22/10/2017

Ministro critica novela, mas no STF é muito pior

 

Em palestra na Escola Paulista de Magistratura, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, criticou o modo como o crime é retratado na novela ‘A Força do Querer’. Para ele, há um quê de glamour nas cenas da personagem Bibi Perigosa, interpretada por Juliana Paz.

Eis o que disse Moraes: a novela “mostra aqueles bailes funk, fuzil na mão, colarzão de ouro, mulheres fazendo fila para os líderes do tráfico, só alegria. Aí mostra a Bibi, que se regenerou, ela tentando procurar emprego e não conseguindo. Qual é a ideia que é dada? Que é melhor você não largar. Enquanto você não larga, você tá na boa. É uma valorização. Aí podem dizer que essa é a realidade. Mas tá passando isso de uma forma glamorizada.”

Ex-secretário de Segurança do governo tucano de São Paulo, ex-ministro da Justiça do governo do PMDB, Alexandre de Moraes chegou ao Supremo por indicação de Michel Temer. No julgamento sobre a limitação da abrangência do foro privilegiado, o doutor pediu vista do processo, retardando a definição —já lá se vão 142 dias. No caso das sanções cautelares contra parlamentares, Moraes votou a favor da tese que desaguou na restituição do mandato a Aécio Neses.

A sorte de Moraes é que Glória Perez é uma senhora bem-posta. Do contrário, a autora da novela 'A Força do Querer' poderia responder ao supremo crítico de sua ficção com uma observação ligeira sobre a programação da TV Justiça. Glória diria algo assim sobre a emissora oficial do Judiciário:

“Mostra aquelas sessões plenárias do Supremo, Constituição na mão, toga sobre os ombros, poderosos fazendo fila à espera de sentenças que nunca chegam, só alegria. Aí mostra o Aécio, que se safou. A Primeira Turma tentando impor sanções e o plenário impedindo. Qual é a ideia que é dada? Que é melhor você não largar o foro privilegiado. Enquanto você não larga, você tá na boa. Aí podem dizer que essa realidade precisa mudar. Mas sempre haverá um ministro no Supremo para pedir vista do processo e declarar, com glamour: 'Tem que manter isso'!”

Ligações de telefone de Aécio Neves e Gilmar Mendes desmoralizam o Supremo

Relatório da Polícia Federal (PF) apontou que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ligou 46 vezes para o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do aplicativo WhatsApp entre os dias 16 de março e 13 de maio deste ano. Desse total, 22 chamadas foram completadas. Gilmar é o relator de quatro inquéritos que investigam Aécio no Supremo.

A informação sobre a intensa frequência dos contatos foi divulgada nesta quinta-feira (dia 19) pelo site Buzzfeed Brasil. O delegado federal Josélio Azevedo de Sousa, que subscreve o relatório, destaca que uma das conversas foi no dia 25 de abril de 2017, data em que o ministro deferiu monocraticamente decisão favorável ao tucano para que ele não precisasse prestar depoimento à PF em um dos inquéritos da operação Lava Jato.

ESTÁ NOS AUTOS

O relatório da PF foi incluído em uma das ações que tramitam no STF. O documento, datado de 15 de agosto de 2017, não está sob sigilo na Corte. No período em que foram feitas as ligações, as investigações sobre Aécio já estavam sob a responsabilidade de Gilmar Mendes.

As ligações não foram interceptadas pela PF, mas identificadas a partir da análise de celulares apreendidos com Aécio na operação Patmos, fase da Lava Jato deflagrada em 18 de maio. Não é possível saber o conteúdo das conversas.

No dia em que Gilmar acatou o pedido da defesa de Aécio, o senador tentou ligar três vezes para o ministro e somente na quarta tentativa conseguiu contato. Os registros indicam que conversa teve duração de 24 segundos e foi realizada às 13h01. No mesmo dia, o tucano voltou a ligar para Gilmar Mendes, às 20h59, mas não conseguiu contato.

LIGAÇÕES PERIGOSAS

No dia seguinte, 26 de abril, quando a decisão do ministro do Supremo foi tornada pública, Aécio voltou a ligar para Gilmar. Ao todo, foram cinco ligações pelo WhatsApp, em quatro delas o senador conseguiu falar com o ministro. Segundo o relatório, as ligações somam seis minutos e 57 segundos.

“Embora não sendo possível afirmar que as ligações havidas no dia 25/4/2017 tenham relação com o requerimento protocolado nesta mesma data pelo advogado do senador Aécio Neves e deferido neste mesmo dia pelo ministro Gilmar Mendes, é de se destacar a coincidência desses contatos”, informa a PF.

No laudo referente a outro telefone do tucano, a PF mostra registros de chamadas entre Aécio e Gilmar entre 18 de fevereiro e 4 de abril de 2017. São oito ligações, das quais eles conversaram em seis.

RELAÇÕES FORMAIS

Outro lado. Em nota, a defesa de Aécio diz que “mantém relações formais com o ministro Gilmar Mendes e, como presidente nacional do PSDB, manteve contados com o ministro, presidente do TSE, para tratar de questões relativas à reforma política”.

“Ressalte-se que pouco mais da metade das ligações citadas foram completadas, conforme consta do relatório da PF. Ocorreram também reuniões públicas para tratar do tema, com a presença do presidente da Câmara e presidentes de outros partidos. O senador Aécio é autor de uma das propostas aprovadas no âmbito da reforma política”, diz o texto.

Também em nota, Gilmar informou que “manteve contato constante, desde o início de sua gestão, com todos os presidentes de partidos políticos para tratar da reforma política”.

Dos 44 senadores que salvaram Aécio, 65% votaram para cassar Delcídio em 2015

Dos 44 senadores que votaram a favor do retorno de Aécio Neves (PSDB-MG) ao Senado, 29 (65% do total) manifestaram posição oposta na votação sobre o caso de Delcídio do Amaral (Sem partido-MS), em novembro de 2015. Na ocasião, o plenário da Casa também analisou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e decidiu pela manutenção da prisão do ex-líder do governo Dilma Rousseff, acusado de tentar obstruir a Operação Lava-Jato.

Do grupo dos que votaram a favor de Aécio e contra Delcídio, 13 integram o PMDB, partido do presidente Michel Temer, e 8 o PSDB, sigla do senador mineiro. Também compõem essa lista parlamentares do DEM, PP, PR, PROS e PSD.

TROCA DE VOTO

Houve ainda troca de voto entre os que se posicionaram pelo afastamento de Aécio. Ao todo, seis senadores, a maioria do PT, votaram em 2015 a favor de Delcídio, que na época integrava o partido da presidente Dilma, e agora se manifestaram contra o senador tucano.

Apenas 17 senadores votaram a favor da decisão do Supremo nos dois casos. Ao todo, 64 parlamentares que votaram no plenário na sessão desta terça-feira também decidiram o futuro de Delcídio há quase dois anos. Se na época foi registrada apenas uma abstenção e nenhuma ausência, dessa vez, na votação sobre o mandato de Aécio, foram registradas nove ausências e nenhuma abstenção.

A FAVOR DE AÉCIO

Sem considerar quatro partidos que contam com apenas um senador e todos votaram a favor de Aécio (PRB, PSC, PTC E PROS), o PSDB foi a sigla que, proporcionalmente, mais apoiou o parlamentar mineiro, seguida pelo PMDB. Entre os tucanos, 91% votaram pela permanência do colega de legenda no Senado e 9% se ausentaram.

Já PSB, Podemos, PDT e Rede (que tem apenas um senador) tiveram a maior votação contra Aécio. O PSD foi o partido que ficou mais dividido: foram 50% de votos pelo afastamento de Aécio, 25% contra e 25% de ausências.

 

Fonte: BlogdoJosias/O Tempo/O Globo/Municiios Baianos

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