11/10/2017

Feira: Empresário investigado já sofreu tentativa de homicídio

 

O empresário Ricardo Peixoto Silva, 37 anos, preso nesta segunda-feira (9) suspeito de fabricar e comercializar suplementos alimentares de forma clandestina, sofreu uma tentativa de homicídio em 2016. O crime foi motivado por ação passional, mas foi o que desencadeou a investigação da Polícia Federal (PF) que fez ele passar de vítima a prisioneiro.

Segundo investigadores, Ricardo tinha um relacionamento com uma mulher casada. Os dois frequentavam a mesma academia, em Feira de Santana, o que teria facilitado os encontros, mas o marido traído descobriu e mandou matar o amante. Ele foi baleado cinco vezes, mas as balas não acertaram órgãos vitais e, por isso, sobreviveu ao ataque.

Ainda inconformado, o marido contratou cinco advogados para passar uma lupa na vida de Ricardo. O objetivo era encontrar alguma irregularidade que pudesse complicar o empresário com a polícia.

Depois das 'investigações', os advogados descobriram que Ricardo estava fabricando suplementos de forma clandestina e denunciaram o empresário para a PF. Um dos federais que acompanham o caso contou ao CORREIO que a denúncia foi o que deu início para descobrir outros crimes do empresário.

"Esse tipo de caso não é investigado pela Polícia Federal, mas sempre que recebemos uma denúncia verificamos quem é o denunciado. Quando levantamos as informações sobre Ricardo, descobrimos que ele estava fraudando o sistema financeiro e, por isso, a corregedoria (da PF) determinou que fosse aberta uma investigação", contou o policial.

Ainda segundo a fonte, atualmente o empresário estava tendo um relacionamento com outra mulher comprometida, também em Feira, e foi ameaçado por conta disso.

Ricardo já estava cumprindo pena por outro crime quando foi preso nesta segunda. No dia 5 de agosto, policiais federais prenderam o empresário por uso de moeda falsa. Ele também estava sendo investigado por falsificação de documentos. A justiça determinou que ele pagasse pelo crime prestando serviços comunitários e, por isso, ele estava em liberdade quando a polícia cumpriu o mandado de prisão preventiva.

Investigação

Segundo a PF, Ricardo estava fabricando suplementos de forma clandestina em uma casa alugada, em Feira de Santana. Além dos insumos comuns nos suplementos, ele manipulava duas substâncias proibidas por lei: cafeína e glutamina. O empresário não tem autorização da Vigilância Sanitária e Ambiental (Divisa) para usar as dois materiais.

A polícia informou que ele vendia os suplementos em Feira de Santana e para seis academias em Salvador. Os nomes dos locais não foram divulgados.

Mudança de nome

Ricardo era filho bastardo de um empresário de Feira de Santana que morreu em 1994, deixando alguns imóveis para serem repartidos entre os herdeiros. Quando nasceu ele foi batizado apenas com o nome da mãe, como Ricardo Ribeiro Peixoto, mas depois da morte do pai ele entrou na Justiça com um pedido de reconhecimento de paternidade, o que ocorreu em 2001. A partir desse ano, ele passou a ser Ricardo Peixoto Silva.

Os policiais contaram que ele aproveitou a mudança para contratar empréstimos e comprar imóveis com o nome antigo, fazendo despesas que nunca pagou. Além disso, o empresário teria usado três testas de ferro, quatro CPFs e cinco carteiras de identidade falsas que eram usadas para aplicar outros golpes na praça. A polícia estima que ele tenha causado um prejuízo de R$ 6,5 milhões somente à Caixa Econômica Federal, através de empréstimos.

Até vovó no bolo

A investigação teve início há três meses. Ricardo foi preso e os três testas de ferro foram conduzidos para a delegacia, ouvidos e liberados. A polícia afirma que eles sabiam do esquema e emprestavam os nomes para que o empresário aplicasse os golpes. Os três serão indiciados.

Nesta segunda, os policiais apreenderam mais de cinco toneladas de suplementos, três veículos, uma lancha e três imóveis, mas a polícia ainda está rastreando outros bens do empresário. Durante a investigação, foi descoberto que até a avó de Ricardo era usada como laranja - mas a PF ainda busca saber se o uso do nome era autorizado por ela.

Os investigados irão responder pelos crimes de estelionato, fabricação clandestina de produtos equiparados a medicamentos, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa. Ricardo foi encaminhado para a Superintendencia da Polícia Federal, em Salvador, e passará por audiência de custódia nesta terça (10).

Suplementos clandestinos

Nas apurações das fraudes contra a Caixa, a PF descobriu que diversas empresas do investigado com a utilização de "laranjas" atuavam na fabricação e comercialização clandestina de suplementos alimentares.

Esses suplementos eram produzidos sem qualquer autorização dos órgãos de vigilância sanitária competentes e distribuídos através de lojas em Feira de Santana e Salvador, além das demais lojas do ramo em todo o nordeste brasileiro.

Ao todo, foram apreendidas cinco toneladas de suplementos. O delegado Fábio Marques disse que o modo de produção mostra claro descuidado com questões de higiene.

"Me chamou a atenção na fábrica o modo de controle de higiene. Todos os suplementos tinham a mesma marca de validade. A qualidade da embalagem é muito boa, mas o conteúdo não tem uma garantia de eficácia. O consumidor estava sendo enganado".

A partir desses negócios ilícitos, segundo a PF, o empresário conseguiu constituir um patrimônio significativo, com a aquisição de imóveis, veículos de alto padrão e até mesmo uma lancha, que não eram declarados às autoridades fazendárias por estarem registrados no antigo nome ou em nome de terceiros.

Prisão

Preso em Feira de Santana, Ricardo foi encaminhado para a sede da PF, em Salvador, ainda na segunda-feira.

Segundo o delegado Fábio Marques, ele voltou para Feira na tarde desta terça-feira, onde deve passar por audiência de custódia que deve decidir pelo encaminhamento para o Conjunto Penal de Feira de Santana ou que pode definir que ele irá responder pelo processo em liberdade.

Encontro debate sobre a Cadeia Produtiva de Bovinocultura de Leite e Acesso a Mercado

A Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), realiza o Encontro sobre a Cadeia Produtiva do Leite e Acesso a Mercado, em parceria com a União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bahia (Unicafes-BA). O evento está acontecendo nesta terça-feira (10) e quarta-feira (11), no município de Feira de Santana, Território Portal do Sertão.

O diretor-presidente da CAR, Wilson Dias, destacou a importância da Unicafes para a realização dessa série de encontros com os representantes das cadeias produtivas estratégicas do estado, e sinalizou que as cooperativas e associações precisam se organizar e se unir cada vez mais: “Depois dos investimentos em infraestrutura e na base produtiva, nosso objetivo é investir na comercialização da produção e na busca do mercado, promovendo alianças produtivas, com a integração entre empreendimentos e empresas compradoras, o que vai ser objeto de um futuro edital do projeto Bahia Produtiva”.

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores e Revendedores de Leite de Poções, Deli Silva, o encontro está possibilitando o conhecimento sobre a cadeia produtiva do leite, além de favorecer a interação com outros empreendimentos: “Que possamos criar vínculos com outros produtores de alimentos para levar desenvolvimento e melhor qualidade de vida às pessoas, porque quanto mais unidos estivermos, o desenvolvimento será maior e teremos condições de ter uma melhor gestão em nossas associações e cooperativas”. A associação produz atualmente cerca de 2,3 mil litros de leite/dia, envolvendo uma média de 150 famílias do município de Poções.

O encontro acontece no âmbito do projeto Bahia Produtiva e é voltado para empreendimentos voltados à cadeia produtiva da bovinocultura de leite e entidades prestadoras de assistência técnica e extensão rural (ATER). Estão sendo debatidos temas como Estratégia da Unicafes na representação dos Empreendimentos da Agricultura Familiar e os Cenários Futuros das Ações da CAR e do Bahia Produtiva no apoio aos empreendimentos da agricultura familiar. Será apresentado ainda o Cadastro dos Agricultores Familiares (CAF) e elaborado o Plano de Ação.

Para a presidente da Unicafes-BA, Iara Andrade, os encontros estão sendo momentos importantes para dar um novo passo, principalmente agora com a possibilidade de firmar alianças produtivas: “Esses eventos estão possibilitando conhecer essa proposta, ao mesmo tempo que vêm ajudar essas associações e cooperativas a se articularem em redes, para poder consolidar essa aliança produtiva, que é a produção visando o mercado, unindo redes de produção e comercialização”.

Ainda, durante o evento, o superintendente da Agricultura Familiar (Suaf/SDR), Marcelo Matos, fará um balanço sobre a atuação da Rede de Especialistas e a implantação das Unidades de Referência de Leite, será realizado um nivelamento sobre os serviços de ATER, além da apresentação da experiência da Cooperativa de Assessoria Técnica e Educacional para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar (COOTRAF) no acompanhamento de ATER na Bovinocultura de Leite.

 

Fonte: Correio/Ascom SDR/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!