01/11/2017

Sagrado: Não confunda respeito com adoração…

 

Por que, em vez de respeitar e seguir os conselhos dos mestres passamos a dever-lhes culto, adoração e obediência? – Estive matutando sobre isso durante a semana, enquanto participava das discussões sobre a realização da I Conferência Indígena da Ayahuasca, a Yubaka Hayrá. Uma coisa que aprendi nessa convivência de muitos anos com os povos indígenas foi entender a profundidade da palavra ‘respeito’. Palavra esta extensível a muitas coisas, entre estas a busca espiritual. Deve ser porque os tempos de minhas andanças mais constantes pelas aldeias no Aquiry foram em épocas em que não existia esse ‘booom’ xamânico de butique, de maneira que, para ter acesso aos ensinamentos profundos dos mistérios encantados do huni (ayahuasca) era preciso encarar muitos dias de viagens, suportando os infernais piuns e as agruras do inconstante e mal-humorado clima amazônico.

Não era uma peregrinação em busca de algo, na verdade.

Acreditem que em nenhum momento eu, nesses idos anos, tenha me aventurado em um empreendimento tão caro de ida a uma aldeia tendo como objetivo somente encontrar um ‘pajé’, ou algum mahatma qualquer que viesse a iluminar-me os caminhos futuros e aliviar as dores presentes. Até porque – e talvez parte da felicidade fosse isso – as ‘redes sociais’ de então se resumiam aos amigos e demais conhecidos da vida pessoal e profissional, de maneira que não havia propaganda ou endeusamento próprio ou de outrem. Aqui por estas bandas onde o ‘vento faz a curva’ (creiam-me, faz mesmo), a busca espiritual passava ao largo da cultura indígena, margeando somente as igrejas do Santo Daime.

Em muitas ‘rodas de cipó’ (ritual de ayahuasca) vi, ouvi e senti os encantamentos primevos, de onde a raiz do espírito humano brota. Cantos, assopros, assobios e outros sons estimulantes davam o tom e conduziam estas rodas. Curas e demais iluminações ocorriam em uma dinâmica discreta e profunda, de maneira que a luz bruxuleante das porongas – ou de uma fogueira – transmutavam as formas humanas presentes, dando à cena um aspecto fantasmagórico surreal. Nesse palco encantado o curador e/ou cantor do ritual (ou pajé, para o entendimento simbólico para os leigos) dominava o ambiente, pondo sob suas asas encantadas tudo o que ocorria ao redor de seu espaço de ação. Nesses rituais rolava, também, aquelas conversas mais reservadas, sussurradas como se todos os ouvidos do mundo estivessem à escuta do que fosse dito. Conselhos, dicas de dietas, rezas ou outros sortilégios eram falados enquanto a energia do huni mareava os sentidos. As palavras ditas nesse estado de percepção atingiam um nível especial, alojando-se fortemente em nosso ‘entendimento’, como se tivessem sido esculpidas em nossa mente.

Muitas vezes, da maneira desprendida de liturgias ou simbolismos visuais, da mesma maneira que começavam, essas rodas de cipó terminavam, com os participantes se dispersando pelo ambiente, indo para suas redes ‘conversar’ com os yuxin da natureza. No meu caso, em geral, antes de buscar o refúgio privado da rede, preferia ‘aterrissar’ fumando um cachimbo, sentado de frente para o rio da comunidade, deixando meus pensamentos mergulharem neste rio ou se embrenharem mata a dentro. Os sons noturnos da floresta acendiam pontinhos de luz em meus pensamentos, e os flashes multicores se apresentavam ‘aqui e ali’, enquanto meus olhos perscrutavam o ambiente externo, tentando trazer à razão material alguma explicação para este fenômeno etéreo. Aprendi a ter respeito pelos curadores e demais navegantes dos mistérios sagrados dos yuxin. Buscando entender os processos de iluminação e cura dentro de uma lógica experimental e simbólica de vida, como base para que toda a experiência vivida tivesse lastro em um entendimento que se firmasse em meu Ser, como um ensinamento a ser guardado para sempre.

Aí que está o ponto: respeito.

No dia seguinte destas rodas, mesmo quando em dieta, esses figuras encantados e cheios de força sempre foram dignos de meu profundo respeito e reconhecimento. Coisa que aprendi com a própria comunidade onde estes viviam. Aprendi que dentro da palavra respeito, cabia todo o sentimento necessário para com estes, sem extrapolar os limites que a ele ou a mim cabiam. E esse limite sempre separou o sentimento saudável doutros questionáveis e até mesmo ridículos: adoração ou endeusamento. – E porque cito isso? Bem… me responda você, caro leitor. Acho por demais estranho ver muitos endeusarem ou adorarem alguém, de carne e osso, com tripa e nó, assim como todos nós. Acharem que o cara (ou ‘a’ figura), por tomar um cipó conosco, nos iluminar com suas canções ou, ainda nos ajudar a alcançar a cura – vejam bem, o figura não cura ninguém, este auxilia os espíritos a assim fazerem – devam, então, serem adorados e seguidos tal qual um pastor de ovelhas, ou, ainda, que sejam objetos de culto, como se tudo o que emanasse destes fosse oriundo de uma divindade contida em um corpo humano…

Falo isso tudo porque fico só de olho nas coisas, ou mesmo, de ouvidos, e até mesmo presenciando situações que, de tão ridículas, não servem nem para dar umas boas risadas. Tudo bem, que, como já mastiguei em trocentos textos antes deste, nós, crias dessa civilização ocidental sequelada por séculos de todo o tipo de besteirol, superficialidades e dogmas, temos uma carência doentia por gurus e pastores que nos guiem, tal qual faróis de sapiência e luz divina… que bobagem.

Já testemunhei cenas hilárias, como, certa vez, conversando com um querido amigo indígena, de muita luz e força espiritual, observei que, enquanto andávamos conversando uma série de assuntos (entre estes alguns nada espirituais), uma pessoa nos seguia, carregando em uma das mãos um pequeno banquinho (daqueles de pescador) e uma garrafinha térmica, que, certamente deveria ser água. Mesmo com toda proximidade e amizade com esse amigo evitei perguntar o motivo de tão estranha companhia, já que, estava claro que o figura era uma espécie de pajem. Assim, fazendo ‘cara de crepúsculo’ toda vez que de nós se aproximava, acabei por aceitar sua presença, rindo por dentro quando, fazendo menção de sentar-se, rapidamente o figura pôs o banquinho pro txai sentar. Gente, juro a vocês que essa cena descrita é verdadeira.

Então. Moral da história: É preciso entender que devemos ter muito respeito por todos que nos ajudam em nossa vida espiritual e material. Estes merecem ter seu espaço em nossos corações e considerações. Merecem nosso apoio e, ainda, nossa ajuda quando necessário em seus projetos comunitários e, em alguns casos, até mesmo em projetos pessoais (tendo sérias ressalvas quanto a certos projetos pessoais que envolvam construção de templos, ou que envolvam enriquecimento). Porém, elevar à altura de uma divindade digna de adoração é algo prejudicial a todas as partes: tanto a quem ‘adora’ quanto a quem é ‘adorado’. Não posso dizer que fico ‘de cara’ com quem ache ser todo txai uma espécie de Dalai Lama, cheio de estudo e sabedoria filosófica da vida. Gente…É preciso evoluir espiritualmente a cada experiência, rompendo com essa necessidade de gurus, pois, não é possível evolução quando se está preso em algo tão básico quanto a adoração a um semelhante. E digo que somente os tão interiores quanto nós mesmos fazem questão de ser foco desse estado de adoração constante. Respeitar de verdade é isso: reconhecer e valorizar toda a força e presença espiritual desses curadores que nos mostraram (e mostram) o caminho sagrado, mas, entendendo que estes são tão humanos e com as mesmas ‘imperfeições’ que nós. Essa palavra, respeito, em nossa sociedade hipócrita, não tem um significado tão profundo, mas, acreditem, para os povos indígenas, em geral, é a base das relações e do reconhecimento espiritual do indivíduo.

Para que essa expansão benfazeja do mundo espiritual indígena atinja realmente seus objetivos, trazendo para o entendimento espiritual nossa combalida cultura, é preciso que se evitem os excessos e os vícios da mesma, sendo que a divinização de alguém é o pior desses vícios. Termino essa reflexão de hoje com os pensamentos voltados ao grande evento que teremos em dezembro, e sobre o qual citei no começo do texto. Trata-se da primeira conferência indígena, no Juruá acreano, sobre a ayahuasca. Uma atividade que certamente trará muitas informações e assuntos para ‘matutarmos’ nos tempos que se seguirão após seu encerramento. Estarei lá, com certeza. Minha mochila está pronta muitos meses antes deste evento ser confirmado, pois, logo após a Aya Conference 2016 que ocorreu no Acre, um ‘passarinho’ me disse que este ano não terminaria sem que os indígenas dessem seu recado, sem interferências e sem o assédio dos ‘nawa’ (não-índios). Quem foi esse passarinho? Bem… quem me encontrar durante o evento e me perguntar responderei com todo prazer.

Fortalecida, bancada ruralista mira o agronegócio nas terras indígenas. Por Izabela Sanchez

“Integracionismo à vista”. Esse é o título de apresentação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no relatório ‘Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil 2017’. O documento mostra que o número de assassinatos de indígenas, em 2016, diminuiu em comparação à 2015 e 2014, mas não a abrangência da violência. Pulverizados, os ataques contra os direitos das etnias mostram um setor ruralista mais organizado, estruturado e com forte lobby junto ao governo. Mudanças legislativas, que antes demoravam anos para serem construídas, agora são levadas à frente por meio de canetadas. É o caso da produção agrícola em terras indígenas, que ganha destaque nas pautas da bancada ruralista do Congresso. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) mobilizou uma audiência pública sobre o tema, na Câmara, solicitada pelo presidente da organização, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). A audiência ocorreu no dia 18 e foi marcada pela violência: indígenas que tentaram entrar na Câmara foram impedidos e detidos pela segurança da Casa, que se intitula Departamento de Polícia Legislativa (Depol), e devem responder a investigações.

Quando anunciou a discussão, Leitão comentou sobre a “preocupação” de que os indígenas não estão enriquecendo nas terras onde estão, e comentou sobre as “valiosas jazidas minerais” que incidem nos territórios, conforme publicou o jornal O Livre: – Nós vamos trazer lideranças indígenas para Brasília, a fim de debater a produção dos índios em suas comunidades. Vamos debater o direito de eles explorarem suas terras e também o minério. Muitas aldeias indígenas estão em cima de jazidas — da esmeralda, do ouro, da prata. Muita gente está enriquecendo com isso, menos o índio.

AGRONEGÓCIO EM TERRAS INDÍGENAS

Durante o encontro, parlamentares da bancada divulgaram que as etnias “manifestaram o desejo de serem também produtores rurais ou de arrendar essas áreas para poder usufruir do solo, utilizando o manejo adequado”. O portal ‘Notícias Agrícolas‘ destacou a cidade de Campo Novo do Parecis (MT) onde, segundo a publicação, “há indígenas que foram estudar agronomia e dominam as boas práticas agrícolas, bem como fazem uso de agricultura de precisão”. Ocorre que no próprio Mato Grosso há denúncias de que as terras indígenas já foram invadidas pelo agronegócio. Informações obtidas pelo De Olho nos Ruralistas indicam que o cenário não é recente e avança em larga escala. A ideologia de produção agrícola dos ruralistas alcança etnias Brasil afora, mas não é unânime. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) relatou ter sido surpreendida, por email, com um convite para compor as discussões. Dias depois do anúncio da audiência, jornais publicaram que o presidente Michel Temer (PMDB) pretendia regularizar o arrendamento de terras indígenas por meio de uma Medida Provisória (MP), o que o Planalto ‘desmentiu’ rapidamente, conforme publicou o Instituto Sociambiental (ISA). A tentativa não é nova e está presente em projetos de lei da bancada, conforme publicou o De Olho nos Ruralistas.

‘FORÇAS ANTI-INDÍGENAS’

Secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário, Cleber César Buzatto pontuou que 2016 foi o ano das “forças anti-indígenas”. Já instaladas no Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministérios e nos governos anteriores, elas se associaram a grupos ainda mais conservadores, fundamentalistas e financistas. O resultado? Uma pauta positiva – do ponto de vista dos ruralistas – para o biênio 2016-2017: – Às vésperas da votação do impeachment, a bancada ruralista e cerca de 40 associações de envergadura nacional e regional do agronegócio e representantes de produtores de commodities agrícolas destinadas fundamentalmente à exportação acertaram os ponteiros em torno do documento “Pauta Positiva – Biênio 2016-2017”. No relatório, o Cimi fala do crescimento do paradigma “integracionista”. Ele enxerga os indígenas como parte que não se encaixa no projeto de Estado, pautado pelo agronegócio e pelos interesses privados. Essa perspectiva também não é novidade do governo Temer. Ela foi a amarra invisível que coordenou as ações do Estado brasileiro antes da Constituição de 1988.

O documentário “Índio Cidadão?” do cineasta Rodrigo Siqueira, mostra como a luta dos povos indígenas articulou a Constituinte. O resultado foi a perspectiva de Estado Pluriétnico, regulamentado pelo Estatuto do Índio. É com esse entendimento que a Constituição normatiza o vínculo das etnias com os territórios que tradicionalmente ocupam, muito além da ideia de propriedade estabelecida por outras legislações. Ele leva em conta a memória, a oralidade e os costumes que ligam um povo à determinado território.

O Estado Pluriétnico, alertam juristas, é hoje ameaçado pela tese do Marco Temporal, com origem no julgamento da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, em 2009, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento, mesmo sem efeito vinculante, deu a brecha para que o governo conseguisse esticar a tese. Entre 2016 e 2017 o assunto foi prioridade para a base aliada de Temer. E também preocupa o Cimi, que publicou um artigo específico sobre o tema no relatório.

AGENDA DE RETROCESSOS

A assessora antropológica Lucia Helena Rangel e o coordenador do Regional Cimi Sul, Roberto Antonio Liebgott, relataram, no documento, como as disputas pelo poder político do país causam aumento da violência contra os povos. Eles explicam que a abertura para o setor sempre existiu, mas se transformou, de forma gradual, em ideologia dominante no governo federal. A bancada ruralista foi responsável, conforme publicou o De Olho nos Ruralistas, por segurar Temer no cargo durante a votação do primeiro pedido de investigação enviado pelo então Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Na quarta-feira (25), dia em que Temer foi novamente blindado, não foi diferente: 54,58% dos votos a favor do presidente saíram de integrantes da FPA. Dias antes da votação o presidente esteve no Pantanal sul-mato-grossense, em Miranda, a 201 km de Campo Grande, onde assinou medidas que alteraram as regras de legislação ambiental para empresas privadas. As Medidas Provisórias e um decreto renegociam dívidas de multas ambientais, oferecem descontos e criam um fundo público para compensação ambiental.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) sofreram cortes e reduções. O Cimi também mostrou, no relatório, um retrato caótico das pastas responsáveis pela assistência e garantia aos direitos dos povos indígenas, sucateadas. A Funai, segundo o Cimi, tem o menor orçamento em 10 anos. Para os integrantes do Cimi há uma tendência “de que haverá mudanças ainda mais severas”.

ARRENDAMENTOS NO SUL

Apesar de mostrar mais força, essa agenda é gestada pela bancada há anos. O “integracionismo à vista” esteve presente na fala de um representante da pasta de Blairo Maggi (PP), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Pedro Alves Correia Neto participou de uma audiência sobre o assunto em dezembro de 2016, no Senado. Ele afirmou que os índios “não podem ficar à margem da tecnologia e têm que ser integrados”. O sucateamento da Funai também não começou durante o governo Temer. A falta de assistência, que deixa comunidades indígenas sem projeto de futuro em todo o Brasil, foi exemplificada pela fala de um dos indígenas durante a audiência do Senado. Cacique da Terra Indígena (TI) Nonoai, no Rio Grande do Sul, José Orestes é vereador em Gramado (RS). Ele declarou que a seca e a epidemia assolam a comunidade onde vive há anos. “Meus índios muitas vezes passam até fome”, disse.

Segundo o Senado, o cacique teria se queixado de recomendação expedida pelo Ministério Público Federal (MPF), que pediu o fim dos arrendamentos na TI. Na Terra vivem os povos Guarani, Guarani Mbya, Guarani Ñandeva e Kaingang, segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA). A recomendação foi expedida em setembro de 2016 e afirma que um inquérito civil confirmou a existência de arrendamento sob intermédio da Cooperativa Agrícola e Ambiental. O MPF declarou, por meio da assessoria de imprensa, que a cooperativa, na condição de intermediária dos arrendamentos, “se apropriava de parcela dos recursos e não adota quaisquer medidas de transparência acerca da destinação dos valores”. Forte representante da bancada ruralista, o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) criticou o MPF, durante a audiência. “Essa parceria, não tenho dúvida, só vai trazer benefício, e que me desculpe o procurador, agora peço vênia, ele tá equivocado”, afirmou.

‘NÃO SOMOS PRODUTORES RURAIS’

Advogado e pesquisador em Desenvolvimento Sustentável na Universidade de Brasília (UNB), o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá, representante da etnia Tuxá, da Bahia, conversou com o De Olho nos Ruralistas antes que a FPA agendasse a discussão. Ele destacou que o objetivo da audiência é explorar, de forma predatória e “nada sustentável”, as terras indígenas. Ele defende que o modo tradicional de produzir a terra, para as etnias, não se pauta pelo latifúndio, mas sim pela sustentabilidade: – Entendemos que essa audiência foi proposta no intuito de tentar desconfigurar, de tentar alocar, aos povos indígenas, uma postura que não é dos povos indígenas, ou seja, nós não somos produtores rurais, nós não praticamos o latifúndio, nós trabalhamos a agricultura tradicional e a forma de produção indígena vem em comum acordo com a sua sustentabilidade. Prova esta que os 13% do território nacional que estão sob a posse dos povos indígenas, é público e notório isso, são áreas altamente preservadas.

Tuxá diz que a discussão da Câmara tem o intuito de impor, aos povos indígenas, “o modelo de produção agrícola ligado ao agronegócio, ao latifúndio, e ao modelo capitalista”. O pesquisador afirma que a audiência tenta macular a tradicionalidade da relação com a terra e com o meio ambiente. Ele reclama que muitos representantes dos povos indígenas, à exemplo da Apib, não foram consultados: – É preocupante quando uma audiência desse porte coloca segmentos, setores do governo, e até o próprio movimento, que não foi consultado, para fazer parte dessa audiência. Eles colocaram uma pauta, mas não houve o devido convite, não houve sequer o devido repasse das informações para que nós possamos dizer se queríamos participar ou não. Não é de interesse dos povos indígenas ter esse tipo de debate. É de interesse dos povos indígenas discutir a sustentabilidade dentro das terras indígenas. A reportagem enviou perguntas sobre a audiência, para o deputado Nilson Leitão e para a FPA. Os questionamentos não foram respondidos.

 

Fonte: Por Jairo Lima, em Crônicas Indigenistas/De Olho nos Ruralistas/Municipios Baianos

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