18/07/2017

Após condenação de Lula, partidos iniciam movimentos para 2018

 

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última quarta-feira, antecipou as análises de cenários dos partidos para as eleições de 2018. Esquerda e direita, embora em plena articulação de bastidores, se esquivam a apontar saídas seguras para o próximo pleito de 2018. As controvérsias que envolvem os atuais líderes das pesquisas — o próprio Lula e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) — podem abrir caminho para nomes novos, que poderão surgir na complicada disputa à Presidência.

A possibilidade de Lula não participar da corrida dá fôlego aos outros partidos, que começam a costurar nomes que possam ter força para 2018, mas gera dúvidas no PT. O desafio do partido, se o principal representante de fato se tornar inelegível, é encontrar um nome para a disputa. O discurso da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), é de que não há plano B, mas isso deve ser desconstruído ao longo dos próximos meses, acredita o coordenador de análise política da consultoria Prospectiva, Thiago Vidal. Caso o PT pretenda se manter entre as opções, precisa de tempo para construir um candidato alternativo a tempo de conquistar apoios. “Se Lula sair da disputa, o PT terá de fazer o que já devia ter começado há algum tempo: pensar em alternativas. Mas dificilmente fará isso de forma pública.”

Nesse cenário petista, entra o nome de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, cotado por analistas e parlamentares, mas ainda uma dúvida no partido. Na capital paulista, Haddad foi eleito em 2012, mas ficou de fora do segundo turno em 2016. Petistas citam ainda o ex-ministro da Justiça e advogado da ex-presidente Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, e Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul. Outro nome que tem sido citado nos bastidores para representar a esquerda, embora de forma mais tímida, é Jaques Wagner, que foi governador da Bahia e ministro da Casa Civil do governo Dilma. “No fundo, a campanha vai ser em torno de Lula sendo transferidor de votos. O PT indicará um candidato com boa condição de desempenho, mas que talvez não chegue nem ao segundo turno. Ele conseguiu eleger Dilma no auge do sucesso, mas, da segunda vez, foi difícil”, avaliou o advogado Murillo de Aragão, cientista político e chefe da Arko Advice.

A outra opção do PT, caso Lula não possa se candidatar e o partido não queira um novo nome, é apoiar outro candidato da esquerda, como Ciro Gomes, opção mais forte do PDT, e montar uma coalizão de centro-esquerda. Mas o mais provável é que o PT busque um nome próprio, acredita Aragão. “É um partido muito hegemônico. Dificilmente aceitaria apoiar um candidato de fora, salvo uma crise”, comentou o especialista.

Renovação

Vidal lembra que a eleição do ano que vem será de “renovação”. “Qualquer figura política associada ao atual governo dificilmente terá chances de se reeleger, seja deputado, governador ou presidente. Isso abre espaço para os partidos que não estão colados a este governo, sobretudo os mais novos”, disse Thiago Vidal. O deputado Major Olímpio (SD-SP) também se diz descrente de vencedores que sejam conhecidos, na atual conjuntura. “Acho muito precoce qualquer discussão sobre 2018. Talvez quem vá disputar ganhe a eleição por W.O. Acho que brancos e nulos terão maioria”, disse. O deputado apostou em novos nomes, como Joaquim Barbosa, Sérgio Moro e o apresentador Luciano Hulk. “Seja quem for, terá uma chance enorme. O pior cenário são os atuais. Seria o ruim contra o pior.”

Nesse núcleo de “renovação”, também entram candidatos de centro-direita, como João Doria, atual prefeito de São Paulo e um dos nomes mais cotados para disputar a presidência pelo PSDB em 2018. O tucano, no entanto, é uma opção muito mais viável caso Lula não seja impedido de ser candidato. Ele é visto como uma figura “anti-Lula”, mas não como um candidato individualmente forte, a não ser que tenha amplo apoio do PMDB e do DEM. “Ele teria chances, porque assim teria uma força partidária boa. Essa é a equação: candidato forte com estrutura forte”, disse Aragão. A outra opção do PSDB seria o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ele disputou as eleições presidenciais de 2006 e perdeu, mas continua com nome forte dentro do partido, especialmente entre os integrantes mais antigos. O deputado Major Olímpio destacou que as apostas do PSDB, ou estão envolvidas em escândalos, ou sendo processadas. Doria está limpo, mas vai ter que lutar contra o criador, Alckmin.

Para os eleitores e aliados de Bolsonaro, a vitória é certa se Lula não for preso. Torcem, inclusive, para que o líder do PT só seja condenado após o pleito de 2018. A situação para o militar só se complicaria se outros entrarem na disputa. Para o deputado Capitão Augusto (PR-SP), a polarização ajuda Bolsonaro. “Com Lula, Bolsonaro vai para o segundo turno”, disse. O delegado Éder Mauro (PSB-PA) lembrou que Bolsonaro encostou em Lula na corrida presidencial. “Lula só tem os 30% da esquerda. A única coisa de que precisamos é de outros partidos, que venham a se unir a nós. Bolsonaro ainda não tem coligações”, lembrou.

Performance

Mesmo se Rodrigo Maia, presidente da Câmara, vier a ser presidente este ano, por ser o sucessor legal, caso Michel Temer seja retirado da presidência da República, ainda há dúvidas se ele teria capacidade de ser reeleito. “Ele estando no poder sempre tem o mínimo de chance, porque está com a caneta na mão, mas, na atual conjuntura, acho bem difícil que se reeleja. Ele não é conhecido por ter muitos votos”, disse Vidal. Maia é um deputado com recall eleitoral baixo, teve 53 mil votos em 2014. Além disso, a tendência é que, se chegar à presidência da República, será com o apoio do PSDB e dos outros partidos da atual base. Sem esse pano de fundo, ele não teria chances em eleições diretas. A melhor opção do DEM, nesse caso, seria apoiar o candidato tucano. O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), diz que ainda é cedo para o partido indicar um nome. “Primeiro temos de regularizar a situação dentro do país; a eleição de 2018 vem depois. Existem mil variáveis que precisam ser levadas em conta. Imaginar que o DEM tem um candidato agora é prematuro”, afirmou. Segundo ele, é “muito provável que o DEM, como vem fazendo, se articule com vários partidos de centro, como forma de encontrar uma candidatura”. Essas conversas já estão em andamento com PSB e PR, por exemplo. “Seguramente, o DEM haverá de montar articulações com partidos de centro para tentar encontrar um nome de consenso”, declarou Agripino.

Já o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), defende publicamente que o partido lance seu próprio candidato. Além de Rodrigo Maia, ele cita, entre as opções, o senador Ronaldo Caiado (GO) e o atual prefeito de Salvador, ACM Neto. “Acredito que Lula não participará das eleições. Mas o DEM, em qualquer cenário, tem potencial. O partido se viabilizou como alternativa. A maior chance é que ele tenha mesmo um candidato, diferentemente dos anos anteriores. Queremos ser cabeça de chapa. Foi uma construção feita durante todos esses anos e agora estamos preparados para isso”, disse Efraim, que define Maia como uma “boa opção, coerente e que cresceu muito no comando da Câmara”.

O que os tucanos querem, todos querem...e o que todos querem, os tucanos não querem

O que os tucanos querem, todos querem: o poder.

Quando da crise de Fernando Collor, existia Mario Covas. Depois do encontro que os quatro grande do partido tiveram com Collor, Covas jogou areia no desejo deles.  Queriam o poder, como o PFL quis e imediatamente aderiu. Quando Collor caiu, sobrava ao PFL mudar de nome. Como se fosse possível, com a mudança de partido, o povo esquecer quem eram eles. Os que entraram, nunca mais voltaram. Mudaram de nome, ganharam os adesistas de outros partidos, e hoje são a terceira força a também aderir. Jamais ganharão do povo o direito de serem mandatários. Serão sempre acessórios. O que também está acontecendo já com os tucanos, que jamais serão mandatários. Serão sempre acessórios. O que todos querem, porque não se comprometem e imaginam que não são identificados.

O que eles querem, o povo não quer: eles no poder. Eles sempre querem a "Lei do Gerson": conseguir sem esforço. No caso deles, conseguir sem o voto. Agora, torcem para o partido do Judiciário, para ver se conseguem ganhar no tapetão. A lei do Judiciário pode excluir nomes, mas não pode impedir a vontade do povo. Se hoje existe a preferência por um nome, é porque esse nome fala a língua que o povo entende. Bolsa, para o povo, é um acessório de mulher. Mercado é feira. E o povo só consegue fazer feira na hora da xepa, que é o fim da feira.  Ainda há aqueles que acreditam que o povo fala a língua ou entende a língua dos que não querem o povo no poder. As instituições são fortes demais, e quem vai fazer o poder é o povo, pelo livre direito do voto democrático. É a única arma que o povo tem. As instituições, por estarem fortes, não permitirão nenhum tipo de golpe. E aí vamos ver o resultado. Será o do povo, ou daqueles que preferem a boquinha?

Condenação em segunda instância não tira Lula do jogo

O destino do ex-presidente Lula será analisado por três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), sediado em Porto Alegre. A perspectiva é de que o caso seja finalizado no prazo de um ano. Uma condenação em segunda instância, em tese, impediria Lula de concorrer à presidência. No entanto, o advogado Erick Wilson Pereira, que preside a Comissão Especial de Direito Eleitoral do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, afirmou ao DIA que “a condenação em segunda instância não significa que o candidato está fora do processo”, já que há a possibilidade de ele concorrer abrigado por liminares. Na quinta-feira, Lula declarou que vai se candidatar à Presidência em 2018, a despeito da condenação. “Se alguém pensa que com essa sentença me tiraram do jogo, podem saber que estou no jogo”, afirmou Lula.

Petrobras

O juiz federal Sergio Moro recebeu o pedido da Petrobras para que os valores da suposta “conta-corrente geral de propinas” da empreiteira OAS com o PT, que teria sido abastecida com desvios em contratos da estatal, sejam restituídos à empresa. Moro determinou o ressarcimento de R$ 16 milhões, com correção monetária desde dezembro de 2009. O pedido está ligado ao processo em que Moro afirma que Lula recebeu um triplex da empreiteira OAS, em troca de favorecimento em contratos de licitação de obras em refinarias da Petrobras. O juiz mandou confiscar o triplex. Lula foi condenado a 9 anos e seis meses de prisão, A defesa nega que o apartamento seja do presidente. Os desembargadores, assim que a apelação dos defensores de Lula chegar a Porto Alegre, deverão se debruçar sobre as chamadas 'provas indiretas', utilizadas por Moro na condenação, já que o apartamento nunca esteve no nome do ex-presidente e continua registrado como sendo de propriedade da OAS Empreendimentos. Notas fiscais, anotações rasuradas, contratos de serviços, mensagens de e-mail, registros de imóvel, laudos periciais e delações estão entre elas. A validade dessas ‘provas indiretas’ deverá ser, segundo juristas, o fator determinante para a manutenção ou não da sentença proferida contra Lula pelo juiz Sergio Moro.

'Quero dedicar minha vida para provar que Brasil pode ser diferente', diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 16, que vai dedicar o tempo de vida que lhe resta para provar que o Brasil pode ser diferente e que a situação sócio econômica atual dos brasileiros pode mudar. A opinião foi expressa em vídeo postado em sua conta no Facebook, em que criticou o atual governo e o Congresso Nacional que, de acordo com ele, está desmontando as conquistas dos trabalhadores. "As pessoas no Brasil hoje estão com a autoestima baixa porque a economia está muito ruim, há uma desagregação do ânimo da sociedade por conta do desemprego", disse o ex-presidente. "Nós temos um governo que não representa absolutamente nada. Temos um Congresso desacreditado, que está desmontando conquistas dos trabalhadores nos últimos anos", continuou. O ex-presidente foi condenado a nove anos e seis meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Operação Lava Jato.

Segundo o petista, se as pessoas não tiverem autoestima, não tiverem esperança nas pessoas que governam o País, nada vai acontecer. "Todo mundo acorda azedo, todo mundo vai dormir azedo, xingando os vizinhos. Ao invés de olhar para seus próprios defeitos, começam a culpar", observou. Lula afirmou no vídeo que teve o prazer de viver no País o momento de maior autoestima do povo. "As pessoas acreditavam, sonhavam, tinham emprego, queriam estudar. Tudo isso foi possível criar e agora nada parece ser possível. Nós precisamos voltar a ter autoestima, acreditar no País, acreditar no potencial do Brasil, acreditar que é possível um Brasil ser diferente", afirmou. "Tenho consciência de que o Brasil, se governado por alguém que goste do povo, que conviva com o povo, que ouça o povo, pode melhorar. É nisso que eu acredito e quero dedicar o resto de tempo que tenho na minha vida para provar que estas coisas podem acontecer e que o Brasil poderá ser diferente." Lula disse ainda que o Brasil precisa de menos ódio e mais amor, de menos ódio mais paz, de menos ódio e mais tolerância, de menos preconceito e mais compreensão. "A gente tem que entender que há pessoas mais competentes do que a gente, que crescem mais do que a gente, que pode trocar de carro e a gente não pode ter preconceito com as pessoas que progridem e nem ter inveja. A gente tem que torcer para que as pessoas possam vencer na vida porque se elas podem nós também podemos", aconselhou o ex-presidente. Ele disse que essa é a sociedade com que sonha e quer ajudar a construir no resto de vida que ainda tem.

"Para a natureza parece que é pouco porque eu já tenho 71 anos, mas como eu acho que vou viver até os 100 anos, eu vou ter muito tempo pela frente para ajudar a construir o Brasil que todo mundo deseja", concluiu.

Enquanto MP não provar nada, vou continuar andando por esse país', diz Lula

O ex-presidente Lula voltou a contestar a sentença do juiz Sergio Moro, que determinou sua condenação no caso do tríplex do Guarujá, e a se apresentar como candidato à presidência em 2018, durante evento neste sábado. Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em evento de posse da direção do Partido dos Trabalhadores (PT) de Diadema, em São Paulo, Lula reafirmou que a única prova que existe no processo é de sua inocência. "Se o MP Ministério Público provar algum contrato, alguma assinatura, algum cheiro meu naquele apartamento, eu peço desculpas a vocês. Enquanto isso, vou continuar andando por esse País. Se vou ser candidato ou não, é outra história."

Segundo o petista, nas quase 280 páginas da sentença não há menção aos benefícios que ele teria recebido. "Reconhece que o apartamento pelo qual estou sendo julgado não é meu." Ele ainda voltou a dizer que o julgamento é político e que Moro aceitou uma "mentira". "Eles não estão me julgando, mas as coisas que fizemos pelo País". E completou depois: "Tenho consciência tranquila de que ninguém que me processa é mais honesto do que eu." Lula disse à militância para contar com ele para "consertar" o Brasil. "Se vocês quiserem que esse País volte a crescer e a ser respeitado, eu sei como fazer. Se vocês (governo) não sabem, deixem de destruir esse País", afirmou o petista.

Durante todo o discurso, o ex-presidente fez críticas ao governo Michel Temer, lembrando o elevado número de desempregados do País e criticando mudanças, como as na lei do pré-sal. Além disso, ele exaltou as conquistas sociais e econômicas da gestão do PT. "Sou presidente de todos, mas todos sabem que tenho lado e para quem vou governar", disse, referindo-se às classes econômicas mais baixas.

OBSERVAÇÃO DO MB: Apesar dos discursos, Lula em conversa com aliados e com setores da imprensa já confirmou que, caso retorne ao Poder, nada fará para alterar as mudanças impostas pelo governo Temer, principalmente aquelas que mais prejudicam a população, como as Reformas Trabalhistas e da Previdência, o que significa dizer, que o governo Lula em caso de retorno, será uma continuidade dos seus oito anos anteriores, em que promoveu uma grande aliança com as elites, dando a elas a mão com os anéis, sobrando para o povo apenas as migalhas, como o Bolsa Família.Mesmo com tudo que está acontecendo, o sr. Luis Inácio Lula da Silva parecem que, como seu partido, não aprenderam a lição.

 

Fonte: Correio Braziliense/Jornal do Brasil/O Dia/Agencia Estado/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!