28/09/2017

Salvador: 83% dos homens já fizeram sexo sem camisinha

 

Uma pesquisa nacional apontou que 76% da população masculina de Salvador acredita que a responsabilidade de contracepção é do casal. No entanto, 83% admitiram já ter feito sexo sem o uso de nenhum método.  O número é maior do que o observado nacionalmente: 73% dos brasileiros afirmaram que já tiveram relações sexuais sem utilizar métodos contraceptivos.

Os dados, divulgado nesta terça-feira (26), são de um estudo desenvolvido pela Bayer, com o apoio do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Foram ouvidos 2 mil homens de 15 a 25 anos em 9 capitais brasileiras, além de Salvador: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

O motivo mais indicado pelos soteropolitanos para não usar métodos contraceptivos foi “não estragar a diversão” (24%), seguido da ausência de algum método no momento (13%). Esses preocupantes dados levam à discussão sobre gravidez indesejada e a importância da educação sexual.

De acordo com pesquisa publicada em 2016 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre as mulheres que tiveram filhos no Brasil, 55,4% não planejaram a gestação.

Para a educadora sexual Laura Muller, a educação sexual é fundamental e deve ser inserida antes mesmo da pré-adolescência, respeitando cada fase do desenvolvimento. “O papel dos pais é tão importante quanto o papel das escolas”, avaliou a educadora. “É preciso falar principalmente de quatro eixos: gravidez fora de hora, doenças sexualmente transmissíveis, a prática do sexo em si e a diversidade sexual”, orientou. No entanto, os pais e a escola não são as fontes da maioria dos homens quando o assunto é sexo.

Segundo dados da pesquisa, 23% dos soteropolitanos aprenderam o que sabem sobre o tema na internet e 19% com amigos. “O problema da internet é a fonte”, ponderou o ginecologista e mastologista da Unifesp Afonso Nazário, durante apresentação dos dados. Quando surgem dúvidas, a internet é a grande professora: 69% dos homens recorrem a esse meio.

Em Salvador, uma informação específica chama atenção em comparação aos dados nacionais. A primeira experiência sexual de 22% dos homens da capital baiana aconteceu antes dos 13 anos, contra 10% no total dos dados nacionais.  Essa é mais uma prova de que é necessário que os pais tomem a responsabilidade para si, como afirmou Laura. “Os pais terem uma atitude de busca de informação e o campo aberto para o diálogo já é um grande caminho”, afirmou.

Hospital Geral Roberto Santos lança programa de transplantes de órgãos

Na manhã desta quarta-feira (27), o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), localizado no bairro do Cabula, em Salvador, lançou o programa de transplantes de órgãos da unidade, que deve realizar, ainda este ano, a primeira cirurgia em paciente renal, e, até 2018, em pessoas com deficiências hepáticas.

Maior hospital público do Norte e Nordeste, o HGRS é o segundo da rede estadual de saúde a realizar transplantes, depois do Hospital Ana Nery, que faz de rim e pulmão. A cerimônia de lançamento aconteceu no Auditório Central da unidade, com a presença dos profissionais da unidade e de pacientes transplantados.

Mesmo com as cirurgias começando até o final deste ano, o atendimento ambulatorial para pacientes transplantados em outras unidades já começou. De acordo com o diretor-médico do hospital e idealizador do programa, André Durães, equipes já estão preparadas para os transplantes de rins, e a unidade passa por um processo de habilitação para o transplante de fígado, e, posteriormente, de córnea, todos realizados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Esse hospital é extremamente estratégico para a rede SUS na Bahia e, diante da necessidade de avançar na área dos transplantes, unimos profissionais qualificados e vamos realizar os procedimentos aqui. Vários pacientes precisavam se deslocar para outros estados, para tratamento fora do domicílio. Agora, os pacientes renais, por exemplo, poderão receber o órgão, serem atendidos no ambulatório para transplantados aqui. Também abriremos vagas para outras pessoas que precisam de hemodiálise. Isso vai ofertar muita qualidade de vida para essas pessoas”, explicou o diretor-médico do HGRS.  .

Segundo o subsecretário estadual da Saúde, Adil Duarte, as ações do programa de transplantes são inéditas e vão continuar se intensificando. “Estamos criando aqui o ambiente propício para atender a uma demanda que o estado tinha, e conseguimos com a infraestrutura e profissionais do Hospital Roberto Santos. Agora, esperamos que o número de doadores dentro do nosso estado também cresça para que as cirurgias que são realizadas por outros estados brasileiros possam acontecer em solo baiano”.

Atualmente, cerca de dois mil baianos estão na fila esperando por um transplante de órgão, a maioria por córneas e rins, seguidos por fígado e pulmão. De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), mais de 60% das famílias baianas ainda não permitem a doação de órgãos, e 10% das doações realizadas no estado são de pessoas vivas. A recusa pela falta de informação por parte dos familiares, crenças religiosas e desconhecimento do desejo de ser doador estão entre os fatores mais recorrentes apontados pelos familiares na Bahia.

Para a coordenadora da Central de Transplantes do Estado da Bahia, América Carolina Sodré, a decisão de doadores e familiares pode mudar não só os indivíduos, mas famílias inteiras. “O transplante pode trazer a vida de volta para essas pessoas, que ganham mais longevidade, mais qualidade de vida, têm suas rotinas recuperadas, seu convívio familiar reconquistado e voltam para a sociedade saudáveis, capazes e produtivos”.

AL-BA: Oposição se manifesta contrário a fechamento de hospitais psiquiátricos

A Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) se manifestou contra a proposta do governo do Estado para o fechamento de três hospitais psiquiátricos estaduais: o Juliano Moreira e o Mário Leal, em Salvador; e o Lopes Rodrigues, em Feira de Santana. O Hospital Afrânio Peixoto, em Vitória da Conquista, já foi fechado neste ano.

Os deputados reforçaram a posição do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA), do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e da Defensoria Pública da União (DPU), que moveram de forma conjunta uma ação civil pública com pedido de liminar contra a medida. Os parlamentares discutiram o assunto em reunião na AL-BA, com representantes das entidades. “Os serviços atuais de hospital, ambulatório e emergência, especializados atendem em média 60 mil pacientes no estado. Militantes da causa afirmam que o fechamento dos hospitais psiquiátricos deve causar um colapso no atendimento, pois outras unidades, a exemplo das Upas não estão preparadas para atender a demanda, uma vez que tem crescido o número de pessoas com doenças mentais, a exemplo da grave depressão que pode levar ao suicídio”, aponta a bancada em nota.

Foram recebidos pelos deputados na Liderança, a dirigente da Associação de Psiquiatria da Bahia, Sandra Peu, a presidente da Associação de Apoio a Familiares, Amigos e Pessoas Portadoras de Transtornos Mentais (Afatom-BA), Rejane de Oliveira, a especialista em Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Feira de Santana, Robervânia Souza Cunha, a assistente social de Atenção Básica de Feira de Santana, Diana Damilles, o médico e vereador de Salvador, Cézar Leite (PSDB).

UFRB: MPF apura fraudes a cotas em Medicina

Debater o preenchimento de vagas reservadas a estudantes cotistas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) – essa foi a intenção da audiência pública realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) na Bahia na última sexta-feira, 22 de setembro. O evento ocorreu no auditório da biblioteca do campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) de Cruz das Almas, a 150km de Salvador. A audiência foi aberta pelo procurador da República Fábio Conrado Loula, que conduz o inquérito civil nº 1.14.000.000737/2016-57 para apurar supostas deficiências quanto ao preenchimento de vagas por cotistas na UFRB, garantia prevista pela Lei n.° 12.711/2012 (Lei das Cotas). O inquérito partiu de denúncias de fraudes no ingresso por meio de cotas raciais para o curso de medicina.

Para a vice-reitora da UFRB, Georgina Gonçalves dos Santos, o resultado da audiência pública e os encaminhamentos que o MPF dará a partir do evento “contribuem com o fortalecimento das políticas de ações afirmativas na garantia dos direitos da comunidade negra, da inclusão, da expansão da democratização do processo de implementação de ensino superior no Brasil”. A pró-reitora de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis, Maria Goretti da Fonseca, apresentou o perfil da comunidade da UFRB, que possui 12.345 estudantes, sendo 83,4% negros. No processo seletivo 2007.1, 78,5% se autodeclaram negros. Do total de estudantes, a renda per capita média informada é de R$486,38 (inferior à do Nordeste e do Brasil).

Das vagas disponibilizadas pela UFRB, 50% são para alunos de escola pública. Destas, metade é destinada a alunos com renda familiar igual ou menor que 1,5 salário mínimo per capita e a outra metade para rendas superiores a este patamar. Cada uma destas metades ainda é dividida entre cotistas pretos, pardos, indígenas e ou deficientes, seguindo índices definidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE (em torno de 50%). Segundo a pró-reitora, a matrícula da UFRB inclui a entrega de autodeclaração e avaliação socioeconômica por assistentes sociais da Universidade. Ela explicou que, a partir do recebimento das denúncias de fraude no acesso ao curso de medicina, em março de 2016, foi instituído grupo de trabalho com objetivo de propor dispositivos de acompanhamento e controle da aplicação da Lei de Cotas e ações de Políticas de Ação Afirmativas e Assuntos Estudantis na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Em 8 de novembro, o grupo instituído apresentou os resultados, sugerindo a criação do “Comitê Permanente de Controle para Acesso à Reserva de Cotas”. O comitê, no entanto, só foi efetivamente criado em 31 de agosto de 2017 pela Resolução UFRB 004/2017. Seu objetivo é zelar pela aplicação da Lei de Cotas e normas correlatas, por meio de mecanismos de aferição e autocontrole, e apurar suspeitas ou denúncias de fraude formalizadas junto à UFRB. Maria Goretti apresentou, ainda, edital de acesso a cursos de segundo ciclo publicado em 14 de setembro, que prevê etapa de verificação presencial da política de reserva de vagas por meio da “Comissão de Aferição de Autodeclaração”, que fará a análise de “aspectos fenotípicos do/a candidato/as, os quais serão verificados, obrigatoriamente, com a presença do candidato/a, que deve se declarar preto, pardo ou indígena, de acordo com o quesito de cor e raça usado pelo IBGE”. O edital prevê, ainda, que “poderão ser requeridas cópias coloridas de documento de identificação de ascendentes de até segundo grau e documentos oficiais com indicação de cor/raça próprio ou de ascendentes até segundo grau em linha direta”.

De acordo com a UFRB, entre 26 de abril e 3 de maio de 2016 foram abertos processos próprios para apuração das denúncias de fraude no acesso por meio de cotas. Em 5 de outubro do mesmo ano, o MPF expediu recomendação dirigida ao reitor, para que concluísse as apurações, encaminhando cópia integral dos autos ao órgão, o que ainda não foi feito. O MPF agendou audiência pública para ouvir a comunidade em dezembro passado, mas o evento precisou ser cancelado devido à ocupação do campus. “Temos uma política de defesa das cotas. Está é uma universidade negra, que se fundou com uma política de ações afirmativas. (…) Não admitimos fraudes, se ocorreram, os alunos deverão ser penalizados”,afirmou a pró reitora, encerrando sua apresentação.

Também integrante da mesa, a pró-reitora de Graduação, Rita Dias, ressaltou que as políticas de ações afirmativas são foco de atenção de toda a gestão da Universidade, tanto na área acadêmica quanto administrativa. Para ela, isto perpassa pelo interesse na permanência do aluno com o perfil previsto pelas políticas nos diversos ciclos da UFRB. “Há uma conjugação de três políticas afirmativas: inclusão social, pela hipossuficiência financeira; condição escolaridade, com origem em escolas públicas; e condição étnico-racial, que a UFRB se dedica a fomentar e assegurar aos mais de 12 mil estudantes que já passaram por aqui”, afirmou.

Como representante dos estudantes, Antônio Bastos “Tafarel”, que também compôs a mesa diretora, entende que as fraudes poderiam ter sido evitadas se a reitoria tivesse atentado ao pleito dos alunos desde a primeira denúncia. Ele assumiu a autoria de cinco representações ao MPF e afirmou que a criação do comitê é o atendimento de uma demanda, sobretudo, dos movimentos estudantil e negro da UFRB. “Obviamente que é muito bem-vinda, inclusive a sensibilidade do reitor em atender a possibilidade de averiguação e punição em relação às fraudes no sistema de cotas desta universidade”, afirmou.

Dando seguimento à audiência, a professora e chefe de gabinete do reitor, Silvia Cristina Arantes de Souza, afirmou que a política de cotas é uma conquista histórica, mas que a regulamentação para que ela se efetive é “desafiante”, em função da complexidade do tema. Ela relatou que a reitoria está finalizando a consulta a 75 nomes para compor o comitê, que inclui professores, técnicos da UFRB, alunos e membros da sociedade civil, estando confirmados 60 integrantes até o momento da audiência. Explicou que, dentre estes, serão formadas comissões para avaliar as autodeclarações durante as seleções, e para investigar as denúncias de fraude. Ela afirmou, ainda, que a expectativa da reitoria é de que a nomeação dos membros do comitê saia na última semana de setembro, para que as comissões possam dar seguimento às investigações e acompanhar as matrículas previstas para outubro.

O professor Ronaldo Barros, que também se manifestou durante a audiência, propôs sugestões à UFRB. Segundo ele, alguns editais para seleção de professores da UFRB preveem o ingresso por cotas, mas outros não (os editais são criados pelos respectivos centros da universidade). Para ele, é importante que o comitê atue também em relação aos processos seletivos de docentes. Com o fim da audiência, o procurador da República afirmou que é fundamental que a UFRB avance e termine as apurações das denúncias de fraude e encaminhe os resultados ao MPF o quanto antes. “Sabemos que há momentos de discussão, de questionamentos, de construção de conhecimento, próprios da universidade, mas agora precisamos de resultados concretos para as pessoas que estão se sentindo prejudicadas, para a sociedade e para a comunidade acadêmica”, ressaltou Loula.

Como encaminhamento da audiência, o MPF aguardará pelo prazo de 30 dias, quando deverá oficiar a UFRB, novamente, para saber o resultado final das apurações.

 

Fonte: Ascom Bayer/Ascom HGRS/Ascom MPFBA/Municipios Baianos

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