12/10/2017

Caetité: sem FIOL, extração de minério de ferro parou

 

O canteiro de obras da Ferrovia Oeste Leste (FIOL) no distrito de Brejinho das Ametistas, no município de Caetité, sudoeste da Bahia, estão paradas desde 2015. O distrito, que possui cinco mil habitantes, é por onde devem passar pelo menos 60 dos 1.526 km de extensão da estrada de ferro da FIOL. Caetité é o meio do caminho das duas etapas da obra, já que a FIOL 1 é de Ihéus, no sul da Bahia, à Caetité, e a FIOL 2 é de Caetité até Barreiras. Na região oeste da Bahia, as obras de construção da ferrovia também enfrentam atrasos e não chegou nem a 30% do previsto.

Em março de 2016, a Valec, empresa ligada ao Ministério dos Transportes e responsável pelas obras, rescindiu o contrato com o consórcio de construtoras alegando descumprimento de obrigações contratuais e problemas na construção.

A Valec diz que as obras do lote quatro estão perto de 80% do previsto, e que a primeira etapa da ferrovia tem conclusão prevista para o segundo semestre de 2018. Ainda segundo a Valec, entretanto, a construção está parada.

Sem a conclusão da obra no sudoeste da Bahia, a extração de minério de ferro, que deveria garantir ainda mais empregos e renda, não começa. Isso ocorre porque o município não tem como transportar a produção.

"Nós temos aqui o minério de ferro e que está parado por conta da paralisação da ferrovia. Com a implantação do minério de ferro, nós teremos mais ou menos quatro mil empregos diretos", explicou o secretário de relações institucionais de Caetité, Hebert de Carvalho.

Com a suspensão das obras, não foi só a extração de minério de ferro que ficou prejudicada. Os pequenos comerciantes também foram afetados com a situação. É o caso do dono de um restaurante da região, Albiano Aparecido dos Santos. Segundo ele, durante o auge das obras, foram servidas por dia entre 450 a 500 refeições.

"Fizemos um investimento comprando esse terreno, construindo e no período de 2010 a 2015 foi bom. De 2015 para cá, a queda foi tão grande que hoje não está dando nem para se manter", contou.

Em Brumado, também no sudoeste da Bahia, área de produção agrícola e mineral do estado, a situação é parecida com a de Caetité. Até 2015, no Lote 4 da ferrovia, em Brumado, cerca de 1.300 pessoas trabalhavam no local. Além disso, muitos trilhos foram colocados, mas atualmente está tudo parado.

A obra recebia operários de várias cidades da região. Gildázio Moreira, natural de Brumado, foi um dos trabalhadores da obra e ele atuava como armador. “Está todo mundo sem ganhar nada. Todo mundo parado”, contou.

Construção da FIOL no sul da BA está parada e quase 1.500 trabalhadores foram demitidos

As obras da Ferrovia Oeste Leste (FIOL) no sul da Bahia, no trecho entre as cidades de Ihéus e Barra do Rocha, estão paradas e quase 1.500 trabalhadores foram demitidos. Os desligamentos começaram em no início de 2015 e terminaram em dezembro de 2016, segundo informações do Sindicato da Construção Pesada na Bahia.

Conforme a Valec, apenas funcionários do setor administrativo estão trabalhando. A empresa anunciou ainda que, até novembro deste ano, vai fechar o escritório da Valec em Ilhéus. A construção da FIOL na Bahia também está parada ou com o efetivo de funcionários reduzidos em todos os lotes, desde Barreiras, no oeste, até Caetié, no sudoeste da Bahia.

No sul da Bahia, o Lote 1 da FIOL tem quatro frentes de trabalho e corresponde a 120 km, entre Ilhéus e o município de Barra do Rocha. No local, as obras estão paradas desde o fim do ano passado. Trilhos que vão compor a ferrovia estão empilhados e, além de britas, há muitos dormentes de concreto, que são as peças que dão apoio aos trilhos. A obra da ferrovia começou em 2014 e parou definitivamente em dezembro de 2016.

Depois que a obra parou, diversos moradores de Itapirama, no distrito de Gongogi, no sul da Bahia, ficaram desempregados. Eles trabalhavam na fábrica de dormentes, que ficava a 400 metros da entrada de Itapirama. Entre os desempregados está Gildásio Almeida. "A situação está difícil. A gente trabalha na roça, passa 15 dias a um mês parado. A gente se vira com o Bolsa Família que está ganhando", disse.

Na comunidade de Itapirama moram cerca de 700 pessoas. O motorista Walmir Dionísio conta que, depois das demissões, muita gente se mudou do local. Walmir era encarregado da fábrica de dormentes e hoje trabalha como motorista. "Muitos saíram para São Paulo, para Minas e outros estão trabalhando com fazenda ou fazendo 'bico' também, inclusive eu", contou.

A Ferrovia Oeste Leste, com 1.527 km de extensão, vai interligar Figueirópolis, no Tocantins, às cidades baianas de Caetité e Barreiras, até chegar ao Porto Sul, em Ilhéus. O objetivo é transportar minério de ferro e escoar a produção de grãos do oeste da Bahia. A ferrovia faz parte do projeto do complexo intermodal, que prevê ainda a construção de um novo aeroporto e do Porto Sul em Ilhéus, que ainda não saíram do papel.

Segundo o governo do estado, a obra do Porto Sul não saiu do papel por falta de verba. Em 2015, o Ibama liberou a licença ambiental que faltava para a obra sair do papel e autorizou retirar parte da Mata Atlântica para a construção do porto. Quinhentos hectares vão ser desmatados na região de Aritaguá, em Ilhéus. Foram seis anos de discussão até a licença sair. Ambientalistas protestaram contra o que eles consideram um investimento inadequado para a região, com grandes prejuízos para o meio ambiente.

"É um projeto insustentável economicamente, financeiramente, socialmente, porque causa impactos para as comunidades que estão aqui. E do ponto de vista ambiental é um desastre, porque ele vai comprometer área de proteção ambiental, o oceano. Então é inviável", opinou o presidente da instituição Floresta Viva, Rio Rocha. O governo do estado espera que as obras da FIOL e do Porto Sul possam ser retomadas a partir do meio do ano de 2018.

Além dos R$ 5 bilhões que já foram gastos até agora, o governo acredita que serão necessários, no mínimo, mais R$ 9 bilhões para concluir uma parte da ferrovia, de Ilhéus até Bom Jesus da Lapa, fazer a construção do Porto Sul e colocar em operação a mina de minério de ferro em Caetité. Em setembro deste ano, o governador Rui Costa assinou um memorando com cinco empresas da China, com a expectativa de dar continuidade à construção da ferrovia.

Livramento: justiça libera realização de festa do aniversário da cidade

O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) suspendeu nessa terça-feira (10) a liminar que impedia a realização da festa de emancipação política de Livramento de Nossa Senhora. O pedido do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), aceito pela Justiça, determinava que o prefeito cancelasse os contratos firmados com artistas e com empresas para organização das festas.

De acordo com o MP, a ação tinha como objetivo evitar gastos diante de situações de crise econômica e de emergência, que foi decretada pelo próprio prefeito da cidade, José Ricardo Ribeiro Assunção, devido aos efeitos da estiagem prolongada na cidade. A festividade estava agendada para os dias 6 e 11 de outubro.

Os shows marcado para o dia 6 não chegaram a acontecer. Entretanto, o município entrou com recurso sustentando que a decisão causava lesão à ordem e à economia pública, já que o evento é realizado há 96 anos. Dentre os riscos ao município, estaria as multas por descumprimento aos contratos celebrados com empresas e artistas e também a suspensão do efetivo policial e do uso de equipamentos de segurança pública, material que já havia sido solicitado e autorizado pelo Governo do Estado da Bahia.

 

Fonte: G1/Infosaj/BlogdaResenhaGeral/Municipios Baianos

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