14/07/2017

Bahia: Cesta do Povo aguarda privatização com prateleiras vazias

 

Não é preciso citar muitos exemplos para deixar claro que o tempo áureo da Cesta do Povo ficou no passado. A dificuldade de encontrar alguém que ainda compre os produtos comercializados pela única rede de supermercados administrada pelo Estado já diz muito sobre a situação. Ivana Casais é uma dos poucos clientes que aparecem por lá. “A Cesta do Povo só falta fechar. Fui lá e as prateleiras estavam vazias, pouca mercadoria”, conta.

E não é só para o consumidor que a Cesta do Povo deixou de valer a pena. A Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra o espaço, vem acumulando prejuízo ano após ano.

O balanço de desempenho financeiro divulgado pela empresa mostrou que, só em 2015, o negativo foi de R$ 158,1 milhões, valor seis vezes maior do que o computado no ano anterior. E em 2016 o rombo bateu R$ 155 milhões. A queda foi acentuada pela redução de oito vezes no faturamento em relação ao ano anterior, passando de R$ 520 milhões para R$ 68,5 milhões.

Diante de tanto prejuízo, o estado já tentou, por diversas vezes, se desfazer da Cesta do Povo, mas nenhuma empresa ainda se mostrou interessada em assumir o problema.

“Não temos a cesta básica e nem os itens”

Em 2014, a Ebal fazia questão de anunciar que a cesta básica vendida na Cesta do Povo era até 18% mais barata que em outros estabelecimentos comerciais da Bahia.

O problema é que três anos depois, o comparativo se tornou algo impossível, já que nem mesmo a cesta é encontrada nas lojas.

“Não temos a cesta básica fechada que a gente vendia antigamente e nem temos todos os itens que formam a cesta básica. Não tem em nenhuma loja, temos pouquinhos itens aqui”, disse uma funcionária de uma das lojas de Salvador, ouvida pela Metrópole.

No final de 2016, a Ebal chegou a afirmar que o leilão da empresa estava previsto para o primeiro trimestre de 2017, mas nada aconteceu.

“160 lojas fechadas”

O grande número de demissões e o fechamento de lojas fizeram com que os funcionários da Cesta do Povo se unissem para criar a Associação Baiana dos Trabalhadores da Cesta do Povo.

Um levantamento feito pela entidade presidida por Francis Tavares, ex-funcionário concursado e um dos demitidos, mostrou que 160 lojas foram fechadas na Bahia desde 2015.

“Já temos 1.500 empregados públicos demitidos e mais de 150 lojas fechadas. Até dezembro de 2015, tínhamos 243 lojas na Bahia. Hoje só temos 83. 160 lojas foram fechadas. Em Salvador são só 19 lojas, eram 43 até o final de 2015”, afirma.

“Será privatizada”, garante governo

O governo do estado voltou a garantir que a Cesta do Povo será privatizada. “A intenção do governo é preservar o maior número possível de empregos”, disse em nota enviada à Metrópole.

Por enquanto, porém, os funcionários ainda temem perder o emprego. “Manter o posto de trabalho não implica que vai manter o funcionário. Ou seja, o posto de trabalho é esse que você ocupa. Mas você pode ser substituído”, diz o presidente da Associação Baiana dos Trabalhadores da Cesta do Povo.

De acordo com ele, o Estado estaria adotando a chamada demissão escalonada. “A estratégia é demitir aos poucos. Em dezembro fecharam 20 [lojas], em janeiro mais 10, março, 5”, disse, ressaltando que o Ministério Público do Trabalho acompanha o caso e já realizou algumas audiências.

Governo da Bahia abandona a Cesta do Povo à sua própria sorte

Uma proposta nada amigável do governo do Estado da Bahia surpreendeu a Associação Baiana de Trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo (Abtec) nomês de maio. Além de demitir mais de 1.000 funcionários da Cesta do Povo de forma escalonada e ter fechado mais de 150 lojas em todo o Estado desde que assumiu o cargo de governador, Rui Costa (PT), abriu uma enquete nesta semana para os funcionários que ainda restam nas 60 lojas abertas da Ebal espalhadas nos municípios, propondo demissões voluntárias sem perda de direitos trabalhistas.

Entretanto, há uma contradição nessa proposta: como pode um plano de demissão voluntária garantir direitos trabalhistas se o propósito de tal plano é enxugar gastos com gestão de pessoas? Essa enquete é vista pelo Presidente da Associação de Trabalhadores da Ebal, Francis Tavares, como resposta ao desespero do governador, uma vez que não conseguiu leiloar a Cesta do Povo e privatizá-la.

No dia 28 de junho de 2017 foi realizada a primeira audiência da Ação Civil Pública dos trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo, impetrada pelo Ministério Público do Trabalho por conta de uma denúncia da Abtec no segundo semestre de 2016, com a finalidade de reintegrar os funcionários demitidos e tratar da negociação do futuro destes funcionários e dos demais que ainda se mantêm em seus postos de trabalhos.

Esta Ação Civil Pública é abrangente a todos os trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo, o que inclue os de cargos comissionados e funcionários em exercício.

Nem mesmo os concursados estão escapando dos ataques do governo.

Assim como tantos outros, uma funcionária da Cesta do Povo da cidade de Jequié, que prestou concurso público para o cargo, foi demitida.

Contudo, no mês de abril, a Associação conseguiu a reintegração da mesma. "Mesmo com ação coletiva em andamento impetrada pelo Ministério Público do Trabalho, estamos orientando os trabalhadores demitidos da Cesta do Povo a entrarem em contato com o departamento jurídico e abrirem ação individual", explica o Presidente da Abtec, Francis Tavares.

Segundo Tavares, a Associação está planejando a publicação de outdoors por pelo menos 20 cidades do interior do estado a fim de garantir visibilidade à causa dos trabalhadores e pressionar o governador do estado contra as demissões dos empregados públicos.

Além disso, outras ações de publicização dos ataques aos trabalhadores e ao sucateamento da Cesta do Povo estão sendo planejadas para todo o Estado da Bahia.

 

Fonte: Metro 1/Ascom Abtec/Municipios Baianos

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