09/07/2017

Bahia: Cesta do Povo demite 1.500 e vai fechar as portas

 

R$ 300 milhões em dívidas, 1.500 demitidos e um prejuízo emocional e financeiro para os trabalhadores. "Cinco já morreram de infarto por conta da demissão. Muitos perderam plano de saúde. A situação está crítica", afirmou o presidente da  Associação Baiana de Trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo (Abtec), Francis Tavares.

Segundo ele, a Cesta do Povo, criada em 1979, passou por graves problemas de gestão, o que desencadeou uma crise sem precedentes. Ele revela que, em 2015, houve a possibilidade da compra da Cesta pelo grupo Cencosud, ação que não foi executada já que o sistema financeiro de Nova York proibiu a aquisição. "Deixamos de vender barato, de comparar os peços do mercado e monitorar a economia dos municípios. Hoje, quem vai querer pagar uma dívida de R$ 300 milhões avaliada em 2016,  com fornecedores e passivos trabalhistas? Os funcionários estão há dois anos sem receber reajuste salarial e o governo não assinou a convenção coletiva", ressaltou Francis.

Em 2 de outubro de 2015, um decreto foi assinado pelo governador Rui Costa (PT), dando seguimento ao processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos S/A (Ebal). No documento, o governador aprova "a avaliação econômico-financeira atribuída à Ebal nos termos do relatório conclusivo elaborado, com base em estudos de consultoria especializada".

O Tribunal de  Contas do Estado (TCE) calculou um rombo acumulado na Ebal de, pelo menos, R$ 381,8 milhões no governo de Jaques Wagner. O valor corresponde à soma dos repasses feitos pelo Estado entre os anos de 2007 e 2014 apenas para manter a Ebal em funcionamento.

 Única rede de supermercados estatal no Brasil, o empreendimento tinha acumulado um prejuízo de R$ 750 milhões. No ano passado, a situação piorou e a Empresa Bahiana de Alimentos – Ebal, controladora da Cesta do Povo, amargou uma perda de R$ 158,1 milhões. O leilão público proposto pelo governo possuía uma cláusula que permita a absorção de um percentual mínimo de funcionários pelos novos empreendedores, mas a estrutura de 276 lojas e 2.769 funcionários em 229 municípios, não despertou o interesse de nenhum comprador para o lance mínimo exigido para a venda na época, R$ 81 milhões.

"Quero que a Cesta do Povo seja liquidada, mas que haja recolocação no mercado dos concursados. 1.200 estão na ativa, mas precisamos da reintegração, além de garantir o plano de saúde para todos. Isso aconteceu com a EBDA. Os concursados foram relocados para a Fundação Luís Eduardo Magalhães e para a recente Bahiater", explicou.

Tavares compara ainda a situação da Cesta do povo com a do Hospital Espanhol. "A Cesta do Povo pode sim fechar as portas. Queremos garantir os direitos com as vendas do bens", afirmou, alegando que há mais de mil processos trabalhistas em andamento. Uma reunião está marcada na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) para discutir a situação.

Leilão remarcado

Pensando na garantia dos direitos dos trabalhadores, a Associação entrou com uma ação no Ministério Público contra um leilão de bens, marcado para o próximo dia 11. "O leilão é sobre os bens da Ebal, no valor mínimo de R$ 2 milhões. A Ebal contratou um leiloeiro e não publicaram um edital com uma justificativa prévia para que seria este leilão. Tive a informação de que este dinheiro seria para financiar novas demissões", relatou o presidente da Abtec.

Com isso, o MP fez a recomendação à Ebal, que desmarcou o leilão. De acordo com Francis, ainda não há uma nova data marcada. A reportagem tentou falar com a assessoria da Secretária de Desenvolvimento Econômico (SDE), cuja gestão atual é do ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner, mas as ligações, bem como as mensagens, não tiveram êxito até o fechamento desta matéria.

Em maio deste ano, em nota ao BNews, a SDE afirmou que o plano ainda é privatizar a Cesta do Povo, no entanto, não há uma data prevista para a realização de um novo leilão do órgão. 

Bahia amplia negócios na área aeronáutica com grupo francês Safran

Foi assinado neste sexta-feira (07/07), no Rio de Janeiro, acordo de cooperação entre a Safran e o Senai Cimatec para o desenvolvimento de gestão de ferramentaria na área aeronáutica com uso de chips fornecidos pela instituição baiana. O grupo francês aumentará o rol de parceiros do Cimatec e sinaliza a possibilidade de novos negócios, a exemplo da implantação de uma fábrica de eletrônicos no futuro.

Paulo Guimarães, Superintendente de Promoção do Investimento, que esteve presente durante assinatura do documento aproveitou a oportunidade para apresentar as oportunidades da Bahia. "A Safran gostou do que foi apresentado e o acordo com o Cimatec reforça nossas possibilidades de atrair a unidade fabril para a Bahia. Nas próximas semanas, o CEO Philippe Petitcolin irá a Salvador conhecer melhor as condições oferecidas pelo Estado", afirma.

"A visita foi muito interessante, está bem alinhado com o plano de inovação Safran 2020. Nós identificamos bastante oportunidades de trabalho em conjunto. O próximo passo é a visita da nossa diretoria de operações ao Senai Cimatec para priorização de projetos para iniciar o intercâmbio de dados e informações", afirma Luís Carlos Cravo, Diretor de Marketing, Vendas & Suporte de Clientes da Safran.

Cortes no orçamento atingem áreas sociais do governo

A interrupção do fornecimento de passaportes e a redução da fiscalização em rodovias não são as únicas áreas sensíveis impactadas pelos cortes do Orçamento. Setores e ações considerados emblemáticos pelo alcance social e a urgência também estão sendo impactados em várias lugares da Esplanada.  O valor gasto pelo Incra com indenização de imóveis em territórios quilombolas, por exemplo, caiu de R$ 13,2 milhões para 2014 para R$ 3,5 milhões no ano de 2017. Para reconhecimento dos territórios, o valor caiu de R$ 3,4 milhões para R$ 1,3 milhão.

"A situação é gravíssima, o Incra está paralisado, e os conflitos nesses territórios podem se agravar", disse o presidente da organização não governamental Conaq, coordenação nacional de quilombolas, Denildo Rodrigues de Moraes, o Biko. Uma das áreas mais sensíveis na União é a de monitoramento e fiscalização de terras ocupadas por índios isolados na região amazônica. Há 54 registros de grupos isolados no país, com 20 casos confirmados e mais seis povos de contato recente. Para toda a tarefa, a Funai conta com apenas 113 servidores.

O orçamento para o setor desabou, e a Funai reduziu expedições para checagem da segurança dos índios. A previsão orçamentária com as frentes desabou de R$ 4 milhões, em 2016, para apenas R$ 1,9 milhão, em 2017. Uma das razões apresentadas pelo então presidente da Funai, Toninho Costa, para pedir demissão do cargo em abril foi justamente a queda dos gastos com essas frentes.

"Se não houver aporte financeiro, ações prioritárias na proteção dos índios isolados ficarão comprometidas, o que pode levar a consequências trágicas", disse Costa nesta sexta (7). A escassez de dinheiro atinge também atividades de agências reguladoras, como fiscalização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e da ANA (Agência Nacional de Águas).

O aperto no Orçamento compromete igualmente a atividade diária de universidades e institutos de educação federais — a reportagem falou com duas entidades (a Universidade Federal de Campina Grande e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul), que afirmam que só possuem recursos para pagar contas de energia, água, telefone e vigilância até outubro. Na saúde, o problema mais grave apareceu nos seis hospitais da rede federal, no Rio. Segundo o procurador Daniel Macedo, mais 600 profissionais (entre médicos e enfermeiros) com contratos temporários estão sendo desligados. No Hospital de Ipanema, as cirurgias foram paralisadas.

OUTRO LADO

O Ministério da Justiça não se manifestou. O Incra disse que executa as ações conforme o orçamento de que dispõe. A ANA disse que tem procurado as polícias ambientais dos governos estaduais para continuar garantindo as ações de fiscalização. A Anatel informou que passará a fazer uma fiscalização seletiva, cuja prioridade será a verificação de possíveis interferências em aeródromos que possam colocar em risco a segurança do tráfego aéreo. O Ministério da Educação informou que R$ 347 milhões foram liberados neste mês para as universidades e institutos federais. O Ministério da Saúde disse que os pacientes do Ipanema estão sendo direcionados.

Delator diz que Geddel cobrou propina para liberar crédito da Caixa para J&F

Durante sua passagem pela Vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff, Geddel Vieira Lima era conhecido por ser solícito nos pedidos de amigos para liberação de crédito no banco. De acordo com o delator Lúcio Funaro, numa dessas negociatas, Geddel pediu propina ao empresário Joesley Batista para liberar um empréstimo de R$ 2,7 bilhões. Batista queria a operação de crédito para comprar a Alpargatas.

Em seu depoimento prestado à Polícia Federal no dia 14 de junho, Funaro contou que Geddel pediu propina no montante de R$ 80 milhões para liberar o pedido de Joesley Batista.

Funaro se encontra preso na Operação Lava Jato e era considerado um dos principais operadores financeiros nos esquemas de corrupção do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Geddel também está preso desde o último dia 3 no âmbito da Operação Cui Bono.

De acordo com o portal Uol, na busca pelo fechamento do acordo de delação com o Ministério Público Federal, Funaro diz que irá apresentar detalhar e provas destas e de outras acusações.

 

Fonte: BNews/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!