28/10/2017

Justiça francesa acha R$ 71 milhões em conta de Ricardo Teixeira

 

Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entrou na alça de mira da Justiça da França. Ele é suspeito de ter participado de um esquema de compra de votos para o Catar sediar a Copa do Mundo de 2022 e teve uma conta bancária identificada por procuradores no banco Pasche, em Mônaco, com US$ 22 milhões (R$ 71,1 milhões). Teixeira foi procurado pelo Estado de S.Paulo, mas não se pronunciou.

O banco Pasche, uma filial do banco francês Crédit Mutuel, é suspeito de participação em lavagem de dinheiro e alvo de investigação judicial no principado. Assim, Teixeira se junta a Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), entre os investigados pelos procuradores franceses. O ex-presidente da CBF aparece de forma indireta em investigação em curso no Ministério Público Financeiro de Paris sobre a suspeita de desvio de verbas na aquisição de companhias francesas. Esta apuração resvalou em outra, realizada na Suíça, sobre compra de votos para o Catar sediar a Copa de 2022 e com isso Teixeira se tornou alvo.

A parte da apuração relacionada ao cartola brasileiro está ligada à suspeita de que um amistoso entre Brasil e Argentina disputado em Doha, em 2010, serviu para mascarar a compra de votos a favor do Catar. As suspeitas sobre Teixeira datam de 2010 e já apareceram antes em apurações do Ministério Público da Suíça. Elas se concentram no papel do empresário catari Ghanem ben Saad al-Saad, ex-presidente do fundo Qatari Diar, na negociação envolvendo o Mundial do Catar.

À época, o fundo dispunha de US$ 60 bilhões (R$ 193,9 milhões) para investimentos imobiliários e Paris costumava ser um dos centros de interesse de seus diretores. Hotéis de luxo, como o Royal Monceau, foram adquiridos, assim como participações em empresas, como as multinacionais Vinci e Veolia.

Esses negócios despertaram o interesse do Escritório Central Anticorrupção de Nanterre, na periferia de Paris. O órgão encontrou suspeitas de desvios de recursos na aquisição de 5% das ações da companhia de serviços coletivos Veolia, realizada pelo Qatari Diar na gestão de Al-Saad. A suspeita é de que 182 milhões de euros (R$ 697 milhões) em comissões ocultas tenham sido desviados na negociação em direção a três empresas situadas em paraísos fiscais.

CRUZAMENTO

É aí que o caso Qatar-Veolia, como é conhecido no MP francês, cruza a investigação suíça sobre a compra de votos para a Copa do Mundo de 2022 e pode atingir Teixeira. Al-Saad, que era próximo do emir do Catar, Tamim ben Hamad al-Thani, foi também fundador e diretor-presidente de uma empresa, a Ghanin Bin Saad Al Saad & Sons Group (GSSG), que gerenciava investimentos bilionários em áreas como construção civil, aeronáutica, petróleo e finanças.

Ocorre que a GSSG é também a empresa que financiou e patrocinou a realização do jogo entre Brasil e Argentina em 17 de novembro de 2010, organizado duas semanas antes da votação na Fifa que escolheria o Catar como sede da Copa de 2022.

A suspeita é de que Al Saad tenha dividido o valor dos US$ 8,6 milhões (R$ 28,2 milhões) pagos pelo amistoso em três partes. Uma delas, de cerca de US$ 2 milhões (R$ 6,5 milhões), foi parar em uma conta de Cingapura - a suspeita é dele próprio. Os demais recursos teriam sido divididos entre Teixeira e um dirigente argentino.

O que o Ministério Público Financeiro de Paris tenta identificar é onde foram parar os US$ 182 milhões desviados do Qatari Diar na gestão de Al-Saad em troca das ações de Veolia, qual o mecanismo financeiro usado para fazer o dinheiro transitar e qual seria o vínculo dessa transação, se houve, com a remuneração dos dirigentes de Brasil e Argentina.

Para tanto os procuradores parisienses solicitaram informações ao Ministério Público Federal brasileiro, com o qual já vem colaborando no escândalo da compra de votos para a escolha da sede da Olimpíada de 2016.

Na Suíça, Ministério Público e FBI colaboram em uma investigação sobre o suposto envolvimento de Teixeira em esquemas de corrupção na Fifa. O MP de Berna já realizou operações em empresas ligadas ao financiamento do amistoso entre Brasil e Argentina e coopera no que se refere a pelo menos três contas bancárias do brasileiro.

Fifa aprova estrutura para repasse de US$ 100 milhões para a CBF

A Fifa voltará a enviar recursos para o futebol brasileiro, depois de dois anos e meio de suspensão. Nesta sexta-feira (27), a entidade aprovou a criação de uma estrutura sem fins lucrativos para permitir que o dinheiro prometido para a CBF seja repassado. As duas entidades serão sócias para administrar os recursos milionários.

Prometido em 2014, um fundo de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 330 milhões) ao Brasil fazia parte do legado da Copa do Mundo e seria investido nos estados que não receberam jogos do torneio como forma de compensação por não terem sido escolhidos. Ainda assim, o valor era apenas 2% da renda que a Fifa obteve com o evento no País.

Mas a história mudou depois do indiciamento de dirigentes brasileiros na Justiça norte-americana. Advogados da entidade alertaram que seria um risco fazer uma transferência para uma entidade cujo comando estava sendo questionado.

Para chegar a novo entendimento, a Fifa exigiu novos controles sobre o destino dos recursos, fiscalização e um programa de compliance por parte da entidade brasileira. Uma estrutura será criada no Brasil, com a participação da Fifa e da CBF.

Em setembro, um entendimento inicial foi obtido, com o compromisso de que uma nova entidade seria criada até o final do ano. Nela, Fifa e CBF seriam sócias na gestão dos recursos a serem aplicados no Brasil. Agora, a Fifa confirma que o processo irá adiante. Na semana passada, técnicos da CBF estiveram em Zurique, enquanto os primeiros programas começam a ser definidos

CONTROLES

A Fifa também aceitou criar mecanismos extras de controle para começar a liberar o dinheiro que a CBF tem direito a receber como membro da entidade máxima do futebol.

Esses recursos e até prêmios estavam congelados. Em 2016, a CBF deveria ter recebido US$ 1,25 milhão (R$ 4,1 milhões), mesmo valor de 2017. Mas isso não foi pago, exatamente por conta da situação dos dirigentes nacionais. Nem mesmo o prêmio pelo Mundial de Futebol de Areia havia sido liberado.

Fifa reconhece títulos de Santos, Flamengo, Grêmio e São Paulo

A Fifa reconheceu como oficiais os títulos obtidos por clubes sul-americanos e europeus entre 1960 e 2004, através do antigo Mundial Interclubes. Mas deixou de fora torneios como a Copa Rio de 1951, vencida pelo Palmeiras. Nesta sexta-feira (27), na reunião do Conselho da Fifa realizada em Calcutá, na Índia, a entidade aprovou a proposta da Conmebol e, assim, espera colocar fim a uma polêmica que dura anos.

Nesta semana, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, já havia antecipado ao Estado com exclusividade que a aprovação estava à caminho. Os europeus tinham dado uma sinalização também no sentido positivo.

Em 2014, Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, atendeu a um pedido do ex-ministro do Esporte Aldo Rebello e enviou uma carta reconhecendo o título de 1951 como sendo uma conquista mundial para o Palmeiras. Neste ano, porém, a Fifa esclareceu que, ainda que reconhecesse o valor das disputas passadas, apenas poderia reconhecer como "oficial" os torneios promovidos por ela. Isso significava que não apenas o de 1951 estava descartado, mas também as disputas entre sul-americanos e europeus entre 1960 e 2004.

A Conmebol decidiu reagir e pedir oficialmente que o assunto fosse reconsiderado. Mas mesmo a entidade sul-americana reconhece que não tinha argumentos para defender que torneios antes de 1960 fossem considerados como oficiais. Alejandro Domínguez, presidente da entidade, explicou ao Estado que o ano de 1960 foi escolhido por conta do início da Copa Libertadores nesta data - a competição definia quem era o representante da região no Mundial Interclubes.

Para 1951, porém, o Mundial que o Palmeiras alega ter vencido ocorreu quando a Libertadores ainda não existia. Em 1952, o mesmo torneio - a Copa Rio - foi vencido pelo Fluminense.

Com o reconhecimento oficial da Fifa, portanto, são campeões mundiais pelo Brasil o Flamengo (1981), Grêmio (1983), São Paulo (1992 e 1993) e o Santos (1962 e 1963). Corinthians, com os Mundiais de 2000 e 2012, e o Internacional com o de 2006, já eram oficialmente reconhecidos, assim como a conquista de 2005 do São Paulo.

Mas nem o Palmeiras e nem o Fluminense, por essa definição do Conselho da Fifa, podem ser considerados oficialmente como campeões mundiais de clubes.

Após polêmica com Catar, Fifa anuncia novas regras para candidaturas à Copa

Em meio a acusações de que membros da Fifa teriam vendido seus votos para que o Catar fosse escolhido como sede da Copa de 2022, a entidade aprovou novas regras para candidaturas aos Mundiais, a partir da edição de 2026, e prometeu que o processo de definição do anfitrião do torneio passará por uma auditoria externa.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, indicou que, a partir de agora, informes técnicos serão realizados e países que não cumprirem critérios mínimos serão eliminados do processo. Além disso, auditorias serão realizadas.

Um grupo de técnicos ainda foi designado para avaliar os países interessados em realizar o Mundial. "Fizemos tudo o que era humanamente possível para ter regras claras", disse o presidente da Fifa. "As condições de candidaturas serão muito mais duras", garantiu.

No caso da definição das sedes das edições de 2018 e 2022 da Copa do Mundo, essa avaliação também existia. Mas não tinha qualquer impacto na votação. O Catar e a Rússia, por exemplo, foram as candidaturas que receberam as piores avaliações. Mas, mesmo assim, ficaram com os eventos.

No caso do Brasil, em 2014, sequer houve exigência técnica. "Pelo que ocorreu no passado, queremos ter certeza que o processo agora é a prova de bala", disse Infantino. Para 2026, a candidatura conjunta de Estados Unidos, Canadá e México é a grande favorita.

Questionado, porém, sobre o início dos julgamentos nos tribunais de Nova York de ex-dirigentes da Fifa, Infantino desconversou. "Quero falar do futuro. Não do passado. Colocamos novas regras, trabalhamos para o futuro", disse.

Premiação da próxima Copa

Em uma tentativa de mostrar que a Fifa começa a superar sua crise, Infantino ainda anunciou que, no Mundial de 2018, a entidade vai distribuir US$ 400 milhões (R$ 1,3 bilhão) às 32 seleções que disputarem o torneio na Rússia. Conforme o Estado antecipou nesta semana, trata-se de um aumento de 12% em relação ao Mundial de 2014, no Brasil.

"Isso é um sinal positivo da situação financeira saudável da Fifa", disse. Segundo ele, depois das prisões dos dirigentes, a entidade era vista por patrocinadores como "tóxica". "Agora, temos mais transparência", garantiu.

Ao campeão, a Fifa destinará US$ 38 milhões (R$ 123 milhões), contra US$ 35 milhões (R$ 113 milhões) ao vencedor em 2014. Todas as seleções terão uma premiação mínima de US$ 8 milhões (R$ 25 milhões) pela participação no Mundial.

 

 

Fonte: Correio/A Tarde/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!