13/08/2017

O top 10 das gafes de Temer e suas maldades

 

A chegada de Michel Temer ao poder é uma gafe, por si só, à História do Brasil. Um vice-presidente que tramou às sombras a derrubada da maior mandatária do país é uma chaga na trajetória democrática de nossa nação. Com o golpe, propostas absurdas foram apresentadas por seu governo ilegítimo durante esses meses, como a emenda do Teto de Gastos, as reformas da Previdência e trabalhista, além dos diversos desmontes da saúde, educação, setor produtivo e de inovação, e a entrega das riquezas nacionais aos estrangeiros gananciosos. Mas Temer também semeou vergonha-alheia em diversos momentos.

  • Vamos ao top 10 das gafes:

1) As mulheres só servem para acompanhar preços de supermercado

Um governo machista desde sua formação inicial, composto majoritariamente por homens, não podia ter um representante melhor. O discurso de Temer mostra que ele desconhece o papel da mulher na sociedade e na política, reduzindo a maior parcela da população a mera contadora de preços dos produtos nas prateleiras. Não foi apenas uma gafe, mas uma demonstração medieval de tratamento.

2) Governos precisam ter marido

Ele não parou na citação preconceituosa sobre as mulheres. Temer foi além e, em entrevista ao Programa do Ratinho, disse que para a economia do país não quebrar, a nação deveria ter um “marido”, como nas famílias. Deus nos livre de um esposo como este senhor, afinal, a economia do Brasil patina em números degradantes, com alto desemprego e desmonte diário de nossa soberania. Além disso, o IBGE já revelou que 40% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.

3) 'Enchentezinha' no Nordeste

Michel Temer mal deve saber onde é o Nordeste brasileiro, mas em visita à Paraíba, para “inaugurar” a transposição do Rio São Francisco feita durante os governos Lula e Dilma, o golpista registrou mais uma gafe daquelas. Disse que esperava ver uma “enchentezinha” por lá, desta forma, como se uma catástrofe fosse algo desejável para qualquer lugar. O presidente realmente desconhece a realidade do povo mais pobre.

4) Acidente pavoroso

O massacre no presídio Anísio Jobim, em Manaus, deixou 56 pessoas mortas. Mas para Temer, o que ocorreu foi um “acidente” pavoroso. O presidente reforça a visão de que o cidadão ao ingressar no sistema carcerário deixa de ter direitos humanos básicos. Com mais de 700 mil presos, o Brasil ainda integra um vergonhoso ranking dos países com maior população carcerária do mundo. Muitos destes são presos ainda sem julgamento.

5) “Câncer útil”

O governador Luiz Fernando Pezão é um fracasso na gestão do Estado do Rio de Janeiro e ainda teve que ouvir de Temer que a o câncer lhe deixou mais bonito (por ter emagrecido), o que seria algo “útil”. A falta de sensibilidade no peemedebista ultrapassa a fronteira do bom senso e ataca ferozmente a dignidade de milhares de pacientes do país. Não é a toa que a saúde pública em sua gestão vem sendo desmontada ao compasso do apetite do mercado, destruindo a universalidade do SUS.

6) Vai, mas não vai aumentar imposto de renda

A declaração desta semana mostra o quanto Temer é irresponsável. O presidente adiantou que há estudos do Governo para aumentar o imposto de renda. Alguns chegaram a especular a possibilidade de se ampliar o tributo em até 35%. Temer desmentiu acuado sob uma chuva de críticas de todos os lados.

7) Confusão de reis na Europa

A passagem de Michel Temer pela cúpula do G20 foi um dos fatos mais vergonhosos para as relações internacionais brasileiras. Sem realizar acordo algum, ou conseguir reuniões bilaterais com chefes de Estado, ou mesmo ser percebido, o presidente retornou ao país da mesma forma que foi. Contudo, em ida à Noruega, chamou o rei Harald de rei da Suécia. Um horror.

8) A República Socialista e Soviética

Depois que a agenda oficial do Governo informou que o presidente iria para a República Socialista e Soviética, nome usado até 1991, se referiu aos empresários russos como empresários soviéticos. Parece que Temer dormiu no tempo.

9) As desculpas esfarrapadas do diálogo criminoso com Joesley Batista

Temer tentou abafar o peso sinistro do encontro às escuras com o empresário Joesley Batista, mas fracassou. Chegou a divulgar que o empresário teria usado sua idade avançada para ludibria-lo – o que é vergonhoso – e que a conversa que cita o adiantamento da mudança na taxa de juros do país, a compra de silêncio de Cunha com dinheiro sujo e a existência de vazamentos por parte de um procurador não eram nada demais.

10) Temer é vaiado por empresários

Após discursar na abertura do Enaex (Encontro Nacional de Comércio Exterior), no Rio de Janeiro, Temer parece ter se surpreendido com a realidade. Ao proferir as últimas palavras e ir cumprimentar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, um coro de vaias tomou o espaço. Governo vaiado pelo trabalhador e pelo patrão! Temer não passa de um vexame, um erro, que põe em risco o presente e o futuro do nosso país e da nossa gente.

Após comprar deputados e cortar Bolsa Família, Temer congelará salários

Em mais uma medida de seu "ajuste fiscal" relativo, Michel Temer deve congelar o salário de servidores em 2018. A medida deverá atingir professores, militares, policiais, auditores da Receita Federal, peritos do INSS, diplomatas e oficiais de chancelaria e carreiras jurídicas. Outras categorias poderão ser incluídas. Com ela, o governo pretende economizar R$ 9,8 bilhões.

Nesta semana, a equipe econômica do governo vai anunciar a revisão da meta fiscal, de um rombo de R$ 139 bilhões, para R$ 159 bilhões, correndo o risco de aumentar. O núcleo político do governo defende que ela vá ainda para R$ 170 bilhões.

No "ajuste" de Temer para equilibrar as contas, ele gasta bilhões em emendas parlamentares e favores para comprar o apoio de deputados a fim de se salvar de denúncia de corrupção no Congresso, enquanto corta recursos do programa Bolsa Família, e aumenta impostos que atingem diretamente a população, como o do combustível.

Nesta sexta, a presidente deposta Dilma Rousseff definiu como "estarrecedor" o corte do Bolsa Família por Temer, depois de ter gastado R$ 14 bilhões para salvar a própria pele.

Salário de servidor será congelado, governo quer poupar R$ 9,8 bi

A equipe econômica de Michel Temer está providenciado medidas para cortas gastos e aumentar receitas. A revisão da meta de deficit deste ano e de 2018 está praticamente definida e o governo prevê congelar salários de servidores em 2018 para economizar R$ 9,8 bilhões.

O governo também avalia fixar o salário inicial de novos servidores em R$ 5.000 e haverá corte de benefícios como auxílio-moradia e ajuda de custo em casos de remoção.

O governo abortou a estratégia de aumentar o Imposto de Renda, porém, deve rever benefícios tributários para melhorar a arrecadação. O Ministério do Planejamento aguarda o envio da nova proposta de reoneração da folha de pagamento para o Congresso. Nesta semana, o governo decidiu revogar o texto para que o tributo referente a julho não fosse cobrado das empresas.

O Refis é outra alternativa da equipe econômica. O governo tenta reverter as mudanças feitas por comissão da Câmara, que alterou a medida provisória e concedeu mais benefícios do que o planejado. A previsão era obter R$ 13,8 bilhões, porém, só entraram R$ 3,5 bilhões, e o prazo de adesão vence em 31 de agosto.

Na segunda-feira (14) devem ser anunciadas as metas de deficit e, sem esses recursos, a conta não fecha e ficará difícil cumpri-las. A repotagem destaca que, para 2017, a meta passará de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões. Para 2018, de R$ 129 bilhões também para R$ 159 bilhões.

A destruição de um país. Por Fernando Brito

Os indivíduos em geral e a as coletividades, quase sempre, movem-se em função de desejos e objetivos. Por uma década, reaprendemos a acreditar que o caminho para alcançá-los eram o Brasil em desenvolvimento e o nosso próprio desafio de, neste ambiente, alcançarmos o progresso pessoal: o “fazer um curso” ou graduar-se, “abrir um negócio”, comprar uma casa, um automóvel e assim por diante. Havia lugar para os pequenos sonhos de cada um no grande sonho de um país.

O governo nacionalista e inclusivo que nos permitia estas aspirações, infelizmente, não foi capaz de interferir no outro patamar, este subjetivo, onde se acomodam desejos e aspirações humanas: a compreensão que, se era essencial o objetivo individual, a realização deste dependia, inapelavelmente, do ambiente econômico-social que passáramos a ter.

Acho curioso – e trágico –  que a discussão hoje na esquerda seja sobre falta de critérios mais “morais” nas alianças que fez para governar por uma década – e apenas isso, porque , depois de 2013, o governo passou apenas a responder às crises e não mais a dirigir o processo político.

O quadro político-parlamentar do Brasil é, há muito tempo, este desastre que assistimos hoje. Um pouco melhor aqui ou ali, talvez, mas em geral assim: miúdo, fisiológico, acanalhado, ávido por recursos eleitorais (que vinham, claro, de empresas que visavam lucros e privilégios), quando não de enriquecimento pessoal. Controlá-lo é o passo essencial para qualquer governo e muito mais difícil é para um governo que pretenda transformar o país: mudar é muito mais difícil que manter o status quo de uma sociedade injusta.

Só os pueris podem acreditar que uma seita de “puros e castos” converterá a sociedade ao tal padrão – que ironia! – “Fifa”. Nem mesmo, estamos a ver, quando esta seita – nem tão casta, nem tão pura – tem, como tem o sistema judicial brasileiro, o poder de denunciar, prender, fuçar, grampear, escavar – e sem consequência alguma – os escaninhos da vida de cada cidadão.

O resultado da “onda” moralista está aí, diante de nós: um país arruinado, onde o ceticismo se tornou a regra, onde a desesperança venceu a vontade, onde a estagnação sufocou o desejo de progresso, onde a drenagem de nossas riquezas para a ser apontada como “salvação” e onde todos nós nos embrutecemos.

Quem, agora, pensa em “fazer um curso”, “abrir um negócio”, “conseguir uma promoção”, comprar uma casinha, exceto uma pequena camada da população?

Como, se o debate nacional é “onde vamos cortar”, “como vamos taxar mais” o “o que vamos vender”  ou “a quem vamos prender e condenar”?

Todo processo de transformação no Brasil sempre foi abortado com o fórceps do moralismo, desde Vargas. Da UDN dos punhos de renda, aos coxinhas da paulista, passando pelas senhoras católicas e lacerdistas, sempre veio da classe média o combustível humano para as fogueiras da Inquisição, que são as chamas da treva.

Há uma pequena chance – e apenas porque aqueles tempos de progresso são recentes e se personalizam em Lula – de retomarem-se um projeto de vida e de país onde o crescimento econômico seja mais importante que os cortes orçamentários, onde investir seja a forma de avançar, onde incluir seja a fórmula para o progresso social, onde o ódio não seja mais a pauta da política.

Os “purismos” – sejam os étnicos, os religiosos, os morais – sempre foram capas hipócritas da crueldade humana e social. A nossa força sempre foi o contrário: o Brasil diverso, mestiço, cheio de pecados que fomos expurgando com o tempo, sempre que tivemos liberdade e mesmo quando tivemos tantas eras autoritárias.

Ainda mais quando vemos que os nossos santos não são nada franciscanos e, de seus berços de farturas, mostram um desprezo supremo pelo sofrimento da população.

O agronegócio caloteiro permitido por Temer

O presidente Temer fez publicar, em acordo com a bancada ruralista, em 1º de agosto, um dia antes da Câmara dos Deputados proibir o Supremo Tribunal Federal (STF) de investigá-lo, a Medida Provisória (MP) 793/17 que instituiu o mais novo e montanhoso calote do agronegócio contra nós, cidadãos brasileiros. Na prática, a MP promove uma transferência de renda na ordem aproximada de 12 bilhões de reais do Estado brasileiro para o agronegócio.

Importante salientar que a MP não foi pensada para beneficiar o pequeno agricultor, que produz leite, por exemplo, mas sim os grandes latifundiários e as grandes corporações empresariais do agronegócio que adquirem e comercializam o leite, grãos, carnes e outras commodities agrícolas. Para estes, a MP perdoa juros e multas de dívidas com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), o que causará uma perda de arrecadação de 7,6 bilhões segundo números da Secretaria da Receita Federal.

Além disso, com a redução da alíquota do Funrural em cerca de 40%, também definida pela MP, as perdas da União, somente no período de 2018 a 2020, serão de 4,36 bilhões. O governo ainda protelou o prazo de pagamento do saldo devedor em atraso para os próximos 14 anos e meio. A Receita Federal não divulgou estimativa de perdas com a redução da alíquota relativa a este período. Portanto, os prejuízos que teremos com o calote alongado do Agronegócio serão muito superiores aos 12 bilhões.

Para piorar ainda mais o revoltante e pouco divulgado escândalo, não há qualquer garantia de que os devedores pagarão tais débitos ao longo do novo período estabelecido. O mais provável, ao contrário, é que continuem sem pagar suas contas e voltem para a lista dos devedores em atraso, esperando pelo próximo Refis, já que este tem sido o modus operandi de grande parte dos latifundiários e de grandes corporações empresariais do setor. Beneficiados com créditos multibilionários e subsidiados, o agronegócio acumula dívidas na ordem de 1 trilhão de reais com os cofres públicos. Em outras palavras, o presidente Temer tira de nós e dá para os latifundiários e grandes empresários ruralistas.

Enquanto isso, cortes orçamentários se avolumam e colocam em risco o funcionamento do órgão indigenista, que beira a insolvência. A Fundação Nacional do Índio (Funai), por falta de pessoal e de recursos financeiros, fecha unidades locais e regionais e abandona Frentes de Proteção, deixando ao léu povos isolados e de recente contato. Tudo o que madeireiros e latifundiários grileiros esperavam para avançar sobre as terras indígenas e, muito provavelmente, promover novas ondas de ‘limpezas étnicas’ por meio de chacinas análogas às cometidas no passado recente de nosso país. De calote em calote, o agronegócio reafirma seus costumes e radical caráter caloteiro.

 

 

Fonte: Por Jandira Feghali, no Jornal do Brasil/Tijolaço/Cimi/Municipios Baianos

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