28/10/2017

Caetano: “Líderes evangélicos usam a religião para atacar os outros”

 

O cantor e compositor Caetano Veloso tem estado entre as principais figuras públicas que são alvo de reprovação popular no que se refere à pedofilia, já que sua esposa, a produtora Paula Lavigne, admitiu ter perdido a virgindade com ele quando tinha apenas 13 anos de idade, e ele, 40.

Em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Caetano afirmou que os conservadores do país, em especial os evangélicos e suas lideranças, mente a respeito das exposições de arte que são acusadas de promover a pedofilia e/ou a sexualização precoce das crianças.

“Toda essa gente que mente cinicamente sobre exposições de arte usando a palavra ‘pedofilia’ para angariar adeptos entre os mais ingênuos, se esforça para encobrir o desejo de manter a opressão da maioria do povo brasileiro, que vive sob a mais pesada desigualdade econômica do mundo”, acusou Caetano.

O artista baiano é pai de três filhos, Zeca, Tom e Moreno, e os dois primeiros são evangélicos, frequentadores da Igreja Universal do Reino de Deus. Na entrevista, Caetano Veloso foi questionado sobre a diferença de postura em relação a esse tema, e afirmou respeitar o segmento, mas repudiar grande parte das lideranças.

“Zeca e Tom são cristãos. Moreno é religioso de modo abrangente: é do candomblé, atrai-se pelo hinduísmo, é católico franciscano e, tão ligado a Santo Amaro, não pode deixar de ser mariano. Eu não sou religioso. Mas não tenho medo da religiosidade dos meus filhos. Temos sempre conversas muito claras”, afirmou.

Caetano alega que não nutre antipatias: “De minha parte, não vejo o crescimento das igrejas evangélicas no Brasil como algo negativo. Nunca vi assim. Há um preconceito pseudo-chique contra os evangélicos com o qual eu nunca me identifiquei. Antes de Zeca e Tom nascerem eu já via programas evangélicos na TV e pensava que aquilo ia crescer e que poderia ganhar importância na caminhada do país”, alegou.

“Isso não quer dizer que eu respeite qualquer mau-caráter que pregue alguma forma de fundamentalismo ou que use a religiosidade para dominar mesquinhamente as pessoas e para agredir outros grupos”, acrescentou o artista.

Ao comentar a proposta da bancada evangélica de mudança na Lei Rouanet para que projetos que vilipendiem símbolos ou dogmas religiosos sejam barrados, o cantor disparou toda seu inconformismo com a visão de mundo oposta à sua: Os malucos dos grupos conservadores que se organizaram à sombra das passeatas de 2013 sabem que não há casos de pedofilia onde eles dizem haver. Mas pode ser que ganhem dinheiro de grupos políticos para criar pautas que una as pessoas inocentes contra artistas e museus de modo que o que mais interessa – manter o poder econômico nas mãos dos muito poucos – permaneça intocado”, acusou.

Ao final, recusou a ideia de uma curadoria para avaliar se projetos artísticos se encaixam nos termos de financiamento público: “Claro que não se pode admitir que obras sejam submetidas a censura prévia. Lutaremos quantas vezes forem precisas contra isso. Mas não esqueceremos que vencer a desigualdade campeã é primordial”, concluiu.

"Deus mandou votar a favor do Temer", diz a bancada evangélica

Nesta última semana de outubro pudemos assistir ao nada excelentíssimo e nada legítimo presidente, o golpista Michel Temer, ser salvo mais uma vez pela Câmara, que rejeitou a continuidade das investigações acerca do peemedebista e as arquivaram novamente.

O curioso é que, desta vez, a bancada dos deputados evangélicos não só manteve seu apoio incondicional ao golpista mais detestado do Brasil, como também declarou que a orientação para que Temer não fosse processado veio de Deus.

É um fato que durante toda a história da humanidade, Deus teve muitos nomes. Mas esta é a primeira vez que vemos R$ 15 bilhões gastos em emendas e medidas como a venda de aeroportos, a flexibilização do trabalho escravo no país e as liberações de dinheiro público (que chegaram a somar R$ 4 bilhões) algumas horas antes do início das votações receberem o nome de "Deus".

Talvez seja difícil para o leitor ou a leitora tentar entender quais seriam as posições de Deus a respeito de Temer, mas para os deputados Marco Feliciano (PSC), Silas Câmara (PRB), Victório Galli (PSC), Marcelo Aguiar (DEM), Paulo Freire (PR), Ezequiel Teixeira (Podemos), Rosângela Gomes (PRB), Pastor Luciano Braga (PRB) e outros, a resposta veio durante uma oração, e seria de que "salvar Temer seria salvar o Brasil".

As posições do povo a respeito de Temer, por sua vez, tem ficado cada vez mais claras: em março deste ano, sua aprovação era de 10%, caiu pra 5% com a chegada de julho e agora no segundo semestre desceu pra 3%.

Essa tem sido a realidade do planalto, muito distante de representar as demandas e anseios da juventude e das trabalhadoras e trabalhadores, serviu e tem servido desde o golpe institucional do ano passado como um palco muito mal montado pra esses palhaços sem a menor graça justificarem seus interesses com Deus, o Diabo, sua família e o que mais for preciso pra descontar todo o saldo negativo nas costas dos trabalhadores e da população.

Feliciano tentando justificar seu voto pró - Temer: “Pior sem ele”

O deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) concedeu uma entrevista e explicou seu voto a favor do adiamento da investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), alegando prezar pela estabilidade do país e apontando fatores pouco explorados nas análises feitas pela grande mídia em relação à situação.

Feliciano resumiu seu pensamento dizendo que se está “ruim com Temer”, o país ficaria “pior sem ele”, pois a instabilidade política influenciaria no mercado econômico e, consequentemente, geraria um desemprego maior do que o atual, afundando o país em uma crise ainda mais complicada de ser superada.

As declarações de Feliciano foram feitas a Bia Kicis, ex-procuradora da República e atual presidente do Instituto Resgata Brasil, numa entrevista em seu gabinete na Câmara dos Deputados.

No vídeo, Kicis pede que Feliciano explique suas motivações para adiar a investigação contra Temer: “Você é um deputado conservador, não está em nenhuma lista suja, não tem nenhum problema de corrupção. Porque votar a favor da permanência de Michel Temer?”.

Feliciano explica que há uma série de fatores que influenciam na decisão, diferentemente do que a grande mídia tenta fazer parecer: “Nesse momento, é ruim com ele, mas é pior sem ele. Você lembra do impeachment da presidente Dilma Rousseff – que eu apoiei e você fez campanha também -, [que] custou para nós brasileiros 14 milhões de empregos”, introduziu o pastor.

“Explico: toda vez que um governo é abalado, um presidente perde moral diante do povo, o mercado internacional reage de que forma? Secando a torneirinha dos financiamentos. O risco Brasil sobe, o dólar sobe, e subindo o dólar, sobe o nosso produto interno aqui. As empresas com [um preço de] produto alto não conseguem vender. Quando uma empresa não consegue vender, ela manda o empregado embora. O desemprego gera pobreza, que gera miséria, que gera violência”, acrescentou.

O prognóstico feito por Feliciano para definir seu voto a favor do adiamento da investigação contra Temer levou em questão também outros fatores, como por exemplo, a sucessão presidencial, que colocaria no cargo outro denunciado, o presidente da Câmara dos Deputados.

“Se nós derrubarmos o presidente Michel Temer agora, vamos sofrer por um tempo, porque Rodrigo Maia (DEM-RJ) assume a presidência. Rodrigo Maia está dado em todas as delações. Pergunta que fica: a Globo, e a imprensa, vão deixar ele governar por seis meses? Lógico que não, porque eles têm que vender jornal. Daqui seis meses, se o Supremo [Tribunal Federal] afastar o Michel Temer [definitivamente], teremos que chamar novas eleições”, ponderou.

“A esquerda quer ‘Diretas Já’, nós não vamos deixar. Aí vem as [eleições] indiretas, que é o Parlamento que elege. Quem o Parlamento vai eleger? Quem está no ‘alto clero’, está ‘dado’ [nas delações]; do ‘baixo clero’, como eu e Bolsonaro, ninguém quer. Então, nós vamos entregar o Brasil na mão de quem? Caso isso funcione, isso vai dar em abril, mais três meses [de campanha], em julho nós elegemos um novo presidente, e em outubro temos que eleger outro presidente com eleições a nível nacional. Ou seja, isso iria trazer prejuízo para o Brasil”, analisou Feliciano.

Ao longo dos três anos das investigações da Operação Lava-Jato, o Supremo Tribunal Federal ainda não confirmou a condenação de nenhum investigado que tenha sido sentenciado em primeira e segunda instâncias. Nesse cenário, Feliciano aposta que deixar Temer cumprir o mandato resultaria em um direcionamento das acusações para julgamento por Sérgio Moro.

“Nós podemos chegar a 23 milhões de desempregados se o presidente cair agora. Então, nesse momento, eu não voto pela permanência do presidente Michel Temer. Eu voto pela estabilidade do país, para que a economia continue caminhando, para que as pessoas não percam seu emprego. E detalhe: nós não vamos sepultar, vamos protelar. Dia 01 de janeiro de 2019, ele deixa de ser presidente e cai na mão do nosso herói, juiz Sérgio Moro, lá em Curitiba. Que o Mto coloque Michel Temer, caso ele deva, onde ele merece”, concluiu.

 

Fonte: Gospel+/Esquerda Diário/Municipios Baianos

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