14/07/2017

Brasil pode enfrentar novo surto de zika, alerta ONG

 

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (13), a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou que as condições precárias de saneamento e água que contribuíram para um surto do vírus zika persistem no Brasil e deixam o país vulnerável a uma nova epidemia do vírus.

O documento, intitulado "Desprezadas e desprotegidas: o impacto do surto do vírus zika em mulheres e meninas no Nordeste do Brasil", apresenta lacunas nas respostas dadas pelas autoridades brasileiras perante a proliferação da doença.

Segundo a ONG, apesar de o governo brasileiro ter declarado o fim do estado de emergência nacional de saúde pública em maio de 2017, 18 meses após a declaração de emergência nacional, a infecção ainda ameaça o país.

"Os brasileiros podem ver a declaração do Ministério da Saúde sobre o fim da emergência de zika como uma vitória, mas riscos significativos permanecem, assim como as questões de direitos humanos subjacentes que foram expostas", disse Amanda Klasing, investigadora dos direitos das mulheres da HRW.

"Os direitos básicos dos brasileiros estão em risco se o governo não reduzir a infestação do mosquito [Aedes aegypti] no longo prazo, garantindo o acesso aos direitos reprodutivos e apoio às famílias que criam crianças afetadas pelo zika", salientou.

A HRW avaliou que doença não foi contida no curto prazo e ainda é um risco porque o Brasil adota políticas negligentes há anos em relação à oferta de saneamento básico, fator que permitiu a proliferação e a rápida disseminação da doença.

"As autoridades brasileiras devem fazer investimentos há muito atrasados em infraestruturas de água e saneamento para controlar a reprodução dos mosquitos e, assim, melhorar as condições de saúde pública", considera a HRW.

Mais de um terço dos 206 milhões de habitantes no Brasil não têm acesso a um abastecimento contínuo de água, obrigando os residentes com poucas opções senão encher recipientes para uso doméstico. Sem cobri-los, esses recipientes podem se tornar locais de reprodução para o Aedes aegypti. No nordeste, menos de 25% da população estava conectada a sistemas de águas residuais em 2015, segundo a HRW.

Desde que a doença foi detectada no Brasil em 2015, mais de 2.600 crianças nasceram com microcefalia e outros problemas neurológicos causados pela infecção. Em 2017, o número de casos de vírus zika e de bebês nascidos com deficiências ligadas à doença caiu drasticamente em relação a 2016, mas as autoridades brasileiras não conseguiram identificar a causa exata dessa redução.

Atendimento a mulheres e aborto

Para fazer o relatório, a HRW entrevistou 183 pessoas em Pernambuco e Paraíba, os dois estados brasileiros mais atingidos pela doença, incluindo 98 mulheres e meninas com idades entre 15 e 63 anos. A ONG também falou com homens e meninos das comunidades afetadas, prestadores de serviços, especialistas e autoridades governamentais.

Nessas entrevistas, os investigadores da HRW constataram que muitas mulheres grávidas e meninas não receberam informações abrangentes sobre a prevenção da transmissão do vírus durante as consultas pré-natais.

"Muitos [profissionais de saúde] não informaram que o vírus zika pode ser transmitido sexualmente, em parte devido a informações contraditórias ou inconsistentes que receberam das autoridades. Como resultado, poucas [mulheres] utilizavam consistentemente preservativos para proteger o feto da transmissão da doença", destacou o relatório.

A ONG recomendou que o Brasil reforce os serviços de saúde voltados para atender mulheres e meninas, descriminalize o aborto e garanta que crianças afetadas pelo zika tenham acesso a serviços especializados de saúde que lhes garantam maior qualidade de vida.

Saúde vai exigir produtividade de médicos do serviço público

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que o governo vai implantar um sistema de biometria para reunir dados de pacientes e controlar o trabalho de profissionais da rede pública. “Vamos parar de fingir que a gente paga médicos e o médico fingir que trabalha. Isso não está ajudando a saúde do Brasil.”

A ideia é criar um controle de produtividade, em que profissionais cumpram a jornada de trabalho, na qual determinadas atividades terão de ser cumpridas. Como exemplo, ele citou consultas. A Organização Mundial da Saúde indica que uma boa consulta deve demorar, no mínimo 15 minutos. “Um médico que tem quatro horas de concurso, ele pode dedicar cinco minutos para cada paciente e ir embora. Temos de ter uma média de desempenho”. A mesma lógica será aplicada para outras especialidades. Quem não cumprir o prazo determinado estará sujeito a um processo administrativo.

A ideia do governo é informatizar todas as unidades básicas de saúde até o fim de 2018. Para isso, a pasta deverá repassar um recurso mensal suficiente para financiar 50% dos custos empresa fornecedora dos serviços.

De acordo com Barros, em locais onde a estrutura já foi montada, cerca de metade dos médicos pede demissão. “Eles têm vários trabalhos, não conseguem cumprir a jornada e acabam abandonando o serviço quando há maior controle da jornada”, disse. O ministro afirmou que a média de comparecimento de médicos identificada até o momento é de 30%. “Isso vai mudar com a biometria”, completou.

A contrapartida dos municípios, disse, será indispensável, com o aumento dos salários pagos para os profissionais. A dificuldade em fazer com que o profissional cumpra a jornada de trabalho devida, afirma, vem acompanhada da sobrecarga de demanda em hospitais. “Lá o paciente sabe que vai encontrar médico.” Barros informou que os municípios ficarão obrigados a repassar a informação sobre a produtividade dos profissionais para o ministério.

Governo anuncia reaplicação de R$ 1,7 bilhão na saúde

O governo federal anunciou hoje (13) a reaplicação de R$ 1,7 bilhão para o custeio e o investimento em saúde, após ter promovido uma redução de R$ 3,5 bilhões nos gastos da pasta ao longo do último ano.

Segundo o Ministério da Saúde, a redução nos gastos foi proveniente de uma renegociação de contratos da área, sobretudo os de compra de medicamentos, vacinas e insumos. O recuo médio foi de 20% nos custos das contratações.

Do valor anunciado para ser reaplicado, R$ 771,2 milhões serão utilizados no custeio da atenção básica de saúde, enquanto os R$ 1 bilhão restantes serão destinados à compra de ambulâncias e vans.

Mais de R$ 500 milhões da quantia destinada ao investimento serão repassados diretamente a 1.787 municípios, para a compra de 6,5 mil ambulâncias. O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, em solenidade que reuniu dezenas de secretários municipais de Saúde e que contou com a presença do presidente Michel Temer.

“Para que a União seja forte, é preciso que os municípios sejam fortes... quero homenagear também o Congresso Nacional, se não fosse a ação conjunta do Congresso Nacional com o Executivo, nós não teríamos chegado onde chegamos”, disse o presidente. “Estamos, em 14 meses, fazendo o que se faria em 4, 5 ou 6 anos. Imagina o que faremos com mais um ano e meio”, acrescentou.

Segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o presidente liberou até o momento mais de R$ 6,2 bilhões em emendas parlamentares destinadas à área. “O presidente nos tem permitido contrariar interesses para prestar um melhor atendimento de saúde ao povo brasileiro”, disse.

Estudo questiona cirurgia precoce de próstata

Pesquisa realizada ao longo de 20 anos confirma o que cientistas já suspeitavam: a cirurgia de câncer de próstata não oferece benefícios para homens no estágio inicial da doença. Nos diagnosticados precocemente, o procedimento não prolongou a vida e, com frequência, causou sérias complicações, como infecção, incontinência urinária e disfunção erétil.

A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira, 12, na revista científica The New England Journal of Medicine. Os cientistas da Universidade de Washington em Saint Louis (EUA) compararam, entre homens com câncer de próstata em estágio inicial, resultados da cirurgia e da simples observação. Vários dos homens em observação não precisaram de nenhum tratamento, porque no estágio inicial o câncer de próstata cresce devagar e raramente causa sintomas.

“Cerca de 70% dos diagnosticados com câncer de próstata estão em estágios iniciais da doença e têm tumor não agressivo, que fica confinado na próstata e, portanto, têm excelente prognóstico sem cirurgia. O estudo confirma que o tratamento agressivo é frequentemente desnecessário”, afirma um dos autores, Gerald Andriole.

A descoberta ajudará a aprimorar os cuidados. “Esperamos que os resultados façam médicos desistirem de recomendar cirurgia ou radioterapia em pacientes com câncer de próstata não agressivo em estado inicial – e também convençam pacientes de que intervenções não são necessárias.”

A pesquisa começou em 1994, assim que testes de sangue para câncer de próstata se tornaram rotina nos Estados Unidos. Com muitos diagnósticos, o padrão de tratamento passou a ser cirurgia ou radioterapia – e se acreditava que isso elevaria a sobrevivência. Mas, nos anos seguintes, complicações ligadas aos tratamentos preocuparam cientistas.

 

 

Fonte: Deutsche Welle/Agencia Brasil//Agencia Estado/Municipios Baianos 

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