21/07/2017

82% dos atletas de futebol recebem abaixo de três SM

 

Nesta quarta-feira (19), comemorou-se o Dia Nacional do Futebol. No senso comum, a profissão é sinônimo de fama, sucesso e dinheiro fácil. Porém, segundo dados divulgados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 2016, 82% dos jogadores ganham menos de R$ 1 mil por mês. O Brasil tem 28 mil atletas profissionais, que disputam vaga em 680 clubes. Como cada time tem em média 30 jogadores no elenco, não há lugar para todos: um cálculo simples demonstra que a cada quatro atletas, um está sem clube.

A situação se agrava nas equipes menores, que não têm torneios para disputar no segundo semestre. “Além dos baixos salários, a gente precisa considerar que uma parcela significativa dos jogadores trabalha só quatro meses por ano”, acrescenta o vice-presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Paraná, Marcos Aurélio dos Santos, conhecido como Dida. “E essa situação não é só no Paraná. É no Brasil todo”. Além da falta de um calendário de jogos para o ano todo, as principais reclamações dos atletas estão relacionadas ao não cumprimento dos contratos. “Os clubes se precipitam em fazer contratos longos, sem saber se o jogador vai dar certo ou não, e dispensam sem pagar os salários”, afirma Dida. “Quase 90% dos atletas acaba ganhando a ação na Justiça, mas é uma negociação um pouco demorada, e geralmente o salário vem parcelado”.

Quanto menor o time, há menos garantias. “Nos clubes do interior, o maior problema são os contratos informais, sem carteira de trabalho. Como o campeonato é muito curto, os clubes acabam pegando o documento dos atletas, mas nem chegam a assinar carteira. E o jogador só vai saber disso quando o contrato termina”, conta o sindicalista. Em um contexto de cortes de direitos, Dida chama a atenção para as ameaças da reforma trabalhista: “Estamos preocupados, principalmente com relação ao risco de perder os direitos previstos na CLT. Os jogadores não podem perder aquilo que foi conquistado com tanto esforço”, completa. “Em relação ao fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, não fará muita diferença, porque os clubes já não mantinham essa contribuição em dia antes”.

Segundo o vice-presidente do sindicato, o Paraná tem em média sete times profissionais que não disputam partidas no segundo semestre do ano: “Se você multiplicar 30 jogadores, essa é a média de desempregados”. Ou seja, nos meses de maio e junho, cerca de 200 atletas são demitidos no estado. Se algum deles conseguem se transferir para clubes de estado, geralmente um colega de trabalho precisou ser mandado embora – com ou sem as garantias do contrato. Para ajudar a manter a forma física dos jogadores que estão sem clube, o sindicato possui um time de desempregados. São 25 profissionais que treinam todos os dias, sem remuneração, na expectativa de chamar a atenção de olheiros dos maiores clubes do estado. “Nós marcamos amistosos contra o time sub-20 do Atlético Paranaense, do Coritiba, e a prioridade é que eles não percam ritmo de jogo e estejam bem para quando surgir uma oportunidade. Mas é duro”, admite o vice-presidente do sindicato. A carreira costuma atrair jovens com menor grau de escolaridade, e muitos abandonam os estudos no ensino fundamental para se dedicar ao trabalho. “O futebol é um sonho para muitos meninos. Eles acham que todo jogador de futebol pode ser o Neymar. Mas os dados que nós temos, sobre a situação no Brasil, indicam que menos de 3% dos profissionais de futebol ganham acima de três salários mínimos”, completa.

A remuneração mensal de Neymar, atacante do Barcelona e da Seleção Brasileira, é equivalente a 300 mil euros por semana, ou R$ 5,2 milhões por mês. De acordo com os dados disponibilizados pela CBF, o salário dele é cinco mil vezes maior que o da maioria dos jogadores em atividade no Brasil.

Mais de 80% dos jogadores no Brasil ganham menos de R$ 1 mil de salário

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) faz um levantamento inédito através da sua DRT (Diretoria de Registro e Transferências) e divulgou nesta terça-feira alguns "números que ajudam a entender as atividades da realidade do futebol brasileiro", segundo a própria entidade. Os dados deste documento foram divididos em três partes: registro, transferências e salários. Neste último quesito, os valores registrados nos contratos de trabalho dos atletas que atuam no futebol brasileiro mostram a disparidade do esporte por aqui.

Segundo o relatório, mais de 80% dos jogadores recebem até R$ 1 mil de salário, enquanto outros 13% recebem seus vencimentos dentro da faixa salarial de R$ 1 mil a R$ 5 mil. Sem citar nomes, o levantamento mostra que apenas um atleta em todo território nacional foi registrado com o salário acima de R$ 500 mil. Vale sempre lembrar que esses valores são os que constam no contrato de trabalho. É bastante comum no Brasil os clubes dividirem o salário do jogador em um montante na carteira assinada e outro por fora de direitos de imagem - e nesse último é onde entra a maior parte do valor em muitos casos, principalmente de atletas mais badalados e caros.

  • Confira os números:

Salários de até R$ 1 mil - 23.238 jogadores - equivalente a 82,40% do total

Salários entre R$ 1 mil e R$ 5 mil - 3.859 jogadores - equivalente a 13,68% do total

Salários entre R$ 5 mil e R$ 10 mil - 381 jogadores - equivalente a 1,35% do total

Salários entre R$ 10 mil e R$ 50 mil - 499 jogadores - equivalente a 1,77% do total

Salários entre R$ 50 mil e R$ 100 mil - 112 jogadores - equivalente a 0,40% do total

Salários entre R$ 100 mil e R$ 200 mil - 78 jogadores - equivalente a 0,28% do total

Salários entre R$ 200 mil e R$ 500 mil - 35 jogadores - equivalente a 0,12% do total

Salário acima de R$ 500 mil - 1 jogador - equivalente a 0% do total

CBF aponta que 96% dos atletas ganham menos de R$ 5 mil

Mais de 80% dos jogadores do futebol brasileiro ganham até R$ 1 mil por mês – e 96,08% não passam de R$ 5 mil. Os clubes faturaram cerca de R$ 680 mi em transferências para o exterior no ano passado e gastaram quase R$ 115 mi na aquisição de atletas de fora. Ao todo, 83 estrangeiros atuaram no Brasil em 2015. Esses são apenas alguns dados divulgados pelo Departamento de Registro e Transferência da CBF nesta terça-feira, em um relatório sobre os registros, transferências e salários no futebol brasileiro. As informações foram obtidas por meio do sistema que regula os processos de registros e transferência de atletas no Brasil, que passou por uma modernização no ano passado e foi aperfeiçoado neste ano.

Segundo a CBF, 23.238 jogadores de futebol ganham até R$ 1000 mensais em seus clubes, o que equivale a 82,40% dos atletas cadastrados. Ganham até R$ 5 mil 96,08%. Os maiores salários representam pouco mais de 2% do total. Apenas um atleta tem contrato com ganhos acima dos R$ 500 mil mensais. Trata-se do atacante Alexandre Pato, emprestado pelo Corinthians ao Chelsea, da Inglaterra. O sistema considera apenas os salários registrados nos vínculos dos atletas com os clubes. Os valores dos contratos de direitos de imagem não são considerados. Alguns jogadores possuem rendimentos superiores a R$ 500 mil por mês, mas são os valores somados do salário com os direitos de imagem.

Em 2015, 771 jogadores deixaram os clubes brasileiros e foram para o exterior. O caminho contrário foi feito por 580 atletas. Apesar do número alto, apenas 114 transferências – entre vendas e compras – envolveram valores. Na balança, os clubes do país ficaram com R$ 565.353.600,00 em caixa. Outro dado interessante no relatório é o número de rescisões de contrato. Foram registradas 7.973 quebras de vínculos em 2015, que indicam um dos principais problemas no futebol do país: a falta de calendário para a maior parte dos clubes. As rescisões acontecem, sobretudo, após o fim dos estaduais, quando a maioria das equipes não possuem mais competições a disputar. O sistema de registros da CBF aponta 776 clubes profissionais, dos quais apenas 100 competem nas quatro divisões do futebol brasileiro. A CBF registrou ainda 131 rescisões de contrato obtidas na Justiça. Existem ainda mais 435 clubes amadores e 27 clubes formadores. Foram 14.331 transferências nacionais.

Pedido de prisão de Ricardo Teixeira chega ao Brasil

radoria Geral da República (PGR) recebeu nesta quarta-feira pedido da Justiça espanhola para prender Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. O dirigente brasileiro é acusado de desviar milhões de euros em jogos da Seleção Brasileira em esquema que também envolvia o ex-presidente da Nike e do Barcelona, Sandro Rosell, que foi preso no país europeu há dois meses. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a PGR deve acelerar a solicitação de compartilhamento de informações do processo na Espanha para abrir investigação sobre Teixeira no Brasil. O pedido dos dados deve ocorrer ainda nesta semana.

A abertura da investigação no país é a única forma do ex-presidente ser preso já que o Brasil não mantém acordo de extradição com a Espanha. Para ser preso pelo pedido das autoridades espanholas, Teixeira teria que deixar o país. Sem a possibilidade de extraditar o cartola, a PGR teria o compromisso internacional de transferir o processo para o Brasil. A Espanha é o segundo país a pedir a prisão do ex-presidente da CBF, já que os Estados Unidos também já havia solicitado a prisão do dirigente por conta de fraudes ligadas ao futebol nas investigações que culminaram no escândalo de corrupção na Fifa.

Ricardo Teixeira pode responder por 4 crimes no Brasil

O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira pode responder por quatro crimes diferentes no Brasil por sua participação no esquema para desviar milhões de dólares em jogos amistosos da seleção brasileira, com a ajuda de Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona.

Segundo o Estadão, o Ministério Público Federal (MPF) vai solicitar que o processo envolvendo Teixeira seja transferido da Espanha ao Brasil, para que ele possa ser julgado no País. Numa apuração inicial, porém, procuradores estimam que ele poderia responder por estelionato contra a CBF e apropriação indébita seguida de lavagem de dinheiro. Isso tudo sem contar ainda com crimes contra a ordem fiscal e evasão de divisas.

Uma ordem de prisão partiu da juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional em Madri, 15 dias depois da prisão de Rosell e quando os procuradores Vicente González Mota e María Antonia Sanz solicitaram que a Audiência Nacional emitisse a decisão de captura ao brasileiro.

 

Fonte: Brasil de Fato/iG/Lance/Tribuna/Municipios Baianos

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