01/07/2017

SecultBa celebra 2 de Julho com atividades na capital e interior

 

Uma programação extensa de atividades promovidas pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult) comemora o 2 de Julho, data magna da Independência da Bahia, desta sexta-feira (30) e por todo o mês de julho. Exposições, palestras, aulas itinerantes, mesas redondas, além da participação das filarmônicas e manifestações culturais no desfile cívico, estão entre as ações promovidas na capital e no interior do estado, por meio da Fundação Pedro Calmon (FPC), Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) e Fundação Cultural (Funceb), entidades vinculadas ao órgão.

Nesta sexta, a FPC iniciou o Colóquio ‘Guerra e Identidade: A Independência do Brasil na Bahia’ e as ‘Rotas Históricas’, que promoverão um conhecimento mais íntimo sobre as batalhas e lutas pela independência. As inscrições são gratuitas e estão disponíveis no site da entidade. A Rota terá início em Caetité (centro sul), saindo do Arquivo Municipal da cidade para uma excursão, às 9h, orientada pelo professor Moisés Amado Frutuoso.

Sábado (1º), às 16h, a Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA) recebe o II Encontro de Filarmônicas, iniciativa do Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba), da Federação das Bandas a Filarmônica da Bahia (Febaf) e da Funceb. Estarão reunidas as filarmônicas Guerreiros do Sol (Dias D’Ávila), 19 de Setembro (Ibipeba) e a Coral Juvenil 4 de Janeiro (Itiúba), que fazem parte da Febaf. O Neojiba também participa do encontro com sua Banda Sinfônica e com a Banda Sinfônica Portal do Sertão, do Núcleo Antônio Gasparini, sediado em Feira de Santana. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos na bilheteria do teatro, a partir das 15h, no dia do evento.

Dois de Julho

No cortejo do 2 de Julho, a Funceb promove a participação de 10 bandas filarmônicas e três manifestações culturais, da capital e de várias cidades do interior do estado. Acompanhadas pela Coordenação de Música da Diretoria das Artes (Dirart), desfilam Lira Popular Muritibana (Muritiba), Filarmônica 24 de Junho (Jeremoabo), Amantes da Lyra (Santo Antônio de Jesus), Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana (Cachoeira), Sociedade Filarmônica 2 de Janeiro (Jacobina), Sociedade Filarmônica Filhos de Apolo (Santo Amaro), Sociedade Filarmônica Lira Oliveirense (Santo Amaro), Sociedade Filarmônica Ramo da Oliveira (Santo Amaro), Sociedade Filarmônica União Sanfelixta (São Felix) e Sociedade Recreativa e Cultural Filarmônica 30 de Junho (Serrinha). Também participam as manifestações tradicionais Chegança dos Marujos Fragata Brasileira (Saubara), o Grupo Folclórico As Paparutas da Ilha do Paty (São Francisco do Conde) e o Samba de Roda de Dona Dalva (Cachoeira).

Pela manhã, o desfile sai de Pirajá, chega ao Largo da Lapinha, onde inclui o Caboclo e a Cabocla, e segue para o Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador. No Largo do Pelourinho, o cortejo cívico é saudado com a recepção calorosa dos clarins, que já se tornaram tradicionais na sacada do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), casa 12. Pela tarde, o Cortejo sai da Praça Municipal em direção ao Campo Grande, onde é finalizado.

Retomando a programação do Colóquio, o Centro de Memória da Bahia realiza, entre os dias 3 e 6 de julho, uma série de palestras e mesas redondas no auditório Kátia Mattoso – Biblioteca Central do Estado da Bahia, no bairro dos Barris., em Salvador . A conferência de abertura será ministrada pelo professor Hendrik Kraay (University of Calgary), na segunda-feira (3), às 19h. Ele é especialista em História do Brasil e atualmente desenvolve pesquisas sobre a festa do 2 de Julho.

Na terça (4), às 14h, haverá a mesa redonda I – “2 de Julho: Permanências e Atualidades”, com o professor Jocélio Teles dos Santos e a professora Wlamyra Ribeiro de Albuquerque, ambos da Universidade Federal da Bahia (Ufba). À noite, 19h, será a mesa redonda II – “Caminhos da Independência: Sujeitos e Instituições”, com os professores Igor Gomes (Instituto Federal da Bahia (Ifba) e Moiséis Amado Frutuoso.

Quarta (5), será a vez de Salvador servir de cenário para a Rota Histórica, que leva os espectadores de van da Biblioteca Central da Bahia (Barris), às 8h, em direção à Pirajá, Lapinha e ao Terreiro de Jesus. Na volta, passará pela Praça Municipal, Convento da Lapa, Praça da Piedade e Campo Grande, até retornar à Biblioteca, por volta do meio dia. Às 14h, no Auditório Kátia Mattoso, a mesa redonda III – “Tensões e Conflitos terá a participação dos professores Marcelo Siquara (Colégio da Polícia Militar-BA) e Lucas Junqueira, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob).

Durante a noite, às 18h, acontece na Biblioteca a apresentação do grupo de samba de roda Barquinha de Bom Jesus dos Pobres, comemorando também A Volta da Cabocla, que celebra a volta dos carros emblemáticos do Caboclo e da Cabocla do Campo Grande para a Lapinha. Também nesta ocasião, o cortejo vai ser saudado por clarins na sede do CCPI, no Largo do Pelourinho. A Ilha de Itaparica será o último cenário da Rota Histórica. A aula pública começará às 9h de quinta-feira (6), na Biblioteca Juracy Magalhães Jr (Itaparica). De lá, o público percorrerá a cidade até chegar ao Forte de São Lourenço – localização estratégica que assegurava o não abastecimento das tropas portuguesas durante a guerra.

Em Salvador, na Biblioteca dos Barris, às 14h, acontecerá a mesa redonda IV – ‘Brasileiros Independentes, e agora? Reorganização social e política pós-conflitos de independência’, com o professor Dilton Araújo (Ufba) e a professora Elisa Ribeiro (Seeba). Neste dia, o professor Sergio Guerra Filho (UFRB) fará a conferência de encerramento do Colóquio, às 19h. A Fundação Pedro Calmon continua realizando diversas ações durante todo o mês em comemoração à Independência da Bahia, como as oficinas de vídeo, rap e escrita criativa nos bairros de Cajazeiras, Pirajá e Itacaranha, aulões de história nas escolas públicas, apresentações culturais e novas palestras. A programação completa está disponível abaixo e no site.

Memórias do 2 de julho

O 2 de Julho é também o tema da nova exposição que a Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Dimus/Ipac) faz em parceria com a CCR Metrô Bahia. A mostra ‘Salve o Dois de Julho: Memórias da Independência da Bahia’ fica em cartaz na Estação Pirajá de Metrô a partir deste sábado (1º) até o dia 9 de julho, e reúne 20 painéis que contam a história da Independência da Bahia, por meio de fotos e postais do acervo do Museu Tempostal e acervo do Ipac/Secult; e referências do livro ‘História da Bahia’, do historiador baiano Luís Henrique Dias Tavares. Nos painéis, o público poderá conhecer mais sobre os acontecimentos no roteiro do evento que reúne localidades como o bairro de Pirajá, antiga estrada das Boiadas – atual Avenida Lima e Silva – e da Lapinha.

Aberto para visitação, o Arquivo Público do Estado da Bahia realiza a Exposição de Documentos da Independência do Brasil na Bahia, que tem abertura na segunda-feira (3), às 14h, e segue até o final do mês. Também está disponível gratuitamente no site da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé a sua coleção de artigos, entrevistas, jogos virtuais, documentos, revistas, fotografias e imagens sobre esse importante momento histórico do estado.

Livro sobre a velha guarda da capoeira angola é lançado no 2 de Julho

A tradição é antiga, todos os anos, no 2 de Julho, mestres de capoeira se encontram na Lapinha e desfilam atrás do carro da Cabocla, tocando, cantando e jogando capoeira até a Praça da Sé, mostrando um pouco do legado de angola. Novamente, a Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA) confirma a sua participação no próximo domingo, e dessa vez também convida para o lançamento do Livro da ABCA, que acontece após o desfile, na sede da associação, no Pelourinho.

Publicado pela Editora Vento Leste, o projeto conta com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Centro de Culturas Populares e Identitárias, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, tendo sido contemplado pelo edital de Culturas Populares - Capoeira.

A idéia da publicação surgiu do Mestre Pele da Bomba, presidente da ABCA, que queria homenagear os nomes que fortalecem a associação. A escolha da ocasião para o lançamento também é justificada, "nas batalhas o capoeirista também esteve na linha de frente, o 2 de Julho é um patrimônio que a Capoeira sempre defendeu", explica o mestre.

O livro, produzido coletivamente pela Associação, traz 43 biografias de mestres, contramestres e professores ligados à ABCA, constituindo um importante registro de trajetórias afro-brasileiras e se constituindo em um fecundo material de pesquisa. Nele se encontram os mestres Pelé da Bomba, Lene, Piriquito, Vermelho da Moenda, Augusto Januário, Zé Pretinho, Ângelo Romano, Virgílio, Carlinhos Canabrava, Angola, Fernando, Nô, Boa Gente, Liberino, Bola Sete, Um por Um, Ary Reza Brava, Ciro, Djalma, Beto Mansinho, Massapê, Faísca, dentre diversos outros.

Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA)

Fundada em 1987 e registrada em 1993, em Salvador-BA, a ABCA reúne os antigos mestres desta manifestação cultural afro-brasileira, e se tornou uma referência mundial em termos de preservação das tradições ancestrais deste patrimônio imaterial. Seu atual presidente é o Mestre Pelé da Bomba. Um dos mais antigos mestres em atividade, conhecido como o "gogó de ouro" da Bahia, Mestre Pelé começou a gingar ainda na década de 40, na rampa do mercado modelo, tendo dado origem a diferentes famílias de capoeira e contando com milhares de "netos" e "bisnetos" de capoeira espalhados pelo mundo afora.

  • Programação:

07h, Lapinha - Caminhada 02 de Julho

12h, ABCA - Roda de capoeira angola e samba de roda

13h, ABCA - Lançamento do livro

Onde: ABCA: Rua Maciel de Baixo,38, (em frente ao Teatro Miguel Santana). Pelourinho, Salvador – BA

Caboclos são restaurados antes do cortejo do 2 de Julho

Com pouco mais de 1,5 metro de altura, a restauradora Marley Serra Valle, 73 anos, tenta escalar a carruagem que chega a medir cinco metros. Com grande esforço, mas sem êxito, a senhora, que há 20 anos exerce o ofício de restaurar e preservar obras antigas, dispensa a ajuda de qualquer um que se preocupe com ela: “É para não perder a prática”.

O esforço vale a pena, pelo menos para Marley e milhares de pessoas que, no Dois de Julho, saem às ruas para acompanhar o desfile cívico em homenagem à libertação da Bahia das mãos dos portugueses.

É no carro que estão os maiores símbolos da Independência da Bahia - o Caboclo e a Cabocla. E são eles os responsáveis por causar durante todo o ano ansiedade em Marley. “Fico esperando que chegue para que eu possa prestar todos os cuidados devidos”.

Nem sempre ela está entre os profissionais do Stúdio Argolo - empresa responsável por conservar as peças - escalados para o serviço. Porém, durante os 20 anos que está na empresa, perdeu as contas de quantas vezes este papel foi seu.

Às vésperas da chegada do fogo simbólico que parte de Cachoeira, no Recôncavo, e chega a Salvador um dia antes do desfile cívico, as esculturas não parecem as mesmas sem os adereços que costumam adorná-las. “Reparamos todas aquelas fissuras que os caboclos ganham durante o trajeto, depois de passar por ruas de pedras irregulares”, explica.    

O trabalho precisa ser cirúrgico. Nada pode estar fora do lugar antes que os dois, carregados por voluntários, passem pela porta do Pavilhão 2 de Julho, no Largo da Lapinha. É justamente por isso que Marley e o colega de profissão, Roberto Lima, 41, estão no pavilhão desde a última terça-feira, encarregadores de reparar os danos causados pelo cortejo.

Diferentemente da sua colega, Roberto não tem muito apreço pela festividade e considera a atividade como outra qualquer. “Nem saio de casa. Não sou muito apegado a isso”.

O cortejo do último ano rendeu muitas fraturas, ou melhor craquelês - como são chamadas as rachaduras - principalmente para a Cabocla, que chegou ao local com várias fissuras nas pernas e nos braços. O caboclo estava melhor estado, apesar da quantidade de fissuras ter sido maior. Ele foi atingido nos ombros, pernas e cabeça.

A restauradora só deixa o Pavilhão hoje, quando outra equipe fica responsável por vestir os caboclos para festa. Mas a relação com as imagens, vai além da profissional. “São várias pessoas que interrompem os nosso trabalho pedindo para chegar perto das peças, seja para tocá-los, deixar um bilhete de agradecimento ou simplesmente para apreciar. Não tem como resistir é muito emociante”, conta. Ela só volta a vê-los no domingo, quando, com emoção, chora ao ver as imagens sendo reverenciadas pela população “Faz parte da fé do baiano e eu como uma legítima não poderia deixar de ter”.

 

Fonte: Ascom Secult/Correio/Municipios Baianos

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