03/10/2017

Crianças com microcefalia completam dois anos de desafios

 

A semana da dona de casa Joenice Tavares, 24, é cheia. Na segunda, ela leva a filha que tem microcefalia, a pequena Kesia Rayssa, para estimular a visão. Na quarta, é a vez de consultas e exames. Quinta, participa de um projeto com outras mães. Na sexta, há fisioterapia e natação e, no sábado, faz parte de uma iniciativa com pesquisadores de Londres. Só sobra a terça livre e o domingo.

“Na terça, tem consulta às vezes. No domingo, estou livre, mas é o dia de igreja”, conta a mãe. Desde que nasceu, essa tem sido a rotina da menina que, na semana passada, completou dois anos. Este é justamente o período transcorrido desde o início do surto de zika no Brasil, em outubro de 2015. De lá até 30 de junho deste ano, 1.641 bebês nasceram na Bahia com microcefalia, atualmente chamada de Síndrome Congênita Associada a Infecção pelo Zika Vírus (SC ZIKAV).

Para Joenice, esses dois anos foram de melhorias para Kesia, apesar das dificuldades. Sem descanso, ela, com o auxílio do marido, o autônomo Giliarde Silva, 25, procurou atender a todas as consultas, exames e procedimentos para contribuir com o desenvolvimento da filha. “Ela está bem melhor. Antes, chorava muito. Ainda não sustenta a cabeça, mas já está melhor. Sorri mais. Ela tem visão baixa, mas a audição é ótima”, afirma.

Para enfrentar as dificuldades, Joenice e outras oito famílias se juntaram e formaram um grupo chamado Superação. Todas elas moram em Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador. O objetivo é, além de compartilhar experiências, cobrar do poder público atendimento para seus filhos. “Estamos há um mês sem fonoaudióloga e sem terapeuta ocupacional”, conta.

Ela diz que tenta estimular a filha em casa. “É difícil, mas de vez em quando pego uns brinquedinhos com brilho, apago a luz e coloco lanterna. Tem que estimular bastante. Não adianta ser só no atendimento”.

Joenice reclama da falta de apoio. “As crianças estão crescendo e as fisioterapeutas estão pedindo órtese para corrigir a postura do pé, cadeira de rodas. Só que aqui a gente não tem onde pedir. Tentamos até uma reunião com o prefeito para ver se conseguiríamos como doação, mas não aconteceu”.

A estudante Sunai Pimentel, 34, é mãe de Breno que está com um ano e dez meses. Ela conta que no início foi complicado por causa da falta de experiência, mas que hoje se sente mais segura. “Minha maior queixa é a falta de suporte. Há medicação que a gente não encontra no município e temos que comprar, mas é caro. No meu caso, falta o trileptal. Há mães que não encontram o leite especial”.

O marido de Sunai, o eletricista Rodrigo Pimentel, se reveza com a companheira. Eles temem que os atendimentos sejam interrompidos. “Até a fisioterapeuta querem tirar”, diz. A TARDE procurou a prefeitura de Simões Filho, mas, até o fechamento deste edição, não houve resposta.

“O Breno está bem. Tem dificuldade de deglutir e perdeu um pouco de peso por causa disso. Era agitado e irritado. Hoje, está mais calmo. Tem baixa visão e com tratamento melhorou. Mas ainda não senta, não anda. Não tem sustentação na coluna”, frisa Suani.

Tratamento

Na capital baiana, há também um grupo de pais e mães de filhos com microcefalia. Há um ano e meio, foi formado o Abraço a microcefalia. Hoje, 170 famílias fazem parte do projeto. “Sentimos falta de trocar experiências e muitas famílias estavam sem atendimento. Precisavam dessa rede de apoio. A rede pública não consegue suprir a demanda e aí que nós entramos”, conta a vice-presidente do grupo, Mila Mendonça.

Mãe de Gabriel de um ano e nove meses, Mila ressalta a importância do suporte médico. “Desde que nasceu, Gabriel tem suporte com uma equipe multidisciplinar. A agenda é bem cheia, mas ajuda muito”, finaliza.

Acompanhamento médico

As crianças com síndrome congênita associada à infecção pelo zika vírus precisam de um conjunto de serviços, especialidades e terapias para ter uma boa assistência, segundo o psicólogo Thiago Barreto, que participa das ações da ONG Visão Mundial, entidade que atua na Bahia e em outros estados, dando apoio às crianças e famílias.

“É necessário ter neuropediatra, ortopedista, nutricionista, dentista, pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta”, diz Barreto, que atua em Pernambuco. Lá, a dificuldade é semelhante à relatada por mães na Bahia. “As famílias reclamam da dificuldade de marcar consulta com neuropediatra, a peregrinação de um centro de reabilitação para outro, falta de estrutura. Penso que o serviço de reabilitação deve ser repensado com urgência. Organizar as especialidades de forma que os serviços de reabilitação fiquem em um único centro”, frisa o psicólogo.

Na Bahia, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) informou, em nota, que “já avançou” com relação à oferta de serviços para o tratamento do paciente com microcefalia, com 18 locais de atendimento, sendo sete na capital.

Ainda segundo o órgão estadual, suas esquipes trabalham para estruturar a regulação ambulatorial dos pacientes, com base em diretrizes do Ministério da Saúde. “Em alguns casos, um único paciente é atendido em dois locais diferentes, impedindo, às vezes, o atendimento de outra criança. Além disso, tem o acompanhamento dos pais, que também precisam ser assistidos. Vale lembrar que o atendimento à microcefalia é tripartite: governo federal, estado e municípios.

Doutor em obstetrícia e pesquisador da zika, o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Manoel Sarno diz que as mães têm conseguido atendimento. “Mas a via crucis destas mães é muito estressante. Aos pais destas crianças, devemos dar total apoio e informações dos cuidados para que eles possam dar prosseguimento ao tratamento em casa”, ressalta o especialista.

Com a chegada aos dois anos de idade, muitas dessas crianças, segundo Sarno, ainda estão apresentando atraso no desenvolvimento, sequelas oftalmológicas e convulsões. “Ainda estamos aprendendo com a doença que até então era totalmente nova para a ciência”, acrescenta.

Sobre a redução dos casos de microcefalia, ele atribui à circulação do vírus, que reduziu devido à imunidade da população e ao melhor controle do mosquito.

As notificações sobre microcefalia no estado começaram em outubro de 2015. Até dezembro daquele ano, os casos haviam ocorrido em 69 municípios, quando foram notificados 10 óbitos na capital e no interior.

Outubro Rosa: Sesab realizará 20 mil mamografias e cirurgias de reparação de mama

A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) vai realizar 20 mil mamografias no mês de outubro, durante a campanha Outubro Rosa. O objetivo é chegar a marca de 500 mil mamografias realizadas desde janeiro de 2015.

As unidades de saúde, durante este período, receberá uma iluminação rosa para chamar a atenção das mulheres para o rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de mama.

Pacientes mastectomizadas por câncer de mama e que já tiveram findado o ciclo de quimioterapia serão encaminhadas ao Hospital da Mulher para a realização de consultas e, caso haja recomendação médica, realização de cirurgia reparadora.

Também está prevista a realização de consultas, palestras, bem como um curso de radiologia, aula de ginástica e um motopasseio rosa.

“Quando precocemente descoberto pode-se evitar o procedimento cirúrgico de retirar a mama por completo, o que, para algumas mulheres, é como uma mutilação, ou ainda evitar procedimentos complementares como quimioterapia ou radioterapia, aumentando a sobrevida dessas pacientes e reduzindo a morbidade", afirma o secretário, Fábio Vilas-Boas.

Para fazer os exames de rastreamento do câncer de mama não é necessária a solicitação médica. A campanha atende gratuitamente mulheres de 50 a 69 anos, que precisam comparecer aos locais de exame com identidade, CPF, comprovante de residência e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).

Caso alguma alteração seja verificada na mamografia, elas serão encaminhadas para exames complementares em unidades de referência e, quando necessário, iniciam o tratamento o quanto antes. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que na Bahia 12.900 novos casos de câncer vão acometer as mulheres em 2017, sendo 2.760 de mama e, destes, 1.000 ocorrerão em Salvador. Quando detectado em fase inicial, a doença pode alcançar até 95% de cura.

Saiba quais são as vacinas indicadas para o idoso

Domingo, 1º de outubro, foi comemorado O Dia do Idoso, data que marca a promulgação do Estatuto do Idoso. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vem aumentando o número de pessoas idosas. Entre 2005 e 2015, a proporção de idosos de 60 anos ou mais, na população do País, passou de 9,8% para 14,3%. Um dos fatores que impulsionam essa progressão é o aumento da expectativa de vida da população. Nos últimos 10 anos o Brasil ganhou 8,5 milhões de cidadãos acima dos 60 anos. Essa parcela da população deve chegar a 38 milhões em 2027.

O envelhecimento populacional é um fenômeno global e está associado ao aumento da expectativa de vida das pessoas que, por sua vez, está ligado a fatores relacionados ao maior cuidado com a saúde possíveis no dia de hoje.

“Se por um lado temos mais tratamentos disponíveis para tratar e curar doenças, por outro, temos que pensar em sua prevenção”, diz o presidente da ABCVAC, Geraldo Barbosa. “A população idosa deve ter em mente que pode evitar muitas doenças – que podem inclusive ser fatais – por meio da vacinação”.

Os maiores de 60 anos fazem parte do grupo de risco aumentado para as complicações e óbitos por influenza, a conhecida gripe, uma infecção que pode ter suas complicações evitadas com a vacina. Existem disponíveis hoje as vacinas 3V e 4V, essa última, apenas na rede privada, e que confere maior cobertura das cepas circulantes.

Outras vacinas indicadas são a Pneumocócicas (VPC13) e (VPP23), que protegem contra as infecções causadas pelo Streptococcus pneumoniae (“pneumococo”). Esta bactéria é causa comum de infecções respiratórias (otite, sinusite, pneumonia), e também pode ocasionar infecções generalizadas (meningite, sepse). “Além disso, diminui a transmissão de uma pessoa para outra, o que é especialmente importante em asilos locais de aglomeração como casa para idosos, por exemplo”, explica Barbosa.

Há também a vacina contra a Herpes Zoster que é recomendada já a partir dos 50 anos de idade, uma vez que o risco da doença é maior nessa faixa etária. Outra vacina que faz parte do calendário indicado para adultos e que deve ter seu reforços aplicado na melhor idade é a Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto. “A – dTpa, ou dTpa-VIP protege contra difteria, tétano e coqueluche deve ser reforçada a cada dez anos”, diz Barbosa.

Na população com mais de 60 anos é incomum encontrar indivíduos suscetíveis ao sarampo, caxumba e rubéola nem aos tipos de Hepatite A e B. “Para esse grupo, portanto, a vacinação não é rotineira, como indicam os calendários da Sociedade Brasileira de Imunização”, explica o presidente da ABCVAC. “Porém, a critério médico, como em situações de surtos, viagens, entre outros, pode ser recomendada.”

 

Fonte: A Tarde/Ascom Sesab/Municipios Baianos

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