18/07/2017

PCdoB aponta parcialidade de Moro, mas culpa Lula

 

 “A condenação em primeira instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo reacionário juiz Sérgio Moro, divulgada na última quarta-feira, expressa uma evidente parcialidade jurídica através da espetacularização midiática”. A afirmativa é do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em nota divulgada neste sábado.

Segundo a legenda, a sentença de Moro trata-se, antes de mais nada, de “uma clara negação de princípios elementares do Direito e um plano de criminalização deliberada das lideranças petistas, que perderam o apoio do grande capital, seu principal aliado no período em que estiveram à frente do governo federal”.

  • Leia, adiante, a nota do PCB:

“A condenação de Lula ocorre no dia seguinte à aprovação, pelo Senado Federal, da contrarreforma trabalhista, o mais brutal ataque aos direitos da classe trabalhadora nos últimos tempos. A iniciativa do Juiz Moro, amplamente anunciada nos meios de comunicação burgueses, parece querer retirar de foco as investidas do governo e dos capitalistas contra os trabalhadores, a juventude e os setores populares.

“No mesmo dia em que Lula foi condenado, Geddel Vieira Lima, braço direito de Temer, foi conduzido para prisão domiciliar, Aécio Neves (PSDB-MG) continua livre e atuando no Senado, e Michel Temer ainda consegue arregimentar apoios no Congresso, tentando evitar, a qualquer preço, sua queda.

“As operações de combate à corrupção comandadas pela Polícia Federal e por setores do Judiciário, em especial a Operação Lava Jato, demonstram haver um direcionamento político, de cunho abertamente reacionário. O alvo das operações não é o poder econômico corruptor.

Métodos da burguesia

“Os acordos de leniência e as insignificantes multas impostas às grandes empresas envolvidas, diante do orçamento destas, comprovam que o intuito das operações não é o de combater a raiz econômica das relações promíscuas entre empresários e as diversas frações do Estado Burguês. Nem poderia ser assim. A Justiça burguesa age, no fundamental, para manter a ordem presidida pelo capital. E a corrupção é prática endêmica ao capitalismo.

“Até agora, o principal ‘crime’ já provado do ex-presidente Lula, do ponto de vista político e dos interesses da classe trabalhadora, foi a decisão de governar com o programa e os métodos da burguesia. A conciliação petista foi fundamental para o fortalecimento de monopólios nacionais e internacionais, do agronegócio e do sistema financeiro.

“Lula e demais lideranças petistas atuaram como verdadeiros serviçais lobistas para a expansão dos negócios de capitalistas nacionais na América Latina e na África. Essa opção política do PT implicou no abandono das bandeiras históricas da esquerda brasileira, como a reforma agrária, a centralidade da luta de massas, o respeito à democracia de base, o fortalecimento da educação e da saúde públicas, assim como a luta contra as privatizações e pela soberania nacional.

Alianças

“Para fazer valer o programa voltado a aprofundar o capitalismo monopolista no Brasil, os governos petistas adotaram papel apassivador dos sindicatos e movimentos populares, além de se envolverem profundamente com toda lama da corrupção intrínseca à democracia burguesa.

“Portanto, ao mesmo tempo em que o PCB repudia a condenação jurídica do ex-presidente Lula, destaca fortemente o fato de que o líder petista está sendo mais uma das vítimas de um processo de avanço do conservadorismo e fortalecimento da direita que têm íntima relação com a decisão do PT em priorizar as alianças com o grande capital e o cretinismo parlamentar.

“Na atual conjuntura, marcada pela crise econômica e as disputas no interior do Estado, a burguesia realiza uma verdadeira tática de guerra contra os trabalhadores. A fim de manter os seus lucros, atrair investimentos internacionais e manter a economia brasileira subordinada aos centros imperialistas, a burguesia brasileira adota um programa de retirada de direitos trabalhistas, sociais e políticos dos trabalhadores.

Perspectiva ultrapassada

“Para grande parte dos capitalistas, não mais interessa a política de conciliação, e a ação desenvolvida pelo capital é no sentido de arrancar à força um novo patamar de reprodução do sistema, visando à retomada do crescimento econômico com base na brutal desvalorização da força de trabalho, por meio da destruição de direitos sociais e trabalhistas. Por isso, sem dúvida, a perspectiva da conciliação de classes representada por Lula e o PT é uma perspectiva ultrapassada e uma falsa alternativa para a luta dos trabalhadores.

“O próprio Lula, dias antes a sua condenação, dava declarações segundo as quais, caso eleito em 2018, não iria anular as reformas impostas pelo governo golpista de Temer.

“Reforçamos, então, a necessidade de fazer avançar a luta e a organização popular desde já, para além da perspectiva eleitoral. O que vai determinar a anulação da reforma trabalhista, o impedimento da aprovação da reforma da previdência e a garantia dos direitos democráticos dos trabalhadores é a pressão e a organização dos movimentos dos trabalhadores e da juventude.

“Neste sentido, o PCB continuará reforçando as manifestações, frentes e iniciativas unitárias que, realmente, se contraponham aos ataques e ao programa de retrocessos da burguesia brasileira.

“Pela reorganização da classe trabalhadora, sem conciliação!

“Pela derrubada do governo golpista, com anulação das contrarreformas!

“Pelo Poder Popular e o Socialismo!”.

Partido Comunista Brasileiro – PCB

PCdoB a caminho de aliança com DEM

Enquanto o PT rejeita qualquer diálogo com o presidente Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), caso ele assuma a Presidência no lugar de Michel Temer, o PCdoB deixou o caminho aberto para uma aproximação.

Antagonistas no campo ideológico, os integrantes do PCdoB e Maia sempre mantiveram boas relações no Congresso Nacional. A proximidade pode se transformar em aliança se o deputado do DEM suavizar a defesa da reforma trabalhista.

As duas partes têm conversado discretamente sobre isso. No PCdoB, o maior entusiasta da articulação é o ex-ministro Aldo Rebelo, amigo de Maia.

Com o acirramento da crise e a radicalização do discurso do PT após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PCdoB passou a discutir com outras siglas da oposição, como PDT e parte do PSB, a formação de um bloco parlamentar partidário independente.

“Observo no movimento de dois partidos – PT e PSDB – um roteiro de isolamento. Acreditamos que deve haver um diálogo com o PDT e parte do PSB. Sobre Maia, só há espaço de diálogo se ele não tiver um discurso radical de direita”, diz o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

Questionada sobre esse cenário, a deputada Luciana Santos (PE), presidente nacional do PCdoB, não descartou a aproximação. “O PCdoB se caracteriza por ser firme nos objetivos e flexível nas construções políticas que barrem o retrocesso no País”, afirma Luciana.

Apoio

Em caráter reservado, integrantes do PCdoB lembram que Maia apoiou Rebelo quando o ex-ministro se elegeu presidente da Câmara, em 2005. No ano passado, foram eles que apoiaram a candidatura vitoriosa do deputado do DEM. Em meados de maio, lideranças do PCdoB, PDT, PSB e SD chegaram a articular a candidatura de Rebelo como vice de Maia em caso de eleição indireta.

O Estado apurou que Maia e Rebelo, que está sem cargo público, se encontraram diversas vezes nos últimos meses. Questionado, o presidente da Câmara reconhece uma única conversa durante a atual crise política, em jantar na embaixada da China. Rebelo não foi localizado pela reportagem.

Marina Silva lança candidatura a 2018 com alianças conservadoras

Ex-senadora e candidata derrotada nas últimas eleições, Marina Silva (Rede) confirmou, neste domingo, a sua candidatura. A decisão foi tomada um dia após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada. Ex-petista, Marina Silva segue em sua marcha para a direita e tenta atrair, para sua chapa, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. Ela endurece o discurso contra a esquerda ao convidar também o ex-ministro da Corte Carlos Ayres Britto, para que concorra ao Senado.

Marina Silva reuniu os principais líderes de sua legenda para uma avaliação sobre o quadro político brasileiro, com vistas a 2018. Com ar messiânico, mas sem apresentar uma definição clara sobre seu destino político, a cidadã acreana deixou antever que será candidata e precisa montar uma agenda neste sentido.

Marina x Lula

Em outra pista sobre seu posicionamento no quadro político, em recente artigo publicado em um diário especializado em economia, para assinantes, escreveu que “não custa nada responder à adequada provocação do filósofo e a do advogado romano (Sêneca), lançando mão da assertiva afirmação de outro filósofo, o francês Maurice Blondel, para quem ‘o futuro não se prevê, prepara-se”.

Sobre a disputa com o líder disparado nas pesquisas de opinião, o ex-presidente Lula, e o possível apoio do PMDB a um candidato tucano, Marina tenta se distanciar.

— Não posso acreditar que os dois partidos que governaram juntos, que patrocinaram juntos tudo o que está acontecendo, seja na crise política, na crise econômica, na crise social e na crise da Petrobras, um possa ser subtraído como o problema e o outro possa ser ungido como a solução — concluiu.

Pressão de Doria acirra racha sobre futuro do PSDB

A pressão desencadeada pelo prefeito João Doria pela saída definitiva e imediata do senador Aécio Neves (MG) da presidência do PSDB agravou ainda mais a crise no partido, que está dividido entre permanecer ou deixar o governo Michel Temer. Os tucanos enfrentam agora outro racha, desta vez envolvendo a realização de uma convenção nacional tucana e a mudança da configuração de sua Executiva.

Parte da cúpula partidária avalia que Doria se excedeu ao defender publicamente, anteontem, durante um evento na capital, a saída de Aécio "desde já" da presidência do PSDB. O prefeito também pediu mudanças na Executiva da legenda para acomodar um representante dos prefeitos eleitos em 2016 e indicou para a vaga o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando.

Até aliados de Aécio reconhecem que o senador deve renunciar à presidência da legenda, mas esperam uma "saída honrosa". Por isso, dizem acreditar que as declarações do prefeito dificultam o diálogo interno.

O grupo de Aécio resiste à ideia de uma mudança total do comando partidário, que viria acompanhada de uma "autocrítica" e "atualização do programa" da legenda. O meio-termo encontrado foi a realização, em agosto, de uma reunião ampliada com todos os membros do Diretório Nacional do PSDB. Nesse encontro, Tasso seria efetivado presidente do partido, e Aécio se afastaria.

 

Fonte: Correio do Brasil/Agencia Estado/Correio do Brasil/Tribuna/Municipios Baianos

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