09/08/2017

A contratação mais cara da história tem pouco a ver com futebol

 

Fim da novela, Neymar enfim resolve todas as pendências e diz sim a proposta do emergente PSG, comandado pelo Estado do Qatar através do Fundo de Investimentos do Emirado do Qatar desde 2011. A estrela brasileira larga um dos melhores clubes e elencos do mundo através da quitação da multa rescisória “impagável” de 820 milhões de reais. Tal valor da multa era considerada impagável devido o “fair play” financeiro imposto pela UEFA que impede clubes gastarem mais do que arrecadam. Porém nesse jogo não existe nada de justo. A contratação mais cara da história do futebol tem quase nada a ver com o esporte mais popular do planeta. A aquisição do jogador pelo príncipe catariano é um misto de posição no mercado internacional, relações externas, propaganda e geopolítica. Mas com bola rolando no gramado é segundo plano na melhor das hipóteses.

O Qatar é um país de ascensão econômica meteórica através das suas reservas de gás e petróleo, alcançando a segunda posição na renda per capita entre todos os países do planeta. Ao contrário de muitos outros Estados que dependem do petróleo, o Qatar diversificou seus negócios em setores estratégicos como no ramo imobiliário, comunicação, transporte, tecnologia e ganhou papel importante na geopolítica do Oriente Médio, devido também por aderir ao multilateralismo. Para se ter uma ideia o Qatar ao mesmo tempo que permite uma base americana em seu território e ter uma relação comercial ativa com a Arábia Saudita, possui também relações diplomáticas com o Irã e abriga movimentos como Hizbollah, a Irmandade Muçulmana e o Taleban. Tal estratégia de agradar a todos não funciona quando uma das partes são os Estados Unidos que já acusa o Qatar de financiar o terrorismo e esta por trás do recente embargos que Arábia Saudita e outros cinco países árabes realizaram contra o Qatar.

O país será a sede da Copa do mundo de 2022, numa sequência após Brasil (em 2014 ) e Rússia (que irá sediar em 2018), ambos do BRICS ao qual EUA sempre enxergou como uma ameaça. A Copa do Mundo tira dinheiro e direitos do povo para a FIFA e grandes empresários lucrarem, mas é inegável que se bem organizada é uma propaganda fantástica para o país sede e ponto importante de ampliar negócios futuros. Isso fez os EUA mexer seus pauzinhos e protagonizar as investigações dos dirigentes corruptos da FIFA e já questionar a Copa no Qatar. Aqui entramos numa polêmica área de discussão entre o imperialismo americano e governos autoritários que enfrentam politicamente e economicamente esse imperialismo. Alguns irão apoiar esses governos autoritários como parte da estratégia para vencer o imperialismo, outros irão criticar os governos autoritários sem fazer o mínimo recorte necessário da questão imperialista. Também terão pessoas que ao criticar um não quer dizer que apoiam o outro. Adianto que faço parte da terceira opção, mas é inegável que refazer o comando da FIFA não foi um gesto benevolente dos EUA contra a corrupção e a favor do futebol, teve interesses. Tal visibilidade do Qatar devido sua ascensão e consequentemente como futura sede da Copa do Mundo também demonstrou seus lados negativos, como trabalho escravo para realizar a Copa.

No meio desse turbilhão o príncipe xeque Hamad bin Khalifa al-Thani no poder do país desde 1995 utiliza o futebol como uma das estratégias para seguir adiante nos seus objetivos. A contratação do Neymar demonstra poder, audácia e imposição no mercado, claro sinal que o país não vai recuar. O brasileiro será o garoto propagando do Governo e da Copa do Mundo. O PSG ter uma saúde financeira, se estruturar, ser vencedor, agradar a torcida parisiense, tudo isso fica secundário. Lógico que se acontecer tudo isso, melhor pro Qatar, mas o que vimos é um novo patamar na apropriação do futebol, seja pelo capital, Estado e/ou capital de Estado. Um clube de futebol jamais conseguiria contratar Neymar, mas 820 milhões de reais para um dos países mais ricos do mundo para reverter essa situação citada é cosquinha. É disso que se trata a crítica ao Futebol Moderno, é o dinheiro mudar a essência do futebol e consequentemente as arquibancadas, aliás passou da hora de mudarmos esse termo para Futebol de Negócios, pois Moderno deixa uma ambiguidade e margem para estúpidos dizerem que sentem saudades de discurso de ódio e zagueiros caneludos que só sabiam bater.

Jornal afirma que Neymar traiu o Barcelona e revela choro

A imprensa espanhola ainda não perdoou Neymar pela ida para o Paris Saint-Germain. Nesta segunda-feira, o jornal "Sport" acusou o jogador brasileiro de mentir, juntamente com seu pai, para o Barcelona. Além disso, ainda afirmou que os dois traíram integrantes do clube.

De acordo com a publicação, Neymar e seu pai "se dedicaram a mentir e alimentar um jogo esquizofrênico" durante a tentativa do Barça de manter o craque. A reportagem ainda afirma que o jogador chegou a "chorar copiosamente" em uma reunião com executivos do clube catalão.

Além disso, o atleta da Seleção Brasileira ainda teria mentido para seus companheiros de time quando disse que ficaria em Barcelona. Isso teria motivado o post de Piqué com o famoso "se queda". Lionel Messi e Josep Maria Bartomeu se mobilizaram para tentar mantê-lo na equipe.

Sem técnicos nas grandes ligas, brasileiros aparecem apenas em três seleções

Beto Bianchi tem 50 anos. Como jogador, iniciou na Portuguesa, em 1978, passou por pequenos clubes até chegar à Espanha, em 1991. Tornou-se técnico em categorias de base no país, passou por Indonésia, Bélgica e Emirados Árabes, e hoje comanda a seleção de Angola. Leonardo Vitorino tem 43 anos. Como atleta, teve experiência em equipes menores do Rio no início dos anos 1990. Formou-se em Educação Física, trabalhou nos Estados Unidos, no Santos de Angola, onde recebeu um convite para trabalhar no Al Gharafa, do Qatar, e não deixou mais a Ásia. Hoje é técnico da seleção do Camboja. Ambos têm algo em comum com Tite, técnico do Brasil. São os únicos brasileiros treinadores de seleções nacionais no planeta.

No entanto, apenas o comandante do time pentacampeão mundial estará na Copa do Mundo de 2018. Angola e Camboja foram eliminados de suas respectivas eliminatórias e não estarão na Rússia. A presença tímida de brasileiros no comando de times no futebol internacional se repete entre os clubes. Na Libertadores, são oito. Todos nas equipes representantes do Brasil no torneio. Nas seis maiores ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Alemanha, França, Itália e Portugal) e na Liga dos Campeões não há técnicos brasileiros. A comparação com a Argentina evidencia a falta de prestígio dos comandantes nascidos por aqui.

Os argentinos estão em oito seleções. Apenas alemães, com 10, e franceses, com nove equipes, ficam na frente. Na Libertadores, os "hermanos" são líderes com folga. São 13 equipes treinadas por eles na competição. Na Liga dos Campeões da temporada passada, estiveram em três times. A Argentina é o único país não europeu que contou com técnicos na maior competição de clubes do mundo. E não para por aí. Há treinadores argentinos nas ligas nacionais da França (Lille), Inglaterra (Southampton e Tottenham) e Espanha (Atlético de Madrid, Alavés e Sevilla).

Técnico de cinco seleções diferentes e com participação em seis Copas do Mundo como técnico e uma como coordenador-técnico, Carlos Alberto Parreira reconhece: o treinador brasileiro não tem tanto prestígio internacional. Mas ele acredita que isso vá mudar. – Nós nunca tivemos protagonismo no futebol mundial. Se me perguntar a razão, é difícil explicar. Talvez a falta de formação dos técnicos brasileiros. Agora começamos a ter com a formação dos treinadores, do idioma. Foram poucas oportunidades. Foram poucos que foram lá para fora. Acho que não falta qualidade para assumir lá fora e ter sucesso – avaliou.

Qual a diferença entre Argentina e Brasil?

Os argentinos não só têm mais representantes em comissões técnicas mundo afora, como são os mais assíduos em seleções expressivas. Das 10 mais bem posicionadas no ranking da Fifa, três equipes contam com um argentino no comando: a própria Albiceleste, o Chile e a Colômbia. Se considerados os 50 melhores da lista, Peru, Egito e Equador também contam com técnicos nascidos na Argentina.

As seleções treinadas por brasileiros – com exceção de Tite – estão na periferia do futebol mundial. Angola é a 141ª no ranking da Fifa, e Camboja ocupa a 173ª posição. A língua espanhola é um trunfo para os hermanos. Facilita a inserção no mercado latino-americano. Mas não é o essencial. A formação faz diferença. A Argentina conta com cursos da Associação de Técnicos do Futebol Argentino desde 1963. No Brasil, a CBF começou o seu curso em 2005. Na Argentina, estudar futebol é um costume, como cita o jornalista Roberto Parrottino, do jornal “Tiempo Argentino”. – Os cursos de treinadores na Argentina são um hobby para muitos amantes do futebol, tanto quanto estudar jornalismo esportivo. Uma espécie de caminho alternativo para entrar no mundo do futebol. Muitos não chegam a jogar na Primeira Divisão, mas sim a ser treinadores. Sampaoli, por exemplo, não jogou futebol profissionalmente – expõe Roberto.

O curso é uma barreira. A CBF está aperfeiçoando a sua escola. Ainda neste ano, deve ampliar os cursos para bases em todas as regiões do país e, como parte de um programa da Conmebol, terá sua licença incorporada pela entidade. A meta é que, em 2019, todas associações sul-americanas exijam que os treinadores façam curso para trabalhar. Para Leonardo Vitorino, atual comandante do Camboja, a formação é um obstáculo para os brasileiros, especialmente para os que ambicionam, um dia, trabalhar fora do país. – Muitos treinadores brasileiros querem oportunidade no exterior, mas têm que se preparar. Se quero trabalhar na liga inglesa, tenho que estar com inglês afiado. O Guardiola, antes de assumir o Bayern, ficou seis meses fazendo alemão. Ele se preparou. Acredito nisso, na preparação. Se um treinador tem sonho, falo do treinador de nível médio, não falo dos tops, se eles têm sonho de trabalhar no exterior, como não vai se preparar? – questiona o técnico.

  • Os argentinos técnicos de seleções:

Jorge Sampaoli (Argentina)

Juan Antonio Pizzi (Chile)

José Pékerman (Colômbia)

Ricardo Gareca (Peru)

Gustavo Quinteros (Equador)

Héctor Cúper (Egito)

Esteban Becker (Guiné Equatorial)

Edgardo Bauza (Emirados Árabes)

O jornalista Roberto Parrottino cita outra particularidade do país vizinho que ajuda a explicar o número expressivo de treinadores com êxito na profissão: Marcelo Bielsa. Os amantes do futebol na Argentina sempre se dividiram pelos estilos de dois grandes técnicos do passado: os “menottistas”, em referência a César Luis Menotti, campeão mundial em 1978, e os “bilardistas”, que seguem Carlos Bilardo, campeão com Maradona em 1986. Mas, segundo Parrottino, Bielsa rompeu essa linhagem e fez surgir uma nova escola. – Ele (Bielsa) cortou essa briga que se tornava insubstancial, reconstruiu ideias e as colocou em debate. O futebol entrou em outro nível. Quando não dirige uma equipe, Bielsa viaja pelo mundo, evangeliza como se fosse um guru, dá conferências de liderança. Ao mesmo tempo, muitos de seus ex-comandados se converteram em técnicos e com relativo êxito: Diego Simeone, Mauricio Pochettino, Eduardo Berizzo, Gabriel Heinze. E outros, que não o tiveram como treinador, são seguidores do “bielsismo”, como Sampaoli e Juan Antonio Pizzi – detalha Parrottino.

O que falta aos brasileiros?

Com experiência em sete países diferentes, Beto Bianchi, treinador de Angola, ressalta que a falta de prestígio internacional dos brasileiros não é culpa apenas dos técnicos. É, também, um resultado da postura dos jogadores. Bianchi reforça que os atletas do Brasil ainda estão em processo de amadurecimento tático. E isso faz efeito no surgimento de novos treinadores. – Sabemos que o jogador brasileiro, em geral, é muito indisciplinado. Dá prioridade à individualidade do que ao conjunto. Na Europa é o contrário. Existe o tabu no Brasil que a disciplina tática tira a individualidade do jogador brasileiro. O Neymar aprendeu muito na Europa e continua criativo como antes – diz o técnico.

O último brasileiro a treinar uma equipe na Liga dos Campeões da Europa foi Leonardo, com a Inter de Milão, em 2011. Ele foi até as quartas de final naquele ano, melhor desempenho de um comandante do Brasil no maior torneio de clubes do mundo. Zico, em 2008 com o Fenerbahçe, também ficou entre os oito melhores da competição.

Leonardo Vitorino, que fez a maior parte de sua carreira como técnico em terras estrangeiras, ressalta outra dificuldade para os conterrâneos: a regularidade. Com a grande rotatividade no Brasil, o currículo de um treinador brasileiro não é bem visto lá fora. – Meu primeiro jogo pelo Camboja foi com uma goleada sofrida por 7 a 0 (para a Jordânia, pelas eliminatórias da Copa da Ásia). Mas não fui demitido por isso. Pelo contrário. Sempre me falam que o objetivo é 2023, ano em que o Camboja vai sediar os Jogos do Sudeste da Ásia. O objetivo é de renovação. Os brasileiros não têm essa oportunidade.

A instabilidade é o motivo pelo qual os poucos treinadores brasileiros em atividade lá fora não voltam. Beto Bianchi, por exemplo, cogita trabalhar no Brasil. Mas acha arriscado. – Meu sonho é voltar, por pelo menos uma temporada. Se tivesse um projeto com paciência. Mas essa cultura de dois, três jogos e mandar embora, é difícil. É um sonho que tenho, mas tenho essa barreira – resume o atual técnico de Angola.

 

Fonte: El Coyote/Lance/GE/Municipios Baianos

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