30/06/2012

SALVADOR: Recuo aniquila PCdoB

 

Análise lúcida do conceituado jornalista Luiz Augusto Gomes, em seu blog Por Escrito, mostra para sociedade baiana, a fraqueza do PCdoB, em se afirmar como partido independente. Municípios Baianos, transcreve abaixo a análise do jornalista em seu blog.

O PCdoB, apesar da excelência do seu coletivo de pensadores, cometeu um erro irreversível ao retirar a candidatura da deputada Alice Portugal à Prefeitura de Salvador. Ao contrário das vezes anteriores, em que terminou desistindo do pleito em favor do PT, o partido deu firme demonstração de que desta vez sairia em busca do próprio espaço.

A disputa da Prefeitura, iniciativa que ameaça há quase uma década, era motivada pelo instinto de sobrevivência da organização, que vê os anos passarem na evidente função de linha auxiliar, sem a expectativa de transformar-se num “partido de massas” para um dia alcançar o proletarismo com que ainda sonham alguns de seus membros.

Com a decisão, que o põe novamente a reboque do “amigo” – e chega a surpreender na reta final observadores da política soteropolitana –, o PCdoB descredencia-se totalmente para “lançamentos” similares no futuro. Sua sina, pelos anos adiante, se resumirá a indicar o vice do PT, até que nem força para isso tenha.

Oriundo de setores profundamente reprimidos no regime militar, o PCdoB não conseguiu, assim como seu irmão PCB, a despeito da história de ambos, impor-se como legenda popular com a redemocratização do país, a partir de 1979.

Afora a grande dificuldade pelo preconceito que durante décadas se infundiu na sociedade a respeito dos seus métodos e objetivos, o partido, que alcançaria a legalidade somente em 1985, viu surgir antes disso, segurando muitas de suas bandeiras, o PT “de Lula”.

Tendo como charme especial a liderança de um representante legítimo da classe trabalhadora, o PT engolfou a maioria das organizações de “esquerda” ativas no Brasil, além de expressivos setores acadêmicos e culturais, ganhando o protagonismo de cena política.

Desde então, num período que engloba seis eleições presidenciais, os dois partidos foram aliados incondicionais, com PCdoB, numa aceitação de seu menor porte, sempre no papel secundário, que lhe consolidou a condição de satélite na estrutura de poder.

Era um tempo de oposição, primeiro, contra os resquícios da ditadura, depois, contra todos os governos que se sucederam – José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

A adversidade favoreceu a manutenção da aliança com discrição e disciplina, ainda mais que, no decorrer dessa fase, o partido foi abalroado pelo fim do “socialismo real” no planeta, com a queda do Muro de Berlim e a desagregação da União Soviética.

A chegada do PT ao poder, 12 anos atrás, não causou inicialmente mudanças na relação. O PCdoB foi coligado “natural” duas vezes de Lula e depois de Dilma, estando propenso, sem dúvida, a fazê-lo pela quarta vez no próximo pleito presidencial.

Mas a vizinhança do poder lhe permitiu relativo crescimento, nas bancadas federais e estaduais e, sobretudo, nas prefeituras, onde pôde exercê-lo diretamente e ver que gosto tinha. A situação, é claro, abriu novas perspectivas para o partido, que foi tomado pelo desejo legítimo de crescer.

Trazendo, como num corte laboratorial, o quadro para Salvador, o PCdoB sempre foi coligado preferencial do PT. Repetindo o exemplo nacional, estiveram juntos nas diversas tentativas de Nelson Pelegrino e Walter Pinheiro de chegar à Prefeitura.

Nos dois últimos pleitos, os “comunistas” ensaiaram uma atitude de independência com a vereadora Olívia Santana, que obteve a vice em 2004, perdendo-a em 2008 para Lídice da Mata (PSB). Quando se supunha, agora, a firmeza do nome de Alice, eis que o partido termina novamente em segundo plano.

Fonte: Por Escrito

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