18/07/2017

Cientistas buscam formas de combater bactérias hospitalares

 

Elas já estavam por aqui há, pelo menos, 3,77 bilhões de anos. Quase tão antigas quanto a própria Terra, é natural que as bactérias tenham colonizado cada milímetro do planeta. Incluindo o próprio homem, que tem mais micróbios em seu interior que células. Mesmo os ambientes aparentemente imaculados, como hospitais, não estão livres delas.

Por isso, pesquisadores estão mapeando as populações bacterianas que colonizam serviços de saúde. Embora a maioria das espécies seja inofensiva, algumas, como as ultrarresistentes, podem causar sérias infecções. Descobrir como se dá a interação entre a vida invisível que habita seres humanos e superfícies hospitalares ajuda a prevenir contágios graves.

Esse é o objetivo do Projeto Microbiota dos Hospitais, mantido por um consórcio de pesquisadores liderados pela Universidade de Medicina de Chicago, nos Estados Unidos. Durante 12 meses, os cientistas mapearam a diversidade bacteriana dentro de uma unidade de saúde recém-inaugurada na cidade norte-americana. Depois, avaliaram cuidadosamente as espécies detectadas e publicaram os primeiros resultados na revista Science Translational “Nós criamos um mapa detalhado, extremamente relevante para a prática clínica, da troca microbiana e da interação de micróbios em um grande ambiente hospitalar”, explica o chefe dos estudos, Jack Gilbert, diretor do Centro de Microbiota da instituição. “Esse mapeamento descreve um ecossistema microbiano próspero, que interage regularmente com os pacientes, de forma aparentemente benigna”, continua. “Pelo menos, a maioria das pessoas não parece ser afetada negativamente”, completa.

O estudo Colonização bacteriana em um hospital recém-aberto começou dois meses antes de a Universidade de Medicina de Chicago abrir seu novo hospital, o Centro de Cuidados e Descobertas, em fevereiro de 2013. Nos 10 meses seguintes, os pesquisadores continuaram a minuciosa investigação. Coletaram mais de 10 mil amostras e detectaram DNA microbiano em 6.523 delas. As bactérias estavam em 10 salas de atendimento e em duas estações de enfermagem próximas a elas, uma sala de cuidados de pacientes cirúrgicos e outra, de pacientes oncológicos.

Os cientistas esfregaram as mãos, as narinas e as axilas de cada paciente, assim como as superfícies que eles poderiam ter tocado, como suporte de soro e mesinha de cabeceira. Eles coletaram amostras de salas próximas e de múltiplas superfícies, incluindo o piso e o filtro de ar. Cada quarto era limpo diariamente, com uma higienização mais vigorosa após a alta dos ocupantes. Além disso, os pesquisadores coletaram amostra dos enfermeiros e das unidades de enfermagem, incluindo mãos, luvas, sapatos, camisetas, estação de trabalho, cadeiras, computadores e telefones celulares.

Pela pele

Assim que o hospital abriu, micro-organismos como Acinetobacter e Pseudomona, abundantes durante a construção e a fase de preparação para a inauguração, foram rapidamente substituídos por micróbios encontrados na pele humana, como Corynebacterium, Staphylococcu e Streptococcus, trazidos pelos pacientes. “Antes da abertura, o hospital tinha uma diversidade relativamente baixa de bactérias”, diz Gilbert. “Mas logo que ficou povoado por pacientes, médicos e enfermeiros, as bactérias de suas peles tomaram conta”, diz.

Essa era a primeira de uma série de alterações no ecossistema bacteriano. No primeiro dia de atendimento, os micróbios tendiam a se mover das superfícies dos quartos (cabeceiras, bancadas e suportes de soro) para o corpo do paciente. Mas, nos dias que se seguiram, essa movimentação ocorreu na direção contrária: os micróbios dos pacientes passavam para o quarto, aumentando a diversidade bacteriana encontrada nos móveis e nos objetos. “Em 24 horas, a microbiota dos pacientes dominou o espaço hospitalar”, conta o pesquisador.

Além disso, os pesquisadores descobriram que os membros da equipe do hospital, que geralmente estavam com luvas ou máscaras ao entrar no quarto dos pacientes, transferiam mais de seus micróbios para os internos — que não utilizavam esse tipo de proteção — do que o contrário. Fatores clínicos, como se os pacientes estivessem recebendo quimioterapia, antibióticos ou se estivessem se recuperando de cirurgia, não tiveram impacto significativo na diversidade de bactérias coletadas na pele deles. De forma inesperada, os pesquisadores também constataram que, no verão, quando a umidade é mais alta, os médicos e os enfermeiros tinham mais micróbios semelhantes entre eles do que no inverno, sugerindo que trocam bactérias com maior frequência na estação do calor.

As superfícies são negligenciadas. Elas deveriam ser encaradas como um paciente: ou seja, o profissional deveria limpar as mãos sempre depois de tocá-las”

Cientistas anunciam novo antibiótico eficaz contra bactérias resistentes

Cientistas anunciaram a descoberta, em um teste na Itália, de um novo antibiótico eficiente contra as bactérias resistentes.

O novo antibiótico, produzido por um micróbio encontrado no solo, que foi batizado como "pseudouridimycine" (PUM), conseguiu destruir uma ampla gama de bactérias, muitas delas resistentes, durante os testes de laboratório. Também foi capaz de curar alguns ratos infectados com escarlatina.

A descoberta foi publicada na revista americana Cell.

O pseudouridimycine neutraliza a polimerase, uma enzima essencial para todas as funções de cada organismo.

Seu mecanismo, no entanto, é diferente ao da rifampicina, uma categoria de antibiótico que atua na mesma enzima. Também é 10 vezes menos suscetível de desencadear resistência como os antibióticos atualmente no mercado.

O "pseudouridimycine" (PUM) matou 20 espécies de bactérias de laboratório e foi particularmente eficaz contra os estreptococos e estafilococos, que muitas vezes são resistentes a múltiplos antibióticos.

Os testes clínicos com o novo antibiótico podem começar em três anos e chegar ao mercado dentro de uma década, afirmaram os cientistas da Universidade Rutgers-New Brunswick e da empresa italiana de biotecnologia Naicons.

A descoberta demonstra mais uma vez que as bactérias encontradas no solo são a melhor fonte de novos antibióticos, destaca a pesquisa.

Estudo fornece novos elementos para compreender causas do autismo em crianças

Um novo estudo revela que há um forte componente genético na maneira como crianças olham para o mundo – em especial na preferência em focar o olhar nos olhos, no rosto, ou em outros objetos durante a interação com outras pessoas. De acordo com os autores da pesquisa, publicada na revista Nature e realizada por cientistas de universidades dos Estados Unidos, os resultados do experimento fornecem novos elementos para compreender as causas do autismo.

Utilizando uma tecnologia desenvolvida para rastrear o olhar, o estudo mostrou que os movimentos feitos pelos olhos ao buscar informações no ambiente são fortemente dependentes de fatores genéticos em todas as crianças e anômalos em crianças autistas. “Agora que sabemos que a orientação visual social é fortemente influenciada por fatores genéticos, temos um novo caminho para rastrear os efeitos diretos dos fatores genéticos no desenvolvimento social da primeira infância e de desenhar intervenções que garantam às crianças autistas que elas possam adquirir os estímulos ambientais sociais de que elas precisam para crescer e se desenvolver normalmente”, disse o autor principal do estudo, John Constantino, da Universidade de Washington em St. Louis.

De acordo com Constantino, o experimento realizado pelos cientistas mostra um mecanismo específico pelo qual os genes podem modificar a experiência de vida de uma criança. “Duas crianças na mesma sala, por exemplo, podem ter experiências sociais completamente diferentes se uma delas tem uma tendência hereditária a focar em objetos, enquanto outra olha para os rostos. Essas diferenças podem se reproduzir repetidamente à medida que o cérebro se desenvolve no início da infância”, explicou Constantino.

A PESQUISA

No experimento, os cientistas avaliaram 338 crianças com idades de 18 a 24 meses, utilizando uma tecnologia de rastreamento do olhar que identificou precisamente os pontos nos quais os olhos se fixam - e por quanto tempo –, enquanto as crianças assistiam a vídeos que mostravam pessoas falando e interagindo com elas.

Fizeram parte do estudo 41 pares de gêmeos idênticos, 42 pares de gêmeos fraternos - que compartilham apenas 50% do DNA -, 84 crianças sem parentesco entre elas e 88 crianças diagnosticadas com autismo. Cada gêmeo foi testado independentemente, em momentos diferentes, sem a presença do irmão.

O experimento mostrou que o tempo gasto por cada gêmeo - idêntico ou fraterno - olhando para o rosto de outra pessoa foi praticamente idêntico ao tempo gasto pelo irmão. Mas os gêmeos idênticos movimentaram os olhos de forma praticamente igual à dos irmãos - mudando de foco ao mesmo tempo e nas mesmas direções. Enquanto isso, entre os gêmeos fraternos, só 10% dos movimentos coincidiam, o que comprova o forte componente genético na maneira como as crianças olham o mundo.

Em estudos anteriores, os cientistas já haviam mostrado que, nas crianças autistas, o olhar para objetos prevalece em relação ao olhar para rostos ou olhos. Segundo os autores, o novo estudo estabelece uma conexão direta entre os sintomas comportamentais do autismo e os fatores genéticos, o que pode ser um passo importante para desenvolver tratamentos.

“A coincidência a cada momento na duração e na direção das mudanças de olhar entre os gêmeos idênticos foi impressionante. Eles praticamente espelhavam o comportamento do irmão, com variações de 17 milissegundos. Isso comprovou que há um nível muito preciso de controle genético”, disse Constantino. “Passamos anos estudando a transmissão hereditária de suscetibilidade ao autismo nas famílias e agora parece que, rastreando os movimentos do olhar na infância, podemos identificar um fator-chave ligado ao risco genético para o autismo, que já está presente muito antes do momento em que poderíamos fazer um diagnóstico clínico do problema."

Os efeitos também persistiram à medida que as crianças cresciam. Quando os gêmeos foram testados novamente um ano depois, os mesmos fenômenos foram encontrados: gêmeos idênticos continuaram a olhar para os mesmos lugares com uma coincidência quase perfeita, enquanto os gêmeos fraternos passaram a olhar para pontos ainda mais diversos do que na primeira avaliação.

ALTO RISCO

De acordo com Constantino, o autismo afeta uma a cada 68 crianças nascidas nos Estados Unidos e sabe-se que é causado por fatores genéticos. Em um estudo anterior, cientistas da Universidade Emory (EUA) mostraram que bebês entre 2 e 6 meses de idade que olham cada vez menos nos olhos das pessoas têm alto risco de autismo. Constantino e seu grupo, enquanto isso, têm estudado comportamentos sutis que caracterizam o autismo nos parentes próximos de indivíduos com o problema, a fim de identificar suscetibilidades hereditárias.

“Estudos como esse abrem novos caminhos para entender o autismo. Estabelecer uma conexão direta entre sintomas comportamentais e fatores genéticos é um passo crucial para desenvolver novos tratamentos”, disse Lisa Gilotty, do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, que foi um dos patrocinadores do novo estudo.

Os novos tratamentos poderiam incluir intervenções que motivem crianças muito jovens para focar seus olhares mais em rostos que em objetos, de acordo com outro dos autores da nova pesquisa, Warren Jones, da Universidade Emory.

“Testar crianças para ver como elas estão orientando sua atenção visual representa uma nova oportunidade para avaliar os efeitos de intervenções precoces com foco específico na alienação social, como um caminho para evitar as incapacitações mais graves associadas ao autismo”, afirmou Jones. “Essas intervenções podem ser apropriadas para crianças que mostrem sinais precoces de risco, ou para as que nasceram em famílias nas quais o autismo afetou parentes próximos. Além disso, outra prioridade é entender por que algumas crianças que tendem a não olhar nos olhos e rostos desenvolvem incapacidades sociais.”

No Brasil

O dia 2 de abril foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2008, como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O autismo é uma síndrome que afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar também no comportamento do indivíduo. Segundo dados do Center of Deseases Control and Prevention (CDC), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje no mundo um caso de autismo a cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, tenha cerca de 2 milhões de autistas. Apesar de numerosos, eles ainda sofrem para encontrar tratamento adequado.

 

Fonte: PorAdriano Menis Ferreira,Medicine, no Correio Braziliense/uai.com/Municipios Baianos

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