07/07/2017

Salvador: Após 11 anos em reforma, Igreja de Sant’Ana renasce

 

No bairro de Nazaré, logo atrás do Campo da Pólvora, se esconde um tesouro histórico e artístico. A Igreja do Santíssimo Sacramento e Sant’Ana, construída em 1747 e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é uma daquelas construções erguidas em Salvador pelas quais muita gente passa todos os dias, mas desconhece a história guardada ali.

Depois de passar por uma reforma que durou 11 anos, a Igreja de Sant'Ana, em Nazaré, tem reinauguração marcada para o próximo dia 20, às 20h. Sexta paróquia erguida em Salvador, em 1747, a igreja é o primeiro templo religioso católico construído com mão de obra genuína brasileira.

Até pouco tempo irreconhecível, em vias de ir ao chão devido a infiltrações nas paredes, colônias de cupins e falta de forro, hoje a igreja pode exibir a riqueza das obras assinadas por artistas como o baiano Antônio Joaquim Franco Velasco, José Rodrigues Nunes e José da Costa Andrade.

A restauração total da igreja só foi possível após um investimento de quase R$ 9 milhões em recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), somados à colaboração da empresa Global Participação em Energia e à mobilização por parte dos paroquianos para arrecadar fundos.

O projeto de recuperação  foi cedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A igreja foi modernizada com elevador, iluminação cênica, climatização, banheiros, sem perder as características originais, que mesclam barroco com neoclássico.

História

A Igreja foi a primeira obra do tipo realmente brasileira por aqui - foi concebida por um mestre brasileiro, o pintor baiano Franco Velasco. Localizada no Centro Histórico da cidade, deu abrigo pela Independência do Brasil na Bahia, ocorrida em 1823.

Lá, também, estão os restos mortais de Maria Quitéria, heroína baiana da Independência, e do Padre Roma, que veio à Bahia como embaixador da Revolução Pernambucana de 1817. Além disso, foi lá que Irmã Dulce recebeu o chamado para a sua vocação.

O templo foi concebido no estilo barroco, mas remodelado para o estilo neoclássico ainda no século XIX. Do Barroco, pouco restou: apenas detalhes das escadarias. “O Barroco era considerado o estilo da colônia e o Neoclássico, do Império”, explica o restaurador responsável pela recuperação, José Dirson Argolo.

Fechada

Responsável pela paróquia, o padre Abel Pinheiro lembrou que o estado deplorável da igreja fez a Defesa Civil condenar o prédio, após o forro desabar, em 2005.

“Chegamos a ficar fechados por dois anos, o que só fazia afastar a comunidade”, lamentou o padre.

De acordo com Pinheiro, nos anos seguintes a igreja passou a funcionar parcialmente, quando chegou a haver celebrações de casamentos na sacristia, onde cabiam 120 pessoas. “Ficamos com muitas limitações, mas não podíamos esperar a reforma terminar”, disse.

Depois de passar pelas provações, padre Abel anseia pela devolução da vida à igreja, que abriga os restos mortais da heroína da Independência da Bahia Maria Quitéria.

“Quero que a igreja se torne um espaço acolhedor para os eventos da comunidade, como batismos, casamentos e missas”, deseja.

Recuperação

 Esse tesouro histórico e artístico passou por uma requalificação quase geral: 90% do interior precisou ser restaurado. A ação do tempo, dos cupins, a umidade e a falta de dinheiro para a devida conservação levou a igreja quase às ruínas. “Era um paciente em estado quase terminal. Essa igreja é como uma fênix: renasceu das cinzas”, diz Argolo.

Por conta do risco de desabamento, a igreja foi interditada em 2005, quando uma parte do fundo caiu durante uma celebração. O telhado foi recuperado com recursos emergenciais liberados pelo Iphan, somados a recursos do Fundo de Cultura, do governo do Estado e ajuda da comunidade.

Foi nessa época que começou o Movimento Salve Sant’Ana, sob a liderança do Padre Abel Pinheiro, para recuperar a igreja. Uma campanha conseguiu arrecadar dinheiro para restaurar dois altares laterais e a sacristia.

Mas os esforços do Padre Abel e da comunidade paroquial foram mais longe e eles conseguiram financiamento para custear a recuperação total do templo. A primeira etapa da restauração começou em 2009, com a liberação de R$ 2,7 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com esse dinheiro foi feita a parte estrutural, como estabilização de paredes, troca de fiação elétrica, instalações hidráulicas, implantação de um elevador e sanitários.

Em 2014 foram liberados mais R$ 5,4 milhões que, somados a uma doação privada, da Global Participações e Energia, possibilitaram o restante da reforma, com a desmontagem de estruturas em madeira, recuperação de telas e o douramento feito com 50 mil folhas de ouro trazidas diretamente da Itália.

A reforma levou onze anos para ser concluída não só por causa da sua complexidade, altares e estruturas de madeira que precisaram ser completamente desmontados para a realização do restauro. “Não havia recursos em volume suficiente que fossem liberados de uma vez só”, explica o restaurador José Dirson Argolo.

Onze anos depois da chegada do Padre Abel de Feira de Santana a Salvador para assumir temporariamente a responsabilidade pela Igreja ele diz que se sente aliviado e com a sensação de dever cumprido. “É uma sensação de gratidão que vem do fundo da alma, de graça alcançada”, diz.

Responsável pelo projeto artístico da igreja, o restaurador José Dirson Argolo conta que o trabalho de recuperação envolveu uma equipe com 45 profissionais. Além dos quadros, foram restauradas 20 imagens sacras, além de dois altares.

Ao iniciar os trabalhos, Argolo constatou que a pintura original do medalhão que ornamentava o forro da nave estava coberta por outras camadas de tinta de restaurações anteriores.

“As pinturas estavam rasgadas, com os vernizes oxidados, comidas por cupins, o que não permitia fazer a leitura das telas (de 11 painéis)”, avaliou. “Restabelecemos a originalidade das obras”, festejou Argolo.

Arquiteto

À frente da reforma civil, o arquiteto Luiz Humberto Carvalho diz que o projeto foi pensado para dar utilidade a todos os espaços dos três pavimentos: “A igreja decaiu por falta de uso dos espaços, todos fechados”.

Devido à relevância arquitetônica, histórica e cultural, ele prossegue, pensa-se em incluir a igreja na rota do turismo religioso. “É preciso estudar como viabilizar, até por causa das limitações de pessoal e de localização”, pondera o arquiteto.

O engenheiro Thales de Azevedo Filho, responsável pelo projeto elétrico, diz que o modelo da nova iluminação enfatiza as quatro partes principais da liturgia: rito de entrada, rito da palavra,  eucaristia e rito final. “Com isso, a gente pode criar cenas ao longo das celebrações”, pontua.

* O que faz parte da história da Igreja de Sant’Ana

- É a primeira  obra realmente brasileira, concebida pelo mestre e pintor baiano Franco Velasco

- Possui  uma imagem de São Benedito, que tinha sido quebrada em mais de 70 pedaços em 2007, após ser recuperada pela comunidade

- Abrigou  reuniões de líderes que lutavam pela Independência do Brasil na Bahia  

- Maria Quitéria, heroína da Independência,  teve  funeral e foi enterrada no cemitério da igreja

- Frequentada por Irmã Dulce, onde ela teria recebido o ‘chamado’ para a vida religiosa

- Padre Roma,  um dos líderes da Revolução Pernambucana, está enterrado lá

- O forro  da nave central tem agora a pintura original, que tinha sido coberta

- Telas  espalhadas pela igreja, que estavam danificadas, foram recuperadas

- Possui  mais de 20 imagens sacras do século XVIII

- Estilos  barroco e neoclássico estão misturados pela igreja de 1747

Após 70 anos em desuso, órgão de tubos da Basílica do Bonfim tocará

Após passar por uma restauração desde dezembro de 2015, sob os cuidados de Daniel Rigatto, o Órgão de Tubos de fabricação francesado século XIX da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim será reinaugurado no dia 08 de julho, às 18h, com a presença do bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Gilson Andrade da Silva, e autoridades do cenário cultural e político da Bahia.

Com alegria, o reitor da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, padre Edson Menezes da Silva, falou sobre a importância da reinauguração. “Há aproximadamente 70 anos o Órgão de Tubos da Igreja do Senhor do Bonfim estava em silêncio. Agora, depois de um longo processo de restauração, voltará a tocar. Estamos devolvendo aos fiéis e ao povo baiano um belo e tradicional instrumento musical, que tornará as Celebrações Eucarísticas mais solenes e festivas, como também podemos a partir de agora programar alguns concertos e isso deixará nossa programação cultural mais rica. Agradecemos ao Senhor do Bonfim por esse presente!”, disse.

A reinauguração faz parte das comemorações dos 263 anos da Basílica, ocorrido no dia 24 de junho, como assim destaca o juiz da Devoção do Senhor do Bonfim, Francisco José Pitanga Bastos. “Nesses 263 anos da nossa Basílica, a Devoção do Senhor do Bonfim, ao restaurar esse importante instrumento musical, evidentemente está dando um presente ao povo da Bahia, quer seja católico ou de outra religião. Um presente que envolve a cultura e a religiosidade e que reintegra a nossa Igreja do Bonfim como um centro difusor da cultura do Estado da Bahia e do Brasil”, afirmou.

Francisco Pitanga também frisou a qualidade que tem a Basílica do Bonfim em possuir um rico acervo de peças de arte. “Nossa Basílica é um repositório de arte religiosa e popular, além de ser um santuário em que se guarda, envolta na tradição, o que de mais emocional e autêntico existe na alma da gente baiana. No Bonfim há muito para ser mostrado ao forasteiro, assim como ao próprio filho da terra que ainda não tenha tido a oportunidade de apreciar com indispensável vagar relíquias e peças de valor existentes na Basílica. Entre elas podemos apontar o nosso Órgão de Tubos Franceses”, disse.

O instrumento chegou à Basílica Santuário do Senhor do Bonfim em 1854, pelas mãos de Feliciana Maria de Britto Lopes Alves e é um dos poucos na Bahia desse modelo. A peçapossui 430 cm de altura e 224 cm de largura. Devido à ação do tempo e de cupins, deixou de funcionar.

O Maestro e Organista Francisco Rufino, que iniciou seus trabalhos à frente do coral da Basílica do Bonfim em 1972, explica a estrutura do instrumento. “É composto por flautas, metais e tubos. Tem o fole, que hoje é mecânico, produzido por um ventilador, responsável por fabricar o ar. Esse ar é distribuído e passa por tubulações, em uma engenharia quase que perfeita, digamos assim. É então composto de jogos, com trompetes, viola de gamba, flautas, clarineta, enfim, tem uma série de sons de instrumento dentro do próprio órgão, para que componha tudo isso que chamamos de órgão de tubos”. Francisco também explica a diferença entre organista e organeiro. “Organeiro é o construtor do órgão e o organista é o que executa, que toca as peças do órgão”.

A expectativa para a reinauguração é muito grande, pois é um momento histórico para a Basílica do Bonfim, que com o órgão haverá a oportunidade de ter ainda mais musicalidade e alegria nas celebrações. “Para a cultura da Bahia tem uma importância primordial porque todos vão ter a possibilidade de ouvir aqui no Bonfim,nas nossas principais celebrações, um órgão desse porte com 290 tubos. Para a nossa Basílica tem um significado muito especial”, declarou Francisco Rufino. Para o dia da reinauguração do instrumento a programação contará com uma Missa, às 17h, logo após Dom Gilson dará uma bênção específica para o órgão e depois FranciscoRufino tocará a peça célebre do órgão, que é o Hino do Senhor do Bonfim.

  • Serviço:

O quê: Reinauguração do Órgão de Tubos de fabricação francesa da Basílica Santuário do Senhor do Bonfim

Quando: 08 de julho de 2017, às 18h

Onde: Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, Praça Sr. do Bonfim, s/n – Bonfim, Cep: 40425-360, Salvador – BA

 

Fonte: A Tarde/Bahia Já/Municipios Baianos

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