01/10/2017

Quase 50% dos fumantes querem deixar cigarro, diz estudo

 

Nos próximos seis meses, 49% dos fumantes do país planejam deixar o cigarro, o maior índice registrado entre todos os países que compõem o Projeto ITC Brasil – pesquisa que mede o impacto psicossocial e comportamental de políticas para o controle do tabaco. Os resultados foram divulgados nesta sexta-feira (29) durante o Congresso Instituto Nacional do Câncer (Inca) 80 anos, realizado no Rio de Janeiro.

Os dados do Projeto Internacional de Avaliação das Políticas de Controle do Tabaco (Projeto ITC Brasil) englobam informações relativas a 24 países. Entre os principais motivos apontados pelos fumantes para deixar o hábito estão a preocupação com a própria saúde, com os danos que possam vir a causar em outras pessoas pelo tabagismo passivo e com a possibilidade de dar mau exemplo a crianças. A pesquisa indica, entre outros aspectos, que os fumantes brasileiros estão altamente motivados para deixarem de fumar e apoiam novas ações governamentais de combate ao tabagismo.

Para a diretora-geral do Inca, Ana Cristina Pinho, os dados significam um “pedido de socorro” por parte dos fumantes do país, que querem deixar o vício mas não conseguem. “Os números mostram com muita clareza o que significa a dependência física e psíquica de uma droga. O fumante tem a consciência de que o tabaco é danoso à sua saúde, mas não consegue se libertar da dependência”.

Para a diretora-geral do instituto, “o fumante tem a consciência de que fumar é nocivo à sua saúde  e à de sua família, e todo o impacto social envolvido. Os números constituem sim em um pedido de socorro por parte dos que querem deixar o vício”, enfatiza.

De acordo com a pesquisa, os resultados relativos aos que planejam deixar o vício nos próximos seis meses no Brasil  indicam “um índice bastante elevado, principalmente se comparado ao de países desenvolvidos com programas estruturados de controle ao tabaco como Estados Unidos (índice de 37%), França (34%), Inglaterra (33%) e Alemanha (apenas 10%)”.

Além de registrar o maior percentual de entrevistados que planejam deixar o cigarro nos próximos seis meses, o estudo revela que fumantes e não fumantes apoiam a criação de novas ações governamentais para o combate ao tabagismo.

A secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CONICQ), Tânia Cavalcante, destaca que a mudança de visão da sociedade brasileira em relação ao cigarro é fruto do trabalho de diversos atores ao longo dos anos. “Essa mudança na postura em relação ao hábito de fumar, que era bem visto e amplamente estimulado no Brasil entre as décadas de 70 a 90, é fruto de um longo trabalho desenvolvido pelo Inca e pelo Ministério da Saúde, em parceria com secretarias de saúde e a sociedade civil", aponta.

Proibição e regulamentação

Outra constatação da pesquisa é a de que existe um forte apoio até mesmo para a proibição total da comercialização dos produtos de tabaco. O Projeto ITC perguntou a todos os 1.358 entrevistados, entre setembro de 2016 e março de 2017, se eles apoiam ou se opõem a uma proibição total de produtos de tabaco nos próximos 10 anos caso o governo forneça tratamento para ajudar fumantes a deixarem o vício. Os resultados mostram que 68% dos fumantes e 77% dos não fumantes pesquisados “apoiam” ou “apoiam fortemente” essa proibição.

Vera Luiza da Costa e Silva, chefe do secretariado da Convenção do Controle de Tabaco da Organização Mundial de Saúde (OMS), ressaltou durante o congresso que a proibição do tabaco não está em pauta. “Os dados do ITC não propõem essa proibição, eles simplesmente utilizam este indicador como medida da não aceitação social do produto por parte do fumante e do não fumante. E quando você vê que uma parte grande da população acha até que proibir seria uma solução, é porque a situação está chegando a um ponto em que o produto não está sendo bem aceito”, disse.

Para ela, os resultados da pesquisa são um estímulo para se discutir como avançar na regulamentação do uso de outras substâncias, como o álcool e alguns produtos alimentícios. "[Pensar] em como se avançar dentro da mesma lógica de regulamentar. Não é proibir, é regulamentar. E ter um olhar, dentro desta regulamentação, voltado principalmente para os adolescentes e para a população de baixa renda”, disse.

A importância da regulamentação também foi defendida pela diretora-geral do Inca, Ana Cristina Pinho. Para ela, ao contrário das drogas ilícitas, no caso do cigarro o que se pretende é reduzir o consumo via estrangulamento do acesso ao produto. “É o caso de dificultar o consumo via estrangulamento, dificultando o início do hábito, daí a importância de uma política educativa tendo como meta dificultar o vício do hábito de fumar: e aí o público-alvo é a criança e o adolescente, porque 90% dos fumantes adquirem o hábito nesta fase da vida”, destaca.

No entendimento de Ana Cristina, “é necessário primeiro desmistificar, tirar o glamour do hábito pelo tabaco". Esse trabalho passa por medidas relacionadas à indústria tabagista, como a padronização das embalagens e a questão dos aditivos que adicionam sabores aos cigarros. No entanto, ações desse tipo envolvem a formulação de legislação específica. “Já existem muitos projetos que contemplam algumas dessas medidas, mas o lobby no Congresso Nacional é muito forte por conta de parlamentares ligados diretamente à indústria tabagista. E eles [projetos] estão lá parados e são de difícil aprovação. Mas é um desafio que precisa ser encardo porque o custo para o país é muito alto”, argumenta.

Países das Américas se comprometem a criar espaços livres de cigarro até 2022

Reunidos em Washington para a 29ª Conferência Pan-Americana da Saúde, autoridades ministeriais acordaram na quarta-feira (27) um compromisso para adotar, até 2022, legislações que criem ambientes 100% livres do consumo de tabaco. Medida vale para todos os países das Américas. Estratégias desse tipo são consideradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como umas das mais eficazes para combater epidemia de tabagismo e doenças associadas.

Nas Américas, cerca de 17% da população fuma. São quase 127 milhões de fumantes. O controle do tabagismo é um poderoso instrumento para melhorar a saúde e promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — em particular a meta nº 4 do ODS 3, que prevê a redução da mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis em um terço até 2030.

O uso de tabaco é um fator de risco importante para essas enfermidades, incluindo as cardiovasculares e respiratórias crônicas, vários tipos de câncer e diabetes. Na região, as patologias crônicas não transmissíveis são responsáveis por 80% de todas as mortes, sendo 35% delas prematuras. “O fortalecimento das políticas de controle do tabaco é essencial se quisermos reduzir seu consumo e salvar vidas”, disse a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne. “Criar ambientes 100% livres de tabaco em todos os lugares públicos e de trabalho fechados é a única medida que pode efetivamente proteger a população dos efeitos nocivos da exposição à fumaça desses produtos.”

Segundo a gestora, esses ambientes também ajudam a evitar que as pessoas comecem a fumar, além de apoiar fumantes que estão tentando largar o cigarro. Atualmente, 17 dos 35 países-membros da OPAS carecem de regulamentações nacionais que estabeleçam ambientes 100% livres de tabaco em todos os locais públicos e de trabalho fechados — e também no transporte público.

Esta medida é considerada um dos quatro “melhores investimentos” para a prevenção e controle de doenças crônicas não transmissíveis. Os outros três são a inclusão de advertências de saúde grandes e com imagens em todas as embalagens de produtos derivados do tabaco; o aumento dos impostos sobre esses produtos; e uma proibição total da publicidade, promoção e patrocínio do tabaco. ­ A decisão das autoridades ministeriais faz parte da nova estratégia adotada pelos Estados-membros da OPAS para combater o fumo. Conjunto de compromissos deverá ser implementado no quadriênio 2018-2022.

O programa recém-aprovado visa acelerar a ação em prol dos quatro “melhores investimentos”, que fazem parte da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (FCTC) da OMS, ratificada em 2005. Segundo a OPAS, a implementação do documento tem sido desigual na região.

Outra diretiva para 2022 é que os 35 países da região devem incluir avisos gráficos de saúde nas embalagens de produtos derivados do tabaco, a fim de informar com precisão o público sobre os efeitos do fumo. Essa medida ainda não foi executada em 19 países.

Os Estados-membros da OPAS também podem considerar a adoção de embalagens neutras ou simples, implementadas na Austrália, Reino Unido e outros países fora das Américas, ou avaliar a implementação de um formato padronizado para cada marca, como faz o Uruguai.

Outros compromissos adotados no marco incluem a ratificação do Protocolo para Eliminar o Comércio Ilícito de Produtos de Tabaco da OMS e o estabelecimento de mecanismos efetivos para evitar interferências da indústria tabagista. “Essas medidas são economicamente acessíveis e aplicáveis mesmo em contextos onde os recursos são limitados”, defendeu Adriana Blanco, chefe da Unidade de Fatores de Risco e Nutrição da OPAS. “Sua aplicabilidade não pode ser deixada para acordos voluntários, requer instrumentos legais de acordo com o contexto de cada país”, acrescentou.

Álcool, tabaco e outras causas do câncer bucal

Muitos dos hábitos considerados prazerosos em nosso dia a dia também podem ser perigosos para a nossa saúde. Comer muito açúcar, expor-se ao sol sem moderação ou consumir bebidas alcoólicas em excesso são alguns exemplos de costumes que podem se tornar fatores de risco para muitas doenças, incluindo o câncer.

De acordo com a Dra. Laura María Diaz Guzman, membro da Associação Dental do México, os principais fatores de risco para o câncer bucal são tabagismo, alcoolismo, alguns vírus da família do papilomavírus humano (HPV), assim como exposição constante ao sol, que pode levar ao câncer dos lábios.

O câncer oral, que inclui os tumores na língua, bochechas, céu da boca e faringe (garganta), geralmente é caracterizado por mudanças de cor (branco ou vermelho) ou de textura (áspera) na mucosa bucal. "Mais tarde, ele é transformado em uma massa ligeiramente elevada, que é a úlcera. Qualquer úlcera oral com duração superior a duas semanas deve ser avaliada pelo dentista. Em casos mais avançados, haverá uma massa aumentada que causa dor", explica Laura.

Entre os principais sintomas do câncer bucal, estão o sangramento oral sem razão aparente, dor de garganta crônica, lesões persistentes no rosto, pescoço ou boca e dor ou sensação de que algo está preso na parte de trás da garganta.  Se você notar alguma dessas alterações, é aconselhável entrar em contato com seu dentista ou médico imediatamente para uma avaliação.

 

Fonte: Agencia Brasil/ONU Brasil/FF/Municipios Baianos

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