18/10/2017

Porque a Mata Atlântica é importante para todos nós

 

A Mata Atlântica é formada por um conjunto de formações florestais (Florestas: Ombrófila Densa, Ombrófila Mista, Estacional Semidecidual, Estacional Decidual e Ombrófila Aberta) e ecossistemas associados como as restingas, manguezais e campos de altitude.

Foi um passado foi de glória. Um paraíso numa faixa que atravessava a costa leste do país, de norte a sul. Paisagens alternavam-se de forma surpreendente e contínua: manguezais, árvores enormes enfeitadas com bromélias e orquídeas, vegetação baixa no topo das serras, araucárias nas regiões mais frias. Era majestosa com nascentes e riachos cristalinos. Abrigava uma diversidade incalculável de animais, insetos e plantas. Durante os séculos iniciais da colonização portuguesa, ocupou o primeiríssimo lugar nas paradas de sucesso da terra do pau-brasil.

Mais de 600 anos se passaram e os áureos tempos ficaram para trás. Conheceu o purgatório. A duras penas sobreviveu aos ciclos econômicos que se sucederam – a exploração do pau-brasil, as monoculturas da cana-de-açúcar e do café – e ao estabelecimento de polos industriais. Hoje, restam pouco mais de 7% de Mata Atlântica – a exuberante cobertura verde pendeu, restam apenas manchas no território brasileiro. Mas não pense que esses 7% se referem a uma mancha contínua de vegetação. São fragmentos esparsos de floresta, ainda ameaçados pela caça ilegal, pela exploração predatória de palmito e de madeira e pela especulação imobiliária.

Apesar de bastante degradada(inferno), a Mata Atlântica continua sendo uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta, ou seja, uma área com uma riqueza biológica extraordinária, com espécimes da fauna e da flora, alguns deles ainda não catalogados. Como a floresta está fragmentada, as ilhotas de mata não têm ligação umas com as outras. Portanto, as espécies animais – e mesmo as vegetais – passam a se reproduzir entre elas mesmas, diminuindo progressivamente a diversidade de genes. Isso pode significar extinção, num horizonte não muito distante.

O QUE FAZER

Os corredores ecológicos são conexões, entre um fragmento e outro de floresta, formadas por uma rede de unidades de conservação, reservas, superfícies menos degradadas e parques. Tais áreas podem ser interligadas a partir de medidas simples, como a delimitação de novas reservas ou a expansão de uma zona de uso sustentável, a fim de que os animais possam ir de uma ilha de mata a outra. Desta maneira, consegue-se manter o fluxo de espécies dentro de trechos da Mata Atlântica, permitindo o intercâmbio genético. A preocupação com a saúde do bioma se justifica, principalmente, porque a Mata Atlântica apresenta altos índices de endemismo. Isso quer dizer que muitas espécies só ocorrem nessa floresta e em nenhum outro lugar.

Conforme a lei de crimes ambientais em vigor no Brasil, a coleta de qualquer espécie vegetal ou animal é proibida em toda a Mata Atlântica. Mas nossa mata está abandonada, entregue aos biocontrabandista, invasores, caçadores. A ocupação irregular também atinge essas áreas protegidas. Quase dois terços da população brasileira vivem em áreas anteriormente ocupadas pela Mata Atlântica. Um dos ecossistemas agregados à Mata Atlântica que também sofre com a especulação imobiliária são os manguezais.

COMO PRESERVAR

  • A conservação da biodiversidade visa contemplar formas inovadoras de incentivos para o uso sustentável da biodiversidade, tais como:

. Promoção da recuperação de áreas degradadas

. Uso sustentável da vegetação nativa

. Não compre animais e plantas silvestres ilegalmente

. Evite o consumismo excessivo e desnecessário

. Não jogue lixo na natureza

. Denuncie o comércio ilegal, a caça e aprisionamento de animais

. Denuncie o desmatamento

PORQUE PRESERVAR

A Mata Atlântica significa garantia de abastecimento de água para mais de 100 milhões de pessoas. Parte significativa de seus remanescentes está hoje localizada em encostas de grande declividade. Sua proteção é a maior garantia para a estabilidade geológica dessas áreas, evitando assim as grandes catástrofes que já ocorreram onde a floresta foi suprimida, com consequências econômicas e sociais extremamente graves. Esta região abriga ainda belíssimas paisagens, cuja proteção é essencial ao desenvolvimento do ecoturismo, uma das atividades econômicas que mais crescem no mundo.

. Regula o fluxo dos mananciais hídricos

. Assegura a fertilidade do solo da região

. Suas paisagens oferecem belezas cênicas

. Controla o equilíbrio climático

. Protege escarpas e encostas das serras

. Fonte de alimentos e plantas medicinais

. Lazer, ecoturismo, geração de renda e qualidade de vida.

Plantar árvores e mudar práticas agrícolas podem reduzir emissões de carbono

Plantar mais árvores, cultivar de forma mais sustentável e conservar as zonas úmidas poderiam reduzir significativamente a quantidade de carbono que a humanidade emite para a atmosfera através do uso de combustíveis fósseis, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

Um melhor uso da terra poderia reduzir o dióxido de carbono em 37%, o suficiente para manter o aquecimento global abaixo de dois graus Celsius até 2030, conforme exigido pelo Acordo de Paris de 2015, de acordo com um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

As soluções climáticas naturais poderiam reduzir as emissões em 11,3 bilhões de toneladas por ano até 2030, o que equivale a parar a queima de petróleo, afirmou.

“Esse é um enorme potencial, então, se levamos a sério as mudanças climáticas, teremos de levar a sério o investimento na natureza, bem como em energia limpa e transporte limpo”, disse Mark Tercek, diretor executivo da The Nature Conservancy, uma das instituições que contribuiu com os pesquisadores para o estudo.

Atualmente, o uso da terra contribui com cerca de um quarto das emissões globais de carbono, o principal gás do efeito estufa que faz o planeta aquecer.

Segundo os pesquisadores, a melhor maneira de desacelerar as mudanças climáticas é plantar mais árvores e parar o desmatamento, já que as árvores absorvem grandes quantidades de carbono da atmosfera.

Uma melhor administração das florestas “poderia remover, com um bom custo-benefício, sete bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano até 2030, o equivalente a tirar 1,5 bilhão de carros a gasolina das estradas”, disse o estudo.

Em seguida está mudar as práticas agrícolas, o que poderia “reduzir, com bom custo-benefício, as emissões em 22% de acordo com o estudo, o equivalente a tirar 522 milhões de carros a gasolina das estradas”.

Soluções agrícolas mais inteligentes incluem melhorar o uso de fertilizantes químicos para permitir melhores rendimentos das colheitas e reduzir as emissões de óxido nitroso, um gás do efeito estufa 300 vezes mais potente do que o dióxido de carbono.

“Outras intervenções efetivas incluem o plantio de árvores nas terras cultivadas e o melhor gerenciamento do gado”, afirmou.

Finalmente, os especialistas sugerem a conservação das zonas úmidas e uma interrupção na drenagem das turfeiras, que detêm cerca de um quarto do carbono armazenado nos solos do mundo.

As turfeiras estão desaparecendo rapidamente, com uma perda global de cerca de 1,9 milhão de acres (780 mil hectares) a cada ano, em grande parte devido ao cultivo de óleo de palma.

“Sua proteção poderia garantir um armazenamento de 678 milhões de toneladas de emissões de carbono equivalente por ano até 2030 – comparável à remoção de 145 milhões de carros das ruas”, disse o artigo.

Essas soluções baseadas na natureza devem ser acompanhadas por cortes nos combustíveis fósseis, disse o coautor William Schlesinger, professor emérito de biogeoquímica na Universidade Duke.

“Os resultados são provocativos: em primeiro lugar, devido à magnitude do sequestro de carbono potencial da natureza e, em segundo lugar, porque precisamos de soluções climáticas naturais em conjunto com cortes rápidos nas emissões de combustíveis fósseis para superar as mudanças climáticas”, afirmou.

 

Fonte: Por Prof. Omar Furst, no Biboca Ambiental/AFP/Municipios Baianos

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