09/07/2017

O Meio Ambiente e a Terra, um planeta envenenado

 

Os solos estão contaminados por conta das atividades dos homens, que descartam uma grande quantidade de produtos químicos nas áreas utilizadas para produzir alimentos. O alerta é da Organização das nações unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Há no solo excesso de nitrogênio e metais pesados, como arsênico, cadmio, chumbo e mercúrio, segundo a FAO. “Quando esses compostos entram na cadeia alimentar representam riscos para a segurança alimentar, para os recursos hídricos, para a subsistência das populações rurais e para a saúde das pessoas”, assinalou um relatório da FAO divulgado dia 23 de junho. E destaca ainda que o combate à contaminação dos solos e a busca por uma gestão sustentável dos recursos agrícolas é essencial para fazer frente às mudanças climáticas e à insegurança alimentar que se acerca.

A poluição dos solos é um problema cada vez mais importante e que acontece de muitas maneiras. A única forma da combatê-la é aumentar a disponibilidade de informações a respeito e promover a gestão sustentável da terra. “É preciso intensificar a colaboração global na busca de provas científicas confiáveis para que se mude a forma de plantar e o uso dos agrotóxicos”, disse Ronald Vargas, secretário geral da Aliança Mundial pelo Solo. A assembleia da Aliança Mundial pelo Solo é uma plataforma neutra e multipartite para discutir os temas globais em relação aos solos e busca agrupar conhecimentos sobre boas práticas de manejo, “além de estimular medidas para manter os solos saudáveis para que sigam garantindo os serviços ambientais que garantem alimentos para todos”, disse Maria Helena Semedo, diretora geral adjunta da FAO. A Assembleia realizada no final de junho aprovou novas iniciativas para facilitar a troca de informações sobre solo, a criação da Rede Global de Laboratórios de Solos, que deverá coordenar e criar modelos de medição para uso entre todos os países, a Rede Internacional e Solos Negros, que pretende melhorar o conhecimento sobre os solos agrícolas mais férteis, que também são conhecidos por seu alto conteúdo de carbono.

Cerca de um terço dos solos do mundo estão contaminados, devido principalmente a práticas insustentáveis de gestão. Além disso bilhões de toneladas de terra se perdem a cada ano na agricultura e uma das causas principais é a poluição por agrotóxicos e pelo manejo ineficiente do solo. Em alguns países cerca de um quito de todas as terras cultiváveis estão comprometidas com contaminações diversas. Contaminação do solo significa a presença na terra de substâncias químicas que estão fora de lugar ou em concentrações superiores às normais, por ação de mineração, atividades industriais ou má gestão das águas. A FAO alerta que em alguns casos as contaminações se estendem por grandes áreas por conta das chuvas e dos ventos. Os insumos agrícolas, como os fertilizantes, os herbicidas e os pesticidas, incluindo os antibióticos que são encontrados nos estercos dos animais, são importantes contaminantes que provocam problemas também por conta de suas fórmulas que são constantemente alteradas. “A contaminação dos solos é um risco traiçoeiro porque é mais difícil de ser observada do que outros processos de degradação, como a erosão. Os perigos estão, também, em como os contaminantes reagem com os elementos já presentes no solo e a velocidade com que esses contaminantes penetram nos ecossistemas”, alerta o documento da FAO. Segundo a organização, a diversidade de contaminantes e tipos de solos, assim como as formas que agem, fazem com que os estudos para determinar os riscos sejam especialmente difíceis e caros.

Solos Negros

A nova rede internacional de solos negros define como negros aqueles que contém ao menos 25 centímetros de húmus e com uma taxa de carbono orgânico superior a dois por cento. Segundo essa definição estão em um território de 916 milhões de hectares e cobrem 7% da superfície do planeta. Cerca de 25% dos solos negros são do tipo clássico, co um metro de húmus, e se encontram em regiões de plantios de cereais da Europa Oriental e Ásia Central, além de antigas pradarias da América do Norte, disse o informe da FAO. São considerados solos de extrema importância para a segurança alimentar da humanidade. A Rede Internacional de Solos Negros tem como missão a conservação da produtividade a longo prazo desses solos através da colaboração técnica e intercâmbio de conhecimentos.

Ecologia: a energia atômica nas mãos de um sistema ecocida

A esfera da produção nuclear, das usinas e armas nucleares é um capítulo especial do horror social e ecológico capitalista, do acúmulo de forças destrutivas e tecnologia da morte, da devastação e dos resíduos tóxicos que crescem em escala meteórica e com potencial poder de destruição quase sem limites. Neste ponto da história mundial, por conta do funcionamento das centrais nucleares e o recurso às bombas atômicas, chegou-se ao paroxismo onde a burguesia já conta com poder para devastar ou até ameaçar a vida da espécie humana sobre a Terra e continua, hoje, produzindo uma crescente tonelagem de um lixo portador de imensa capacidade de contaminação e devastação biológica, com a característica macabra de permanecer anos a fio, séculos, emitindo radiação ionizante, comprovadamente tóxica e cancerígena. Da forma em que se desenvolveu a pesquisa e o uso da quebra do átomo no capitalismo, por suas escolhas mercantis, imediatistas, chegou-se ao ponto em que está posto o risco de comprometer, em profundidade, o presente e o futuro do planeta: o plutônio das centrais nucleares, para dar um exemplo só irá perder metade de sua radioatividade em 25 mil anos; não existe nada mais sujo e nem mais perigoso criado pela sociedade.

Certamente qualquer cientista mais arrojado e qualquer revolucionário consequente do período anterior a Hiroshima e Nagasaki almejava liberar a inesgotável energia do interior do átomo. Uma pretensão lógica, desejável e fundada na crença do progresso da ciência como ferramenta que pode ser usada a favor da sociedade humana com a liquidação do capitalismo. Esse potencial energético era então uma louvável possibilidade teórica em uma época em que não se tinha nenhuma ideia do que viriam a ser, como problema, os resíduos radioativos. Nada se sabia de concreto sobre o problema do lixo atômico, da contaminação nuclear ambiental, muito menos se poderia imaginar a respeito do terrível significado de acidentes nucleares, ou do uso militar do átomo. E nem do perigo das radiações ionizantes [que, logo de saída, matou de câncer dois dos seus pais-fundadores, o casal Curie].

São produzidas, a cada ano, quantidades colossais de lixo radioativo algo em torno de milhares de toneladas métricas de lixo altamente radioativo e 12 milhões de metros cúbicos de lixo de baixa radioatividade, isso apenas nos Estados Unidos. Os resíduos, por lá, excedem a capacidade do polêmico depósito das montanhas Yucca que sequer recebeu licença para operar.

Passo seguinte: nas mãos dos oligopólios capitalistas, a central nuclear atômica deixou de ser uma hipótese e hoje, países minúsculos como a França, já possui mais de cinquenta e tantas centrais nucleares, mais de cinquenta possibilidades de um Fukushima ou de um Chernobil, acidente que teria potencial para comprometer a Europa – sem se falar em outras consequências. Portanto, com potencial para, de imediato, engendrar uma catástrofe de longuíssima duração, com direito a ampla difusão de câncer [e de gerar condições para o nascimento de bebês mal formados geneticamente] por gerações e gerações.

Alternativas para os combustíveis fósseis devem ser desenvolvidas em ampla escala, isso é fora de questão. No entanto, a “energia nuclear nem é renovável, nem limpa e, portanto, não é uma opção sensata. E mesmo que se abstraia tais problemas do tipo riscos de segurança e outros também indesejáveis, energia nuclear é uma solução muito lenta e limitada em relação ao aquecimento global e à insegurança energética”.

Mas como imaginar que uma sociedade baseada no lucro irá até o fim em tal preocupação? Basta que se pense em Fukushima, apenas para citar um exemplo: o que se pode dizer a respeito daquelas milhões de toneladas de lixo radioativo em milhões de sacos plásticos que estão simplesmente lançadas em redor da usina e na área adjacente à planta destruída daquela central nuclear? E os reservatórios carregados de milhões de litros de água contaminada, radioativa? Sem falarmos no problema da censura midiática imposta a tais tipos de acidentes. Quem disse que especialistas independentes do governo e dos oligopólios privados [tipo TEPCO, no Japão], sindicatos por exemplo, têm acesso a Fukushima? E as leis criadas por lá que tornam crime falar a respeito de qualquer assunto que o governo considere “sensível” como o nuclear? E por que não se fala mais de Fukushima?

Evidentemente que não se pode tratar desse problema com o mesmo olhar com que se aborda um acidente em central hidrelétrica ou quaisquer outras estruturas que usem tecnologias não-radioativas. Em absoluto não se trata da mesma magnitude e alcance de problema. Isso muda de figura toda a questão do uso da tecnologia nuclear para produção de energia (produção suja de energia ficaria melhor), uma vez que ela nos pauta, ao menos nas condições atuais, com a possibilidade bem objetiva de novo patamar no horror capitalista da poluição ambiental. A tecnologia nuclear é cria direta da indústria armamentista, dos investimentos públicos mancomunados com os oligopólios do setor bélico que conseguiram conduzir ao acúmulo de milhares de ogivas nucleares de todo tipo por todo lado (estima-se que só o Estado terrorista de Israel possui, ele sozinho, centenas de bombas atômicas), além de que existem mais de quinhentas centrais nucleares planeta afora.

A Alemanha conseguiu vender três centrais para a ditadura militar brasileira as quais os sucessivos governos “democráticos” vêm levando adiante sistematicamente (e isso no país do sol, das hidrelétricas, dos ventos e da biomassa), o que tem tido como consequência recorrentes vazamentos radioativos afora gastos colossais.

Nos países imperialistas, as conveniências da acumulação do capital – começando pelos interesses capitalistas do setor bélico – ditaram a “escolha” desse “modelo” energético, em que pese a reação massiva de setores da opinião pública, contra esse “modelo”, agudizada diante do horror de cada novo acidente nuclear. Chernobil, e mais recentemente, Fukushima, mexeram com a consciência crítica internacional a respeito das centrais nucleares como opção. Para agravar o problema, existe também a questão de que as mudanças climáticas em curso podem, por si mesmas, aumentar o risco de acidentes nucleares. Ondas de calor, que tendem a se tornar mais intensas e frequentes – como resultado do aquecimento global – podem promover o colapso ou a redução da produção de energia nos reatores. Durante as ondas de calor de 2006, reatores nucleares em Michigan, Pensilvânia, Illinois e Minnesota, como também na França, Espanha e Alemanha, foram impactados. As ondas de calor no verão europeu de 2003 causaram problemas de esfriamento nos reatores franceses, que levaram engenheiros a avisarem ao governo que eles não poderiam mais garantir a segurança das mais de 50 usinas nucleares do país.

E se aprofundarmos a discussão veremos que não existe escolha energética “neutra”, a tecnologia é sociomorfa, tem a cara do capitalismo e, portanto, se trata de uma questão de primeira importância abrir um debate público, aberto e crítico sobre o que fazer com as centrais nucleares que já existem, por exemplo. A começar pelo seu controle imediato pela classe trabalhadora, técnicos progressistas, populares e ambientalistas. Para estudiosos como Bandeira, a energia nuclear – nas atuais condições da ciência no capitalismo – mais que um “progresso produtivo” é um perigo; uma central nuclear, estritamente falando, chega a ser pouco menos que uma bomba atômica controlada se partimos do princípio que ela é permanentemente mantida em estado próximo da explosão que só não ocorre porque não se permite que ela aqueça demasiado. Mais do que o uso da ciência em favor da sociedade, o uso atual do átomo como combustível está muito mais em relação direta com a degradação da ciência e do uso da ciência pelo capitalismo em sua fase de decadência e na condição de sistema absolutamente reacionário do que da “razão científica”. O crescimento espetacular da ciência e tecnologia nuclear, em sua maior parte foi sendo absorvido pelo setor militar: passou a produzir armas mais letais e de destruição massiva e permanente.

Este processo integra a crescente destruição de forças produtivas sociais. Deve ser entendido nestes marcos. E também como uma questão que o capitalismo não pode abordar de outra forma que não seja a da irresponsabilidade para com a vida, humana e dos demais seres biológicos.

Recentemente apareceram riscos de novo tipo com a extensão da licença de operação das centrais nucleares, ampliadas em torno de 50% a 100% do seu planejado prazo de validade. O que é absurdo, arriscado, extremamente caro dependendo do tipo de velho reator em questão.

Por mais que a ciência nos encante, por mais que a mecânica quântica seja fascinante e promissora para a humanidade (como, de fato é), atualmente, a pesquisa e produção atômica é planejada, produzida (e degradada) por um sistema social decadente, nas mãos de poderosos oligopólios – que operam contra a humanidade, não a seu favor. Há denúncias de longa data de que a opção pelas centrais nucleares obedece a critérios puramente do grande capital financeiro; o custo de todo o projeto de uma usina nuclear abarca várias rubricas, todas com elevado investimento de capital. São muitos bilhões de dólares. Envolve mega-obras de construção civil, envolve custos de riscos, custos de desativação da central; também inclui taxas de seguros, altas despesas com manejo do lixo nuclear, manutenção da planta, suprimento do combustível nuclear etc etc.

Como comparar com as fontes renováveis [vento, solar etc] que são de zero emissões tóxicas e há cálculos que mostram um custo por kW menor? Só que as usinas nucleares oferecem maior lucro ao longo de todo o processo que inclui décadas, até cada uma se tornar viável. O debate está por ser feito.

Crises como a de Fukushima constituem, em primeiro lugar, crise do capital, mas também, da ciência e da tecnologia nas mãos do capitalismo. Ciência e tecnologia cujo modelo de concepção e utilização social são alienados. Regra que vale para o capitalismo e certamente também para as burocracias pós-capitalistas. É fora de dúvida que há e sempre houve alternativas à poluição ambiental, às tecnologias “sujas”. O que termina prevalecendo, no entanto, são escolhas do sistema capitalista ou de burocracias, como a chinesa [megapoluidor do planeta] que passam por fora de qualquer controle democrático da classe trabalhadora e setores progressistas e, portanto, escolhas no caminho da danação ambiental. A poluição das chaminés, dos escapamentos, da produção agrícola e energética suja, de todo espaço onde o capital põe seu investimento e sua busca de lucro – inclusive áreas sensíveis como a medicina – vem sendo crescente, e progressivamente ameaçadora, destrutiva. Em um processo que é muito mais forte e determinante que toda a consciência ambiental acumulada nas gerações iluminadas por ideias do tipo “cada um faz sua parte” ou de um capitalismo que pudesse vir a ser – nessas utopias reacionárias - “ecologicamente correto”. Não é da natureza do capitalismo desenvolver as tecnologias mais humanas e nem ecologicamente mais corretas e sim as mais lucrativas, as que trazem mais vantagens para o processo de acumulação do capital.

 

Fonte: Envolverde/Esquerda Diário/Municipios Baianos

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