16/07/2017

Bahia: CCB fechado traz 'prejuízos imensuráveis', acusa trade

 

Com o Centro de Convenções da Bahia (CCB) fechado há mais de dois anos e ainda sem uma previsão de reabertura ou transferência para outro local de Salvador, o trade turístico baiano fala em "prejuízos imensuráveis" devido a não realização de eventos de grande porte na cidade, e diz que o estado está perdendo turistas para "destinos concorrentes".

A Bienal do Livro da Bahia, por exemplo, que já foi considerada um dos mais importantes eventos do estado, não acontece desde 2013 por conta de obras no Centro de Convenções. O último congresso no local também foi nesse mesmo ano.

Já sem abrigar grande eventos, o Centro de Convenções foi interditado pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) no dia 20 de maio de 2015, após a constatação da falta de projeto e equipamentos de incêndio e pânico, como também de manutenção predial.

O local foi fechado para obras, mas em setembro de 2016, parte da fachada do prédio desabou. Após o incidente, o governo do estado começou a desmontar a estrutura e ficou de definir um novo local para abrigar o Centro de Convenções. Esse novo local, no entanto, ainda não foi definido.

Além disso, a demolição acabou sendo suspensa pelo Tribunal de Justiça do Trabalho (TRT-BA), no final de março deste ano. O órgão disse que o local encontra-se penhorado em um processo em trâmite, para garantia de débitos trabalhistas. O governo recorreu, mas a situação continua na mesma, sem definição de futuro.

"O turismo forte, não só em Salvador como na Bahia, é o de lazer, que perdura durante três a quatro meses, no período da alta temporada. Nos períodos de baixa temporada, o que completa a cadeia produtiva são os eventos de grande porte, como semiários, feiras. Para isso, no entanto, precisamos de ferramentas como o Centro de Convenções, e há anos não contamos com essa estrutura, que está estagnada", destacou o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo do Estado (Sindetur/BA), Luiz Augusto Leão.

Leão destaca que não é possível mensurar o impacto causado no setor turístico com a não realização dos eventos de massa, mas diz que os prejuízos são grandes.

"Se formos analisar os valores que a gente agrega, e considerarmos que se trata de toda uma cadeia produtiva, os prejuízos são imensuráveis. Não dá para pontuar. Sem esse equipamento [o Centro], estamos sem ter grande eventos aqui e não temos para onde ir em termos de turismo de eventos. Com isso, perdemos para todo os demais destinos concorrentes, como Ceará e Pernambuco", destacou.

Ainda segundo Leão, os prejuízo não são maiores porque alguns hoteis da capital ainda conseguem realizar eventos considerados de pequeno porte, que recebem público de até 2 mil pessoas.

"O que ainda conseguimos ter aqui são pequenos congressos, de no máximo 2 mil pessoas, que alguns hotéis têm condições de abrigar. Mas só atraem eventos pequenos. Hoje, infelizmente, temos carência muito grande de um espaço. E esse impasse perdura há muitos anos. Defendemos que [o novo Centro] seja construído no mesmo local. Mas se isso não acontecer, que seja em qualquer outro. O que precisam é resolver esse problema e criem logo um mecanismo que nos dê condições de agregar os grandes eventos", destacou.

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia (ABIH-BA) também se posiciona a favor da manutenção do Centro de Convenções da Bahia na mesma localização onde já se encontra. A associação estima que em torno de 10 mil leitos façam parte de hotéis na região do entorno do Centro atual, a exemplo dos bairros de Stiep, onde estão localizados 2.126 leitos, e a Pituba, onde há 2.200 leitos. Desde o último congresso realizado no Centro de Convenções, em 2013, 12 hotéis foram fechados em toda a cidade, segundo a ABIH.

Eventos

Na última vez que foi realizada no Centro de Convenções da Bahia, em novembro de 2013, a Bienal do Livro reuniu 375 expositores e teve recorde de público e visitação escolar em sua 11ª edição. Foram 50 mil alunos e 175 mil visitantes que movimentaram aproximadamente R$ 20 milhões em venda de livros, segundo a organização do evento.

A 12ª edição da Bienal, que ocorreria no ano seguinte, foi transferida para 2016 devido às obras de reforma dos Pavilhões de Feiras A, B e C do Centro de Convenções da Bahia. O evento, no entanto, acabou não mais acontecendo e não há previsão de retorno.

A organização do evento afirma que, pelo tamanho e quantidade de público, a Bienal demanda um amplo espaço, com características específicas para sua realização, só sendo possível ser realizada em um ambiente destinado especialmente para feiras e grandes eventos.

Outro evento que deixou de acontecer no Centro de Convenções foi o XVII Congresso Internacional de Odontologia da Bahia (Cioba). O evento, que constuma reunir mais de 4 mil pessoas, estava inicialmente marcado para os dias 2 e 6 de novembro de 2016, mas acabou acontecendo na Arena Fonte Nova, no mesmo mês, após o desabamento no Centro de Convenções.

O congresso contou com a presença de 380 palestrantes, dos quais 52 vieram de outros países. Além disso, cerca de 140 empresas do setor odontológico também expuseram produtos.

O governo da Bahia informou que ainda não definiu um local para abrigar o novo Centro de Convenções. Segundo a administração estadual, ainda está em vigor a decisão do TRT de suspender a demolição, e que o governo aguarda julgamento do recurso impetrado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), para garantir a continuidade do desmonte da área.

Desmonte

Em meados de março desse ano, o governo havia informado que o desmonte de estruturas metálicas e de concreto do Centro de Convenções, localizado no bairro do Stiep, estava 60% concluído. A retirada das estruturas começou em 9 de janeiro e tinha prazo de 120 dias para ser finalizada - o prazo terminaria em maio. A ideia do governo da Bahia é desmontar a estrutura e definir um novo local para abrigar o Centro de Convenções.

A construtora Magalhães Júnior Locações e Serviços é a empresa responsável por realizar o desmonte. A companhia foi contratada para fazer o desmonte em caráter "emergencial", por dispensa de licitação, e seguiu critérios como menor preço, apresentação de plano de execução dos trabalhos e plano de descarte de resíduos sólidos. O custo do serviço foi avaliado em R$ 1,89 milhão.

À época do desabamento, o Centro de Convenções estava interditado pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) e passava para obras de recuperação desde 2015. Com custo previsto de R$ 5,3 milhões, a empresa Metro Engenharia e Consultoria Limitada executava o serviço de revitalização, previsto para acabar em novembro do ano passado. Uma CPI que iria apurar as causas do desabamento foi arquivada na Alba.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA) sugeriu que fosse realizado um estudo mais detalhado antes da demolição do Centro de Convenções. Um relatório parcial do órgão, divulgado em novembro do ano passado, também apontou falhas que podem ter contribuído para o desabamento de parte da fachada da estrutura.

 

Fonte: G1/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!