28/09/2017

Doria diz ter “o maior respeito” por Aécio e ironiza fogo amigo

 

Em visita a Belo Horizonte (MG), na noite desta segunda-feira (dia 25), o prefeito João Doria afagou os senadores Antonio Anastasia e Aécio Neves (PSDB-MG). Doria busca apoio da ala mineira do PSDB no intento de fortalecer sua candidatura no ninho tucano. Perguntado se deseja o apoio de Aécio, que perdeu força na legenda após ser atingido pelas delações de Joesley Batista, da JBS, Doria não respondeu diretamente: “É uma figura que tenho o maior respeito”. O prefeito disse ainda que Neves saberá conduzir o processo da escolha da nova presidência do partido em dezembro.

Sobre Anastasia, que foi recebê-lo no Aeroporto da Pampulha e depois seguiu com o prefeito de helicóptero até o bairro Cidade Jardim, na capital mineira, afirmou ser “um dos melhores valores da política brasileira”. “Não só do PSDB, mas de toda a política brasileira.”

PRÊMIOS A TUCANOS

Doria foi a capital mineira receber o prêmio Liberdade, entregue durante o Fórum Liberdade e Democracia, promovido pelo Instituto de Formadores de Líderes.

Em anos anteriores os agraciados também foram tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Anastasia. Há um mês, Doria teve o título de cidadão honorário negado pelos deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Ao ser questionado sobre uma mudança de partido, o prefeito se esquivou e disse que a definição será feita entre janeiro e março do ano que vem. Doria fez elogios ao DEM. “É um partido de grande valor. Parte da nossa base em SP, na cidade e no estado”, afirmou. Porém, destacou que não é momento para tratar de eleições e que falará sobre isso no início do próximo ano.

EXALTADO

Após receber o prêmio, Doria fez um discurso de quase 50 minutos. Ficou exaltado quando chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “mentiroso” e “covarde”, por ter falado durante a campanha eleitoral, no ano passado, que nunca teve a carteira de trabalha assinada.

O tucano acusou o PT de trabalhar apenas para comprar sítio, pedalinho e triplex, em referência às denúncias envolvendo Lula. Afirmou ainda, gritando, que deseja que o petista dispute a eleição, pois acredita que ele deve ser julgado pelo povo.

“Lula não vai desaparecer por decisão da Justiça de impedir que ele seja candidato. Só se ele for preso”, afirmou o prefeito.

“ARDE PRA CHUCHU”

Com as mangas da camisa branca de linho arregaçadas, Doria fez o discurso caminhando entre a plateia, formada por empresários, políticos do PSDB, DEM e do partido Novo, além de militantes do MBL (Movimento Brasil Livre).

O prefeito destacou o papel do governador Geraldo Alckmin ao ser avalista das prévias do PSDB para a candidatura da prefeitura paulista e destacou, se dirigindo a Anastasia, que “fogo amigo arde pra chuchu”.

Supremo afasta Aécio do Senado e impõe a ele ‘recolhimento noturno’

A primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, por 3 votos a 2, o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) das funções parlamentares e de qualquer outra função pública, e também o recolhimento domiciliar noturno do tucano. O terceiro pedido de prisão feito pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi negado.

Alvo da Operação Patmos em maio, Aécio Neves foi denunciado em junho pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo crime de corrupção passiva e de embaraço a investigações. O tucano é acusado formalmente de ter aceitado propina de R$ 2 milhões repassados pela J&F a um primo do senador e a um auxiliar parlamentar.

A decisão não cassa o mandato de Aécio e, por isso, não retira o foro privilegiado nem a imunidade parlamentar.

O voto do ministro Luís Roberto Barroso foi o primeiro pelo afastamento de Aécio Neves do Senado. Apesar de afirmar que “há indícios bastantes suficientes da autoria e da materialidade neste caso” e fez um discurso contundente contra a corrupção no País, afirmando que a Justiça não pode ser condescendente com práticas que vêm sendo denunciadas pelo Ministério Público Federal nas investigações desde o Mensalão até a Lava Jato. Rosa Weber e Luiz Fux o acompanharam.

“Houve inequivocamente e documentadamente a solicitação de 2 milhões de reais. Houve, está documentado, conversa com Andrea Neves, a propósito deste dinheiro, em que se falava que em relação a ele se procederia da mesma forma como se procedera na campanha em 2014 para mascarar o recebimento de dinheiro. Houve o depósito de dinheiro e a tentativa de ocultação de sua origem. Houve igualmente documentado a conversa com Joesley Batista, o agradecimento e a oferta de uma diretoria da companhia Vale do Rio Doce. E houve menção a providências para embaraçar o curso da Lava Jato. Não providências de natureza legislativa, porque essas eu entendo que estão no âmbito da atuação de qualquer membro do parlamento. Mas providências para conseguir a indicação de um delegado de confiança de cada investigado para tocar a investigação”, disse Barroso.

Aécio já havia sido afastado em maio por decisão do relator original do caso, ministro Edson Fachin, mas a medida cautelar foi revogada no fim de junho por Marco Aurélio Mello, que passou a ser o relator. No julgamento, Mello votou por rejeitar os recursos da PGR e manter as atividades parlamentares de Aécio Neves. Ele foi acompanhado por Alexandre de Moraes.

Barroso, no entanto, acrescentou no voto a imposição do recolhimento domiciliar noturno, que já foi determinada pela própria Primeira Turma do STF em relação aos demais investigados junto com o senador no caso, a irmã Andréa Neves, o primo Frederico Pacheco e o assessor parlamentar Mendherson Lima.

“Grandeza”

O ministro Luiz Fux, que acompanhou Barroso, afirmou que Aécio Neves deveria ter tido a grandeza de se licenciar do Senado, após a revelação do caso da J&F, o áudio da conversa com Joesley Batista e a denúncia da PGR.

“Imunidade não é sinônimo de impunidade. Um dos pilares da Constituição é a moralidade no exercício do mandato. Aqui houve desvio da moralidade no exercício do mandato”, afirmou Fux.

“O homem público, quando exerce uma função em nome do povo, precisa praticar atos de grandeza. Ele se despediu da presidência do partido, seria muito mais lisonjeado se tivesse se despedido ali do mandato, se licenciado, porque ali ele está representando a voz do povo. Foi eleito pelo povo”, disse.

“Isso tudo se resume num gesto de grandeza que o homem público deveria adotar. Já que não teve, vamos auxiliá-lo, se porte tal como deveria se portar, não só sair da presidência (do PSDB), pedir licença, sair Senado, para poder comprovar à sociedade a sua ausência de culpa no episódio que marcou de maneira dramática sua carreira politica”, disse Fux.

Defesa

A defesa de Aécio Neves afirma que “o senador Aécio Neves foi, na verdade, vítima de uma grande e criminosa armação engendrada pelos senhores Joesley Batista e Ricardo Saud em busca dos benefícios de uma generosa delação”.

Marun, relator da CPMI da JBS, é réu em processo por improbidade

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, enfrenta processo por improbidade administrativa na Justiça do Mato Grosso do Sul. Esse fato mostra que não foi em vão a confusão provocada na Câmara, duas semanas atrás, quando Marun foi escolhido para a relatoria. Seu nome foi criticado e chamado de “jogo de cartas marcadas” por oposicionistas, pelo fato dele ser considerado aliado de primeira grandeza de Michel Temer e um dos parlamentares mais ligados ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha – tendo sido, inclusive, o primeiro a visitar Cunha na prisão.

Sua indicação para a relatoria foi vista como resultado de uma articulação de bastidores por lideranças da base aliada, a mando da equipe de coordenação política do Palácio do Planalto. E, com o argumento de falta de isenção, chegou a ser questionada do ponto de vista regimental pelo deputado Glauber Braga (Psol-RJ).

Marun agora é réu em processo no qual é acusado, em conjunto com outros 13 réus, de crime de improbidade administrativa por causar lesão ao erário em valores estimados em R$ 16,6 milhões no período em que foi presidente da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab). Ele ocupou tal cargo no governo do então governador daquele estado, André Pucinelli (PMDB).

O processo tramita, desde junho de 2013, na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da Justiça de Mato Grosso do Sul e se encontra na fase de recebimento da contestação dos réus.

Ao falar sobre o tema ao jornal Estado de São Paulo, o deputado confirmou a informação, disse que está se defendendo e que tem certeza “que o processo resultará na minha absolvição”. A ação contra ele já foi comentada durante uma das reuniões da CPMI, entre os integrantes do colegiado da comissão. E recebeu como resposta, por parte do deputado, o argumento de que o processo ainda está correndo – ou seja, não há condenação contra ele.

Quebra de sigilo

Nesta terça-feira, a CPMI vai votar a quebra do sigilo dos e-mails e dos telefones do ex-procurador Marcello Miller. O objetivo é apurar, por meio da avaliação destes dados, se Miller orientou a delação da JBS ainda quando atuava na como braço direito do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. O requerimento, de autoria do presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), também alcança o empresário Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud, da JBS.

Ontem, o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, cedeu dois delegados para apoiar a investigação sobre o caso, além de se comprometer com o compartilhamento de informações com a comissão.

 

Fonte: Folha/Agencia Estado/RBA/Municipios Baianos

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