04/07/2017

Fenômeno volta a ocasionar chuvas fortes, no Nordeste

 

As cidades do Ceará registraram chuvas de até 144 milímetros neste domingo (2), de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).  As chuvas fortes fora do período chuvoso no estado - entre fevereiro e maio - são incomuns e causadas por áreas de instabilidade vindas do leste do Nordeste brasileiro chamadas "cavado de altos níveis". A precipitação mais forte ocorreu na cidade de Granja, de 144 milímetros, a maior precipitação do estado nos últimos dois meses. Houve chuvas volumosas também em Itarema (68 milímetros), Ubajara (61), Quixadá (60) e Itaiçaba (52). No total, choveu em 55 das 184 cidades do Ceará, principalmente na região Norte, litoral e cidades do Oeste do estado.

A previsão da Funceme para os próximos dias é de mais chuva no início desta semana. Na segunda-feira (3), entre a madrugada e a manhã, deve ocorrer nebulosidade variável com possibilidade de chuva no litoral. No decorrer do dia, céu parcialmente nublado na região. A previsão na mesma região e no mesmo horário se mantém para a terça-feira (4), de acordo com a Funceme.

Chuvas dos últimos dias fazem 33 famílias deixarem as casas em Paripueira, AL

Após três dias de fortes chuvas em Paripueira, no Litoral Norte de Alagoas, o número de famílias que tiveram que deixar as casas chegou a 33, segundo informou a prefeitura neste domingo (2). Equipes trabalham no resgate e socorro às vítimas, e a Defesa Civil Municipal continua em alerta por causa dos riscos de deslizamentos ou alagamentos. Só na última sexta-feira (30), oito casas foram atingidas por deslizamentos de terra no município. A prefeitura lembra que esse número é flutuante, já que, passado o risco, as famílias desalojadas podem voltar para as suas casas. As famílias desabrigadas, que perderam as casas e não têm mais para onde ir, são cadastradas para receber aluguel social, uma ajuda financeira temporária para locação de outra moradia. Do total de famílias atingidas nos últimos dias, cinco foram cadastradas para o aluguel social. Elas se juntam a outras cinco famílias que estão na mesma situação desde o início do período de chuvas, no final de maio. Algumas das vítimas procuraram abrigo na casa de parentes, enquanto outras foram encaminhadas para o Ginásio de Esportes da cidade. “Todos estão recebendo atendimento médico, cestas básicas, quentinhas, água e a atenção devida do poder público”, informou o prefeito de Paripueira, Haroldo Nascimento (PSDB).

Segundo Nascimento, aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade estão sendo realocados. “O mais importante no momento é salvar vidas e garantir total assistência a quem ficou desalojado ou desabrigado”, disse o prefeito.

Haroldo também assegurou que todas as providências estão sendo tomadas desde o primeiro momento para evitar tragédias e enfrentar os transtornos. A força-tarefa está formada por servidores e gestores da Defesa Civil e das Secretarias de Saúde, Educação, Assistência Social, Obras e do Gabinete do Prefeito.

Cabo de Santo Agostinho registra mais de um terço da chuva esperada para julho em um dia

O município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, amanheceu debaixo d'água. Ruas e avenidas registraram alagamentos neste sábado (1º). De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), a cidade foi onde mais choveu no estado nas últimas 24 horas, registrando mais de um terço do previsto para o mês de julho em um dia apenas. A estação Charneca foi onde mais se registrou o acúmulo de água. Até as 13h30, choveu aproximadamente 118 milímetros no acumulado de 24 horas. O esperado para o mês é 284,2 milímetros. Ou seja, choveu 41,5% do previsto para julho em apenas um dia. Nas imagens envidas para o WhatsApp da TV Globo é possível ver carros e moradores com dificuldade para circular pela cidade. Nos bairros de Sapucaia e Ponte dos Carvalhos, a quantidade de água era tanta que as ruas mais pareciam rios. Na sexta-feira (30), a Apac havia prolongado o aviso de chuvas fortes a moderadas para três regiões do estado até as 17h deste sábado. A previsão indica continuidade das chuvas com intensidade moderada e ocasionalmente forte na Mata Norte, Região Metropolitana do Recife e Mata Sul.

Transtornos

As chuvas causaram transtornos também em Ipojuca, cidade vizinha ao Cabo de Santo Agostinho. O nível do Rio Arimbi subiu e alagou a estação de bombeamento de água, interrompendo assim o funcionamento da estação e o abastencimento das praias de Porto de Galinhas, Muro Alto e Maracaípe. Ainda não tem previsão do retorno do serviço.

Nordeste terá volume tão grande de chuvas que vai modificar até a geografia, dizem pesquisadores da USP

“O Sertão vai virar mar… Dá no coração, o medo que algum dia o mar também vire Sertão”. A segunda parte do refrão já aconteceu em várias localidades do Nordeste, onde rios viraram poeira. A primeira e mais improvável, pode não ser tão improvável assim e se tornar realidade nas próximas décadas, de acordo com a previsão de estudiosos sobre prognósticos do clima a médio e longo prazo. Após sofrer por várias décadas com a seca, o Nordeste brasileiro pode ir para o outro extremo e sofrer com excesso de chuvas, que começariam em 30 anos, de acordo com as previsões.

De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), ao Correio Online, chuvas torrenciais trarão um volume de água tão grande, a ponto de modificar a geografia nordestina, eliminando espécies e fazendo surgir novas fauna e flora. O desastre ambiental será provocado pela ação do homem, que resulta em emissão de gases do efeito estufa em atlas concentrações e desequilibram o clima no planeta. O resultado disso é que as correntes marinhas irão reduzir em até 44% sua intensidade, provocando super aquecimento das águas do Atlântico, nas imediações da região Nordeste, produzindo maior evaporação e formação de chuvas em excesso.

“O aquecimento global vai arrefecer as correntes marinhas de duas formas. Uma delas é intensificando as chuvas nas altas latitudes do Atlântico Norte, onde as águas precisam ser mais densas para afundar e retornar ao Sul, realimentando as correntes. Se chove muito, reduz a salinidade da água e consequentemente sua densidade, dificultado o afundamento. A outra forma é derretendo as calotas de gelo sobre a Groenlândia, liberando água doce e também reduzindo a salinidade da água, exatamente nos sítios de formação das águas profundas, onde as correntes marinhas fazem o retorno”, explicou o professor de Ciências da USP, Cristiano Chiessi, coordenador da pesquisa que estuda os efeitos da redução das correntes marinhas.

La Niña chega nos próximos meses com muita chuva para a região

É provável que o fenômeno La Niña seja verificado durante o verão do Hemisfério Norte, continuando no outono, afirmou nesta sexta-feira (10/6), a Agência Meteorológica do Japão. Com os efeitos do El Niño se dissipando durante a primavera, as temperaturas abaixo da superfície no Oceano Pacífico caíram no mês de maio e a expectativa do departamento é que o resfriamento também atinja a porção oeste do Pacífico nos próximos meses. “A tendência de temperaturas mais frias que o normal deverá ser verificada na parte central e oeste do Pacífico Equatorial”, aponta agência japonesa.

O La Niña influencia na agricultura. Tradicionalmente provoca condições mais secas em regiões dos Estados Unidos e da América do Sul, enquanto a região Ásia-Pacífico e América Central sofrem de chuvas acima do comum. O fenômeno também aumenta as chances de ciclones tropicais no Pacífico. No Brasil, pode levar um volume maior de chuvas ao Nordeste, temperaturas abaixo do normal para o verão na região Sudeste e seca na região Sul do país.

Excesso de chuvas no Nordeste pode garantir água por dois anos

O excesso de chuvas que hoje causa danos à população do Nordeste pode também significar garantia de água para os próximos dois anos nas áreas abastecidas pelos grandes reservatórios da região. Esta é uma das conclusões do relatório sobre o panorama dos recursos hídricos no Brasil apresentado pela Agência Nacional de Águas - ANA hoje pela manhã, na reunião do Grupo Interministerial criado para acompanhar a evolução das chuvas nas regiões de risco. Segundo dados da ANA, reservatórios como o de Orós e Banabuiú, no Ceará, Armando Ribeiro Gonçalves e Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, Curemas Mãe DÁgua e Epitácio Pessoa, na Paraíba, Jucazinho e Eng. Francisco Sabóia, em Pernambuco, estão com sua capacidade máxima de acumulação. Orós não enchia há 15 anos, afirmou o engenheiro Joaquim Gondim, da Superintendência de Usos Múltiplos da ANA.

Na bacia do São Francisco as chuvas se concentraram depois das represas de Três Maria e Sobradinho, principais reservatórios de regularização da bacia. Isto fez com que não houvesse, até agora, um aumento significativo no volume armazenado para geração de energia elétrica. Segundo dados deste relatório, em outros estados, a situação também continua preocupante. No Piauí, a capital Teresina, enfrentou uma das piores enchentes do rio Poti. No rio Parnaíba, a vazão liberada pelo reservatório Boa Esperança foi reduzida de 1.900 m3/s para 1.750 m3/s. A recomendação do relatório, entretanto, é que a Defesa Civil e a população devem permanecer atentas, em especial no trecho abaixo de Boa Esperança.

No Ceará, na cidade de Fortaleza, registrou-se a maior chuva diária desde 1910. O açude do Castanhão, recém concluído, localizado no município de Alto Santo, está retendo um grande volume de água e evitando a cheia na região do baixo Jaguaribe. Em Pernambuco, o rio Ipojuca também apresentou grande cheia. As regiões mais afetadas foram as cidades de Caruaru e Bezerros. Na Paraíba, os reservatórios Epitácio Pessoa e Acauã estão vertendo, provocando transtornos na região. O cenário de risco nos reservatórios isolados de menor porte ainda persiste e, de modo geral, eles estão com as suas capacidades de armazenamento esgotadas. As próximass chuvas provocarão aumento do nível da água vertida. Por isto o relatório continua recomendando especial atenção. O rio Araguaia-Tocantins apresenta uma vazão de 33.mil m³/s, em Tucuruí, exigindo, segundo os técnicos da ANA, estado de alerta na região. Algumas cidades da bacia já apresentam problemas, como Marabá e Imperatriz.

Nas áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, o panorama continua preocupante. As chuvas que caem não estão alimentando os principais reservatórios que abastecem as duas cidades. É o caso do sistema Cantareira, responsável pela água que abastece cerca de 48% da população de São Paulo, e do sistema Paraíba do Sul, que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro.

Barragens subterrâneas mudam cenário de seca no interior do RN

A construção de barragens subterrâneas tem mudado o cenário de seca em algumas regiões do Rio Grande do Norte. Na região do Trairí, propriedades de 12 municípios já receberam a tecnologia. De acordo com o subcoordenador de agroecologia da Emater, Alexandre Confessor, até agora 254 barragens já foram construídas na região com recursos do Ministério de Desenvolvimento Social. A tecnologia consiste na colocação de uma lona para realizar o barramento da água abaixo da superfície. Assim, mesmo com pouca chuva, a terra se mantém úmida por mais tempo garantindo a saúde do solo.

Em São Bento do Trairí, por exemplo, no inverno deste ano choveu menos de 200 milímetros, mas em algumas áreas a produção de frutas e verduras não foi afetada por causa das barragens subterrâneas. O agricultor José Nunes escolheu culturas de ciclo curto para produzir como alface, pimentão, maracujá. “São produções mais rápidas, em 30 dias já dão um retorno”, disse. Para ele, após a instalação da barragem subterrânea a situação melhorou bastante. No município de Campo Redondo, um dos beneficiados com a barragem subterrânea é o agricultor Francisco das Chagas que tem 6 hectares de área plantada. “Com isso tudo a gente busca evitar o êxodo rural. Aqui, com um trabalho desse a gente tem a consciência que consegue firmar o homem na sua unidade produtiva”, explicou Alexandre Confessor.

 

Fonte: G1/Correio Online/Ascom MMA/Municipios Baianos

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