13/08/2017

'SUS não é para trans': Grupo pede para não classificar como doença

 

Com a busca por visibilidade, torna-se cada vez mais frequente a discussão sobre os preconceitos e violências sofridos pelas populações transexuais e travesti. Ainda assim, pouco se fala sobre as dificuldades que essa parcela da sociedade enfrenta para acesso ao sistema de saúde, seja por demandas específicas ou de cuidados gerais.

Para Viviane Vergueiro, ativista transfeminista e pesquisadora do grupo de pesquisa em Cultura e Sexualidade (CUS) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), uma das principais questões que compõem esse debate é a necessidade de despatologização das identidades de gênero. Uma das reivindicações é a alteração do Código Internacional de Doenças (CID), que classifica a identidade trans como uma patologia.

"A despatologização tem a ver com o acesso das pessoas trans e travestis ao direito humano da saúde integral. As pessoas trans tiveram, historicamente, o acesso à saúde negado", explicou Viviane. "Os ativistas pela despatologização tentam argumentar e lutar para dar visibilidade de como esse modelo e essa classificação implicam em práticas e em uma forma institucional de se ver essas pessoas. Isso muitas vezes impede que elas cuidem de sua saúde de forma integral", acrescentou.

A pesquisadora pontuou a necessidade de se pensar a saúde de pessoas trans para além de manuais, desde o diagnóstico até o acesso à saúde básica e relação com os profissionais.

Em evento realizado pelo coletivo Coletivo De Transs Pra Frente sobre o tema, foi relatada uma necessidade de se adequar a padrões esperados pelos profissionais de saúde para se obter maior respeito à própria identidade.

"As mulheres trans, por exemplo, precisam ser muito femininas ou podem ter suas identidades questionadas enquanto mulher", exemplificou Viviane.

Outra barreira apontada foi a visão de que as transexualidades e travestilidades representam essas pessoas e que as demandas são sempre as mesmas.

"Eu costumo dizer sempre que as transexualidades ou travestilidades não representam a nossa vida, elas são uma nuance de nossas vidas", afirmou Carlos Porcino, transativista, psicóloga voluntária na Associação de Travestis e Transexuais de Salvador (Atras) e doutoranda pela Ufba.

"As demandas são singulares. Nós, pessoas trans, não somos um padrão. Cada uma de nós tem motivações no que diz respeito à subjetividade e ao que deseja implementar com relação a modificações corporais ou não", completou.

As dificuldades começam quando a pessoa não é reconhecida pela identidade à qual se identifica, mas pelo seu documento. Há, por exemplo, exames que oferecidos para gêneros específicos no Sistema Único de Saúde (SUS).

"A gente costuma dizer que o SUS não foi feito para pessoas trans, mas para pessoas cisgênero. Recentemente, uma menina trans que não tem o nome retificado, mas fez cirurgia de redesignação sexual. Ela buscou uma unidade de saúde da família para buscar um ginecologista, mas não foi possível. Apesar de ter a neovagina, ela ainda tem o cartão do SUS com nome civil", contou Carlos.

Até mesmo o diagnóstico pode ser questionado nesse âmbito, já que é esperado um comportamento ou sinais padronizados.

"Há uma ideia de que todas nós desejamos as mesmas coisas dos nossos corpos, o que não é verdade. É verdade que a transfobia afeta e violenta a relação com nosso corpo, mas isso não nos define. O diagnóstico patológico meio que circunscreve aquelas pessoas que têm um ódio ao próprio corpo, que têm uma narrativa de identificação com o dito 'gênero oposto' desde a infância", disse Viviane, ao ressaltar que a patologização da identidade trans interferem diretamente na atenção à saúde dessa população.

Transmissão de zika por pernilongo pode explicar incidência em Nordeste

A descoberta de que o pernilongo é capaz de transmitir o vírus Zika, feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, pode auxiliar na compreensão dos motivos que levaram a epidemia a se agravar em algumas regiões do país ou o motivo pelo qual existem mais bebês com microcefalia em bebês de mulheres de baixa renda.

O mosquito Culex se reproduz em água extremamente poluída, comum onde não há saneamento básico. Isso explicaria o agravamento da epidemia em algumas regiões.

Mas os pesquisadores ainda precisam estabelecer a conexão e importância do inseto como vetor da doença. Os pesquisadores comprovam que o Zika se reproduz dentro dos mosquitos e chega à glândula salivar dos insetos.

Para se compreender o papel do inseto, as características biológicas do Culex deverão ser estudadas.

De acordo com informações da pesquisadora da Fiocruz, Constância Ayres, questões como temperatura e umidade também serão levadas em conta.

“Precisamos entender qual o papel dele na transmissão, se ele é um vetor secundário, se é primário ou se não tem importância nenhuma. Isso vai depender de outros aspectos biológicos que são característicos dessa espécie, como a longevidade, a abundância em campo, a preferência de se alimentar com o ser humano. A gente precisa investigar isso dentro do contexto urbano onde está a epidemia e comparar essas características com a espécie que é hoje considerada o principal vetor, que é o Aedes aegypti”, afirmou Constância.

A maior incidência de casos no Nordeste ou em áreas sem esgotamento sanitário pode ser explicada, caso o vetor seja considerado importante.

“De fato, aqui [no Recife] temos condições precárias que permitem a reprodução do vírus de forma muito intensa. A coleta do lixo, esgoto a céu aberto, inúmeros canais no Recife, que favorecem a replicação do mosquito. O Culex representa nossa falta de estrutura de saneamento básico. Isso é evidente em toda a cidade e favorece a distribuição do mosquito”, disse.

Mesmo contendo maior quantidade de insetos, o Culex seria mais fácil de controlar do que o Aedes aegypti. “A quantidade de criadouros do Aedes é infinita. Pode ser uma tampinha, um pneu, uma calha, piscina, caixa d'agua, então é impossível mapear todos os ambientes. E ele prefere água limpa. Mas o Culex prefere água extremamente poluída, que são os canais, esgotos, fossa. Você consegue mapear e tratar”, explicou.

Vacina brasileira contra zika deverá ser testada em humanos em 2018

A vacina contra zika que está em fase de testes no Instituto Evandro Chagas, no Pará, deverá ser testada em humanos em 2018, após ter apresentado resultados promissores em camundongos e primatas.

O anúncio foi realizado durante a XIX Jornada Nacional de Imunizações, evento que ocorreu em São Paulo nesta sexta-feira (11).

O estudo está sendo desenvolvido em parceria com a Universidade do Texas e com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde no Brasil.

“As iniciativas com a vacina de zika estão andando mais rápido porque não foram identificados outros sorotipos do vírus, como é na dengue. Com isso, a complexidade é menor”, afirmou Consuelo Oliveira, pesquisadora clínica do Instituto Evandro Chagas.

No estudo em camundongos, foram 46 cobaias testadas. Os camundongos que receberam o imunizante, metade do total, apresentaram anticorpos contra o vírus zika. Após o acasalamento das fêmeas, o vírus da zika não chegou até a placenta.

“O que foi interessante é que, nas cobaias não vacinadas, vimos que o vírus fez o mesmo percurso observado em humanos. A placenta com déficit de nutrição, os bebês nascendo pequenos, as malformações...”, explica Consuelo.

No mundo são cerca de 41 iniciativas que buscam produzir uma vacina contra a zika. No Brasil, o Instituto Butantan faz análises de uma vacina que seria utilizada contra todos os sorotipos da dengue e contra o vírus zika.

Abortos espontâneos podem ser prevenidos com tratamento com vitamina B3

O aborto espontâneo pode ser prevenido com um tratamento que está sendo desenvolvido que tem como base a vitamina B3, presente naturalmente em carnes e verduras.

Um estudo publicado no "New England Journal of Medicine" apontou que o déficit de nicotinamida e adenina (NAD, na sigla em inglês) provoca abortos ou deficiências no bebê, caso a gravidez prospere.

"Após 12 anos de investigações, nossa equipe descobriu que este déficit pode ser tratado e os abortos espontâneos e as deficiências podem ser evitados tomando uma simples vitamina", disse Sally Dunwoodie, pesquisadora no Instituto de Pesquisa Cardíaca Victor Chang, em entrevista à AFP.

De acordo com a cientista, a descoberta tem potencial para reduzir tanto o número de abortos espontâneos que ocorrem, como os defeitos de nascença relacionados ao caso.

Cerca de um quarto das mulheres sofre um aborto involuntário ao longo da vida. Para realizar o estudo, pesquisadores analisaram genomas de famílias que tiveram histórico de múltiplos abortos espontâneos e descobriram que eles compartilham uma mutação genética que afeta a produção da molécula NAD.

Para realizar testes, camundongos foram geneticamente modificados para apresentarem esta deficiência. Os camundongos receberam o tratamento com cápsulas de vitamina B3. “Antes da introdução da vitamina B3 na alimentação das fêmeas grávidas, os embriões se perdiam durante um aborto natural ou os que nasciam sofriam de graves deficiências. Uma vez mudada a alimentação, os abortos involuntários e as incapacidades de nascença foram evitadas por completo”, disse o Instituto em um comunicado.

Para além dessa pesquisa, os cientistas agora querem criar um teste que identifique mulheres com risco de deficiência da molécula NAD, para que a prescrição da vitamina B3 seja realizada ainda durante o período gestacional.

 

Fonte: BN Saude/Municipios Baianos

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