15/10/2017

Brasil tem seleção de cartolas envolvidos em escândalos

 

A prisão recente de Carlos Arthur Nuzman, acusado de participação em esquema de compra de votos para o Rio receber a Olimpíada de 2016, expõe mais uma vez a crise endêmica que atinge os principais dirigentes esportivos do Brasil. Praticamente todos os nomes de destaque na gestão do futebol ou de modalidades olímpicas dos últimos 30 anos mantêm pendências com a Justiça por causa de crimes de corrupção.

São personagens poderosos, muito influentes, mas cuja legitimidade no cargo foi posta em xeque em razão de condenações e outras decisões judiciais e de denúncias com desdobramentos que parecem não ter fim.

  • Veja a lista dos oito exemplos mais emblemáticos:

JOÃO HAVELANGE

Ex-presidente da Fifa, morreu ano passado, no Rio, com sua imagem bastante arranhada por ter se envolvido num esquema de propinas com a ISL, empresa de marketing da Suíça. Por conta disso, teve de deixar a presidência de honra da Fifa e renunciou ao cargo que ocupava no Comitê Olímpico Internacional, temendo ser banido.

RICARDO TEIXEIRA

 Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por 23 anos, de 1989 a 2012, foi indiciado pela Justiça dos Estados Unidos em 2015 por participação em esquema ilícito na venda de direitos de transmissão de torneios de futebol. Em julho de 2017, a Justiça da Espanha pediu sua prisão, acusando-o de lavagem de dinheiro.

CARLOS ARTHUR NUZMAN

Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) desde 1995, renunciou ao cargo na quarta (11). Está preso há uma semana, no Rio, por causa de investigação que o aponta como intermediário na negociação de compra de votos para a eleição do Rio como sede olímpica.

JOSÉ MARIA MARIN

Ex-presidente da CBF, entidade que dirigiu de 2012 a 2015, está preso há dois anos e meio – primeiro na Suíça e hoje nos Estados Unidos - por conta de sua participação em esquema ilícito de venda de direitos de transmissão de torneios de futebol. Cumpre prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica.

COARACY NUNES

Presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) desde 1988, Coaracy foi preso em abril de 2017 pelos crimes de peculato, associação criminosa e por fraude em licitação para comprar material esportivo em 2014 com verba federal. Deixou a cadeia em junho, devido a problemas de saúde.

MARCO POLO DEL NERO

Presidente da CBF desde 2015, ele também foi indiciado pela Justiça dos Estados Unidos por envolvimento em esquema ilícito de venda de direitos de transmissão de torneios de futebol. Já faz dois anos e meio que não representa o futebol brasileiro em nenhum evento no exterior. Ele não sai do Brasil por medo de ser preso.

ARY GRAÇA

Atual presidente da Federação Internacional de Voleibol, Ary Graça renunciou em março de 2014 ao seu mandato na Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), entidade que dirigia desde 1997, depois de ter seu nome envolvido em esquema de pagamento de comissões em contratos de patrocínios da entidade.

CARLOS NUNES

Sob sua responsabilidade, a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) foi suspensa pela federação internacional, por não cumprir uma série de acordos, e acumulou dívidas milionárias. Deixou a presidência da CBB, onde ficou por oito anos, em março de 2017 sob acusação de fraudes em licitações e pagamento irregular de servidores públicos e funcionários não estatutários.

Os 10 principais escândalos do esporte na última década

O caso de corrupção que abalou a Fifa e culminou na prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin é só a ponta do iceberg de uma série de escândalos que marcaram o esporte nos últimos dez anos. Entre doping, manipulação de resultados, assassinato, espionagem e racismo, várias modalidades foram afetadas.

  • Relembre as dez histórias mais marcantes estremeceram o mundo esportivo entre 2005 e 2015:

1 – Fifa

O FBI invadiu o 65º Congresso da Fifa e prendeu sete dirigentes acusados de fraude, extorsão e lavagem de dinheiro, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. J. Hawilla, dono da Traffic, foi o estopim da crise depois de ter feito um acordo de delação premiada com a Justiça americana no valor de US$ 151 milhões. Entre as suspeitas levantadas estão o pagamento de propinas para negociações comerciais dos principais torneios da Concacaf e da Conmebol. As investigações mobilizaram a Polícia Federal no Brasil, que apreendeu celulares e computadores na Klefer, agência de marketing esportivo ligada à CBF. O escândalo fez o Senado aprovar a CPI do Futebol, liderada por Romário.

2 -  Goleiro Bruno

No auge da carreira, o goleiro Bruno foi apontado como principal suspeito do desaparecimento de Eliza Samudio, com quem ele teve um filho em uma relação extraconjugal. À época, ex-atleta atuava pelo Flamengo. O corpo de Eliza nunca foi encontrado e perpetuou a versão de que Bruno teria mandado jogar os restos mortais da modelo aos cães nos arredores do seu sítio, em Minas Gerais. Em 8 de março de 2013, ele foi condenado a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, cárcere privado e sequestro de Eliza, além de ocultação de cadáver. O ex-jogador admitiu a morte da ex-amante, mas nega ter sido mandante ou executor do crime e acusa Luiz Henrique Romão, o Macarrão, seu funcionário e amigo de infância, de ter sido mentor do sequestro e homicídio de Eliza.

3 – Lance Armstrong

Sete vezes campeão do Tour de France, Lance Armstrong foi acusado de doping em 2005 pelo jornal l’Equipe em uma reportagem que fazia referência ao seu primeiro título na competição francesa, em 1999. O ciclista – que chegou a enfrentar um câncer quando ainda competia – admitiu a culpa anos depois e teve todos os prêmios da sua carreira retirados pela UCI, além de ter sido banido do esporte. O norte-americano perdeu ainda todos os contratos de patrocínio que tinha, entre eles Nike, Sram, Trek, Oakley, passando de herói a vilão em questão de meses. Em apenas um dia, Armstrong chegou a perder US$ 75 milhões em contratos comerciais.

4 – F-1

A Fórmula 1 viveu sob tensão em muitas temporadas ao longo dessa década. Em 2008, Nelsinho Piquet forjou uma batida no GP de Cingapura para beneficiar Fernando Alonso, então na Renault, a mando de Flavio Briatore – chefe da escuderia – banido do esporte no ano seguinte, quando o resultado forjado veio à tona. No ano anterior, a McLaren foi acusada de usar informações confidenciais da Ferrari a favor de Lewis Hamilton, em um caso que ganhou os tribunais. Não bastassem os problemas na esfera esportiva, o então presidente da FIA, Max Mosley, foi flagrado em uma orgia com suposta temática nazista também 2008. Além disso, uma das prostitutas foi apontada como mulher de um agente do serviço secreto inglês. Mosley não resistiu à pressão e não emplacou outro ano à frente da entidade.

5 -  Máfia do Apito

No meio da 35ª edição do Campeonato Brasileiro, o árbitro Edilson Pereira de Carvalho foi acusado de manipulação de resultados e preso. O árbitro Paulo José Danelon também estava envolvido no esquema. O caso ficou conhecido como Máfia do Apito. O ex-juiz, banido do esporte, admitiu ter influenciado no resultado de 11 jogos para lucrar em casas de apostas com as quais tinha acordo. Em decisão inédita do STDJ, todas as partidas com interferência de Carvalho foram anuladas. O Corinthians foi o campeão daquela temporada, três pontos à frente do Internacional. Caso os resultados fossem mantidos, o time gaúcho levantaria o troféu daquele ano.

6 – CBV e Banco do Brasil  

Considerada a confederação-modelo no esporte brasileiro, a CBV foi abalada com a revelação de que os dirigentes Marcos Pina e Fábio André Dias Azevedo ganharam comissões de um contrato assinado pela entidade com o Banco do Brasil. Após a denúncia, Pina deixou a superintendência geral da CBV, o contrato com o BB foi suspenso e a gestão de Ary Graça, já na FIVB, foi investigada. Durante o escândalo, os jogadores da Superliga entraram em quadra com nariz de palhaço e chegaram a ameaçar paralisar o campeonato. O técnico Bernadinho foi um dos responsáveis pelo dossiê que denunciou a corrupção na CBV.

7 – Racismo na NBA

Donald Sterling, proprietário do Los Angeles Clippers, foi suspenso por racismo pelo resto de sua vida e pagou uma multa de US$ 2,5 milhões à Liga Americana de Basquete depois que o TMZ vazou uma conversa telefônica em que o ex-dirigente recriminava a namorada V. Stiviano por publicar uma foto ao lado de Magic Johnson em seu perfil no Instagram. A declaração recebeu críticas até do presidente Barack Obama, além vários jogadores como LeBron James. Johnson disse: "Nunca mais irei a um jogo dos Clippers enquanto ele foi o proprietário do time". Os atletas da equipe ameaçaram greve, mas optaram por utilizar meias pretas e camisas de aquecimento do avesso, em repúdio às palavras de seu então presidente. A franquia foi vendida pouco tempo depois.

8 – Doping na Rede

Às vésperas do Mundial de Berlim, em 2009, o atletismo brasileiro foi atingido pelo maior escândalo de doping de sua história. A Rede Atletismo, sediada em Bragança Paulista, teve cinco velocistas com exames positivos para EPO:Josiane Tito (revezamento 4x400m), Lucimara Silvestre (heptatlo), Bruno Lins (200m e revezamento 4x100m), Luciana França (400m com barreiras) e Jorge Célio Sena (200m e revezamento 4x100m). O técnico Jayme Netto Júnior assumiu ter induzido os atletas a ingerirem a substância acreditando ser doses de aminoácidos. A equipe milionária, que tinha Maurren Maggi como principal estrela, foi desmantelada. A campeã olímpica deixou a equipe pouco tempo depois. O investimento era de R$ 7 mi para se tornar um espaço modelo da IAAF no Brasil

9 – Calciopoli

Em 2006, Juventus, Milan, Fiorentina e Lazio estavam entre os times acusados de manipular resultados na Série A do Campeonato Italiano. O escândalo que ficou conhecido como Calciopoli tinha como pivô o ex-diretor geral da Juve, Luciano Moggi. As equipes foram punidas com perdas drásticas de pontos, resultando no rebaixamento da Vecchia Signora à segunda divisão. Além da degola, o clube de Turim ainda perdeu os títulos nacionais das duas temporadas anteriores e foi excluída da Liga dos Campeões da Europa, torneio do qual é finalista quase uma década depois, ao lado do Barcelona.

10 – Rebaixamento da Lusa

A entrada do meia Héverton no último jogo do Brasileirão de 2013 custou caro à Portuguesa. Punida com perda de pontos pelo STJD por usar um atleta suspenso, a Lusa acabou rebaixada no lugar do Fluminense, que cairia pelos resultados do campo. O que a princípio se trataria de um simples erro virou motivo de investigação do Ministério Público, que passou a averiguar se alguém se beneficiou financeiramente. O Flamengo foi punido no mesmo campeonato pela escalação irregular de André Santos, e poderia ter sido o clube rebaixado caso a Portuguesa não fosse penalizada. Depois do caso, a Lusa enfrentou novo rebaixamento para a Série C.

 

Fonte: Terra.com/Maquina do Esporte/Municipios Baianos

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