15/10/2017

App de transporte para mulheres é alternativa à violência

 

Aplicativos de transporte urbano voltados exclusivamente para passageiras e motoristas mulheres estão ampliando suas operações no Brasil, em meio a um quadro de elevados números de violência contra a mulher em grandes cidades do país.

Presente em seis cidades brasileiras, o aplicativo FemiTaxi planeja expandir seus serviços para mais municípios no país e na América Latina até o início de 2018, enquanto o Lady Driver, que começou por São Paulo em março deste ano, iniciará operação no Rio de Janeiro em outubro.

O foco no público feminino tem apoiado ambos os aplicativos em um ambiente altamente competitivo, disputado por empresas que têm recebido milhões de dólares em investimentos como Uber, 99 e Cabify, as maiores do setor no país.

Um dos casos de violência contra mulher mais recentes e de grande repercussão nas redes sociais do Brasil ocorreu em agosto. A vítima, a escritora Clara Averbuck, fez um relato em seu Facebook de que foi estuprada por um motorista da Uber [UBER.UL] que a levava para casa depois de uma festa na capital paulista.

“Depois da divulgação da história da Clara (Averbuck), tivemos um aumento de 188 por cento nos downloads do aplicativo”, disse Charles Henry-Calfat, presidente-executivo e fundador do FemiTaxi, em entrevista à Reuters. Ele disse que percebeu o mesmo movimento depois da divulgação de outros casos de violência contra mulheres que usavam aplicativos de transporte urbano.

A Uber baniu do aplicativo o motorista que atacou a escritora e disse em nota à Reuters que “tanto motoristas parceiros quanto usuários estão sujeitos ao mesmo código de conduta e podem ser punidos, até com banimento, caso desrespeitem as regras”.

Procurada pela Reuters, Clara preferiu não se manifestar sobre o assunto. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, os registros de casos de estupro de janeiro a agosto subiram 3 por cento sobre o mesmo período de 2016. A conta inclui 326 estupros consumados. As tentativas registradas de estupro dispararam 41 por cento, para 31 casos.

Já no Rio de Janeiro, segundo o Instituto de Segurança Pública do Estado, foram registrados 3.134 estupros de janeiro a agosto de 2017, alta de 2,2 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.

Cultura machista

O FemiTaxi conta com 20 mil usuárias por mês e 1.130 motoristas mulheres em São Paulo, Goiânia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Campinas e Santos. O fundador Calfat disse que planeja expansão para mais duas cidades brasileiras dentro de 2 ou 3 meses, sem revelar quais, e espera lançar seus serviços em outros países da América Latina no primeiro trimestre de 2018, inicialmente na Cidade do México e Buenos Aires. O Lady Driver, que afirma atender mais de 100 mil usuárias com cerca de 8 mil motoristas em São Paulo, se prepara para lançar seu serviço no Rio de Janeiro no final de outubro, afirmou à Reuters Gabriela Corrêa, presidente-executiva e fundadora da empresa. Ela acrescentou que pretende iniciar as operações na capital carioca com pelo menos 1 mil motoristas cadastradas. Gabriela, que morou no Equador, disse que a empresa estuda outras expansões no Brasil e na América Latina, mas ainda não definiu datas. “Peru é um país que todo mundo pede para levar o Lady. Peru, México, Equador são países que têm uma cultura machista, essa cultura latina é muito machista, então a demanda é muito grande.”

Grupo de taxistas cria aplicativo para encarar concorrência, em Salvador

Um grupo de taxistas entendeu que a melhor forma de encarar a forte concorrência no ramo de serviços de transportes particulares é oferecer o que os clientes mais precisam com segurança, qualidade e bom preço.

Foi assim que surgiu o aplicativo Táxi do Vale. A ideia inicial foi criar um grupo no WhatsApp reunindo clientes e taxistas – ali mesmo, eram feitas as solicitações. Tudo isso porque muitos motoristas se recusavam a entrar em algumas comunidades, como o Vale das Pedrinhas.

“(Pensamos no aplicativo) quando começamos a ouvir relatos de clientes chateados porque os taxistas que não rodam nas proximidades não queriam entrar em nossa comunidade, fazendo pré-julgamentos. Sabemos que a violência está em todo lugar", afirma o idealizador Ueverton de Souza.

Já com dois grupos do ‘Zap-zap’ lotados, não havia mais espaço para a quantidade de clientes. Além disso, era preciso mais privacidade na hora de chamar um táxi, já que no grupo todos viam as solicitações.

O serviço tem credibilidade entre os usuários, que se sentem mais confiantes ao circular com motoristas conhecidos. “As pessoas ficavam despreocupadas em poder sair tanto à noite quanto de dia com a segurança de que iriam voltar tranquilamente”, conta Ueverton. Com o aplicativo, se expandiram as possibilidades dos passageiros, que podem fazer estimativas dos valores de cada viagem, além de verificar se o taxista está próximo.

De pai para filho

Ueverton tem 23 anos e mora em Santa Cruz. Ele já fez trabalhos temporários como garçom e vendedor, mas, com a influência do pai taxista, aderiu à profissão. “Começou aquela coisa de ‘você quer ter o seu dinheirinho? Rode um turno e vá para a faculdade no outro’. Comecei rodando meio turno. Dois anos depois, ele se aposentou e eu assumi em tempo integral”, explica Ueverton, que até tentou outras áreas, mas como o lucro era inferior, voltou à praça, onde atua há cinco anos.

Ele aproveita para deixar dicas para os colegas de profissão. “É preciso ser uma pessoa bem humorada, sabendo os limites do diálogo com o passageiro. Às vezes, ele não quer conversar e alguns motoristas forçam a barra, querendo conversar o tempo todo. Os clientes precisam ser tratados como prioridade, porque sem eles não somos nada. É como o ditado popular: devem ser tratados a ‘pão-de-ló’”.

Qualidade e preço

Para a usuária do aplicativo, Eulália Araújo, 39, de Amaralina, a maior vantagem é a confiabilidade do serviço. “O atendimento é rápido, os motoristas são atenciosos e compreendem as minhas necessidades. E tudo isso com qualidade e preços acessíveis”, afirmou a comerciante, que usa o serviço para trafegar entre as suas lojas na Av. Sete e Nordeste.

O taxista Alex Santos, 34, de Santa Cruz, está no ramo há sete anos e conta que o grupo faz reuniões para aperfeiçoar o atendimento: “Motorista ranzinza não existe na equipe, só ficam os melhores”. “O nosso intuito é de priorizar as comunidades periféricas, mas atendemos todos os bairro”, frisa Ueverton.

  • TARIFAS

Bandeira 1 - São oferecidos 20% de desconto nas corridas acima de R$ 13

Bandeira 2 - Aos sábados, domingos e feriados, além do mês de dezembro, será cobrado o de bandeira 1, porém sem os 20% de desconto

Táxi do Vale - O serviço desconsidera a bandeira 2

Após cobrança por bagagens, preços das passagens aéreas sobem

Ao contrário do que se esperava quando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) permitiu que as companhias aéreas passassem a vender passagens que não dão direito a despachar bagagem, o preço das tarifas tem subido desde que as empresas começaram a adotar a prática. Entre junho e setembro, essa alta chegou a 35,9%, segundo dados da FGV. De acordo com levantamento do IBGE, entretanto, a elevação foi mais moderada, de 16,9%.

O preço das passagens aéreas está no centro de uma discussão entre o governo federal e as companhias do setor. No fim de setembro, o Ministério da Justiça instaurou averiguação sobre um estudo da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) que apontou tendência de queda no preço das passagens nos últimos meses.

Segundo o levantamento da entidade feito com base em dados preliminares, entre junho e o início de setembro, as tarifas recuaram de 7% a 30% nas rotas domésticas das companhias que adotaram a cobrança da mala despachada (Azul, Gol e Latam).

Os números da FGV e do IBGE, porém, mostram queda apenas em agosto, de 2,07% e 15,16%, respectivamente. A divergência de 13 pontos porcentuais entre os índices de agosto revela a complexidade que as entidades enfrentam para calcular o preço médio das passagens e as diferentes metodologias adotadas por cada uma - é também sobre a metodologia adotada que o Ministério da Justiça questionou a Abear.

De acordo com Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE, os preços de passagem aérea e telefonia estão entre os mais complicados de se analisar, pois variam muito. "São dados muito detalhados, que requerem cuidado na hora da coleta."

A divergência no acumulado de junho a setembro dos índices de passagem aérea da FGV e do IBGE chega a 19 pontos porcentuais, enquanto, no mesmo período, os índices de preço geral das entidades se diferem em 0,54 ponto porcentual.

Só lazer

Tanto os dados coletados pelo IBGE como os pela FGV são de passagens destinadas ao turismo de lazer, cujas tarifas costumam ser mais baratas, já que a compra é realizada com antecedência. Passagens corporativas, adquiridas próximo da data da viagem, acabam não sendo consideradas pelos índices das entidades.

A FGV faz sua coleta de dados considerando o preço das passagens para uma viagem que ocorreria dentro de 30 dias, enquanto o IBGE utiliza o prazo de 60 dias.

Outra divergência importante entre as metodologias da FGV e do IBGE diz respeito à inclusão da bagagem nas tarifas analisadas. Enquanto a primeira optou por considerar tanto o preço da passagem com ou sem mala, a segunda considera sempre a inclusão da bagagem, mesmo no caso das tarifas mais baratas - nesses casos, o preço da mala é acrescido no final.

Rotas

As diferenças ocorrem ainda nas rotas dos voos cujos preços são analisados. A FGV coleta dados em sete pontos de partida e considera os destinos mais procurados pelos turistas brasileiros de acordo com uma pesquisa da Embratur. O IBGE, por sua vez, pesquisa 13 cidades como ponto de saída e os destinos foram definidos por um levantamento feito pelo próprio instituto entre 2008 e 2009 com famílias entrevistadas.

"É por causa dessa seleção de cidades que acontece de, às vezes, uma pessoa não se identificar com a variação (dos preços). Ela possivelmente mora em uma região que a pesquisa não alcança", diz o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da FGV, André Braz.

Discussão

A regra da Anac que permitiu a cobrança por bagagem atendeu a uma demanda antiga do setor aéreo, que defendia o fim da franquia da mala gratuita com o argumento de aproximar as normas brasileiras aos padrões internacionais. Hoje, apenas Venezuela, Rússia e México exigem que as companhias aéreas transportem pelo menos uma bagagem sem cobrar, segundo a própria Anac.

Antes de entrar em vigor, a medida foi questionada pelo Ministério Público Federal em São Paulo, que afirmou que o setor era pouco competitivo no País, "sem grande disputa por tarifas mais baixas".

Procurada, a Abear informou que seu levantamento foi feito levando em conta as tarifas mais econômicas ofertadas entre junho e o início de setembro deste ano e de 2016. A entidade destacou que os dados foram apurados após as divulgações de pesquisa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que mostrou queda de 2,56% no primeiro semestre deste ano e do IPCA-15 de setembro, do IBGE, que registrou recuo de 12,99% no acumulado do ano.

"Importante ressaltar, ainda, que as informações foram obtidas por meio das companhias em um período de custos estáveis durante o ano", informou em nota.

 

 

Fonte: Reuters/A Tarde/Agencia Estado/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!