12/10/2017

Depressão aumenta risco de Alzheimer e há tratamento sem remédio

 

A depressão é uma doença do cérebro que afeta 10,4% dos brasileiros, e 300 milhões no mundo, sendo a quarta causa de incapacidade, provocando uma perda econômica de mais de US$1 trilhão. Projeções da Organização Mundial de Saúde para 2.020 apontam que ela alcançará o segundo lugar do ranking. Isso se deve, em parte, ao fato de que o tratamento medicamentoso pode não controlar a doença em quase metade dos pacientes. O tratamento feito à base de remédios pode causar efeitos colaterais, como diminuição do libido, tremores, e aumento do peso, que podem tornar seu uso intolerável.

Diante desse quadro é imperativo conhecermos as alternativas e avanços no tratamento da depressão que atualmente estão focados, basicamente, na medicação e na psicoterapia. Ambos, apesar de importantes, podem ser complementados, otimizadas ou substituídas, dependendo de cada caso, por outras modalidades de tratamento. Existem abordagens não medicamentosas para o tratamento da depressão como a neuro modulação cerebral não invasiva:

Terapia de neuro modulação cerebral não invasiva, resumidamente é o uso da tecnologia eletro-magnética, no tratamento do cérebro (como é o caso da Depressão).  A neuro modulação cerebral não invasiva tem como objetivo estimular diretamente áreas cerebrais que não estão funcionando. Como ocorre na depressão, a falta de atividade neuronal em determinadas  áreas cerebrais provocam os sintomas da depressão - desânimo, tristeza, falta de prazer. Esse tratamento visa restabelecer o funcionamento normal cerebral.

A depressão é uma doença neurológica com alterações funcionais de estruturas cerebrais como a redução do volume do hipocampo, redução do lóbulo frontal, redução do fluxo sanguíneo, e metabólica, como na região do córtex pré-frontal dorsal lateral à esquerda. Tais evidências permitem uma abordagem tecnológica como a neuromodulação para corrigir o mal funcionamento dessas estruturas cerebrais.

Entre os tipos de neuromodulação cerebral não invasiva podemos citar os dois mais utilizados: a Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva, através de um equipamento com bobina que gera um campo magnético para estimular estruturas cerebrais específicas; e a Estimulação Transcraniana de Corrente Continua que se utiliza de um aparelho com eletrodos, que gera uma corrente elétrica para estimular estruturas cerebrais. Ambas modalidades estimulam diretamente o cérebro, são procedimentos indolores e, praticamente, sem efeitos colaterais.

Estudos indicam, por exemplo, uma forte ligação entre a Doença de Alzheimer e a depressão, ambas de origem cerebral. De fato, mais de 50% das pessoas que sofrem de depressão tem alteração da memória. Estar depressivo ou ter tido depressão aumenta o risco de ter a doença de Alzheimer no futuro, principalmente se a depressão não tiver sido controlada. Vale mencionar o estudo realizado pela Erasmus University em Roderdã, Holanda, e publicado em 2016. Nele 3.325 pacientes, ao redor de 25 anos, que tiveram depressão durante 3 anos ou mais, tiveram cinco vezes mais chance de ter demência no futuro. O resultado apontou que 22% destes pacientes desenvolveram o Alzheimer.

A depressão não controlada aumenta o envelhecimento cerebral. Este fato é demonstrado pela evidência de que 63% dos pacientes que tem quadro de pré-Alzheimer em estágio inicial da doença (Alzheimer) tiveram depressão. Isso ocorre porque ambos (o envelhecimento e a depressão) aumentam o estresse oxidativo cerebral. A soma de patologias cerebrais aumenta a chance de ter depressão e Alzheimer, pois o cérebro esta intrinsecamente e neurologicamente interligado.

Um bom exemplo é o estudo publicado este ano, na American Stroke Association, pelo departamento de neurologia do Massachusett's General Hospital, em Boston. O estudo demonstra que 40% dos 695 pacientes que tiveram Acidente Cerebral Vascular Hemorrágico, desenvolveram depressão em cinco anos. Neste estudo, 80% dos casos que evoluíram com Demência tinham a depressão até um ano e meio antes do diagnóstico de demência. Daí conclui-se que a soma de patologias cerebrais, e mais a depressão, aumentam o risco de Alzheimer.

Resumo: A depressão deve ser vista de um ponto de vista mais profundo, compreendendo-se a sua neurobiologia. Além de aumentar as incapacidades funcionais como trabalho e social, quando não é controlada a depressão aumenta o risco de Alzheimer no futuro.  Técnicas de tratamento, como a neuromodulação cerebral não invasiva, são necessárias e devem ser difundidas para a população, para um melhor controle da doença e evitar complicações a longo prazo.

Sobre o Dr. Rafael Higashi:

Mestre em medicina (UFF), neurologista e nutrólogo com residência médica em neurologia pela UFRJ e nutrólogo com título de Membro titular da Associação Brasileira de Nutrologia  e Membro Titular da ABNEURO (Academia Brasileira de Neurologia). Tem especialidade no exterior em tratamento do envelhecimento pelo Cenegenics Medical Institute e tratamento da dor no Centro Médico da Universidade de Nova York (NYU Medical Center).

Atualmente é diretor médico da Clínica Higashi do Rio de Janeiro (http://www.estimulacaoneurologica.com.br).

Estresse e estilo de vida inadequado aumentam incidência do câncer de mama precoce

Reconhecimento profissional, satisfação pessoal e qualidade de vida são alguns dos desejos das mulheres – tenham ou não optado por formar uma família. Casadas ou solteiras, hoje elas enfrentam carga de estresse considerável com as múltiplas jornadas impostas pela vida moderna: obrigações no trabalho, com a família ou pessoas próximas e estudos.

“Mais do que nunca nessas condições, os cuidados pessoais e a prevenção da saúde se fazem imperativos”, alerta o diretor-médico da Med-Rio Check-Up, Gilberto Ururahy. Pioneiro no Brasil em check-up feminino, especialidade à qual se dedica há 26 anos, ele contabiliza mais de 30 mil mulheres examinadas na clínica e constata que a incidência do câncer de mama ocorre cada vez mais cedo. Estresse e estilo de vida inadequado são as principais razões, e a medicina preventiva é o melhor caminho para evitar que essa e outras doenças se manifestem.

“É um fato que as mulheres modernas estão expostas aos mesmos fatores de risco à saúde que ameaçam os homens, por isso é necessário que entendam a necessidade de terem com isso a atenção equivalente à requerida deles. Afinal, elas fumam mais que eles, consomem bebidas alcoólicas na mesma medida e têm dupla ou tripla jornada”, observa Ururahy. Segundo ele, a análise dos check-ups feitos pela Med-Rio aponta que, nos anos 1990, o câncer de mama ocorria apenas a partir dos 40 anos. Atualmente, a clínica detecta casos semelhantes em pacientes com idades cada vez mais precoces.

OMS alerta para aumento da obesidade infantil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira (11/10) para o aumento da obesidade infantil em todo o mundo.

O número de crianças e adolescentes obesos passou de cerca de 11 milhões, em 1975, para 124 milhões em 2016, segundo a OMS e o Imperial College de Londres. Além disso, há mais 123 milhões de pessoas entre os 5 e os 19 anos de idade com excesso de peso.

O coordenador do estudo, Majid Ezzati, explicou que o aumento da população é responsável por apenas 10% desse crescimento. Os demais 90% se explicam pelo fato de haver mais crianças gordas hoje do que antigamente. Há 40 anos havia uma criança obesa para cada cem, e hoje há seis para cada cem no caso das meninas, e oito para cada cem no dos meninos.

Segundo os especialistas, a tendência é que essa proporção aumente ainda mais. Nos países ricos, os números não estão mais aumentando, porém se mantêm num nível elevado. Já nos países pobres e de renda média, a situação é alarmante, afirmaram os cientistas.

Eles culparam a falta de exercícios e a má alimentação. Esta é estimulada por comerciais de produtos com muito açúcar e pelos elevados preços de alimentos saudáveis, afirmaram.

A OMS deu algumas recomendações para reverter a tendência. Autoridades de saúde devem informar melhor as famílias sobre a alimentação saudável, incentivar as mães a exclusivamente amamentar os recém-nascidos nos primeiros seis meses, oferecer alimentos saudáveis nas escolas e facilitar a prática de esportes pelas crianças.

"Deve ser seguro caminhar ou andar de bicicleta até a escola", disse Fiona Bull, da OMS. Segundo ela, o combate ao cigarro mostrou que o aumento de impostos também pode ajudar as pessoas a evitar os alimentos não saudáveis. A obesidade eleva os riscos de diabetes, câncer e ataques cardíacos, lembraram os especialistas.

Para a classificação foi utilizado o chamado índice de massa corporal, que é calculado fazendo a divisão do peso de um corpo pela sua altura ao quadrado. Se o resultado estiver entre 25 e 30, há excesso de peso, e mais de 30 significa obesidade.

O estudo considerou as medidas corporais de 130 milhões de pessoas no mundo, incluindo 31,5 milhões com idades entre os 5 e os 19 anos.

 

Fonte: Jornal do Brasil/Deutsche Welle/Municipios Baianos

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