12/08/2017

Dodge nem assumiu e já desmoraliza a Procuradoria-Geral

 

Como se dizia antigamente, a subprocuradora Raquel Dodge, futura procuradora-geral da República, está se saindo melhor do que a encomenda… Sua falta de habilidade política é impressionante, decepcionante e degradante. Ainda nem assumiu o cargo e já está ficando desgastada. Muitos procuradores que votaram nela na lista tríplice estão arrependidos, porque Raquel Dodge está se tornando uma espécie de Gilmar Mendes do Ministério Público Federal, com atitudes que desmoralizam a instituição.

A Procuradoria-Geral da República é um órgão soberano, que não está subordinado a nenhuma outra instituição. Tem atribuições próprias e não pode se subordinar nem funcionar como linha auxiliar de nenhum dos Poderes da República.

REUNIÃO INDEVIDA

O encontro de Raquel Dodge com o presidente Michel Temer, na calada da noite e fora da agenda, nada teve de republicano. Especialmente porque, segundo a repórter Catarina Alencastro, de O Globo, o Palácio do Planalto informou que a reunião aconteceu a pedido de própria Raquel Dodge, “que ligou para Temer pedindo para conversar, e ele, que já estava no Jaburu, a convidou para ir até lá”.

O pior foi a justificativa

Raquel Dodge alegou que o encontro foi para combinar a cerimônia de posse no Planalto, que não é nem assunto de autoridades, deve ser tratado pelas respectivas assessorias. E tudo isso às 22 horas desta terça-feira, um dia depois de  o presidente Temer haver arguido ao Supremo a suspeição do atual procurador Rodrigo Janot, atual superior hierárquico de Raquel Dodge… Bem, para os que não acreditam em coincidência, é um prato feito.

OUTRA REUNIÃO

O pior é que a subprocuradora não parou por aí. Na quarta-feira, tinha reunião agendada com o ministro Gilmar Mendes, integrante do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, com participação também do ministro da Defesa, Raul Jungmann, e do ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Sérgio Etchegoyen, dois homens de confiança de Temer. Segundo a agenda de Gilmar, a pauta era “o crime organizado nas eleições”.

Ora, fica claro que a pauta foi concebida exclusivamente para justificar a presença de Gilmar Mendes no comando da reunião, cujo objetivo jamais seria “o crime organizado nas eleições”. Se isso fosse verdade, eles teriam de estar debatendo como tornar segura a urna eletrônica, através do voto impresso, e como garantir a segurança da apuração, que não teve transparência na eleição de 2014, gerida pelo ministro petista Dias Toffoli.

Detalhe importante: a subprocuradora Raquel Dodge nada tem a ver com a prevenção ao crime organizado eleitoral, rigorosamente nada. Sua função é atuar “a posteriori”, na investigação e punição.

OBJETIVO REAL

As reuniões no Jaburu e no Supremo, com Temer e Gilmar tiveram o objetivo real de submeter a futura procuradora-geral da República, como se a eles fosse subordinada, mas não é.

Temer e Gilmar já conseguiram que Raquel Dodge caísse na armadilha inicial do relacionamento direto com eles, entrando numa intimidade que sem dúvida prejudica a isenção de quem investiga e faz denúncia. Ao aceitar a aproximação, ela se descarta da postura de distanciamento que deve pautar a atuação da Procuradoria-Geral da República. Em tradução simultânea, poder-se-ia dizer que Raquel Dodge está agindo como Gilmar Mendes e contribuindo para aumentar a promiscuidade institucional. E o resultado é desmoralizar o Ministério Público Federal, antes mesmo de assumir.

No entanto, deve-se dar à futura procuradora-geral o benefício da dúvida. Pode ser que ela perceba estar sendo manipulada e, ao assumir o cargo, passe a atuar na defesa dos interesses nacionais com o rigor que a função lhe exige. Vamos aguardar.

Raquel Dodge começou da pior forma possível

A nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ainda nem tomou posse e já frequenta o noticiário na desconfortável posição das pessoas que precisam dar explicações sobre atitudes esquisitas. A futura xerife da Procuradoria foi filmada entrando no Jaburu, residência do investigado Michel Temer, às dez da noite de terça-feira. Flagrada, a substituta de Rodrigo Janot disse que foi discutir com Temer detalhes de sua posse, que ocorrerá em 18 de setembro. Tudo errado.

A troca de guarda na Procuradoria ocorre num momento especial. Pela primeira vez desde a chegada das caravelas, o Estado brasileiro está investigando e encarcerando criminosos da oligarquia político-empresarial. Nesse enredo, Michel Temer, a cúpula do partido dele, o PMDB, e sua equipe de ministros são parte do problema. Se não enxergar isso, Raquel Dodge perderá o semblante de solução.

Raquel Dodge herdará a condução da nova denúncia que Rodrigo Janot prepara contra Temer. A consciência deveria ter dito à procuradora: “Não encontre o investigado. Se encontrar, prefira o Planalto. Se for ao Jaburu, que seja durante o dia. Se for à noite, exija que conste da agenda. Afrontou-se o óbvio. A posse da doutora será no Palácio do Planalto. Outro erro. A Procuradoria tem uma linda sede, ideal para cerimônias de posse. Já aconteceu antes, explica a nova procuradora-geral. Ela ainda não percebeu que todo grande problema começa com pequenas explicações.

Temer no cerco da imprensa golpista

A imprensa golpista fecha o cerco contra o governo golpista de Michel Temer, procurando atacá-lo pela direita a cada passo. A mesma imprensa que abriu o caminho para a derrubada de Dilma Rousseff empresta suas páginas para a campanha pela destituição de Temer já que a burguesia mais estreitamente vinculada ao imperialismo mundial considera-o incapaz de dar prosseguimento à transformação do regime político e aos ataques aos trabalhadores.

O presidente golpista Temer encontrou na ultima terça-feira (8) com Raquel Dodge, nova procuradora da República, escolhida por ele para substituir Rodrigo Janot, que deixa a Procuradoria em setembro deste ano. O encontro se deu às 22h e estava fora da agenda presidencial. A imprensa golpista, sobretudo a Rede Globo, apresenta o fato como sendo de extrema gravidade: um complô do presidente que colocou uma subordinada sua Procuradoria após Rodrigo Janot tê-lo denunciado, o que quase levou a sua destituição do cargo e a eleições indiretas.

Querem apresentar Janot como um legalista e Dodge como uma “pau mandada do presidente corrupto”, no entanto, a divergência não está, absolutamente, colocada nestes termos. Janot mostrou-se um agente do imperialismo, dos setores a direita do golpe que levam uma luta contra a ala golpista que quer tomar conta pro completo do Estado.

Janot foi usado pela ala direita dos golpistas para derrubar Temer, o que não foi concretizado. Dodge é uma tentativa do governo golpista de se defender desta ala direita. O ataque desferido pelo imperialismo, pela Rede Globo contra o governo golpista, com a intenção de ir mais à direita, debilitou o governo. A imprensa golpista que se coloca à direita do governo não cessou, porém, seus ataques. Uma vez que a classe operária esteja fora da luta política neste momento, são os setores da burguesia golpista que disputam o controle do regime político. A diferença esta no grau de intensidade dos ataques, entre o que o governo golpista é capaz de realizar e o que o imperialismo precisa que seja feito de imediato, as reformas.

Para a classe operária e o conjunto dos explorados é necessário derrotar a burguesia de conjunto, ou seja, derrotar o golpe de Estado e todos os golpistas.

               

Fonte: Tribuna da Internet/BlogdoJosias/Causa Operária/Municipios Baianos

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