", e não em simulações em laboratório.

Os cientistas expuseram um grupo de abelhas a campos tratados com os neonicotinoides e um outro grupo a campos livres de pesticidas, e então seguiram esses insetos ao longo de um ano - da primavera de 2015 ao mesmo período do ano seguinte.

Na Hungria e no Reino Unido, a taxa de sobrevivência dos animais expostos ao agrotóxico foi alarmante, afirmou o estudo. Em território húngaro, por exemplo, o número de colônias sobreviventes foi 24% menor nos campos tratados com pesticidas do que nos não tratados.

Na Alemanha, curiosamente, os neonicotinoides não apresentaram efeitos tão nocivos. Segundo os pesquisadores, isso pode ter acontecido porque as abelhas no país são mais saudáveis, há menos doenças que afetam suas colônias, além de sua nutrição ser mais abrangente.

O cientista Richard Pywell, um dos autores do estudo, afirmou que apenas 10% da dieta das abelhas alemãs corresponde às plantas tratadas com os pesticidas, enquanto na Hungria e no Reino Unido essa taxa ultrapassa 50%, o que explica por que elas acabam sendo mais afetadas.

"Após esse novo estudo, continuar afirmando que o uso de neonicotinoides na agricultura não prejudica as abelhas já não é mais uma posição sustentável", opinou, à agência de notícias Reuters, o biólogo David Goulson, da Universidade de Sussex, no Reino Unido. Ele não participou do estudo.

A pesquisa foi financiada pela empresas Bayer, da Alemanha, e Syngenta, da Suíça, ambas fabricantes do pesticida à base de nicotina. Segundo os cientistas, as companhias não tiveram qualquer influência nos resultados publicados na Science nesta quinta-feira.

Há mais de uma década, as populações de abelhas têm apresentado um alarmante declínio, levando a ciência a incansáveis estudos para descobrir os motivos. A queda dessas espécies é preocupante devido à função de polinização que elas exercem, muito necessária para o cultivo de alimentos, por exemplo.

Governo federal deve acabar com o programa Bolsa Verde. Entidades protestam

O presidente Michel Temer receberá ainda nesta semana uma carta assinada pelas organizações da sociedade civil protestando pelo fim do programa Bolsa Verde, o maior programa de pagamentos por serviços ambientais do Brasil. No contexto do Plano Brasil sem Miséria, o Bolsa verde tem o objetivo de incentivar a conservação dos ecossistemas melhorando as condições de vida de pessoas que vivem em situações de pobreza e extrema pobreza que moram em unidades de conservação.

Aproximadamente 76 mil famílias recebem o benefício. Elas estão localizadas principalmente na Amazônia, Cerrado e áreas costeiras-marinha e foram informadas que o governo federal deixará de pagar o benefício a partir do próximo mês de julho. Na carta, as entidades destacam que o programa é fundamental para o Brasil conseguir cumprir os acordos nacionais e internacionais assumidos como o Acordo do Clima, as metas de Aichi, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável , o Código Florestal e o Planaveg.

Procurado pela ANDI-Comunicação e Direitos, o Ministério do Meio Ambiente nega que o programa será descontinuado, mas não informa a programação orçamentária de 2017, tampouco a de 2018.

O presidente receberá a carta menos de uma semana depois de voltar da Noruega, maior financiador externo de políticas ambientais no Brasil. Na viagem, o governo norueguês informou que cortará recursos do Fundo Amazônia pelos retrocessos ambientais ocorridos no Brasil como aumento do desmatamento e os sinais de flexibilização do licenciamento ambiental e redução de áreas de floresta por meios de medidas provisórias e projetos de lei.
* Leia a Carta Aberta:

CARTA ABERTA AO GOVERNO BRASILEIRO EM DEFESA DO PROGRAMA BOLSA VERDE

Excelentíssimo Sr. Presidente Michel Temer,

As organizações representantes da sociedade civil, em face da notícia de que a partir desse mês o pagamento do Bolsa Verde aos beneficiários será suspenso, se manifestam por esta carta para ressaltar a importância do Programa Bolsa Verde (PBV) e de sua continuidade nos próximos anos.

O PBV, no contexto do Plano Brasil sem Miséria, tem por objetivos primordiais incentivar a conservação dos ecossistemas, promover a cidadania, a melhoria das condições de vida e a segurança de renda mínima da população em situações de pobreza e de extrema pobreza que moram em unidades de conservação, assentamentos rurais e territórios ocupados por povos, comunidades tradicionais. Estes objetivos estão também alinhados com decisões da RIO+20 que apontam a erradicação da pobreza como urgente e condição indispensável para o desenvolvimento sustentável.

Desde que foi criado em 2011, o Programa Bolsa Verde tem expandido o número de beneficiários. Em janeiro de 2013, o Programa Bolsa Verde atingia 34.611 famílias em 686 Unidades Territoriais com cerca de 300.000Km2, em 2016, o número de famílias beneficiárias subiu para 76.220 em 1029 Unidades Territoriais com cerca de 900.000Km2; o que demonstra a capacidade do programa em atender famílias localizadas em áreas remotas majoritariamente na Amazônia, Cerrado e áreas costeiras-marinhas. Além disso, e considerando que cerca de 25% da população rural (cerca de 30 milhões de pessoas em 2010) são extremamente pobres, fica evidente a necessidade de ampliação do PBV nestas áreas.

As instituições responsáveis pelo acompanhamento do programa, junto com o Ministério do Meio Ambiente, têm mostrado o enorme impacto positivo para as famílias beneficiárias. Os benefícios do Bolsa Verde e do Bolsa Família representam mais do que 50% da renda total dessas famílias agroextrativistas. A partir do recebimento do beneficio do PBV, o número de famílias vivendo na extrema pobreza diminuiu em cerca de 15% nestas áreas. Isso tem resultado em maior segurança alimentar para jovens e crianças, uma vez que seus pais compram alimentos não produzidos nas roças ou oriundos do extrativismo. O aumento na renda também tem contribuído para aumento da frequência escolar (aquisição de materiais escolares e transporte) e melhoria das condições de saúde das famílias (compra de remédios e materiais de higiene pessoal); e ainda, para inclusão produtiva, na medida que fortalece as cadeias produtivas, tanto por permitir aquisição de equipamentos como por contribuir com maior participação das famílias nas cooperativas e associações. 

O PBV também tem impactos positivos conservação dos ecossistemas, uma vez que as famílias beneficiárias desenvolvem ações coletivas de cuidado com a biodiversidade e serviços ecossistêmicos de acordo com os planos de manejo, acordos de gestão e outros instrumentos de gestão das unidades territoriais. As condicionalidades do PBV têm se mostrado como importantes instrumentos para a inibição práticas extrativistas ilegais em ecossistemas extremamente sensíveis às atividades humanas, incluindo o desmatamento, que vem apresentando preocupante aumento na sua taxa nos dois últimos anos.

Destaca-se ainda que, em recente intercâmbio entre os governos da Guiana, Equador e Brasil, promovido pela Rede Pan-Amazônica e que contou com a participação de membros do Ministério do Meio Ambiente e beneficiários, o PBV foi muito elogiado por sua capilaridade territorial, segurança legislativa e efetividade para conservação e promoção do bem-estar social. Na América Latina, é o maior programa de transferência de renda com condicionalidades socioambientais e serve de referência para outros países que precisam superar semelhantes desafios sociais, ambientais e econômicos.

A continuidade do Programa Bolsa Verde é fundamental ainda para que o Brasil consiga assumir os compromissos e acordos nacionais e internacionais (Código Florestal, Planaveg, Acordo do Clima, Metas de Aichi e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) relacionados à redução do desmatamento, recuperação de mais de 12 milhões de hectares, regularização ambiental dos passivos ambientais e erradicação da pobreza.

  • Diante destas evidências, as organizações abaixo assinadas ressaltam a importância de continuidade e ampliação do Programa Bolsa Verde no sentido de assegurar o bem-estar de famílias que contribuem decisivamente com a conservação ambiental em áreas ricas em biodiversidade e importantes para o bem-estar global e solicitam ao governo que garanta os recursos orçamentários necessários para manter a continuidade do pagamento do benefício às famílias.

 

Fonte: G1/Deutsche Welle/Municipios Baianos

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