13/07/2017

Bahia: Energia solar continua em plena expansão

 

Do seu extenso litoral até o seco semiárido, a Bahia é conhecida pelas altas temperaturas e o céu aberto predominando na maior parte do ano. Um cenário que já tem se mostrado favorável à produção de energias renováveis, a exemplo da solar foto voltaica. E as perspectivas para a expansão desse setor são positivas, com o estado podendo chegar a 879 megawatts de capacidade instalada a partir dessa fonte de geração de energia, até 2021.

Hoje, o estado possui seis parques de produção da energia solar fotovoltaica, frutos do mercado regulado (leilões que são da responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica), dos quais quatro se encontram na região de Bom Jesus da Lapa, onde está o maior potencial de produção, e também onde os mais novos empreendimentos começaram a funcionar. A operação na cidade do semiárido começou em junho.

Outro projeto está em Juazeiro, que é um condomínio residencial que utiliza o sistema hibrido de placas solares fotovoltaicas de pequena escala e energia eólica, também em pequena escala. O terceiro é uma usina situada no Estádio de Pituaçu, na capital, do qual a Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda do Estado da Bahia (Setre-BA) faz mais uso.

De acordo com o superintendente de Energia da Secretaria do Estado de Infraestrutura (Seinfra), Celso Rodrigues, todos esses empreendimentos geram uma potência instalada de 122,5 MW. No mercado regulado, ainda há onze parques em construção, todos na região no Vale do São Francisco, onde o potencial de geração dessa energia é maior, e mais 17 parques que já venceram os leilões e que somam novos 463 MW de capacidade instalada.

Hoje, com a entrada recente desses quatro parques da empresa Enel Green Power participam com 1,3% da capacidade instalada de geração de energia elétrica no estado. Se todos os empreendimentos voltados a geração de energia solar fotovoltaica estiverem prontos e em plena operação até 2021, essa participação irá pular para 6%.

Os recentes empreendimentos em Bom Jesus da Lapa - que são as usinas Bom Jesus da Lapa 1 e 2, e Lapa 2 e Lapa 3 - foram contratados a partir de leiloes ocorridos em agosto de 2015. Nesta época, eles tiveram a razão de R$/MW gerado, no valor de R$ 303.83 por cada MW/h gerado (no caso da Lapa 2 e Lapa 3), e R$ 304.83 (no Bom Jesus da Lapa 1 e 2).

A Bahia também possui a maior quantidade de sistemas isolados de geração da energia solar em área rural do País. Instalados majoritariamente dentro do programa Luz Para Todos, do Governo Federal, os sistemas geram energia elétrica nas regiões extremamente isoladas, onde não se compensaria ou é muito oneroso instalar fontes de energia convencional.

“Eles possuem baixa potência, de 13 kW, em média, ou 30 kW pico, para suprir as necessidades essenciais dessas comunidades. São aproximadamente 20 mil sistemas isolados instalados.

Mas, a medida que a rede elétrica convencional vai chegando a essas localidades, esses sistemas vão sendo substituídos pela rede elétrica convencional, gradativamente”, explica Rodrigues.

O sistema isolado é composto de um conversor e de um banco de baterias para acumular essa energia, que tem a finalidade apenas de cuidar da iluminação e algumas poucas tomadas. Grande parte desses sistemas não tem a possibilidade de carga de refrigeração (para uso de uma geladeira, por exemplo), porém, Rodrigues afirma que os novos equipamentos a serem instalados já estão atendendo a regulação da Aneel, e terão que ter, no mínimo, capacidade de suprimento de carga de refrigeração.

Estado é terreno fértil para a produção de materiais para fabricação das placas

Além da geografia privilegiada para a geração da energia solar fotovoltaica, a Bahia ainda possui reservas de areia silicosa na mina de sílica de Santa Maria Eterna, no município de Belmonte, na região sul do estado. O material é usado na fabricação de vidro grau solar. A ideia, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), é que essas matérias primas sejam utilizadas no estado. No caso da sílica, o superintendente Paulo Guimarães afirma que já existem empresas interessadas em visitar a mina e estudar a possibilidade de produção do vidro nos painéis solares na Bahia.

Atualmente, a mina de sílica, o direito de exploração pertence ao Estado, e o governo cedeu um 1/3 para a iniciativa privada, que está usando a areia silicosa na produção de frascos para cosméticos.

Os outros 2/3 ainda estão de posse do governo, que está disposto a fazer a concessão para a iniciativa privada, desde que essa concessão se reflita na industrialização do estado, principalmente para a produção de painéis solares.

Contudo, por conta do alto potencial de geração de energia solar no estado, essas iniciativas não devem demorar a acontecer, segundo explicou o superintendente de Promoção e Investimento da SDE, Paulo Guimarães.

“Nosso interesse não é de exportar isso porque essas duas fábricas são de alta tecnologia, tanto de vidro quanto a de silício, e, claro, que se a gente tiver as fábricas aqui, vamos ganhar empresas de tecnologia e empregos”, explica Guimarães.

O município de Brotas de Macaúbas, por sua vez, possui reserva de quartzo, que é matéria-prima necessária para fabricação do wafer- componente responsável pela conversão da radiação em energia elétrica.

Neste caso, a exploração desse recurso é mais difícil já que demanda uma quantidade muito grande de energia para transformar o quartzo em silício grau solar de modo que a demanda pelo material teria que ser mais alta para justificar a instalação de uma fábrica.

Além disso, a reserva de quartzo naquele município é privada. Porém, Guimarães destaca que, a medida que o investimento se tornar viável, o mesmo proprietário pode querer explorar a área economicamente neste viés.

O superintendente explica que a Bahia já é líder, tanto na venda de energia solar no mercado regulado - em que se compra o direito de construir, através dos leilões do Governo Federal -, quanto no mercado livre - que é onde a empresa pode comprar a energia sem passar pelos leilões. A Bahia é líder no setor de energia solar fotovoltaica com 34% do mercado regulado (leilões), e tem um alto potencial de geração com excelentes níveis de radiação no semiárido, proporcionando investimento e desenvolvimento em uma região menos favorecida.

O estado tem 49 projetos de energia fotovoltaica com investimento total de R$ 6,1 bilhões e potência total de 1,5 GW, sendo 32 deles do mercado regulado (leilões) e o restante de mercado livre.

“O problema é que desde 2016 não houve leilão de energia, o País passa por uma crise, e a gente está ansiosamente aguardando para que os leilões voltem a ser regulares, como eram até 2015, para que a gente possa ter um horizonte de crescimento de demanda, pois só com esse crescimento que teremos condição de reduzir ainda mais o custo dos painéis”, explica o responsável da SDE.

Com os painéis mais baratos, seria possível instalar a geração centralizada (como os parques de energia solar como os que já estão operando em Bom Jesus da Lapa), como a geração descentralizada (que são os tetos solares espalhados em telhados de residência, centros comerciais, etc.). Existe ainda um diálogo para que o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis) inclua os módulos fotovoltaicos fabricados no Brasil em seu catálogo, a fim de deixa-los mais acessíveis, visto que, atualmente esses equipamentos são bem mais caros que os importados - o que desestimula a indústria nacional.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), as energias renováveis produzem, no mundo inteiro, aproximadamente 9 milhões de emprego, dos quais 3 milhões, são representados unicamente pela energia solar.

“Isso é um potencial enorme, pois estamos falando de levar emprego não apenas para a região metropolitana, ou onde possa de produzir os equipamentos, mas também no semiárido, que é onde temos nosso maior potencial, e onde mais precisa de atividade econômica. Então é um vetor de desenvolvimento muito importante”, destacou o superintendente.

Indústria baiana cresce 3,6% em maio

A indústria baiana apresentou, no último mês de maio, o segundo melhor resultado dentre os demais estados do País, na comparação com abril. O crescimento foi da ordem de 3,6%, segundo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na avaliação do governador Rui Costa, o resultado reflete o esforço do Governo do Estado em criar um ambiente favorável aos negócios e condições estruturais adequadas para a atuação do segmento empresarial.

“Mesmo com a crise política e econômica que o país atravessa, o governo baiano está promovendo um conjunto de ações nas áreas de infraestrutura, saúde e mobilidade urbana, e ampliando as oportunidades de trabalho para movimentar a economia do estado e garantir mais qualidade de vida para os baianos”, afirmou Rui. Os dados do IBGE mostram que a produção industrial cresceu em 10 dos 14 locais pesquisados.IBGE

 

Fonte: Tribuna da Bahia/Ascom SDE/Municipios Baianos

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