31/10/2017

Percpan celebra a percussão com encontros entre BA, PE e Cuba

 

Maior festival de música percussiva do país, o Percpan - Panorama Percussivo Mundial continua a promover encontros em torno das sonoridades e ritmos oriundos dos batuques. O evento, que chegou a ganhar uma edição em janeiro deste ano com shows no Teatro Castro Alves e no Terreiro de Jesus, volta a acontecer neste fim de semana, com apresentações gratuitas no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho.

Na sexta-feira, o cantor pernambucano Lenine repete a parceria com Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz e volta a Salvador com o concerto que apresentou em 2014 no TCA. “Tocar com a Orkestra Rumpilezz é sempre uma estreia. Não faz diferença se é ao ar livre ou indoor, porque é sempre impactante e carregado de ancestralidade. Além disso tudo, é 0800 e eu adoro quando o espetáculo é gratuito”, comenta Lenine. Este ano, o Percpan tem patrocínio da Petrobras e da Prefeitura de Salvador.

Além de integrar a grade da primeira noite, o pernambucano, que é também o homenageado da edição, atuará como mestre de cerimônias das duas noites.

  • Adoro exercitar “a ponte”. Com a Rumpilezz existe uma grande diferença com relação a outras orquestras. Letieres tirou a percussão do fundo da orquestra, tirou da cozinha e colocou no centro do palco. Tudo soa diferente! - Lenine

Ainda na sexta, sobem ao palco o rapper baiano Baco Exu do Blues, que apresenta pela primeira vez em Salvador o seu bem-sucedido disco de estreia Esú, e o projeto social carioca Brazillian Piper, uma banda de gaiteiros de fole formada por mais de 30 integrantes.

Estrela do encerramento do Percpan no sábado, a cubana Omara Portuondo é também uma das atrações mais esperadas do evento.  Aos 87 anos, a cantora que ficou conhecida mundialmente por ser a única voz feminina do cultuado projeto Buena Vista Social Club, apresenta músicas dos seus discos mais recentes, especialmente Gracias, premiado com o Grammy Latino.

  • Brasil e Cuba são países irmãos, com muitas coisas em comum: do amor à música, à cultura, às influências. Tem sido um prazer trabalhar com grandes nomes da música brasileira, como meus amigos Maria Bethânia, Chico Buarque, Carlinhos Brown. Estou muito grata por mais esse convite - Omara Portuondo

Não ficarão de fora, no entanto, sucessos como Veinte Años, Dos Gardenias, Magia Negra, nem canções presentes no DVD Omara Portuondo e Maria Bethânia (2008), trabalho que deu uma visibilidade ainda maior a Omara no Brasil.

Antes de Omara subir ao palco, haverá o encontro entre o grupo Bongar, de Olinda, e a Santeria Cubana e também as apresentações dos grupos baianos Ilê Aiyê e Dão e a Caravanablack.

Para a idealizadora do festival, Beth Cayres todos os artistas envolvidos nesta edição “dialogam com a cultura de matriz africana”. “O PercPan vem historicamente criando, também, um ambiente de troca de saberes em torno da arte da percussão. Essa troca está no DNA do festival”, destaca.

Diálogos

Segundo o produtor musical Alê Siqueira, responsável pela direção artística do Percpan, nesta 22ª edição o evento abriu mão da divisão das noites por temas. “As grandes linhas deste ano são a democratização do festival, que volta a ser realizado exclusivamente na rua, a ênfase na produção musical baiana e a contínua busca por interseções de sonoridades, pela promoção de encontros e pela interação cultural”, destaca.

Talvez a paixão de Siqueira pela produção musical cubana e do Nordeste brasileiro, sobretudo da Bahia e de Pernambuco, justifiquem a escolha das atrações, que em sua maioria têm conexão com algum desses aspectos. “O grande barato da minha vida é pesquisar essas coisas”, ressalta.

Para Swami Jr, diretor musical de Omara Portuondo há 13 anos, “a percussão é o coração da musicalidade” brasileira e cubana. A opinião é compartilhada por Lenine, que passou longe de “puxar sardinha” para seu estado de origem. “O que conheço do Brasil, até agora, só reafirma o quanto em cada região a percussão é fundamental, cada qual com seu sotaque. Em alguns lugares mais diversidade do que outros mas o ritmo esta sempre lá”, pondera.

Alê Siqueira, que já produziu sete álbuns em Cuba - o mais recente deles da cantora Eme Alfonso -, diz que as semelhanças entres as músicas dos dois países são muitas: “temos a mesma genealogia, somos todos parentes. E isso se explica também historicamente, por conta do tráfico negreiro”, recorda, ao enfatizar as conexões entre o Bongar e a Santeria, que realizam um trabalho de resgate da religiosidade africana através dos batuques e se apresentam juntos no sábado.

Experiências

Para quem estranhou a presença de um rapper em um evento que celebra a percussão, não há nada de diferente nisso.

Em edições anteriores, o Percpan trouxe a Salvador nomes como Mano Brown, Marcelo D2 e Simples Rap’ortagem. “A base do rap é o ritmo e a poesia. Baco é um MC, rapper da nova geração baiana e uma das coisas mais interessantes da cena. A presença dele na grade vai ao encontro do conceito do Percpan”, ressalta Siqueira.

Além dos shows, o Percpan promove uma mesa-redonda sobre Ética e Integração Cultural na Música. Participam do debate o maestro Letieres Leite; o cantor e compositor Dão; o sociólogo e músico Jorge Hilton; a antropóloga Goli Guerreiro; Fabrício Mota, músico, historiador e professor; Nelson Macca, professor de literatura e poeta e  Alê Siqueira, produtor musical e curador do PercPan.

Com entrada gratuita, o encontro acontece na manhã de quarta-feira, às 11h, no Auditório da Faculdade de Comunicação da Ufba, em Ondina.

“Fiquei muito instigado em mergulhar nessa questão por conta inclusive das polêmicas sobre apropriação cultural que tomaram conta das redes sociais. É uma questão que está intimamente ligada à história cultural nacional. Acredito ser pertinente chamar uma turma que sabe muito do assunto para discutir isso em um festival que tem como vocação maior esse intercâmbio”, comenta Siqueira, que também ministra na quarta, às 16h, uma oficina de produção musical para crianças do projeto Rumpilezzinho.

Orkestra Rumpilezz ganha nova sede no Terreiro de Jesus

A Orkestra Rumpilezz e o projeto Rumpilezzinho vão ganhar nova sede no Centro Histórico de Salvador e, em breve, vão ocupar o sobrado de três andares localizado no Terreiro de Jesus, nº1, atualmente vazio. A ação faz parte da iniciativa do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) que, até o final de 2017, vai mudar a ocupação de 20 casarões do Centro Histórico de Salvador (CHS). Órgão vinculado à Secretaria de Cultura (SecultBa), o Ipac dispõe de 60 casas no perímetro do Centro, tombado como Patrimônio do Brasil pelo governo federal, via Iphan/MinC, e chancelado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

“Esses imóveis serão ocupados por importantes projetos artísticos, culturais, sociais e de economia criativa para, de forma articulada, dinamizar ainda mais o CHS”, afirma João Carlos de Oliveira, diretor geral do Ipac, órgão que também terá sua sede transferida para o antigo prédio dos Correios, na esquina da Rua Ordem 3ª e Praça do Cruzeiro, em frente à Igreja de São Francisco. "A antiga sede do Ipac será ocupada pelo Casarão da Diversidade, uma parceria da SecultBa com a Secretaria de Justiça Direitos Humanos (SJDHDS) e a Ufba, para o combate ao tráfico de pessoas, atendimento aos adolescentes e ao público LGBT”, completa João Carlos.

Outra mudança será no Solar Ferrão, prédio de seis andares do século XVIII que está localizado na Rua Gregório de Mattos, 45, e que vai sediar a Diretoria de Museus (Dimus). Até o final do ano, serão reabertas cinco coleções de arte para visitação gratuita no Solar Ferrão, com obras de arte sacro-europeia, africana, popular e instrumentos musicais.

IPAC anuncia mudança em casarões do Centro Histórico de Salvador

Até final do ano (2017) 20 casarões do Centro Histórico de Salvador (CHS) devem mudar de ocupações para atender contingenciamento de recursos púbicos e a política pública estadual em benefício da região. O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), órgão responsável por essas mudanças, dispõe de 60 casas no perímetro do CHS, tombado do como Patrimônio do Brasil pelo governo federal, via IPHAN/MinC, e chancelado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. O IPAC é vinculado à Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA).

“Esses imóveis serão ocupados por importantes projetos artísticos, culturais, sociais e de economia criativa para,de forma articulada,dinamizar ainda maiso CHS”, afirma o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira. O dirigente informa que o IPAC também terá sua sede transferida para o antigo prédio dos Correios, na esquina da Rua Ordem 3ª e Praça do Cruzeiro, em frente à Igreja de São Francisco.“A antiga sede do IPAC será ocupada pelo ‘Casarão da Diversidade’, uma parceria da SecultBA com a Secretaria de Justiça Direitos Humanos (SJDHDS) e a UFBA, para o combate ao tráfico de pessoas, atendimento aos adolescentes e ao público LGBT”, diz João Carlos. Esse prédio do IPAC é do século XVIII, com cinco andares, tombado como Patrimônio Nacional (1941) e fica na esquina das ruas Saldanha da Gama e 28 de Setembro, próximo ao Viaduto da Sé.

A mudança da sede do IPAC promove melhor uso de recursos públicos para administrar os prédios, com economia de energia elétrica, abastecimento de água e diminuição de terceirizados para vigiar menos imóveis. O IPAC mudará quatro diretorias, seis gerências, cinco coordenações, além de dezenas de setores. “Essas ações integram as metas comprometidas com a Secretaria da Fazenda (Sefaz) para diminuir os custos e otimizar a administração do IPAC”, lembra João Carlos.

Outra mudança será no sobrado de três andares do Terreiro de Jesus, nº1, que está vazio. Nesse imóvel serão sediadas a Orkestra Rumpilezz e o Rumpilezzinho, que passarão a ter espaço de alta visibilidade para trabalhos educativos, artísticos, ensaios e apresentações, movimentando mais a região. Já o Solar Ferrão, prédio de seis andares do século XVIII, localizado da Rua Gregório de Mattos, nº45, passa a sediar a Diretoria de Museus (Dimus). Até o final do ano (2017), a Dimus/IPAC reabre cinco coleções de arte (sacro-europeia, africana, popular e instrumentos musicais) para visitação gratuita nesse imóvel.

Novos projetos estão se instalando no Pelourinho, via IPAC, como a Associação Awá de Ações Afirmativas e a Organização Filhos do Mundo, no imóvel nº8 da Rua João de Deus, Pelourinho. Eles trabalham com a produção e comercialização de cosméticos naturais a partir da Rede de Horto de Plantas Medicinais e Litúrgicas (RHOL). O projeto ganhou o Edital de Fomento a Empreendimentos de Matriz Africana da Secretaria do Trabalho (Setre). “Desenvolvemos a ação com 10 terreiros de candomblé distribuídos em cinco municípios da Região Metropolitana de Salvador, agora com sede no Pelourinho”, relata Suely Conceição, vice-presidente da Awá.

A maior organização de favelas do país, a CUFA também já está no Pelourinho em imóvel do IPAC na Rua Gregório de Mattos. A CUFA está presente em 26 estados brasileiros e países como Bolívia, Alemanha, Chile, Hungria e Itália, dentre outros. No CHSa CUFA promove articulações, cursos e treinamentos. Outras incubadoras e entidades devem se instalar nos casarões do IPAC nas ruas Saldanha da Gama e 28 de Setembro integrando o Distrito Criativo do Pelourinho que deve influenciar economicamente a área. O IPAC tem outros imóveis com ocupações bem sucedidas: Balé Folclórico (https://goo.gl/jZQjJN),Cine XIV, projetos Axé (https://goo.gl/34bd1a) e Mandinga/Capoeira, além da livraria Mídialouca, Museu da Música Brasileira, casas das Filarmônicas e da Residência Artística do Pelourinho, dentre outros.

 

Fonte: Correio/SecultBa/Municipios Baianos

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