09/07/2017

Cachoeira: Após calote, festa da Boa Morte pode não acontecer

 

A tradicional festa da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira, está ameaçada de não acontecer este ano. Até hoje, a Bahitursa não pagou os R$ 70 mil destinados à edição de 2016.

Para completar, o órgão de turismo do estado, até o momento, não respondeu à organização se vai patrocinar a edição deste ano. De acordo com os organizadores da festa religiosa, que está no calendário de festas da Bahia e acontece em agosto, esse dinheiro é para arcar com os custos de contratação de banda, orquestra, filarmônica, transporte, alimentação e pintura do casarão, dentre outras pequenas despesas.

Bahitursa reconhece a pendência

Segundo o diretor-superintendente do órgão, Diogo Medrado, a dívida foi passada para a Secretaria da Fazenda que, segundo ele, está providenciando a quitação.

A Sefaz, por sua vez, informou à coluna, através de sua assessoria de comunicação, que não recebeu essa demanda da Bahiatursa e que o órgão tem autonomia para realizar o pagamento.

Enquanto segue o jogo de empurra, a comunidade tenta buscar outras alternativas para não deixar a festa, que é tombado como patrimônio imaterial do estado, acabar.

Esta semana, segundo o organizador dos festejos, Jomar Lima da Conceição, o secretário José Alves, da Secretaria de Turismo, teria acenado com o aporte de recursos para garantir a festa. Não conseguimos confirmar a informação. Certo é que, até lá, muita água vai rolar.

A 'última cafetina': História de 'lenda viva' lota o brega de Cachoeira

A história da “última cafetina” de Cachoeira, no Recôncavo, levou pesquisadores e até quem nunca tinha frequentado “uma casa de tolerância” a entrar no “Brega de Cabeluda”, como é conhecida a casa de número 12 na Rua Sete de Setembro.

O fato ocorreu na última terça-feira (5), e o motivo era a defesa da dissertação de mestrado de Gleysa Teixeira. Formada em história pela UFRB e agora mestre em ciências sociais, a pesquisadora decidiu contar sobre uma das lendas vivas da cidade.

“Minha ideia era dar visibilidade à história de Cabeluda, que faz parte dessas mulheres estigmatizadas, marginalizadas e excluídas”, conta Teixeira.

A historiadora disse que, apesar de sofrer na pele o peso do preconceito, “Cabeluda” conseguiu ser um exemplo de “empoderamento”, palavra associada à afirmação feminina.

“Ela conseguiu sobreviver e se manter e, apesar do patriarcado, fez um nome na sociedade. Ela é praticamente uma lenda viva da cidade”, relata.

Para a também professora, o fato de apresentar o trabalho no “brega” também serviu para descontruir e tirar o véu negativo do lugar.

“Na minha infância ouvi muito as pessoas falarem, ‘ah, mulher direita não pode andar na rua do brega’, e muita gente não passava mesmo. Eu sei que existem questões atuais que envolvem crimes em alguns lugares. Mas a gente também tem que quebrar estas visões estereotipadas. Porque o exemplo de Cabeluda é de empoderamento. Não há relato de que ela explorava as mulheres”, argumenta.

A prostituição é discutida por Gleysa sem tabu.

“É um debate que divide as feministas. Existe uma ala que vê prostituição como exploração do corpo da mulher, mas tem outro ala que diz que a mulher é dono do próprio corpo e pode fazer dele o que bem entender. Agora, ela não pode se submeter a uma exploração. Eu tenho uma opinião que o ser humano tem desejo, vontade, e da mesma forma que ele compra algo para se satisfazer, o sexo também pode ser pago”, discute.

Apesar de se sentir “assustada” com a repercussão do estudo, Gleysa diz que a resposta da comunidade foi gratificante. “Confesso que estava com medo da repercussão, mas não era em relação a críticas, como ‘ah, porque foi estudar o brega’, não era isso. Eu estava assustada por não poder dar conta, mas houve uma grande aceitação”, revela.

Conhecida pelo nome de “Heroica”, pela consolidação da independência do Brasil, em 1823, Cachoeira, na visão de Gleysa Teixeira, pode fazer mais ao inscrever gente como Cabeluda no tempo oficial.

“A historiografia local de Cachoeira foi sempre contada a partir dos feitos heroicos, das figuras ilustres, da escravidão, dos terreiros de candomblé, da Boa Morte, que são importantes, mas chegou a hora de a gente entender que a rede de prostituição de Cachoeira precisa ser olhada de forma diferenciada porque fez parte do cotidiano”, completa a autora do trabalho “Uma história de Cabeluda, mulher, mãe e cafetina”.

Aos 73 anos, a própria Cabeluda assistiu à apresentação da dissertação na última terça.

Volta a Camaçari a maior Feira da América Latina á 25 de Março e do Brás

A tão conhecida e famosa feira da 25 de Março e do Brás de São Paulo, está no município de Camaçari. Durante os dias 07 (sexta), 08 (sábado), 09 (domingo), 10 (segunda-feira) e 11 (terça) de julho, a feira vai funcionar no Espaço Karrapixo, sempre das 08h às 21h.

O referido comércio itinerante é bem conhecido pela variedade de produtos e preços das mercadorias oferecidas. A feira do Brás permanecerá aberta ao público com as seguintes opções disponíveis: roupas femininas, masculinas, moda infantil, acessórios, sapatos, tênis, roupas indianas, eletrônicos, bijuterias, relógios e muito mais.

Os responsáveis pelo evento garantem que a feira na cidade será um grande sucesso e uma oportunidade imperdível para fazer compras neste período de crise.

A feira está preparada para atender todos os lojistas, sacoleiras e aqueles que desejam fazer um bom negócio, com preços imbatíveis.

 

Fonte: Por Ronaldo Jacobina, no Correio/BN/Camaçari Noticias/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!