14/07/2017

Ministério Público Federal pede nova prisão de Geddel

 

Menos de 24 horas após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) conceder a prisão domiciliar ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), o Ministério Público Federal (MPF) fez um novo pedido de prisão preventiva.

Nesta segunda petição, a Procuradoria apresenta novas provas sobre o envolvimento do político baiano em fatos criminosos e também na tentativa de obstruir uma eventual delação premiada do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, identificado como operador de propina do PMDB.

Segundo informações da Época, o MPF também apresentou um depoimento inédito de Funaro, em que o operador conta que levava malas de dinheiro para a residência de Geddel em Salvador.

"O declarante fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima; que essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar, localizada no aeroporto de Salvador/BA, diretamente nas mãos de Geddel; (…) que, realmente, em duas viagens que fez, uma para Trancoso/BA e outra para Barra de São Miguel/BA, o declarante fez paradas rápidas em Salvador/BA, para entregar malas ou sacolas de dinheiro para Geddel Vieira Lima", relatou Funaro.

No depoimento, o operador disse ainda que as ligações feitas por Geddel lhe provocaram receio quanto a firmar o acordo de delação – a negociação vem se alongando desde sua prisão, em julho do ano passado.

"Embora possuísse uma amizade com Geddel Vieira Lima, e não houvesse manifestações expressas de uso de violência por parte dele ou de outra pessoa, essas ligações insistentes por parte de Geddel, provocavam no declarante um sentimento de receio sobre algum tipo de retaliação caso viesse a fazer algum acordo de colaboração premiada, tendo em vista que Geddel era membro do primeiro escalão do governo e amigo íntimo do presidente Michel Temer, e considerava possível que Geddel ou outros ligados a ele pudessem exercer influências políticas sobre algum órgão, ou até mesmo o Poder Judiciário, a fim de prejudicar o declarante, no caso de resolver firmar acordo de colaboração premiada; que por isso o declarante sempre orientou sua esposa a atender os chamados de Geddel e informar que estava calmo e tranquilo, justamente para transmitir a ideia de que não tinha a intenção de firmar acordo de colaboração; que essas comunicações reiteradas de Geddel geravam no declarante o sentimento de que estava sendo monitorado e em dado momento passou a ter receio sobre a segurança de sua esposa e filha, já que faziam deslocamentos para o presídio da Papuda em estrada pouco movimentada", sustenta o MPF.

O ex-ministro da Secretaria de Governo telefonou 17 vezes para a esposa de Funaro, Raquel, durante 19 dias entre maio e junho deste ano.

A defesa de Geddel nega que as conversas tenham tido intuito de obstruir as investigações ou de barrar o acordo negociado entre o doleiro e a Procuradoria. Ao conceder a prisão domiciliar, na tarde desta quarta (12), o desembargador Ney Bello, do TRF-1, considerou que ainda não havia motivo suficiente para justificar a preventiva determinada pelo juiz Vallisney Oliveira, na última semana.

Assim, Geddel foi submetido ao uso de tornozeleira eletrônica, que deve utilizar até que o juiz decida sobre o novo pedido do MPF.

Ligações

Funaro e Raquel ainda detalharam os contatos feitos pelo ex-ministro. De acordo com laudo da Polícia Federal realizado no celular de Raquel, Geddel ligou ao menos 16 vezes para a esposa de Funaro entre os dias 13 de maio de 2017 e 1º de junho de 2017.

“Tal constatação indica, de forma segura, a tentativa e, em certas ocasiões, o efetivo contato entre o investigado Geddel Vieira Lima e a esposa do também investigado (e réu) Lucio Funaro. Indica, outrossim, não uma pressão esporádica exercida pelo investigado Geddel sobre a esposa do também investigado Lúcio Funaro, mas sim uma atividade de monitoramento diário sobre o humor e a intenção de colaboração deste último”, afirma o MPF.

Para os procuradores, o fato de Raquel nunca ter mantido qualquer relação com o ex-ministro revela que os contatos mapeados sugerem a tentativa de pressionar a esposa de Funaro e ter informações sobre seu marido.

Juiz que concedeu prisão domiciliar a Geddel trabalha em faculdade de Gilmar Mendes

O desembargador Federal que concedeu prisão domiciliar a Geddel Vieira Lima (PMDB), Ney Bello, é professor da universidade de Gilmar Mendes, o IDP.

A informação é do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Além de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes é muito próximo do PSDB e foi indicado ao Supremo por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Além disso, ele mantém relação estreita com o presidente Michel Temer (PMDB), amigo pessoal de Geddel.

Mas se depender do Ministério Público Federal (MPF), Geddel não ficará muito tempo em prisão domiciliar. Isso porque o MPF pediu nova prisão do ex-ministro no final da manhã desta quinta-feira (13), segundo a revista Veja, após investigadores encontrarem novas provas que justificam manter o ex-ministro na cadeia – Geddel foi solto nesta quarta (12) após decisão da Justiça.

Falta de tornozeleira eletrônica no DF atrasa saída de Geddel da prisão

O ex-ministro Geddel Vieira Lima permanece preso em Brasília pela falta de tornozeleira eletrônica no Distrito Federal.

Nesta quarta-feira (12), um desembargador do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) converteu a prisão preventiva em domiciliar.

No entanto, a ausência do equipamento de monitoramento atrasa o cumprimento da determinação.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP/DF) alega que o contrato para disponibilizar equipamento foi assinado recentemente.

Por isso, o órgão vai remeter um ofício ao TRF1, que deverá decidir como será o procedimento neste caso.

Além da conversão da prisão de Geddel, o desembargador Ney Bello também determinou que o ex-ministro não pode manter contato com investigados ou familiares de investigados em inquéritos que ele é investigado.

Desembargador avalia que Geddel pode ser condenado a mais de 80 anos de prisão

Embora tenha concedido prisão domiciliar a Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), o desembargador Ney Bello não descarta uma pena mais severa ao ex-ministro da Secretaria de Governo.

O magistrado considera a possibilidade de Geddel ter, de fato, se envolvido nos crimes denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF).

"Acaso verdadeiro o que se diz no decreto prisional – que Geddel Vieira Lima se apossou de mais de R$ 20 milhões por sua intermediação para a liberação de recursos da Caixa para J&F, Mafrig, Alpargatas, Seara e Bertin – será o caso de sanção criminal que pode chegar a mais de 80 anos de cárcere", adiantou Bello na decisão, segundo informações do Radar Online, da Veja.

Mas, por ora, o desembargador decidiu que a investigação não apontou motivos suficientes para justificar a prisão preventiva, determinada pelo juiz Vallisney Oliveira na última semana. Geddel vai usar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com outros investigados

Quórum é problema de quem quer receber denúncia, diz ministro Padilha

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse hoje (13) que o governo não está preocupado em garantir quórum para que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer seja votada no plenário da Câmara antes do início do recesso parlamentar, marcado para o próximo dia 17.

“Pode ser agora, pode ser em agosto”, disse Padilha a jornalistas após solenidade no Palácio do Planalto, referindo-se à votação do tema no plenário da Câmara. “Quem tem que colocar quórum é quem quer receber a denúncia”, acrescentou.

Questionado se a espera até agosto não poderia agravar uma “sangria” do governo, que em tese ficaria exposto a perder mais votos para derrubar a denúncia com o passar do tempo, Padilha respondeu: “Qual sangria?”.

“Estamos trabalhando e vamos continuar trabalhando. Teremos uma vitória magistral hoje na Comissão de Constituição e Justiça [da Câmara]”, afirmou o ministro.

Nesta quinta-feira, a Comissão de CCJ da Câmara retomou os debates iniciados ontem (12) sobre o parecer do relator, Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que votou por autorizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a apreciar a denúncia contra o presidente. A expectativa é que a comissão vote a questão ainda nesta semana.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou esta semana que convocaria uma sessão do plenário para a próxima segunda (17) ou terça-feira (18) para analisar a denúncia. Ele sinalizou, no entanto, que vai aguardar um quórum bem alto para abrir a sessão. São necessários pelo menos 342 votos, do total de 513 deputados, para que a denúncia seja votada.

"É uma posição pessoal do presidente Rodrigo Maia, e nós temos que nos resignar à posição do presidente", disse Padilha.

 

 

Fonte: Agencia Estado/BN/Agencia Brasil/Municipios Baianos

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