13/10/2017

Os 10 principais descarados do Brasil de hoje

 

Quando criança, sempre que meu pai se referia a alguém como descarado, imaginava o dito sem os contornos faciais. Logo corria ao espelho e, sorte, estava tudo ali. Até que o Brasil pós-2015 fez-me entender o significado de descaramento, uma epidemia que me parece atravessará o século 21. Quando criança, sempre que meu pai se referia a alguém como descarado, imaginava o dito sem os contornos faciais. Logo corria ao espelho e, sorte, estava tudo ali. Como na música, todos poderiam entrar em mim “pelos sete buracos da minha cabeça”. Não preciso citá-los, vocês os conhecem bem. “Isto é um descaramento”. Pronto, lá ia eu procurar pelos cômodos da casa onde estava sendo feita a cirurgia. Não encontrava sangue e logo pensava em massa de pedreiro e ferro de passar.

“João Alfredo? O maior descarado”. Seria pela altura do pobre João ou mereceria ele tratamento rápido. Degola, por exemplo.

“Vai encarar?” Sou dado a melancolias. Era quando sentia pena dos descarados. Nunca sabiam como responder.

– Olha, por que está me encarando?

– Quem? Eu?

Percebia o constrangimento do descarado pelos movimentos do gogó em seu pescoço. Um sobe e desce agitado, veloz, proeminente.Ficava aflito. Certo dia, na saída do colégio, tentei intervir.

– Ô Gordo, você não percebeu que ele é descarado? Nem olha nem encara. Como pode?

– É por isso mesmo. Na dúvida, arrisco.

– Cruel, não? Já pensou a confusão que você cria na cabeça do descarado?

– E quem não tem cara tem cabeça?

– É de se pensar, Gordo. Mas acho que sim, cérebro e tudo, lá nos interiores, sabe?

– Será que ouvem sem as orelhas?

– Sabe-se lá, os ouvidos podem estar embutidos. Percebo reações de quem bem escutou e sofreu.

– Dane-se. Ele é um descarado.

Talvez, de lá até cá, tenham-se passado seis décadas sem que eu pensasse no assunto nessas bases. O tempo fizera a conotação mudar meu pensamento. O descarado mantinha todos os sete buracos, eles não estavam “mais embaixo” como é costume dizer, mas sim internalizadas em seus cérebros. Sem ideias, noções, caráter, vergonha. A última vez que me confundi com o assunto, creio, foi por volta de 1964. Assistia num cineclube ao filme “O homem da máscara de ferro“, EUA, versão de 1939, dirigido por James Whale, e baseado na obra de Alexandre Dumas, pai. Estreava no cinema o notável ator Peter Cushing, fonte para várias adaptações cinematográficas posteriores do romance.

Um amigo, comenta: “Apesar da época, cinema ainda a evoluir, creio que o diretor descaracterizou demais o personagem”. Prá quê? Voltei à infância e desci a Teodoro Sampaio, procurando descarados. Não importavam, ferro, massa de pedreiro ou gesso. Fiquei um tempo assim, a desvendá-los. Com o tempo, fui desencanando deles. Mesmo quando alguém assim se referiu a Fernando Collor, não dei bola.

Até que o Brasil pós-2015 fez-me entender o significado de descaramento, uma epidemia que me parece atravessará o século 21. E como não poderia abandonar a galhofa, cito aqui dez importantes descarados do Brasil atual. Claro que não cairia na vala comum de Gilmar, Temer, Serra, Moro, Irmãos Batista, et caterva. As tristes valas deixadas pelos alemães com corpos judeus seriam insuficientes para abriga-los. Vamos lá:

1. O jornal Valor, que depois passou a ser 100% das Organizações Globo, vê a economia brasileira em franca recuperação;

2. Todas as associações patronais ou não, ligadas à imprensa, que não abriram a boca para se manifestar contra a censura e os ataques que hoje sofrem os blogs progressistas, suprimida sua liberdade de expressão digital;

3. João Dória Júnior, o Doriana, que se derrete ao primeiro calor e se entrega ao mais baixo e inculto corporativismo;

4. Ronaldo Caiado, colunista de agronegócios da Folha de São Paulo. Desde sua estreia, não escreveu um só artigo sobre o tema;

5. Sérgio D’Ávila, editor da Folha, que aproveita ter sido correspondente de guerra do jornal e genro do excepcional Hamilton Ribeiro, do Globo Rural, para não perceber o quanto o jornal desinforma a nação;

6. Luciano Huck, o boca-júnior no dizer malévolo do Pasquim sobre Flávio Cavalcanti, na época;

7. As grossíssimas pernas cruzadas e saias justas das apresentadoras da Globo News e seus equivalentes masculinos, cabelos alinhados, bigodes medievais e ternos saídos dos estoques remanescentes das Lojas Ducal;

8. Um japonesinho jovem, não sei o nome, muito feio. Pretende ser o sucessor de Jack Chan e comprovar a supremacia dos EUA;

9. Pastores religiosos, sem cabras e ovelhas, muito menos “pastando no meu jardim”, mas surrupiando dízimos de gente pobre;

10.Fernando Henrique Cardoso, que a tudo percebe, tudo entende, mas prefere rebolar em meneios de cintura, como sensacional cabrocha.

Descarados. Agora entendi.

Regina Duarte perdeu o medo? Por Jefferson Miola

Na campanha de 2002, a consagrada atriz da Rede Globo, Regina Duarte, protagonizou a histeria obscurantista que na eleição de 1989 havia sido protagonizada por Mário Amato, o então presidente da FIESP. O objetivo com este método terrorista era impedir, a qualquer custo, a eleição do Lula à Presidência do Brasil.

Em vídeos da propaganda de TV do tucano José Serra, Regina Duarte fazia terror diante da "ameaça" iminente da vitória do Lula: "_Eu estou com medo. Faz tempo que eu não tinha este sentimento. ... Isso. _[a eleição do Lula]_ dá medo na gente_", dizia ela.

Em 1989, Mario Amato ameaçou que 300 mil empresários abandonariam o Brasil caso Lula vencesse a eleição contra Collor de Mello. O fim todo mundo conhece: a Globo garantiu a vitória do Collor com uma edição manipulada do Jornal Nacional no sábado, véspera da eleição, e assim não houve a massiva deserção dos patrióticos empresários paulistas que vivem do comércio de produtos importados [não da produção industrial] e de juros altos.

Ao longo dos anos, Regina Duarte não abandonou sua militância tucana e anti-petista. Ela se jogou de corpo e alma na campanha golpista pelo _ impeachment _ fraudulento da Presidente Dilma, e foi presença ativa naquelas manifestações da Avenida Paulista, em frente à FIESP, transmitidas ao vivo pela Rede Globo.

É incrível, mas agora; justamente neste período, com o Brasil à beira do precipício do fascismo e do surgimento de acontecimentos aterrorizadores abertos com o golpe de Estado e o regime de exceção, a atriz da Globo não sente medo.

É incrível, mas Regina Duarte não sente medo ao ver o reitor da UFSC Luis C. Cancellier de Olivo "ser suicidado" pela ação totalitária do MP, da PF e do Judiciário - instituições que passaram a atuar acima e à margem das Leis e da Constituição. Ela também não sente medo quando um Delegado do governo Alckmin [PSDB] faz uma batida policial na casa do filho do Lula atendendo a uma "denúncia anônima" de tráfico de drogas, sem realizar investigações prévias, mas pelo simples fato de se tratar de uma denúncia anônima contra o filho do Lula.

Regina Duarte, uma artista, incrivelmente não expressou medo com a onda obscurantista do MBL que resultou no encerramento de uma exposição do Centro Cultural Santander, em Porto Alegre. Regina Duarte não sente medo com o aumento dos assassinatos de índios, de camponeses e das populações originárias pelos invasores legalizados pelas medidas do governo Temer. Aliás, ela não sente medo da quadrilha que o PSDB instalou no Palácio do Planalto.

Regina Duarte tem um medo seletivo. Ela não tem medo, por exemplo, do arbítrio, do obscurantismo e do totalitarismo. Ela tem medo da democracia; da presença do povo nas prioridades do orçamento público; da alegria dos negros e das negras que finalmente conseguiram ingressar nas Universidades. Regina Duarte tem medo dos pobres que passaram a freqüentar a ponte aérea Rio-SP. Ela tem medo de uma Nação que discute seus interesses igualmente, ombro a ombro, tanto com os EUA como com a Bolívia. O medo profundo da Regina Duarte, todavia, é o medo do retorno do ex-presidente Lula à Presidência do Brasil. O medo da Regina Duarte é o mesmo medo da oligarquia golpista, que teme a eleição de Lula em 2018.

Delegado fã de Bolsonaro usava informação privilegiada da PF para extorquir, diz acusação

Ele não era de escrever muito nas redes sociais. Mas, em setembro de 2016, deixou claro suas escolhas políticas: ao lado de uma charge em que apareciam Dilma, Aécio Neves e outros, sentados numa mesa, com o povo disputando as migalhas de um banquete, o delegado escreveu: “Assim é o Brasil, onde o povo é o palhaço por sua própria escolha”.

E, no entanto, o delegado da Polícia Federal Mário Menin fez campanha nas redes sociais pelo candidato a vereador Chiquinho Scarpa, o “conde”, que teve pouco mais de 5 mil votos e não se elegeu em 2016.

Menin já chefiou a Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, tornou-se assessor direto do superintendente da PF em São Paulo e já havia ocupado o cargo na corregedoria, ou seja, foi encarregado de investigar colegas. Agora, responde pela formação de organização criminosa, extorsão, usurpação de função e concussão – receber vantagens indevidas.

A juíza do caso decretou a prisão preventiva do delegado e de três comparsas alegando que eles podem interferir nas investigações. Segundo o G1, “o grupo tinha informações privilegiadas de operações da Polícia Federal e se aproveitava da Lava Jato para ameaçar prefeitos e secretários. A alegação era de que essas vítimas poderiam ser alvo de futuras operações”.

Segundo a Folha, os valores extorquidos estariam em torno dos R$ 5 milhões. Dentre as vítimas está o prefeito de Paulínia, Dixon Carvalho, do PP. O jornal descreveu o delegado como “extremamente católico”.

Nas redes sociais, ele celebrou o 31 de março de 1964 como “o dia em que o Brasil disse não ao comunismo”. Sua postagem mais recente, de um blog conservador, denunciava a TV Globo por supostamente abrir campanha “contra conservadores e religiosos”. “Tem que ser extraditado mesmo”, escreveu ao compartilhar a notícia da prisão do italiano Cesare Battisti.

Postagens contra Che Guevara, o MST e Lula aparecem em sua página no Facebook. O delegado reproduziu posts do MBL contra o evento do Museu de Arte Moderna de São Paulo em que um artista se apresentou nu. Apesar da contradição, Mário Menin parecia defender ao mesmo tempo uma intervenção militar e o voto em Jair Bolsonaro.

“O STJ é a vergonha do Brasil”, diz um post que ele compartilhou sobre a condenação do deputado federal carioca, candidato ao Planalto, no caso envolvendo a deputada petista Maria do Rosário.

O trecho de um discurso do general Antonio Mourão, que falou na possibilidade de intervenção do Exército, mereceu atenção do delegado: no vídeo, Mourão diz que a economia brasileira entrará em colapso em 2022 por causa muitos direitos “concedidos” pela Constituição de 1988.

O delegado viajou um bocado. Esteve na Riviera, foi estudar em Taiwan e publicou fotos em vários lugares dos Estados Unidos. Foi condecorado pela Marinha em São Paulo. E se disse saudoso de um curso que teria feito na base do FBI em Quantico, na Virgínia.

Uma foto sugere que o delegado esteve em uma manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff na avenida Paulista. Ele reproduziu um post do MBL comparando o “antes e o depois” de Dilma favoravelmente a Michel Temer.

“Combatente da corrupção”, ele agora responderá por tentar explorá-la para enriquecer.

 

Fonte: Por Rui Dahre, em RBA/Jornal GGN/Viomundo/Municipios Baianos

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