17/10/2017

Açúcar ou adoçante: entenda a diferença e faça sua escolha

 

Em algum momento da vida, você vai se deparar com essa questão: açúcar ou adoçante? A resposta pode estar associada a um estilo de vida ou a uma escolha sem critério -  o que a longo prazo pode provocar efeitos colaterais. O Correio procurou nutricionistas e médicos para explicar a diferença entre os dois produtos e indicar a melhor opção para cada situação.

Os açúcares são fontes importantes de nutrientes e não devem ser excluídos totalmente das dietas. Seja em grãos ou na forma líquida, comprados no mercado, são produtos processados e, quando consumidos em excesso, podem levar à obesidade e outras complicações.

Os especialistas concordam em um ponto: o ideal é fazer uma reeducação alimentar para diminuir o desejo de comer doces. “O ideal é ir tirando o sabor doce da sua vida, adoçando menos os alimentos”, explica a endocrinologista Paula Velasco. Com a reeducação é possível até parar de consumir o açúcar ou o adoçante ficando apenas com aqueles encontrados em produtos naturais, como as frutas.

E atenção: aquela vontade de comer alimento doce pode ser mesmo um vício.  “Hoje em dia tem se discutido isso amplamente. Nosso cérebro se vicia em açúcar, principalmente na primeira infância. O recomendado é que nenhum açúcar seja dado para as crianças até os 2 anos, só o dos alimentos naturais. Porque o paladar das crianças é muito aberto ao doce, e é nos primeiros anos de vida que se vicia em açúcar. Além disso, você previne doenças como obesidade, hipertensão e diabetes”, explica a endocrinologista.

A data de 11 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Obesidade. Entre as principais causas que contribuem para prevalência da doença estão o consumo de alimentos processados, incluindo açúcares,  estresse e falta de atividade física.

Açúcares

Os mais comuns tipos de açúcares são refinado, cristal, mascavo e demerara - além do ‘emergente’ açúcar de coco. O refinado - mais claro e fino - é o mais modificado e menos nutritivo. Ele passa por processo industrial, que adiciona componentes químicos. O mais indicado por três nutricionistas ouvidos pelo Correio é o açúcar de coco, que se tornou popular por promover um baixo índice glicêmico - ou seja, quando as moléculas são quebradas de maneira mais lenta pelo organismo.

O problema é o preço: 350 gramas pode chegar até a R$ 32. Como nem todo mundo tá disposto a pagar quase R$ 100 num quilo de açúcar, o melhor é investir no demerara - por passar por menos processos de refinamento, ter também baixo índice glicêmico e ser mais em conta. O quilo pode ser encontrado por R$ 6 nos mercados. “Mas é sempre importante lembrar que ele não deixa de ser açúcar e, por isso, não deixa de estimular um pico de insulina, da mesma forma”, explica a nutricionista Camila Berbert.

Já o mascavo é obtido diretamente do caldo de cana recém-extraído, passa por um refinamento leve e não recebe nenhum aditivo químico. Por isso, é o preferido pela nutricionista Fernanda Orichio.  Para ela, a escolha dos colegas de profissão pelo demerara é o risco de dejetos de insetos no mascavo - por conta de sua forma de obtenção. O quilo chega a custar R$ 15.

Mas, cuidado: para além do índice glicêmico, os açúcares possuem calorias. “O problema do açúcar também é a caloria. Em excesso, pode engordar. Coisa que não se tem nos adoçantes”, explicou a nutricionista Camila Calfa.

A nutricionista Íçara Santos, de 27 anos, opta pelo uso do açúcar demerara há três anos. “O que aprendi é que o adoçante é específico para quem tem diabetes. Tentei diminuir o uso açúcar e só tenho o demerara na minha casa. Ainda não consegui retirá-lo totalmente da minha dieta. Fora de casa é mais complicado. Quando não tem, eu acabo usando o branco mesmo”, conta.

A endocrinologista Paula Velasco explica que todo açúcar tem os mesmos efeitos - seja de coco, mascavo ou refinado. “Eles aumentam o índice glicêmico e a insulina, o que ajuda no ganho de peso. O melhor em usar os menos processados é porque eles levam menos produtos químicos para ‘branquear’. Mas todos são açúcar do mesmo jeito e devem ser usados com moderação”, conclui.

Adoçantes

Eles surgiram como alternativa para a ingestão do açúcar - e com menos calorias. Mas a indicação dos adoçantes ainda não é consenso, principalmente por conta da quantidade de “gotas” - quando utilizada de forma indiscriminada. O poder desses líquidos é 100 a 500 vezes maior do que o açúcar.

“Não adianta colocar 10 gotas no café. Você vai continuar estimulando o paladar pelo doce e a quantidade ingerida vai aumentar a velocidade de absorção da glicose”, explica Camila Calfa.

Os adoçantes mais comuns são aspartame e sacarina (à base de petróleo), sucralose (da cana-de-açúcar), stevia (da planta Stévia Rebaudiana) e xilitol (encontrados nas fibras de vegetais). Para preparar alimentos que vão ao forno, os menos indicados são a sucralose, que libera toxina em altas temperaturas, e o aspartame, que perde suas proteínas quando aquecido.

Os tipos mais comercializados no Brasil eram à base da sacarina e do aspartame. No entanto, houve uma mobilização no sentido de informar que, a longo prazo, os produtos poderiam causar câncer. Com isso, os nutricionistas indicam sempre adoçantes naturais, principalmente o xilitol que, por ser caro, acaba sendo menos utilizado, e o stevia.

“Com os adoçantes, de maneira geral, quando é utilizado de forma crônica, o organismo responde como se fosse absorver uma grande quantidade de carboidrato e, com isso, ele acelera a ingestão de outros carboidratos, o que não é legal”, explica a nutricionista Camila Berbert.

O Ministério da Saúde indica o uso de adoçantes apenas como parte do tratamento em diabéticos, em pessoas com excesso de peso ou os que estão tentando controlar o ganho. “O consumo dos adoçantes deve ser feitos por pessoas que querem perder peso. Diferente do açúcar. Para pessoas magras e que praticam atividade física intensa, pode até ser benéfico”, explica o endocrinologista Durval Sobreiro.

O estudante de educação física Jairo Pereira, 31, consome adoçante  naturais e conta que, com a reeducação alimentar, o açúcar passou a ficar em escanteio.

Grupo da USP testa estratégia de tratamento tópico contra o câncer de pele

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão testando em camundongos uma técnica que associa corrente elétrica de baixa intensidade a uma formulação contendo quimioterápicos nanoencapsulados para o tratamento de câncer de pele.

Resultados preliminares do estudo foram apresentados nos Estados Unidos, durante a FAPESP Week Nebraska-Texas, realizada entre os dias 18 e 22 de setembro. “Um dos desafios para esse tipo de tratamento tópico é fazer com que o fármaco consiga atravessar o estrato córneo – a camada mais superficial da pele, composta basicamente de células mortas. Essa é uma importante barreira do tecido contra a entrada de microrganismos, mas também dificulta a penetração de medicamentos”, explicou Renata Fonseca Vianna Lopez, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP).

Aplicar uma corrente unidirecional de baixa intensidade é uma das formas de fazer com que substâncias químicas atravessem a pele, sendo empurradas até a circulação pelo campo elétrico. Essa técnica é conhecida como iontoforese.

No caso do câncer de pele, porém, a intenção não é que o fármaco atravesse todo o tecido e chegue ao sangue e sim que ele se concentre na região abaixo do estrato córneo que precisa de tratamento. Essa é a razão pela qual, no trabalho coordenado por Lopez, optou-se por colocar o quimioterápico dentro de nanopartículas.

O trabalho vem sendo realizado no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP. Os primeiros testes in vivo foram feitos durante o doutorado de Raquel Petrilli.

Os pesquisadores induziram, nos animais, a formação de um tumor do tipo carcinoma de células escamosas – um dos tipos mais frequentes de câncer de pele – por meio de uma injeção subcutânea de células tumorais humanas que superexpressam o gene EGFR (receptor do fator de crescimento epidérmico, na sigla em inglês). A presença dessa proteína, explicou Lopez, torna o tumor mais agressivo.

A terapia foi feita com uma formulação contendo o quimioterápico 5-fluorouracil encapsulado em uma nanopartícula (lipossoma) funcionalizada com um anticorpo anti-EGFR. As células malignas são capazes de capturar maior quantidade do fármaco encapsulado nesses lipossomas.

Parte dos roedores recebeu a formulação no tumor por meio de injeções subcutâneas e parte por aplicação tópica associada à iontoforese.

O grupo que recebeu a formulação associada à iontoforese apresentou uma redução tumoral significativamente maior do que o que recebeu por via injetável. “Além de reduzir o tamanho do tumor, o tratamento tópico o deixou menos agressivo. Acreditamos que esse método associado à iontoforese permite que o fármaco se disperse por toda a área tumoral, enquanto na aplicação subcutânea ele fica concentrado em um só local”, avaliou Lopez.

Técnica versátil

Em outro trabalho, o grupo de Lopez usou um tipo de nanopartícula polimérica – mais rígida – contendo o anti-inflamatório dexametasona associado à iontoforese para o tratamento de uveíte – inflamação no tecido ocular. Os resultados, divulgados em 2015 no Journal of Controlled Release , foram obtidos na tese de doutorado de Joel Gonçalves Souza, trabalho que venceu o prêmio Capes de Tese da área de Farmácia em 2015. “Quando aplicamos o medicamento diretamente no olho, ele é eliminado rapidamente pelos mecanismos de defesa, como a drenagem lacrimal. Com o método de aplicação associado à iontoforese conseguimos maior penetração e melhores resultados”, comentou Lopez.

Atualmente, durante o doutorado de Camila Lemos, o grupo pretende testar um método que usa a iontoforese no tratamento de feridas crônicas, como as que se desenvolvem em portadores de diabetes. “Nesse caso, não temos a barreira do estrato córneo. Usamos a iontoforese para avaliar a sua influência na liberação da substância de interesse de uma formulação e para investigar o seu efeito no crescimento de microrganismos”, explicou Lopez.

A estratégia consiste em colocar um peptídeo com ação anti-inflamatória sobre um filme feito de fibras extraídas do casulo do bicho-da-seda (fibroína). Esse filme é colocado sobre a ferida como um curativo e, sobre ele, é aplicada a corrente elétrica. “Quando colocamos o peptídeo diretamente na ferida, ele se degrada muito rapidamente. Já no filme a liberação ocorre de forma lenta e sustentada. A iontoforese permite que uma grande quantidade do peptídeo seja liberada do filme logo no início do tratamento e acelere a cicatrização”, explicou a pesquisadora.

Além disso, contou Lopez, resultados preliminares sugerem que a iontoforese também interrompe a proliferação de alguns tipos de microrganismos (especificamente as bactérias gram-positivas) que podem agravar a lesão.

 

Fonte: O Correio/Jornal do Brasil/Municipios Baianos

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