13/10/2017

IBGE prevê produção estacionária para o Feijão na safra 2017

 

A produção nacional de feijão deve alcançar 3,4 milhões de toneladas em 2017, segundo os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de setembro, divulgado nesta terça-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção aumentou 1,4% em relação à estimativa de agosto, com avanço de 2,3% na área plantada, mas recuo de 0,2% no rendimento médio.

A 1ª safra de feijão está estimada em 1,6 milhão de toneladas, redução de 1,0% na produção ante a estimativa de agosto. O Estado de São Paulo diminuiu em 18.250 toneladas a safra, 9,9% menos do que o previsto em agosto.

Já a 2ª safra de feijão teve um aumento de 3,8% no mês, acompanhando elevações no rendimento médio (0,5%) e na área colhida (3,4%). Houve redução na expectativa de produção de Pernambuco (-27,5%) e de Alagoas (-43,3%) causada por problemas climáticos. Mas a produção cresceu em setembro em Minas Gerais (4,2%), São Paulo (11,5%), Mato Grosso (9,9%), Bahia (18,7%) e Goiás (47,9%).

Feijão Maravilha nos anos 80

No ano de 1979/80 o feijão chegou a custar 450 dólares na lavoura, levando-se em conta inclusive a inflação do dólar. Cerca de R$2.700,00 a saca na moeda de hoje.  Era uma fortuna. Dois sacos pagavam o custeio por mais oneroso que fosse, inclusive com irrigação tocada a óleo diesel. O Brasil tinha produzido metade da sua demanda, que na época também beirava os 4 milhões de toneladas, e as autoridades procuravam no México e nos Estados Unidos feijão para importar. O clamor público foi tão grande que um grupo musical popular na época, as Frenéticas, gravaram uma música, “Feijão Maravilha”, que foi grande sucesso. A Rede Globo, embalada no sucesso da música, colocou no ar uma novela com o mesmo título.

A produtividade brasileira mal alcançava 20 sacos por hectare. A partir daí, entraram no mercado os modernos sistemas de irrigação, como os aspersores auto propelidos e os pivôs centrais, que multiplicaram a produtividade do feijão irrigado nas épocas de estio.

Foi um grande salto: até esse momento o feijão era produzido em consórcio com o milho, como lavoura secundária, em roças pequenas e alheias a qualquer tecnologia.

Na época, começaram a difundir-se o plantio de sementes básicas, para a produção de sementes certificadas; criaram-se cepas comerciais do rhizobium phaseoli; desenvolveram-se fungicidas, nematicidas e até antibióticos para ataques de bactérias; a irrigação sofisticou-se e foi intensificada a adubação com macro e micronutrientes.

Hoje o feijão está numa faixa de US$40 a saca de 60 quilos, depois de experimentar, há dois anos, preços de até R$550,00 para os grãos de melhor qualidade.

Nos lares do brasileiro de classe média, o feijão ainda é a mais saudável fonte proteica. Mas nos restaurantes mais sofisticados o feijão não consta do cardápio. Outro fato relevante é que a agitação das grandes cidades já não permite tempo para o cozimento do feijão, sendo substituído por lanches e alimentos processados. Daí, o estacionamento de mais de 37 anos da produção absoluta e do consumo.

CONAB prevê redução de safras em função de redução das chuvas no cinturão produtivo

A estimativa de intenção de plantio para a safra 2017/18 de grãos aponta para uma produção entre 224,1 a 228,2 milhões de toneladas, o que representa um recuo entre 6 e 4,3% em relação à safra passada, de 238,5 milhões de toneladas. Os números estão no 1º Levantamento da safra 2017/18, divulgado nesta terça-feira, 10, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Condições climáticas altamente favoráveis contribuíram para a safra passada alcançar recorde histórico. Tais condições dificilmente se repetirão, por isso a expectativa de redução produtiva.

Com relação à área plantada, espera-se a manutenção ou um aumento de até 1,8% sobre a safra 2016/2017, podendo atingir números aproximados de 61 a 62 milhões de hectares, graças ao aumento do plantio de algodão e, sobretudo, da soja.

A produtividade deve sofrer redução para praticamente todas as culturas. A previsão se baseia nas análises estatísticas das séries históricas e dos pacotes tecnológicos utilizados nos últimos anos, uma vez que recém começou o plantio das culturas de primeira safra.

Soja e milho continuam como as principais culturas e devem responder por cerca de 89% do total produzido no país. A expectativa é de que a produção de soja alcance entre 106 e 108 milhões de toneladas e a do milho total, 93,5 milhões, distribuídas entre primeira e segunda safra.

A área para milho primeira safra, que sofre a concorrência do cultivo de soja, deve ser reduzida entre 10,1% a 6,1% em relação a 2016/2017, o que vai refletir na diminuição da área absoluta entre 552,5 e 336,3 mil hectares.

Já a soja, que vem oferecendo maior liquidez e possibilidade de melhor rentabilidade frente a outras culturas, deve alcançar maior área para produção, com um incremento médio de cerca de 2,7% comparado à safra passada, algo entre 34,5 e 35,2 milhões de hectares.

Produtos como algodão, feijão preto, girassol e mamona deverão aumentar sua produção. O algodão deve ter também aumento de área em relação à safra anterior. A pesquisa foi feita nos principais centros produtores de grãos do país, entre os dias 24 a 29 de setembro.

Seminário discute a importância da irrigação por gotejamento no uso racional da água

Diante das discussões cada vez mais presentes sobre o uso racional da água, a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), em parceria com a israelense Netafim, realizarão seminário técnico sobre a importância e os desafios da irrigação por gotejamento no país. O evento acontece 26 de outubro, na sede da CNA em Brasília e irá apresentar aos produtores rurais os avanços e benefícios da técnica no Brasil.

Novas tecnologias e aplicações vêm aprimorando a utilização da tecnologia pelos agricultores brasileiros. Embora o país seja privilegiado por um clima benéfico ao desenvolvimento das culturas, os recentes casos de crises hídricas em diversas regiões, acendeu os debates a respeito da sustentabilidade dos recursos naturais pela agricultura.

Apesar do planeta ter 75% de sua superfície composta por água, apenas 2% dela é doce. Desses, 70% é utilizado pela agricultura ou pecuária, por isso, pensar em tecnologias que melhoram o aproveitamento do recurso natural é fundamental para o futuro da população mundial e sua necessidade alimentar.

A irrigação inteligente, gota a gota, reduz o consumo do recurso natural em 60%, ao mesmo tempo que garante ganhos significativos de produtividade em diversas culturas. Para se ter uma ideia de cada 100 litros de água aplicados por inundação, apenas 45 litros chegam na planta, sendo que na irrigação inteligente a eficiência é de 95%. Assim, é possível afirmar que a tecnologia torna a água mais produtiva.

E embora seus benefícios sejam indiscutíveis, muitas dúvidas sobre manejo e aplicação ainda ocorrem no campo. Nesse sentido o seminário busca apresentar as novas opções e fomentar a discussão sobre o tema por meio de palestras.

O seminário contará com a presença de técnicos especializados e também apresentará relato de produtores que apostaram na irrigação localizada e estão colhendo resultados surpreendentes.

Na palestra Utilização Racional de Água na Agricultura Irrigada serão apresentados exemplos da utilização racional da água em Israel e a eficiência do uso da água na irrigação.

Os Princípios de Irrigação Localizada e suas Principais Aplicações fará um histórico da irrigação por gotejamento, as principais operações e o funcionamento dos sistemas. Também serão apresentadas importantes aplicações de grandes projetos e na agricultura familiar.

O painel Avanços Tecnológicos da Irrigação Localizada irá apontar algumas aplicações especiais, casos de sucesso – como nas culturas do café e do arroz -, e abordará o Digital Farming, uma nova tendência no campo.

Para finalizar o evento contará com uma mesa redonda onde os participantes poderão esclarecer suas dúvidas e expressarem suas opiniões sobre irrigação localizada e os benefícios que obtiveram ao adotar estas tecnologias.

 

Fonte: Jornal O Expresso/Municipios Baianos

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